27 abril 2013

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Entrevista com a Bailarina do Ano 2012 - Suellem Morimoto


Olá meninas!!!

Estou aqui pensando em algo bem glamouroso para escrever no início da matéria sobre a Suellem, algo como suas performances maravilhosas nos palcos Brasil afora - seja com dança do ventre, ballet clássico ou dança contemporânea, ou seu épico solo nas Super Noites do Harém, ou ainda seus dois personagens no Carnaval: em 2012 representando Iemanjá no carro do artesanato da Unidos de Vila Maria - a segunda escultura mais vendida no Brasil - em 2013 representando a última imperatriz da Coréia (totalmente PUCCA feelings...), ou então seu já famoso sorrisinho capturado pelas câmeras do Domingão do Faustão

Pensei, pensei, pensei, mas a única imagem que me vem à mente é a japonesinha descabelada de legging, top e tênis que encontro às vezes na academia. Sem nenhum glamour, sempre pingando de suor, repetindo exaustivamente (exaustivamente meeeeeesmo) sequências que servirão depois de base para alguma coreografia, pedindo sugestões para a tal sequência - que, via de regra, já está mais que perfeita - se dedicando ao máximo para qualquer tipo de dança que vá executar.


Ao olhar a figura de Suellem, muitas pessoas pensam que por sua beleza física as coisas vieram fácil pra ela. Mas essa é uma impressão totalmente falsa. Suas conquistas na dança são sinônimo de muita ralação, estudo, horas e mais horas de ensaio, e um cuidado absurdo com qualquer tipo de público. Já vi Suellem treinar uma tarde inteira porque iria dançar à noite na Casa de Chá. Fico me perguntando: das bailarinas que dançam lá, hoje (principalmente as novas), quantas fazem isso, têm essa humildade, esse cuidado?  Fora o cuidado com a técnica, uma preocupação com a imagem, figurinos irrepreensíveis, plástica impecável. 

É uma bailarina que só orgulha o nosso coração ao ser coroada, em 2012, com o título de "Bailarina do Ano".

No Mercado Persa 2013 tivemos a oportunidade de gravar a entrevista, onde Suellem fala sobre talento, sobre sua trajetória, sobre a inserção do ballet clássico na dança do ventre, e sobre a pergunta que ficou no ar:

"A dança do ventre perdeu a Suellem, ou o Faustão ganhou a dança do ventre???"

Confiram:



Quero agradecer a Suellem pelo carinho de sempre comigo e com o blog, e desejo a essa menina todo o sucesso do mundo - ela merece, de verdade!

E vocês, o que acharam da entrevista? Contem pra gente!!!!

Beijos a todas e bom final de semana!!!


23 abril 2013

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Mercado Persa 2013 - Delícias, Jujubas, Prêmios e Considerações Finais

Olá meninas!!!

Semana agitada esta, blog bombando de comentários, que delícia!! 
É isso que o Mercado Persa traz de bom pra o "bellyworld", ele dá uma movimentada geral no mercado de dança em São Paulo, proporciona encontros e reencontros entre pessoas de diferentes estados, e fornece material de estudo "posterior" para, praticamente, todos os segmentos do mercado ligado à dança do ventre. Este é um mérito da organização do evento que deve ser mencionado. 

Preferi deixar a semana passar, a cabeça esfriar, e a saudade dos momentos especiais bater bem forte para falar do que realmente nos motiva a deixar o conforto de nossos lares, para enfrentar o Sírio lotado. Se não compensasse, ninguém iria, não é mesmo? Então vamos lá:

Figurinos:

É um dos meus maiores prazeres no Mercado Persa ficar observando a beleza dos figurinos, tanto os de grife, quanto os expostos na feira, e, principalmente, os "home-made". A cada ano fico mais impressionada com a beleza dos figurinos caseiros, e, inclusive, o figurino mais lindo à venda no Mercado Persa, embora pertença a uma grife, é um figurino praticamente caseiro:


Perdoem-me as mais "glitterinadas", que adoram um figurino carregado de strass, mas essa combinação de tecidos, com aplique em fios dourados e uma franja tradicionalíssima mexeu com meu emocional.  O diferencial dos figurinos confeccionados por Claudia Cenci é a junção de materiais adquiridos em diversas partes do mundo, é o que faz a peça única e muito atraente. O valor original era R$ 950,00, no Mercado Persa ele estava sendo vendido por R$ 560,00, e ontem a Claudia colocou todos os figurinos à venda por R$ 300,00. Corri, mas não deu tempo: outra sortuda já tinha levado essa jóia pra casa. 

Quando o assunto é Atelier, não teve para absolutamente ninguém. Foi o único ateliê presente em quase todos os concursos do Mercado Persa 2013, só não esteve nos concursos de tribal e nos masculinos. Adivinha quem é?


