11 março 2015

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A dança do ventre pode morrer?

Olá meninos e meninas, tudo bom???

No início do ano passado, participei de um grupo de trabalho para discutir algumas necessidades de treinamento em minha atividade "secular" (trabalho em uma instituição financeira). Foram 30 dias de "internato", 8 horas por dia, onde analisávamos o perfil atual de nosso recurso (profissionais) e o resultado esperado dentro das necessidades regulamentares. E, ao final de todas as reuniões, as mesmas frases eram ditas:

- Não é possível uma atividade de treinamento que limite o acesso à informação; 
- O perfil da "molecada" contratada atualmente é: a não valorização da informação, já que ela é abundante, e está disponível em todos os lugares; 
- Existe uma dificuldade em formar especialistas, porque o "profissional do futuro" não tem o objetivo de assimilar e reter as informações; 
- Toda e qualquer informação que seja publicada com a intenção de ser multiplicada, tem que ser publicada em local cujo acesso seja possível via celulares, tablets, etc. (O terror para qualquer instituição financeira)



Enfim...

Era o povo falando o tempo todo, e eu nunca parei de pensar nesse prognóstico direcionado à dança do ventre.

O título da postagem, eu sei, é trágico, e sendo a dança uma arte viva, que evolui concomitantemente com as mudanças do ser humano, é realmente difícil que ela desapareça para sempre. No entanto, com as inovações tecnológicas, e a tal "abundância da informação", somos convidados a observar uma nova forma de apreciar a dança, de se profissionalizar, de ensinar e de empreender. 

Acredito que "dos primórdios" até o ano de 2010, a dança do ventre no Brasil passou por um momento de reconhecimento. Mesmo com a ajudinha santa da Rede Globo no ano de 2001 (novela "O Clone), e o boom de escolas e professoras que se seguiu, ainda não havia, digamos, uma "identidade" formada, um padrão a se seguir (que não é padrão de qualidade não sei quem, não confundam). 


Será exagero dizer que nos últimos 5 anos a dança do ventre evoluiu 50 anos em 5? Não sei. Mas o que sei é que o nível profissional das bailarinas subiu absurdamente. No entanto, essas bailarinas foram formadas em outro momento, quando o estudo da dança era fundamentado não somente na reprodução dos passos, mas no estudo da história da dança do ventre, dos estilos, dos ritmos, da estrutura da música árabe, e principalmente, do folclore. Essa base é perceptível na dança dessas bailarinas consideradas "top". Impossível não associar um said bem dançado e não se lembrar da Munira, e enxergar nela, também, grande influência de Mahmoud Reda, ou ver uma interpretação da Elis Pinheiro e não pensar em Samia Gamal

Porém não consigo, absolutamente, enxergar essa necessidade de estudo nas bailarinas mais novas, me perdoem a sinceridade. Para a geração "facebook / instagram / youtube" da dança do ventre, elaborar uma apresentação é gostar de uma música, jogar no grupo de música árabe um vídeo de alguma bailarina que esteja dançando com a indefectível pergunta "alguém tem essa música?", pedir pra professora coreografar (ou ela mesma, dependendo do nível em que esteja), e ensaiar os passos à exaustão. O "produto final" pode até parecer bom, pode ter qualidade técnica pela quantidade de reprodução, mas é uma dança vazia em si mesma, desovada, pronta. 

A diferença entre a amante da dança / bailarina amadora  e bailarina profissional pode ser, apenas, a qualidade na execução dos passos.

Não estou generalizando, nem fazendo mimimi. É uma afirmação baseada no que observo nos vídeos em que assisto, na repercussão da dança nas redes sociais, nos resultados dos concursos e nos eventos de dança.  Rapidamente me passou pela cabeça a palavra "estagnação", mas acho que isso não se encaixa à dança. É uma fase, como muitas pelas quais a dança do ventre no Brasil já passou. 

Resta saber "se" e "quando" vai passar......

Beijos a todas!!!!!!!!!!!!




4 comentários:

  1. Vera, de Deus, saudades mulher! Primeiramente, que bom te encontrar de novo, agora em outro grupo o dessa geração internet, lá no wahts do Sala de Dança. Bj no <3.
    Segundamente, kkkkk, menina eu estava meditando exatamente sobre isso nestes últimos meses. Voltei recentemente para sala de aula, e a minha primeira impressão convivendo com as colegas foi exatamente esta:não conseguir enxergar essa necessidade nas aprendizes mais novas, em relação a busca pela profundidade da dança do ventre, folclore, história, estilos, ícones da dança e música... e por aí vai, é um campo vasto.
    Dá uma sensação de solitude, mas nada que uma boa conversa com as colegas e a oportunidade de trocar, mostrar que existe algo além de somente aprender movimentos.
    Eu sou das que pensam que se trata de uma fase, e acredito que aos poucos a própria pessoa começa a sentir este vazio e vai em busca da essência.
    Oremos, a Nossa Senhora dos Snujs, tudo passa, nada é.
    Bjs, amore.

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  2. Olá, acompanho seu blog tem pouco tempo, pois também estou há pouco tempo na dança do ventre. Gostei do que foi dito, mas talvez seja necessário colocar em discussão o papel das professoras nessa questão. Eu mesma tenho muita curiosidade em saber tudo por trás de cada ritmo, mas mesmo com toda a tecnologia disponível acho tudo muito complexo e fico muitas vezes boiando. As vezes acho até que ter ido atrás da informação só bagunçou mais minha cabeça.
    Enfim, acho que é isso.

    Parabéns pelo blog.

    Mariana

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. I don't believe in that no, this dance has its own history, its own followers, I don't that it is actually possible. Don't be naive, folks.

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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