13 setembro 2013

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Festival Nacional Shimmie - O show de Gala - Ritmos da Alma 2



Bailarina é um bicho bom para se adicionar superlativos, fala sério? É verdade. Todas as propagandas de shows que temos internet afora estão classificadas com a palavra "inesquecível". Para alguns eventos, isso se torna uma verdade: o impacto das apresentações reverbera em nossas almas por muito tempo. Em outros, os sentimento de euforia não dura nem 5 minutos.  O mestre Fernando Pessoa já dizia que: 

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” 

A segunda frase explica, exatamente, meu sentimento em relação ao show de gala do Festival Nacional Shimmie no domingo: momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. 

É certo que dançar no show de gala de um dos festivais mais aguardados do ano traz um peso diferente para a bailarina. Trata-se, nada mais, nada menos, do que uma grande vitrine, cuja exposição já começa quando a produção da revista divulga o elenco. Mais do que apenas dançar, é preciso impactar, transportar o público para as nuvens, que é o único caminho para aquele lugar do cérebro e do coração responsáveis por guardar o inesquecível. E as 15 apresentações da noite foram precisas neste quesito. 

Os 30 reais do ingresso não foram absolutamente NADA perto das sensações que poderiam ser experimentadas por lá. 

Vamos às apresentações:

Abertura: Aida Gamal e Pierre Saloum




O show começa com esse maravilhoso Rhythm ´n Blues de Big Bill Broonzy "Somebody´s got to go" (não é a versão original, mas é muito boa!), e Pierre Saloum fazendo pose de "bluzero" foi demais. Considero esta uma das fusões mais difíceis de adaptar para a dança oriental porque a estrutura do Rhythm ´n Blues é muito complexa, frases muito instáveis. No entanto, Aida Gamal foi muito bem na interpretação, aproveitou muito bem todas as nuances da música. Poderia ter sido um pouquinho mais energética pela versão escolhida, mas sua delicadez não tirou o brilho da música em nenhum momento. Excelente!

Grupo Adriana Amazonas



Vou transcrever a descrição do início da apresentação conforme está no youtube:

"No início da apresentação, os dois tecidos representam o encontro das águas (Rio Negro x Rio Solimões), uma das mais espetaculares atrações turísticas do Amazonas que acontece nas imediações da cidade de Manaus."

Achei a apresentação de uma leveza, e a bailarina de uma elegância sem fim. Quando começou o "batidão", Adriana mostrou serviço e o "poder do açaí". Muito linda.

Elaine Rollemberg



Se eu saísse do teatro nessa hora, ia demorar um tempão pra me recuperar da grandeza dessa apresentação. Eu fiquei de queixo caído, de verdade. Primeiro, James Brown, dispensa apresentações. O pai do rock, só para resumir (e eu como roqueira assumida e orgulhosa, não podia deixar de vibrar). A qualidade dos movimentos orientais, misturada ao funk americano e ao hip hop foi nitroglicerina pura. Os pequeninos acentos na hora do batidão, o molejo malandro, o carisma da bailarina, foi tudo perfeito. Sem dúvida uma das melhores apresentações da noite!


Rebeca Piñero




Rebeca Piñero trouxe uma versão de Louis Armstrong para a música "Only You" que eu não conhecia. Que delícia! Seu figurino de melindrosa e seus movimentos delicados fizeram um contraponto interessante com alguns passos característicos do tribal. E Rebeca é toda posuda, braços muito alongados, uma presença de palco ímpar. Gostei bastante. 

Cristina Antoniadis



Eu estou oficialmente apaixonada por essa música grega que Cristina dançou, e invejei vê-la cantar a letra em grego!  Não vou arriscar cometer uma gafe e errar dizendo que a segunda música era um Chiftitelli, mas eu acho que era, KKKK... Eu adoro ver a Cristina dançar. Ela traz para o palco um prazer e uma alegria que arrebatam o público, e que tem sido muito difícil de se ver ultimamente. Gosto mais ainda do trabalhar tranquilo de seus quadris, ela consegue misturar leveza com agilidade, é um troço esquisito mesmo, mas delicioso de se assistir!

Débora Valério



Se fosse outra bailarina que entrasse no palco com a música da Beyoncé e fizesse um mega redondão na hora da frase "I´m feeling sexy" ia parecer absurdamente forçado. Mas não com Débora Valério. Essa menina é uma explosão de sensualidade, e a bailarina perfeita para "segurar" a interpretação de Beyoncé. Sua comunicação com o público é incrível. E apesar da vibe "Stiletto" da apresentação, seus lentos foram perfeitos, várias soluções lentas com os braços anotadas para estudo. Amei!!!

