25 junho 2013

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Professora de dança do ventre? Já????


Quem acompanha o blog a bastante tempo, sabe que frequentei uma igreja evangélica por mais de 10 anos. Quando eu tinha 15 anos, estudava a Bíblia PRA CARAMBA MESMO, lia tudo o que passava na minha frente, sempre respondia tudo primeiro, então, eu estava plenamente convencida de que poderia assumir uma liderança na igreja, ou dar aulas na escola dominical, ou, pelo menos, ser líder do louvor. Qualquer posição de destaque. Eu me sentia pronta e preparada, e queria que todos na igreja me enxergassem da mesma forma que eu me enxergava. Então, eu fui conversar com um seminarista que trabalhava na minha igreja naquela época, e ele, com toda a paciência do mundo "me colocou no meu lugar", me explicou que eu era muito jovem, que assumir uma posição de liderança diante da igreja não tinha nenhum glamour, pelo contrário. Era uma honra grande, mas um fardo também, porque eu teria que dar exemplo, ter uma vida de santidade, e que minha motivação estava completamente errada.



Antes que o preconceito contra os evangélicos grite dentro do seu peito e você feche a página, quero explicar que essa é uma história da minha vida que vou usar para exemplificar o assunto que quero abordar hoje. Nada de discutir religião, OK????

Se tem um assunto que já foi largamente discutido na bellynet foi, justamente, sobre a diferença de uma bailarina amadora de uma bailarina profissional, o que diferencia uma categoria da outra, qual a importância do rótulo para ambos os lados, e quais as possíveis consequências de se "cruzar a linha" antes da hora. 


Lulu Brasil aborda o assunto de uma forma muito feliz, e do alto de seus 30 anos de carreira nos dá uma verdadeira aula. Leitura absolutamente obrigatória:


Deixando o lado performático do bailarino de lado, uma curiosidade genuína que tenho, é o que motiva alguém a almejar ser professor de dança. Mais ainda, o que motiva alguém a decidir que a partir de determinado momento ela está apta a mudar de lado e partilhar conhecimento, ao invés de absorvê-lo. 

Observando o cenário de Osasco, por exemplo, percebo que a motivação para o ensino parte, quase que única e exclusivamente, do desejo de validar o momento da transição do rótulo. Se ontem eu era uma aluna, bailarina amadora, "aspirante", hoje, ao ensinar qualquer pessoa a fazer um básico egípcio, eu me torno profissional, professora de dança do ventre, coreógrafa. A coisa acontece tão rápido, que não dá nem tempo dessa nova "professora" (e leia-se dessa forma mesmo - professora entre aspas) refletir sobre suas novas responsabilidades enquanto facilitadora da dança, educadora e coach. 

Aliás, um fenômeno que acontece na dança do ventre é que essas preocupações, tão sérias, tão pesadas, ao invés de "atormentar" o profissional (ou aspirante a) de uma forma positiva, para que ele busque conhecimento, experiência, novas formas de ensino e didática, o afastam de suas verdadeiras responsabilidades enquanto educador. E, a partir daí, outras coisas mais fúteis e efêmeras como figurinos, ensaios fotográficos e concursos assumem o lugar prioritário. 

Daí você me pergunta: o que está faltando? Está faltando a figura do seminarista para explicar que:

Assumir uma sala de aula de dança do ventre não tem nenhum glamour, pelo contrário. 


Ao trocar de lugar com a professora, é necessário desviar o olhar da sua imagem para focar no outro - e isso demanda um desprendimento com o qual não estamos acostumadas. Daqui para a frente, além de transmitir o conhecimento, você terá que ter sensibilidade suficiente para entender as necessidades do outro, de cada aluna individualmente, a forma que cada aluna tem de receber e decodificar a informação que você está passando, para que todas cheguem a um resultado comum: a execução perfeita do movimento. 

De semelhante modo, você terá que lidar com as pequenas frustrações que acontecem em sala de aula a cada tentativa de executar o movimento sem sucesso, e transformá-las em motivação e incentivo. Mesmo depois de tentar mil formas diferentes de didática do movimento para facilitar a execução da aluna. Mesmo depois da 65426685236852365523635423 tentativa. 