And the Oscar goes to... Ju Marconato. Era impressionante a quantidade de figurinos Ju Marconato por metro quadrado lá no Sírio. Ricamente bordados, em alguns casos podem exceder os limites do bom gosto, principalmente para as muito baixinhas, que gostam de flores, e gola, e adorno de perna, e muito strass. Mas não posso deixar de destacar que é a premiação de um trabalho muito, mas muito sério, e, todas as bailarinas que usam os figurinos da Ju são unânimes em exaltar o efeito psicológico do traje: "Te faz sentir um mulherão" foi o que comentou minha prô Ana Claudia Borges. Se agrega esse tipo de valor, vale cada strass!

E houve até uma aparição Darya Mitskevich! No concurso amador vimos uma concorrente com a saia de várias camadas, apelidada carinhosamente de "repolhão". Brincadeiras à parte, a bailarina acertou na idéia de reproduzir a saia da Darya, porque o efeito no palco é absolutamente incrível. Quem estava com vontade de copiar a idéia, não tenha medo. O efeito é muito bonito. 


Feira:

Um anônimo comentou na postagem de primeiras impressões que o stand no Mercado Persa foi vendido por R$ 1.600,00. Não é difícil de entender, então, por que alguns ateliês estavam voando alto nos preços. Havia figurinos de R$ 2.000,00 sendo vendidos nos corredores do MP. Porém, se havia vários ganhadores do prêmio "overbudget" por lá, sem a presença de Yasmin Hassanein, o prêmio "underbudget" ficou com:


Joelma Brasil!
Eu sou fã dos figurinos desenvolvidos por Joelma Brasil. Não sei se é impressão, mas vejo um cuidado na elaboração de cada figurino, como se fosse ser usado pela própria Joelma. Parece uma bobagem, mas em uma "produção em larga escala" pode haver um compromisso muito maior com a beleza, enquanto que nos figurinos Gata Garota eu vejo uma preocupação com conforto, caimento e durabilidade. Novis fora o preço, muito acessível a professoras e alunas. 

Outro item da feira que está entrando na moda, e me chamou demais a atenção, foram as coroas confeccionadas pelo Ateliê Balily. Lindíssimas, ricamente bordadas, complementam o figurino da bailarina com muito glamour. Os preços variam de R$ 120,00 a R$ 180,00. Parece muito, mas não é: estamos falando de um item que confere todo um glamour ao mais discreto dos figurinos.


 
 Clique na imagem para visualizar em tamanho maior


Um dos pontos altos do evento no domingo foi o desfile de Khaled Cury, e a apresentação de Esmeralda e suas "Marias Antonietas" abrindo o desfile. Depois da apresentação do Teléte, ninguém poderia esperar nada mais econômico de Esmeralda, que vem se firmando como a mais nova diva da dança do ventre no Brasil. O figurino foi um caso à parte, de execução muito simples, mas que deu um efeito incrível no palco.

Clique na imagem para ver em tamanho maior.


Não houve um único ser humano presente no Sírio que não ficou embasbacado com a beleza de Jannah Huryat. Ela foi eleita a Miss Mercado Persa vestindo um figurino absurdamente lindo da grife BellyStars Costumes (o ateliê que confecciona os figurinos da Saida), mas estava usando uma saia azul de várias camadas que a fazia parecer uma princesa. Uma criança próxima a mim disparou quando a viu no palco: "Olha mãe, a Cinderela!". Era a própria Cinderela gente!



Assista abaixo o figurino "em ação" com a coreografia que rendeu à Jannah Huryat a terceira colocação na categoria "Solo Profissional Star" (mamis Camilla D´Amato deve estar super orgulhosa):


Uma outra reclamação forte da galera foi o atraso do show de gala. O horário marcado para início do show era 21 horas, porém os ingressos começaram a ser vendidos às 21 horas, e o show começou quase às 22h30. Tamanha espera deixou a galera um pouco "critica" com as apresentações do show de gala. Houve quem não gostasse da apresentação da Saida com o Tony Mouzayek, mas eu, sinceramente, gostei bastante. Acho que a maternidade conferiu à dança da Saida a leveza que estava faltando para chegar próximo da perfeição, e vê-la improvisar calma e fluida (até onde é possível) é muito interessante. 




Eu ainda não sei o que pensar da apresentação de Yamil Annun, mas não posso deixar de pontar a limpeza dos movimentos e a riqueza da coreografia. Como disse, eu ainda não sei o que pensar, em alguns momentos me parece uma cópia mal feita do Aleksei Riaboshapka e do Tito, mas em outros é de uma perfeição absurda. Ignorem os pulinhos, eu odiei!!





E, finalmente, o mais importante ao visitar o Mercado Persa: rever os amigos. É uma oportunidade única para tietar os ídolos, e amassar as pessoas que fazem parte da nossa vida virtual, mas que nem sempre podemos ver "ao vivo". Queria muito ter tietado a turma do fundão (Tati Lamas, Deborah Macedo - que só vi no sábado, Jamila Silva - que não enfrenta mais a muvuca), mas esse ano não deu. O que não quer dizer que eu amo menos, absolutamente!!! Saudades sempre! E, vou deixar aqui um quadrinho com fotos de algumas pessoas queridas que encontrei no MP:





Quero agradecer demais a todos que demonstraram carinho comigo nos corredores do Sírio, aos leitores do blog que me cumprimentaram por lá, e não só desejar a todos um ano cheio de muita dança, mas convidá-los a participar de outros eventos aqui em São Paulo, começando pelo Raks Sharki de Nira Lucchesi e Fátima Braga no mês de maio. 