Lunah Farah




O figurino da Lunah era de uma perfeição que, no camarim, eu nem olhava muito porque eu tinha medo que, sei lá, explodisse um strass, de tanto que invejei aquela roupa. Brincadeirinha. Lunah dançou o bolero de Mario Kirlis, que eu achei muito árabe (vixi, dei uma atravessada agora, mas vcs entenderam, vai!!) para a sequência de apresentações, mas ficou lindo também. Classe e fluidez são o nome dessa bailarina. Que limpeza de movimentos. Linda.

Linda Hathor



Eu sempre sou dura nas críticas com a Linda, mas sua apresentação no show foi a única que me arrancou lágrimas. A música certa, a bailarina certa, o figurino certo, o momento perfeito. Ela soube aproveitar cada momento da música, cada espaço do palco, cada tecido do seu figurino, dançou com a alma, arrebentou o coração no palco. E conseguiu transparecer esse sentimento para o público. Foi realmente uma grande apresentação de Linda. Paguei minha língua, ela é demais.

Rhazi Manat e Blaisson Farid


Tá escrito no manual da bailarina: quem escolhe Queen não erra jamais! Somebody to Love! Conheço os gostos musicais da Rhazi, e tenho certeza de que foi um prazer absurdo pra ela dançar essa música. E esse prazer foi visível em cada um de seus movimentos. O mais legal foi ver que nos momentos mais dramáticos da letra, seu corpo e seu rosto traduziam essa dramaticidade. E o final com Blaisson Farid foi perfeito, um gostinho da delicadeza da apresentação que arrebatou os corações em 2012, novamente em 2013. INCRÍVEL. 

Shirley Salihah




Um caminhão passou em cima de mim e eu não anotei a placa na hora da apresentação de Shirley Salihah. Achei que tinha pouco de dança do ventre na apresentação, mas quem se importa? Foi LINDO!! Que linha de braços e pernas tem essa bailarina! Sua coleção de giros perfeitos, sua beleza e sua interpretação vão me fazer lembrar "for a thousand years", certamente.

Aysha Almée e Marcio Mansur



Eu tive uma forte impressão de já ter visto essa apresentação! Mas não sei! Aysha é perfeita sempre, e combina muito bem com o Márcio em cena! Lindos.

Nesrine




Eu saí do palco direto pro camarim pra abraçar a bailarina que escolheu minha música preferida no mundo inteiro pra dançar! Quando começaram os primeiros segundos de "Segue o Seco" de Marisa Monte,  eu dei uma sacolejada tão grande na cadeira que chamou a atenção da galera. Eu cantava alto, gente, uma vergonha, tamanha euforia!!! Nesrine é uma rainha em cena, e mesmo a música sendo difícil, ela deu conta do recado com louvor! E o cacto do figurino deu o toque da apresentação, viva o nordeste!!!

Mahira Hasan



A Mahira é um negócio. Quando ela entra em cena, vc vê aquela loirisse, aquele penteado perfeito naquele cabelo loiro, o figurino vermelho INCRÍVEL, te acende uma inveja. Sou humana gente! Eu queria jogar uns tomates só pra me sentir mais bonita, KKKKK.. Brincadeira. Que LINDAAAAAAAAAAAAAA! Eu hein. Ela trouxe uma densidade pra apresentação que vc tinha a impressão de que ela ia atear fogo na chuva mesmo! Movimentos perfeitos, maravilhosa.

************* Se eu fosse embora agora, eu já ia feliz, realizada, impactada, revigorada. Mas o melhor veio realmente no FINAL.

Ariella



Toda a pressão tava em cima da Ariella gente! Ela é a atual capa da revista, e tinha que deixar sua marca. Pra arrebentar o coco escolheu Hallelujah de Leonard Cohen (na versão do Shrek), uma música que amo, que pra mim é uma oração. Meu, me arrepei inteira na hora. Aí na hora do primeiro Hallelujah ela faz a pose da Vitória da Samotrácia, em adoração. Gente, eu não consigo descrever o que foi. Na hora do "broken Hallelujah" (O amor não é uma marcha vitoriosa / É um frio e triste aleluia), ela cai no chão, faz aquela super pose. Uma interpretação IRREPREENSÍVEL. E quando vc acha que chorou tudo o que tinha que chorar, começam os primeiros acordes de Fortuna, da ópera Carmina Burana.

Deusulivre, que apresentação. QUE APRESENTAÇÃO!