Por fim, a parte nada glamourosa de preparar as aulas, selecionar músicas, gravar CDs, realizar avaliações constantes de desempenho de cada aluna, e mantê-las organizadas de forma que possam ser utilizadas para desenvolvimento de aulas que realmente venham a atender às necessidades da turma, mas também falem individualmente a cada aluna. 

Isso tudo sem falar no seu desenvolvimento pessoal como bailarina, que deverá "tomar esteróides" a partir do momento em que você admite para si o rótulo de professora de dança do ventre. Pense naquele grupo super fraquinho que você assistiu em um festival, e alguém comentou com você "aquela do meio é a professora", e você, automaticamente, pensou "nossa, ela dança assim, e se acha professora?"  Inverta esse pensamento: você não vai querer que os familiares de suas alunas, ou suas alunas, ou suas companheiras de mercado pensem assim de você, certo? Então, rabo de cavalo, legging, blusinha, e vamos conseguir mais algumas bolhas no pé. Yalla!


É uma honra grande, mas um fardo também, porque você terá que dar exemplo. 


Não há absolutamente nada neste mundo que substitua a sensação de satisfação que enche o peito de uma professora quando ela observa uma aluna "vencer" o movimento, vencer a limitação corporal. É absolutamente mágico. Não consigo descrever em palavras, e, acredito que qualquer pessoa que ame a dança do ventre como eu amo, pode ser professora a trocentos anos, ter trocentas alunas, e ainda assim se sentirá tocada neste momento. 

Quando eu digo que é um "fardo" não pense no sentido perjorativo da palavra. Mas a carga que recai sobre a "verdadeira educadora"  de dança não é leve. Todos os itens citados no tópico anterior demandam uma coisa primordial: investimento de TEMPO. 

Minha gerente costuma dizer que ela tem muito de tudo, mas tem tempo de menos. Essa é a nossa realidade: nós temos tempo de menos. No entanto, quando você escolhe ser professora de dança, esse pouco tempo que você tem acaba sendo direcionado para o estudo, para a preparação de aulas, para a organização de sua rotina enquanto professora. É inevitável que a dança se "espalhe" em sua rotina, mesmo que você exerça outra atividade (como é o caso de muitas professoras), e é preciso muito jogo de cintura para não preterir atividades importantes do seu dia a dia, como dar atenção para sua mãe, ou estar com o marido, ou brincar com o filho... Eu JURO que não estou exagerando, é o que de fato acontece. 

Sua motivação pode estar completamente errada. 



Se você perguntar a si mesma por que quer ser professora de dança do ventre, e a resposta demorar mais do que 2 segundos para surgir em seu coração, creio que você deve fazer uma releitura de todos os motivos que a levaram à conclusão de que estaria preparada para ser professora.

Porque não é simples.

Não é "" uma etapa para se profissionalizar.

Não faz parte de um processo desestruturado, onde a docência pode anteceder a formação.

No mundo secular, se você quer ser professora, você precisa de uma formação em pedagogia para poder alfabetizar uma criança (ou seja, ensinar o BÁSICO), e para ensinar o intermediário você precisa de uma formação específica com licenciatura. Ou seja, para ensinar o básico, você precisa de 9 anos de estruturação, mais 3 anos de ensino médio, mais dois anos de graduação. 14 anos de estudo.

Se você for convidado HOJE no seu trabalho para dar uma palestra sobre qualquer assunto que domine, tenho certeza que irá tremer nas bases, mesmo executando o trabalho a anos - é muita responsabilidade transmitir conhecimento.

Por que, então, é possível se sentir motivada a trocar de lugar com a professora de dança do ventre ainda no processo de formação? Para adicionar um título de "bailarina, professora e coreógrafa" em seu currículo? Somente para isso? Ou porque você está apaixonada pela dança de tal forma que não consegue conter tanta paixão dentro de si: quer espalhar a "virtude da dança pelos confins da terra"?

Cuidado. É preciso amadurecer até o sentimento pela dança, para que, de paixão, que só devasta e destrói, ele se transforme em amor:

"O amor é sofredor, é benigno;
o amor não é invejoso; 
o amor não trata com leviandade, 
não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, 
não busca os seus interesses, 
não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça,
mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".
1 Coríntios 13:4-7

Que todas encontremos esse amor tão longânimo pela dança, que "tudo sofre, tudo crê, tudo ESPERA, tudo suporta".

