23 março 2015

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Hotel Califórnia - Fusão Dança do Ventre / Odissi



Quando a dança do ventre tem a "oportunidade" de encontrar uma das melhores músicas de todos os tempos - "Hotel Califórnia" (1976) dos Eagles (mais precisamente a 37o., eleição de 2004 pela revista Rolling Stone - "The 500 best music of all times), e uma dança tão linda quanto a indiana, mais precisamente o Odissi, o resultado não pode ser menos do que INCRÍVEL.

Enjoy!


18 março 2015

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Menos é mais: a simplicidade na dança do ventre


"O que que tem na sopa do neném?O que que tem na sopa do neném?
Será que tem espinafre?
Será que tem tomate?
Será que tem feijão?
Será que tem agrião?
É um, é dois, é três...

O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem farinha?
Será que tem balinha!?
Será que tem macarrão?
Será que tem caminhão?!
É um, é dois, é três..." (Palavra Cantada - Sopa)


Minha nossa, mudamos radicalmente hein... de Bon Jovi e Pearl Jam para Palavra Cantada! É um, é dois, é três..."

Essa música está fixa na minha playlist por motivos óbvios nos últimos dias. Outro dia, percorrendo alguns vídeos de dança do ventre, me peguei pensando "o que tem na sopa da bellydancer?". Ultimamente, as apresentações têm sido incrementadas com tantas inovações, sequências fortes, fusões com outras danças, passos diferentes, que cada performance desperta no público essa expectativa: o que a bailarina trará de novo, o que ela fará de diferente?

Pra quem acha que esse "movimento" é recente, vale lembrar que em 2012, uma apresentação linda e perfeita da Claudia Cenci, de encher os olhos e o coração de amor,  foi chamada de básica. 

Como público, às vezes eu até gosto de ser surpreendida em uma apresentação. Mas preciso confessar que a dança que enche os olhos, pra mim, é aquela da sopinha básica, cada vez mais rara em nosso meio, por sinal. Por isso, quando vejo uma apresentação bacana, simples, só passos básicos, leitura musical e expressão perfeitas, e muito amor pela dança, me sinto na obrigação de compartilhar.

Vamos lá:

Carol Louro - Danças do Oriente - SP - 16/11/2014




Esse vídeo da Carol me impressionou de verdade. Primeiro porque a maioria das danças que assisti dela são bem vigorosas, o que dá um contraste bacana com o jeitinho meigo dela, e seu biotipo "petit". Mas essa foi uma dança calma, de leitura MUITO precisa, uma utilização incrível dos movimentos sinuosos, e executada em um espaço muito pequeno. Estudo obrigatório para quem dança em espaços como restaurantes e casas de chá. Em alguns momentos tenho a impressão de que até os dedos estão envolvidos na leitura, é, de fato, muito incrível. 

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Michelle Mahasin - Summer Bellydance Festival 2013 - Holanda




Eu poderia torcer o nariz para a "música modinha" que foi apresentada a nós, brasileiras, pela Daryia Mitskevitch. Mas não vou! Como é legal ver uma dança bem cheia de batidas laterais, breaks, acentos, e um sambinha irresistível executado na meia ponta, colocado na dança com muita elegância. Michelle utilizou sequências que poderiam ser consideradas "simples" aos olhos de um avaliador mais exigente, porém executadas com o máximo de perfeição e sem perder o vigor. Belíssima. 
(Eu quero falar da dissociação, mas tô com inveja, melhor não! KKKKKKK....)

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Irina Akulenko - Bellydance Fusion - 2013



Este vídeo me lembra bastante o trabalho da minha amiga Mari Garavello, tribalista de mão cheia, uma das melhores do Brasil, e me faz pensar no quanto os movimentos "fundamentais" de nossa dança podem enriquecer uma performance quando bem executados. Neste verdadeiro "catálogo de movimentos" da dança do ventre, cada acento foi colocado de forma muito precisa, e o resultado final foi uma dança linda de se ver, e que merece ser compartilhada.

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Elis Pinheiro - Reino Unido - 2014




Primeiro a música: Raksat Kaharamahna - Farid el Atrashe. Maravilhosa. E a dança ... que linda. Embora eu não concorde muito com o título "Estilo Golden Era" (tem, ainda, muita modernidade pro meu gosto), a utilização dos movimentos básicos é perfeita. Elis é sempre assim, sempre elegante e sempre fluida, não importa o nível de dificuldade dos passos que esteja executando. E esse é o diferencial na sua dança. 

E vocês, gostam de apresentações mais básicas, ou enlouquecem com as inovações? Me contem!!!

Beijos a todas. 

11 março 2015

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A dança do ventre pode morrer?

Olá meninos e meninas, tudo bom???