Ana Claudia Borges - A evolução das danças




Todo mundo fala que eu sou muito tiete da minha prô, e é verdade. E somente ela para colar 13 músicas em 5 minutos de apresentação. Porque para a pessoa sair de uma coisa toda "Anjos e Demônios" (descrição da Dani) que foi a apresentação da Ariella, e começar com "Let´s do the twist", passar por Michael Jackson, Galinha Pintadinha, Macarena, Harlem Shake e terminar com Anitta, num show como esse, é preciso muita coragem e confiança na sua qualidade. Aninha ARRASOU!!!!!!!! Meu, a gente ficava ansioso pela próxima música, teve Kuduro, na hora do Psy eu tinha a impressão que o teatro inteiro ia dançar o Gangnam Style! Arrebatou todo mundo!

E fim!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ou o começo de um festival 2014 cheio de muito sucesso!

***

Eu PRECISO parabenizar a equipe da Shimmie pela iniciativa em realizar dois shows de gala com músicas não árabes, mas, principalmente pela escolha do elenco. Eu sei que rola um buxixo de que é uma panelinha, mas não tem nada disso. Para segurar a onda diante da proposta apresentada, elas tinham que conhecer muito bem o trabalho das bailarinas. Além de tudo existe o "padrão Shimmie" de qualidade, que foi absolutamente respeitado e enaltecido neste show.  E foi sucesso, foi incrível, pelo menos pra mim foi uma noite que me fez, assim, renovada.

Josi, Dani, Rhazi, Bridocs e demais meninas da Shimmie, já estou esperando ansiosa pelo ano que vem.

Se você não foi no show, se puder, assista mesmo a cada um dos vídeos deste post. Você não vai se arrepender, garanto.

E você, o que achou do show de gala do Festival Nacional Shimmie - Ritmos da Alma?






6 comentários:

  1. Oi Verinhaaaa, sua lindona. Obrigada por trazer a cobertura do festival. Olha eu fiquei muito feliz com este evento, só do que falam dele, pois a fama corre looooooooonge né?
    Todas as apresentações vieram com a proposta de elevar o padrão técnico e artístico como um todo realmente. Não sou especialista da área, nem professora nem nada, nem moro aí kkkkkkkkkkk
    Mas hoje em dia, em que tudo anda na velocidade da internet, o que chega pra gente que mora longe, e fica sabendo do que acontece neste meio pela internet frequentemente, saber que existem eventos onde o nível de excelência artístico é valorizado nos dá muita alegria, e um sentimento de renovação.

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  2. Oi Verinha, saudades de vir aqui, rs !
    Meu Deus, tó passada com cada uma das apresentações, simplesmente lindas !
    Ainda bem q nós q moramos longe de Sampa, temos você para nos mostrar tudo isso e mais um pouco, obrigada viu ?

    Bjo, bjo !

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  3. Querida Verinha, fico imensamente grata pelas palavras e carinho!! Foi muito bom participar deste evento e também para mim foi uma oportunidade única de mostrar um pouquinho da dança do ventre ao estilo grego (com pitadinha de Cris claro, rss). Vc não cometeu gafe nenhuma, é um chifteteli sim, num estilo bem tradicional grego ao som de um instrumento típico, o bouzouki. Qto a primeira música, nem era minha intenção cantar, escapuliu, acho que me empolguei, rsss, mas ela é linda mesmo, no vídeo que postei em minha página coloquei a tradução da letra para quem tiver curiosidade e expliquei um pouquinho das danças tb!!! Mais uma vez agradeço, bjsssssssssssssssssssss
    http://www.youtube.com/watch?v=AIW8wopIxtM

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  4. Obrigada por postar os vídeos e seus comentários! Parabéns pelo incentivo.

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  5. Verinha linda (e cada vez mais linda com esse cabelin curtin que eu amo!!!)

    UAU... só isso que digo das apresentações do show de gala! Uma a uma as bailarinas arrasaram, estão todas de parabéns com a excelência do trabalho.

    <3

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  6. Verinha,

    Muita gente diz que arte é coisa desnecessária e supérflua em relação a outras profissões. Penso que a gente precisa tanto de arte quanto de médicos, dentistas, engenheiros. Também penso que pode ser considerado artista aquele que transporta a gente de uma cadeira de teatro pra um lugar longe de preocupações, longe do preço do feijão, da farinha, enfim, do mundo lá fora. Que a gente se transporte naquele pequeno momento pra um mundo bonito, de sensações, de beleza.
    Só pelo fato de ver essas apresentações, pelo vídeo mesmo, me transportei pra outro lugar que não sei te dizer... Todas ali são artistas de primeira grandeza. Fica aqui registrado meu agradecimento a elas e a você, que sempre apresenta o que tá acontecendo quando a gente não pode ir...;)

    Beijo grande =)

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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