Beijos e boa semana de MOSAICO BRASIL EGITO para todas!!!

Gostou? Não gostou? Concorda? Discorda? Fala pra mim guriaaaaaaaaaaaaa!!!



17 junho 2013

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E-Ventre 2013: um novo formato de eventos em São Paulo?

Olá meninas!!

Dia agitadíssimo de protestos em São Paulo e nas grandes capitais do Brasil. Que orgulho ver o brasileiro trocar o status de "deitado eternamente em berço esplêndido" para "verás que um filho teu não foge à luta". Um dia para nos lembrarmos eternamente.


Vamos falar de E-Ventre 2013?

Pois é, o E-Ventre 2013, realizado em 09/06 em São Paulo vestiu a camisa do inovador, e trouxe algumas mudanças na programação que, uma vez implementadas em outros eventos, prometem agitar a cena de eventos para Dança do Ventre em São Paulo

O evento, organizado por Deborah Macedo, vêm crescendo absurdamente nos últimos anos, atraindo grupos de São Paulo, Grande São Paulo, Interior e, inclusive, outros estados. É um evento leve, de ambiente amigável, e, embora suas competições venham se tornando acirradas nos últimos anos, a animosidade competitiva ainda não chega a incomodar nos corredores do evento. Na minha opinião, é o evento perfeito para encontrar as amigas, assistir boas apresentações, rir à beça, renovar os votos com a dança. 

Deborah Macedo - Organizadora do E-Ventre

Carol Koga e Nanda Salíma - "a mafiosa"

Joelma Brasil e Nanda Salíma

Cristina Antoniadis - Sou fã!

Acompanhem os melhores momentos do evento no vídeo abaixo:


Mostras não competitivas:

Infelizmente não consegui assistir nada das mostras não competitivas, uma vez que tive que acompanhar o processo de votação e apuração dos votos, como o intervalo entre as competições era de meia hora, e o evento estava sem atrasos, ficarei devendo. Porém, pela quantidade de aplausos, tenho certeza de que o nível estava bom. 

Competições:

O objeto do desejo das competidoras, confeccionado por Luanda Bianco


Antes de falar das inovações - que foram decisivas no processo avaliativo do E-Ventre, falaremos um pouquinho da qualidade das apresentações. 

Eu gosto muito da preparação das escolas para o E-Ventre, acredito que, pelo porte que o evento está adquirindo no cenário de dança do ventre em São Paulo, as professoras estão caprichando no quesito criatividade. A coreografia vencedora da categoria dupla teve como tema "Amizade". Sinceramente falando, havia outras duplas com mais qualidade técnica. Porém as meninas desempenharam super bem o tema da coreografia, a apresentação foi empolgante, emocionante. Eu simplesmente amei! Uma pena que o vídeo não faz justiça ao "clima" que se instaurou no evento!

Karine Nawaar e Lilith - Professora: Ledah Bernardi




A coreografia vencedora da categoria "Grupo Moderno / Fusão" levantou a galera DE VERDADE no E-Ventre: "Brincadeira de Criança" do Studio K. Foi a única coreografia de todo o evento que motivou muitas pessoas aleatórias no evento a levantarem de seus lugares e votarem para que a coreografia fosse a vencedora. Também pudera: é uma teatralização da dança para uma brincadeira de criança, porém com qualidade, sem ser caricata, e sem perder em nível técnico. Karina Galasso simplesmente ARREBENTOU. Merecidíssimo título. 

Atenção escolas: quem quiser levar o caneco do Festival Shimmie, terá que suar muito a camisa para bater essas meninas!




Fiquei bastante impressionada com as meninas do Núcleo Belly de Patrícia Saldanha, muita qualidade no Grupo Clássico, achei muito inteligente o "ton sur ton" no tecido das saias, gostei das trocas, dos desenhos, e da qualidade individual das bailarinas. Merecido título. Só um adendo: essa coreografia participou também do Mercado Persa, com 14 integrantes no palco, e, mesmo com toda essa qualidade, não levou pódio. Moral da história: às vezes é motivar seu grupo para participar de um evento menor, que não leva em conta o "peso da faixa", com reais chances de ganhar o primeiro lugar, do que participar de um mega evento, onde o nome da escola e da professora vem antes da qualidade da coreografia. 




