30 julho 2013

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A falta da dança e a espera da borboleta...

Olá meninas!!!

Saudades de todas, sempre!

O sumiço? Acreditem, a culpa é da borboleta!

Outro dia, me preparando para sair em um sábado ensolarado (estou em São Paulo, então: faz tempo!), e percebi que na porta de casa havia um casulo de borboleta pendurado. 

Eu sou abençoada em ter um jardim em casa com uma mangueira enorme, uma primavera carregada de flores, várias plantinhas, enfim. E fiquei pensando na situação da lagarta, ali, pendurada e imóvel, esperando o momento certo de virar borboleta, sendo obrigada a olhar toda aquela beleza, sem poder fazer parte dela. Pelo menos naquele momento. 



Essa é a parte pessimista da coisa: pensar na espera interminável.

Por outro lado, durante o tempo em que está imóvel, a lagarta poderia planejar cada instante do seu vôo de borboleta. Ela poderia pousar nas flores que ficam próximas ao chão, enquanto suas asas ainda estão meio úmidas, subir pela primavera se amparando nos galhos à medida que suas asas se tornam menos pesadas, e então, quando o vôo já não for uma dificuldade, ela poderia sentir o aroma delicioso da flor de guaco que está no alto da copa da árvore. E então tomar outro rumo, ou ficar no jardim, experimentar da liberdade que essa nova vida traz. Que beleza!


Foi pensando nisso que decidi, depois de 9 anos de estudos, tirar um mês de férias da dança, e ficar como a lagarta, contabilizando os dias que já se passaram e planejando os próximos. Eu nunca havia feito isso antes, mesmo nos meses de férias, sempre passei estudando algo diferente, ou assistindo a vídeos, ouvindo músicas,  qualquer coisa. Nos últimos 9 anos posso dizer sem medo de errar que a dança do ventre esteve presente em TODOS OS DIAS da minha vida, sem exceção. 

O objetivo de tirar um mês de férias é, também, observar qual a importância da dança em minha vida, se estou tratando-a com o amor e respeito que ela merece, ou se nosso relacionamento é uma paixão obsessiva, que não dá frutos nem traz benefício à vida de ninguém - como comentei no post anterior. É claro que fiquei ansiosa em alguns momentos, às vezes me senti como uma desertora. Várias coisas acontecendo, e eu à margem. Nada de facebook, nada de instagram, nada de youtube. Jejum absoluto. 

Como foi importante esse período de recolhimento. 

Já parou para pensar que seu corpo só sente falta de algo, e só reconhece sua importância, quando é privado daquilo?  Quando sente falta? Estou começando a amadurecer a idéia de que nosso grande erro em nosso relacionamento com a dança do ventre é, justamente, deixá-la ocupar todos os espaços em nosso tempo. E nesse transbordar acabamos por nos sentir sufocadas, exigidas, vampirizadas. Tem que estudar, tem que ensaiar, tem que comprar, tem que maquiar, tem que bordar, tem que pechinchar, tem que assimilar, tem que assistir, tem que aplaudir, tem que agendar, tem que aprimorar, tem que, tem que, tem que.... 

E daí, quem acaba passando é a vida, e acabamos nos ressentindo com a dança, sem raciocinar que é a nossa inabilidade de organizar nossas prioridades de forma mais assertiva que está nos roubando o prazer

Lembre-se que o tempo reservado a você mesma é o melhor investimento que se pode fazer. E, por mais que você ame a dança, você tem outras áreas de sua vida que precisam de carinho, atenção, tanto quanto a dança. 

Neste mês de férias fiquei em casa fazendo tricot (váaarias mantinhas, adoro), curtindo o marido, os sobrinhos, jogando Guitar Hero, assistindo Prison Break (novo vício), estudando maquiagem (dessa vez com um foco, digamos, mais "acadêmico"), fazendo um monte de coisas que nada tem a ver com dança. E pude atestar como a dança do ventre faz falta na minha vida. O quanto eu amo essa arte. O quanto eu quero ver essa arte crescer no mundo, e poder fazer parte desse mover. É demais. 



Eu amo a dança do ventre com todas as forças do meu ser. Estou de baterias recarregadas! Posso voar alto e longe. 

E você? Já teve uma experiência de afastamento? Que lições tirou dela? Conta pra gente!!! 


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