No início do ano passado, participei de um grupo de trabalho para discutir algumas necessidades de treinamento em minha atividade "secular" (trabalho em uma instituição financeira). Foram 30 dias de "internato", 8 horas por dia, onde analisávamos o perfil atual de nosso recurso (profissionais) e o resultado esperado dentro das necessidades regulamentares. E, ao final de todas as reuniões, as mesmas frases eram ditas:

- Não é possível uma atividade de treinamento que limite o acesso à informação; 
- O perfil da "molecada" contratada atualmente é: a não valorização da informação, já que ela é abundante, e está disponível em todos os lugares; 
- Existe uma dificuldade em formar especialistas, porque o "profissional do futuro" não tem o objetivo de assimilar e reter as informações; 
- Toda e qualquer informação que seja publicada com a intenção de ser multiplicada, tem que ser publicada em local cujo acesso seja possível via celulares, tablets, etc. (O terror para qualquer instituição financeira)



Enfim...

Era o povo falando o tempo todo, e eu nunca parei de pensar nesse prognóstico direcionado à dança do ventre.

O título da postagem, eu sei, é trágico, e sendo a dança uma arte viva, que evolui concomitantemente com as mudanças do ser humano, é realmente difícil que ela desapareça para sempre. No entanto, com as inovações tecnológicas, e a tal "abundância da informação", somos convidados a observar uma nova forma de apreciar a dança, de se profissionalizar, de ensinar e de empreender. 

Acredito que "dos primórdios" até o ano de 2010, a dança do ventre no Brasil passou por um momento de reconhecimento. Mesmo com a ajudinha santa da Rede Globo no ano de 2001 (novela "O Clone), e o boom de escolas e professoras que se seguiu, ainda não havia, digamos, uma "identidade" formada, um padrão a se seguir (que não é padrão de qualidade não sei quem, não confundam). 


Será exagero dizer que nos últimos 5 anos a dança do ventre evoluiu 50 anos em 5? Não sei. Mas o que sei é que o nível profissional das bailarinas subiu absurdamente. No entanto, essas bailarinas foram formadas em outro momento, quando o estudo da dança era fundamentado não somente na reprodução dos passos, mas no estudo da história da dança do ventre, dos estilos, dos ritmos, da estrutura da música árabe, e principalmente, do folclore. Essa base é perceptível na dança dessas bailarinas consideradas "top". Impossível não associar um said bem dançado e não se lembrar da Munira, e enxergar nela, também, grande influência de Mahmoud Reda, ou ver uma interpretação da Elis Pinheiro e não pensar em Samia Gamal

Porém não consigo, absolutamente, enxergar essa necessidade de estudo nas bailarinas mais novas, me perdoem a sinceridade. Para a geração "facebook / instagram / youtube" da dança do ventre, elaborar uma apresentação é gostar de uma música, jogar no grupo de música árabe um vídeo de alguma bailarina que esteja dançando com a indefectível pergunta "alguém tem essa música?", pedir pra professora coreografar (ou ela mesma, dependendo do nível em que esteja), e ensaiar os passos à exaustão. O "produto final" pode até parecer bom, pode ter qualidade técnica pela quantidade de reprodução, mas é uma dança vazia em si mesma, desovada, pronta. 

A diferença entre a amante da dança / bailarina amadora  e bailarina profissional pode ser, apenas, a qualidade na execução dos passos.

Não estou generalizando, nem fazendo mimimi. É uma afirmação baseada no que observo nos vídeos em que assisto, na repercussão da dança nas redes sociais, nos resultados dos concursos e nos eventos de dança.  Rapidamente me passou pela cabeça a palavra "estagnação", mas acho que isso não se encaixa à dança. É uma fase, como muitas pelas quais a dança do ventre no Brasil já passou. 

Resta saber "se" e "quando" vai passar......

Beijos a todas!!!!!!!!!!!!




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Estou de volta




E o Amar el Binnaz, finalmente, está de volta!

Ano 2015 da Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, ano 6 desde blog cheio de amor pela dança oriental, pela música árabe, pela auto estima da mulher

Para um veículo de internet não remunerado, pode não parecer, mas chegar ao 6o. ano é algo bastante significativo. Produzir conteúdo para a internet requer tempo de pesquisa, disposição para concatenar as idéias e, principalmente, paciência para lidar com a repercussão, nem sempre positiva. Principalmente no caso de uma dança que não é nossa, e que não possui muita literatura confiável, digamos, "direto da fonte". Me sinto vitoriosa ao pensar em cada um desses 6 anos e em todas as conquistas que ele me proporcionou. 

O ano de 2014 foi de intensas transformações na minha vida pessoal e profissional, sendo a maior delas o nascimento do meu filho José Guilherme. Um momento bastante marcante no meu parto (natural bem, tenho que ostentar! Qualquer dia desses conto tudo.), foi reconhecer a morte de uma pessoa que existia em mim, mas que hoje não consigo enxergar como sendo eu, parece uma conhecida distante, que eu sei que foi muito querida, mas que hoje não me é mais familiar. Estranho não? Quem é mãe vai entender. Mas o fato é que a maternidade ressignifica tudo, inclusive meu relacionamento com coisas e pessoas na dança do ventre.  

Neste recomeço, o Amar el Binnaz vai continuar com a vontade de ser aquela velha amiga de sala de aula, que divide material de estudo, pensamentos, idéias, dicas de maquiagem... mas, acredito eu, de uma forma bem mais leve. Vem comigo. Vamos descobrir uma nova era na dança do ventre juntas!!!

Um grande beijo. 


Meu filho é uma gracinha! KKKKK...

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