Finalmente, quero falar do Concurso Solo Profissional. Nesta categoria, o E-Ventre é meu concurso preferido por conta do sistema de avaliação, que divulga com antecedência uma lista de músicas, e a organização faz o sorteio no momento da apresentação. É certo que a quantidade de vagas no E-Ventre não é "elástica" como em outros eventos, e quem deixa para a última hora fica de fora MESMO: a Deborah não flexibiliza. Mas fiquei triste de ver que várias "figuronas" do concurso Star do MP não se animaram a participar do E-Ventre: eu queria ver o bicho pegando no profissional. 

Por outro lado, é muito bacana ver a premiação de muito estudo: é certo que as vencedoras se MATARAM de estudar todas as músicas do CD - as apresentações pareciam coreografadas de tão perfeitas, e não discordo uma vírgula do pódio. Lili Hannah el Havanery foi absolutamente PERFEITA no palco, segura, fluida, leitura musical rica e irrepreensível, e levantou o público. Pesquisando vídeos no youtube, vi que ela já participou do concurso em 2010 e ficou em terceiro lugar. Muito bacana esse "repeteco com título", porque me parece que ela levou a ficha pra casa, corrigiu os apontamentos, e voltou 3 anos depois com a lição de casa feitinha para ABALAR tudo. Merecido título.




Inovações:

Até que enfim!!! Século 21 e somente em 2013 temos um evento que baniu as fichinhas de papel nas avaliações!!!



Cada categoria era julgada por 3 juradas, que tinham à sua disposição notebooks onde, através de um programa especialmente desenvolvido pela organização do evento, era possível atribuir notas a cada competidor e fazer comentários sobre a apresentação (alô Deborah, demorô de você patentear e vender para outros eventos hein???). A cada categoria, o programa disponibilizava uma lista com os nomes dos competidores, e ao clicar no nome do competidor uma planilha de avaliação se abria. A organização, por sua vez, anunciava claramente o nome do competidor para que não houvesse erros na seleção por parte das juradas. Eu achei fantástico, inclusive, alguns jurados conferiam as notas avaliadas em seu iPad, um show de tecnologia. 

Por outro lado, achei que algumas juradas ficaram um pouco mais concentradas em digitar os comentários do que em assistir às apresentações. A foto acima, por exemplo, foi tirada durante uma apresentação, e TODAS as juradas estão olhando para o computador. Isso eu, pessoalmente, achei ruim. Mas acredito que faz parte da inovação, é preciso adaptação, e as competidoras que são leitoras do blog podem colocar na caixa de comentários se a avaliação foi pertinente. 

Votação:

Eis aqui o assunto mais polêmico do E-Ventre 2013: a votação popular.

Como funcionou: do lado de fora do salão havia um computador que funcionava como urna eletrônica, operado por mim (exceto na categoria profissional, que acompanhei do começo ao final, e não dava tempo de operar a urna), e qualquer pessoa presente no evento - participantes e convidados - desde que devidamente identificados, poderiam votar.




Essa foi uma inovação muito interessante, em primeiro lugar, pela tentativa de dar voz ao público presente no evento (e essa era uma preocupação genuína da Deborah, que a todo momento vinha tomar o feedback da votação, tanto meu quanto do público presente no evento). Em segundo lugar, porque trouxe uma dinâmica nova ao evento: o público levanta, sai pra votar, se movimenta, conversa, enfim. Não fica aquela coisa massante e agoniante para o convidado, que tem que ficar horas e horas sentado, aguardando o final das apresentações ou a divulgação das premiações. Acreditem: muda, completamente, o humor do evento. Eu fiz a última apresentação do evento, e a galera ainda estava animada, feliz! É realmente um fato inédito, e quem se apresenta ao final dos eventos sabe do que estou falando. 

Uma coisa que é importante de todas saberem, é que a votação popular alterou o resultado apenas da categoria dupla. Nas demais categorias, a opinião do público bateu certinho com a opinião dos jurados. O que derruba a máxima de que "quem leva mais convidados tem mais chances de ganhar". É, apenas, um quesito a mais. 

O que eu achei?

Achei MUITO VÁLIDO. Meu único senão foi que o programador colocou intermináveis 8 segundos de intervalo entre um voto e outro, de resto, pra mim foi perfeito. Observei algumas pessoas insatisfeitas com o resultado final, achando que a votação alterou o contexto da votação, mas isso não aconteceu, de verdade. Mesmo que a votação alterasse o resultado final em todas as categorias, eu, ainda assim, acharia válido, porque acredito que o público presente nos eventos merece essa voz, essa homenagem. Se sentir "útil" para a bailarina / grupo que o convidou e não somente ficar sentado sem participar em nada do evento. 

Considerações Finais:

Só elogios para o E-Ventre 2013 - resultados justíssimos, ambiente agradável, inovações e um desejo genuíno de mudar a realidade dos eventos em São Paulo. Parabéns à Deborah, que teve coragem de "bancar" as inovações (e agora tá tomando a "porrada" que segue, mas ela é brasileira e não desiste nunca), e, com certeza, irá colher frutos positivos dessa seara. 

E, como alguns puderam assistir, virei vidraça no E-Ventre, depois de muitos anos, dancei solo em um evento, mas dessa vez de uma forma tranquila, apenas como convidada. 




O que acharam?

Contem pra gente suas impressões sobre as inovações do E-Ventre, estou louca para saber de tudo.

Grande beijo!!!


12 junho 2013

13

Economicamente falando, onde está a Dança do Ventre?

Olá meninas!!!

Fim de semana agitado com um super evento, o E-Ventre 2013, do qual falaremos mais adiante essa semana. Posso adiantar só uma coisa: o evento foi BAPHOOOO BEECHAAA!!!

Conversando com minhas amigas Jussara e Joelma Brasil no E-Ventre, refletíamos um pouco acerca da situação econômica da dança do ventre em São Paulo atualmente, quem consome produtos de dança, qual a situação de professoras e aulas, e o que a dança agrega, efetivamente, à economia de um modo geral.

Papo de maluco?



Pode ser. Mas tenha certeza de uma coisa: é papo de maluco forrado de strass. Mesmo que ele não saiba nem fazer um shimmie direito.

Minha impressão enquanto consumidora é que, quando o acesso à informação era mais difícil, existia um encantamento muito maior em relação à dança do ventre. E, consequentemente, muitas mulheres eram levadas à sala de aula muito mais pela curiosidade do que pela necessidade de elevação da auto-estima, por exemplo.  

Existia um senso comum que ditava a dança do ventre como uma manifestação artística democrática, indicada, inclusive, como complemento terapêutico por endocrinologistas e psicólogos. Esse diferencial, embora intangível, elevava a dança a um patamar quase essencial, e os produtos do mercado de dança eram como uma extensão desse bem estar, e, portanto, igualmente necessários.


O público-alvo das aulas de dança era, quase que predominantemente, de mulheres economicamente estáveis, donas de renda própria, ou participante ativa de um orçamento doméstico, que poderia "arcar" com as despesas extras da dança: compra de acessórios, figurinos, inscrições para festivais, baladas árabes.  Novamente, esta é uma impressão que eu, Verinha, tenho do que acontecia alguns anos atrás no cenário econômico da dança. 

A coisa mudou e MUITO economicamente falando no cenário da dança, mas alguns fenômenos são bem engraçados. 

Tivemos a era Clone, que acredito ter sido a "era de ouro" ($$$$$$) da dança do ventre no Brasil. Ganhou muito dinheiro quem estava disposto a isto, em todos os segmentos, proliferavam escolas de dança pra todos os lados, muitas mulheres largaram profissões bem sucedidas para viver de dança porque a demanda era realmente grande. 

E o pós Clone foi marcado pela massificação das informações através da internet. A dança atingiu todos os tipos de público, os segmentos ligados à dança (confecção e importação de acessórios e figurinos, festivais, eventos, escolas) cresceram, quase que desordenadamente, e surge uma nova geração de bailarinas, cada vez mais técnicas e profissionais, que busca elevar a dança do ventre a um patamar de entretenimento de massas.

Absolutamente natural e orgânico. 

Porém, a dança do ventre foi "assaltada" por uma leva de pseudo profissionais na era pós clone, que precisava se sustentar depois que a novela terminou e as escolas esvaziaram. E, no afã de se manter ativas no mercado, acabaram por atacar o cenário econômico da dança, nivelando por baixo o custo e a qualidade do serviço. Dá-lhe cachê barato e aula barata. Apresentações de qualidade questionável que espantaram os contratantes "de grosso calibre" e baladas árabes caidinhas. 

Outro "fenômeno" é a adesão de mulheres cada vez mais jovens à dança do ventre. É uma população que não é ativa economicamente, suas decisões de consumo dependem de uma segunda ou terceira opinião. Profissionalmente falando isso é ótimo - são aspirantes à bailarina que terão um contato muito maior com a dança tanto em relação à tempo quanto em relação à dedicação, e quando profissionalizadas possuem uma qualidade absurda se comparadas às mulheres que conheceram a dança tardiamente. No entanto, essas jovens nem sempre conseguem motivar a parte economicamente ativa do orçamento a investir continuadamente em aulas e produtos de dança - a dança do ventre se torna a parte frágil do orçamento que é cortada instantaneamente nos momentos de crise. 



Outra questão delicada é a ausência de orientação para a aluna sobre a forma de consumo da dança. A aluna conhece o "fabuloso mundo do strass" e passa, então, a querer participar de tudo que se relacione à dança - aulas, shows, workshops, eventos, baladas... A contaminação do orçamento doméstico pela dança determina uma necessidade de priorização do elemento "satisfação". O que traz mais realização para uma mulher (esquece a aluna)? A IMAGEM. Tiro isso por mim mesma. Daí a coleção de figurinos cresce mais rápido do que a técnica, existe uma falsa impressão de que workshops eventuais orientam melhor do que aulas regulares, participar de eventos de dança treinando em casa com as amigas parece mais atraente do que a frequência em sala de aula. Essa estagnação logo contamina a motivação da aluna, a dança não "deslancha" em sua vida (claaaaro). E logo essa aluna estará afastada do mercado de consumo da dança. 

Em contrapartida, o segmento de produtos de dança cresceu vertiginosamente. 

Aqui em São Paulo logo logo atingiremos a marca de um evento por final de semana. E, sejamos francas: eventos são ótimos, mas eles "assaltam" as escolas de dança - inscrições (cada vez mais caras, 100 pila por um solo, 150 pilas de inscrição de grupo, ... vixxxxxxx....), figurinos (nem vou comentar, hoje se diz o preço do figurino em quantidade de parcelas, e não mais o valor final), cabelo, maquiagem, transporte, estacionamento, alimentação... É certo que a professora que inventar de participar de TUDO, via de regra vai acabar sem receber a mensalidade. E tem a questão dos concursos, dos quais já falamos algumas vezes: nem sempre são sérios, nem sempre os jurados estão bem preparados, e os resultados nem sempre são inquestionáveis. E daí que sua aluna gastou R$ 1.000,00 para participar do "Tal" evento - incluindo tudo o que listei acima, dançou bem, levantou a galera, e teve que ler na ficha que não ganhou porque a galabeya era egípcia e a música era libanesa (hã?). Nem preciso falar que, depois de uma decepção significativa, no mês seguinte, um apertozinho mínimo no orçamento mandará a dança para o final da lista de prioridades... 

E, acredito que por causa disso, as grandes escolas estão preferindo manter suas alunas dentro das paredes da escola, onde o compromisso é somente com o bem estar e com a felicidade da aluna, do que levar para eventos grandes em São Paulo. 

Dei essa volta toda (maior viagem), mas o que eu queria falar mesmo é que falta o foco na BASE. Quem tem que comandar o giro do dinheiro nessa roda toda são as escolas de dança. São as professoras em sala de aula. Têm que estar muito satisfeitas e bem remuneradas para investir em sua própria formação, e assim "engrossar o caldo" com o qual alimentam suas alunas. E as professoras, por sua vez, têm que estar preparadas para orientar o consumo, para que, lá na frente, a aluna não se torne um elemento insatisfeito com o resultado da dança em sua vida, e venha a se distanciar da dança. 

Na real, eu estou achando que a grana está cada vez mais longe da dança do ventre. É só impressão???

Me ajuda colega!!!




03 junho 2013

15

Racks Sharki 2013 - Um dia especial



Olá meninas!!!

Depois de uma longa semana lutando bravamente contra todos os duendes que zoaram o Movie Maker no meu PC e Notebook, tentando desvendar os mistérios do Adobe Premiére Pro, chorando lágrimas de sangue... (nossa que drama!) Eis-me aqui para falar do Racks Sharki 2013, realizado em 26/05/2013 no Externato Nossa Senhora Menina, no tradicional bairro da Móoca, em São Paulo

Preciso dizer que foi um domingo bastante especial pra mim porque pude relembrar a sensação de estar em um colégio de freiras (estudei no São Pio X - alô galera salesiana!!!), e o Nossa Senhora Menina é parecido DEMAIS com o colégio que estudei, o formato do pátio, da cantina, a quadra, meu Deus. Que nostalgia deliciosa!

Antes de falar sobre o evento propriamente, fiquei pensando em algo que queria compartilhar com as professoras:

1. Você seleciona os eventos para os quais leva a sua aluna?
2. Procura saber sobre as organizadoras, sua conduta como bailarina, como coach, e como organizadora de eventos?
3. Pesquisa sobre a qualidade do palco, das acomodações para os familiares que eventualmente irão assistir à sua aluna?
4. Investe tempo para averiguar sobre o público alvo do evento, sobre os concursos, sobre o esquema de avaliações?

Avaliar cada um desses itens individualmente pode parecer preciosismo desnecessário, porque, afinal, para desenvolver o "gosto" pela coisa a aluna precisa do palco, mas será que a aluna precisa realmente de "qualquer" palco, de "qualquer" local para apresentar o trabalho que é SEU?

A gente conversa melhor sobre isso qualquer hora dessas.



Clique na engrenagem para assistir o vídeo em HD.

Pensei nas perguntas acima, porque, se eu ainda fosse professora e estivesse avaliando os itens acima, o Racks Sharki é um evento para onde eu levaria minhas alunas seguramente.

Organizado pelas bailarinas Fátima Braga e Nira Lucchesi (que já foi entrevistada aqui no blog, confira nesse link) está em sua terceira edição, e é realizado no auditório do Externato Nossa Senhora Menina. Confiram no vídeo acima o tamanho do auditório, a qualidade do palco, a iluminação, enfim. Tudo absolutamente I.N.C.R.I.V.E.L., 10 a 0 em muitos palcos por aí. 

O Racks Sharki é um evento um pouco diferente dos demais, pelo fato de que 100% das danças apresentadas são avaliadas. Mesmo se a professora não tem nenhuma intensão em relação a prêmios, a dança é avaliada e pode sim ser premiada. Acredito que, por essa característica, o sistema de premiação  obedece ao critério de nota mínima - se o participante não atingiu a nota mínima exigida para aquela determinada colocação, ninguém é premiado. Um exemplo: para ter direito ao primeiro lugar, a nota mínima é 9. Ninguém atingiu nota 9 - não há primeiro lugar. Simples assim. 

No momento da premiação pode parecer frustrante o fato de ninguém levar o caneco em algumas categorias, mas por outro lado é bom, porque conscientiza aos participantes que realmente estão lá para competir que, pelo menos para aquele grupo de jurados, é preciso fazer mais e melhor. Acaba nivelando por cima, mesmo que "Por cima" não tenha nenhum candidato. 

As premiações para todas as categorias são entregues, somente, no final do evento, pontualmente às 19 horas. Para os grupos que iriam se apresentar mais para o final, isso é ótimo, porque garante público no final do evento - todos sabemos que algumas pessoas só ficam até o final para saber o resultado das premiações. Por outro lado, se você se apresentou de manhã, e quer saber o resultado da premiação, ou tem que esperar o final do evento, ou tem que sair e retornar. 


Mesa de jurados 100% operante. Fiquei tão impressionada com a "farra do boi" dos jurados no MP, que me peguei olhando para a mesa de jurados do Racks MUITAS vezes, porém não posso falar "A" dos jurados, pelo menos no quesito concentração. Nas diversas vezes que olhei, todos estavam em silêncio, concentrados, trocando poucos comentários. 

Por outro lado, esse sistema de avaliação contínua demanda uma quantidade enorme de jurados, para que sejam trocados a cada etapa, ou o cansaço pode acabar influenciando nas avaliações. 

Enquanto público, minha única reclamação é em relação à divisão das "estações" no evento. Foram 6 baterias, sendo que cada bateria tinha um tema, e, claro, todas as apresentações obedeciam ao tema. Pessoalmente achei cansativo. Por exemplo, a bateria de Taksim foi um pouco depois do almoço. Depois do terceiro Taksim, poderiam colocar a Mahaila no palco que eu iria dormir do mesmo jeito. No tribal, poderiam colocar a Joline ou a minha amiga Mari Garavello, na quinta ou sexta apresentação de tribal, que eu não conseguiria me concentrar. Mas, claro, essa é minha opinião pessoal e intransferível. 

CATEGORIAS

Confira no link abaixo os vencedores do Racks Sharki 2013:


Letícia Alves - Primeiro Lugar Solo Amador - Estúdio Ana Claudia Borges




Muito bacana ver um evento que finalmente separou as amadoras das semi profissionais. Fiquei super feliz de ver a Letícia ganhar o primeiro lugar porque conheço a batalha dessa menina, e ela rala DE VERDADE pra dançar bem. Sábado estava com crise de asma, e ainda assim ensaiou horrores para dançar no Racks e levou o caneco pra casa. Super merecido. 


Sobre as demais premiações, eu pessoalmente não concordei com vários resultados, mas também não assisti a todas as apresentações de todas as baterias. Percebi várias manifestações negativas  no Facebook, mas ninguém comentou sobre as avaliações das fichas - a informação seria realmente útil para entendermos o porquê de não haver primeiros lugares em diversas categorias.

Meu único senão ABESURDO vai para o Grupo Fusão, porque fiquei absolutamente apaixonada pelo Ventre Brasil da Pandora Danças de Cristina Antoniadis, e não aceitei muito bem o terceiro lugar. Confiram vocês:




Clique na engrenagem para assistir o vídeo em HD.

A sexta e última bateria do evento começou com a emocionante apresentação do Grupo Malak de Nira Lucchesi. Era aniversário da Nira, e ela se emocionou muito no palco, arrancou lágrimas dos olhos de todos. Meu marido costuma dizer que a única palavra que ele consegue pensar quando ele vê o trabalho que a Nira desenvolve é "GRANDE". Nira Lucchesi é uma grande bailarina, uma grande profissional, grande professora, GRANDE SER HUMANO. Grande. 




Clique na engrenagem para assistir o vídeo em HD.

E, por último, o grupo sensação dos eventos de dança do ventre em São Paulo - o Grupo Mater, idealizado por Natália Salvo e Juliana Leme, que busca uma aproximação maior entre mãe e filho através da dança do ventre. Conheça melhor o trabalho dessas meninas lindas em: http://grupomaterdv.blogspot.com.br/




Clique na engrenagem para assistir o vídeo em HD.

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Para finalizar quero encorajar você, professora de dança do ventre de São Paulo, da Grande São Paulo e interior,  a conhecer o Racks Sharki, levar seu grupo ano que vem para esse evento, dar à sua aluna uma oportunidade de se apresentar em um teatro bacana, num palco excelente e apropriado para a dança, com conforto para o expectador, em um ambiente agradável, muito propício à interação saudável entre as bailarinas das mais diversas escolas. O Racks Sharki é um evento diferente, cujo foco não está na premiação e nem na competição, mas na confraternização entre os profissionais, alunas e amantes da dança do ventre. 

Quero agradecer imensamente à Nira que só faltou me colocar no colo, de tanto cuidado e atenção, obrigada querida, você é que merece todo o aplauso e reconhecimento. Foi um dia muito especial pra mim, pelo ambiente que me trouxe tantas lembranças boas, e ainda ter o privilégio de rir com as amigas, rever as pessoas queridas, abraçar minhas leitoras amadas, e ainda prestar uma homenagem à dança do ventre que eu amo tanto. Um dia feliz!

Confira o álbum de fotos do evento no meu Facebook:


E vocês, o que acharam do Racks Sharki 2013???




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