Beijo grande e até o próximo Mercado Persa!!


17 abril 2013

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Mercado Persa 2013 - Os concursos - impressões, sugestões e sempre um mimimi...



Meninas, continuem postando suas impressões gerais sobre o Mercado Persa 2013, a opinião de vocês é super importante, não só para servir de alerta aos organizadores do MP, mas também para auxiliar a outras organizadoras de evento Brasil afora, para que os eventos fiquem cada vez melhores, e as professoras, alunas e bailarinas cada vez mais motivadas a participar, tcherto?

Vamos aos concursos do Mercado Persa 2013.

Este ano tivemos uns 20 concursos rolando no Mercado Persa. Adoro porque, na teoria (e bem na teoria), quanto mais concursos, mais qualidade na apresentação das coreografias, certeza de boas apresentações. Porém, com uma quantidade tão grande de concursos, não havia como não "encavalar" categorias no mesmo horário - se você quer acompanhar, eleja algumas categorias, e as outras, "paciência".

No meu caso, grifei: solo juvenil, amador, profissional star, profissional master, tribal feminino, grupo clássico, grupo folclórico, grupo moderno. Infelizmente não pude seguir meu cronograma porque no sábado, as eliminatórias dos solos juvenil e amador foram no mesmo horário - acabei assistindo ao amador, o grupo clássico e o solo tribal também foram no mesmo horário - assisti ao solo tribal pois minha amiga Mari Garavello estava competindo e no domingo a final do amador e do profissional star foi no mesmo horário, fiquei no profissional star.

Quanto à organização do concurso, percebi alguns problemas que podem ser melhorados para o próximo ano: ficou visível uma certa confusão da equipe organizadora com a ordem das apresentações e com as músicas, e com a equipe responsável por cuidar dos jurados. Estive muito próxima de uma situação lamentável em que, no concurso juvenil, uma confusão da organização levou uma das meninas a ser informada que estava na final, e ela não estava. Pensem na expectativa da menina, que foi pra casa pensando que tinha ido pra final, acordou cedo no domingo, ou nem dormiu (a final era 8h45), se arrumou, treinou a coreografia mais algumas vezes, e quando foi entregar o CD foi informada que não estava na final. E pior, a organização se isentou de qualquer responsabilidade sobre o fato. Um sonho desfeito. Se acontece com um adulto, tudo bem, porque embora a situação seja inaceitável, estamos mais acostumados às injustiças da vida. E quando acontece com uma criança, um pré adolescente??

Para quem estava na platéia do lado esquerdo era bem vísivel o comportamento dos jurados, e quando assisti às apresentações nesta área, pude testemunhar um comportamento inaceitável de algumas equipes de jurados: a conversa era excessiva e efusiva, atitudes um tanto quanto questionáveis quando se precisa prestar a atenção na apresentação que acontecia no palco, já que em algumas categorias, o título se decide no detalhe. Em alguns momentos havia juradas em pé DANÇANDO. Fico bem curiosa para ver as fichas de avaliação desses jurados, sinceramente, e credito certos resultados inexplicáveis a esse tipo de comportamento também.

Falando especificamente de algumas categorias agora...

Nas eliminatórias, o que me chamou mais a atenção foi a quantidade de calcinhas que tive o privilégio de ver no concurso amador. E vi, inclusive, uma ausência de calcinha. Enquanto amante da dança, estudante, bailarina, achei lamentável. Como esposa, cujo marido estava na platéia, fiquei PUTA DA CARA. Alow galera, vamos prestar atenção no figurino, nos giros, nas fendas frontais, enfim, porque o júri fica no mezanino, mas o público fica embaixo: o nível de visibilidade é 100%. Fiz até uma enquete com as amigas que estavam presentes no evento: ver a calcinha é motivo para despontuar em um concurso? E a ausência de calcinha??? Acompanhem o resultado:



Brincadeiras à parte agora, calcinhas acabam "artistas" quando a dança é aérea demais, quando se gira muito, quando pernas sobem além da conta, e na eliminatória, quando a música é improvisada, percebo uma preferência por este tipo de movimento, que parece dar mais impacto na apresentação. Como gosto de uma concentração maior nos movimentos de quadril, pra mim, opinião pessoal, acaba sendo um sintoma ruim do rumo que os concursos estão tomando.

Categoria Solo Amador

1º) Karine Anuário Borges
2º) Maria Laura Rocha F. Semolini
3º) Juliana Borges de Amorim

Não pude assistir à final do Solo Amador, mas assisti as eliminatórias, e achei difícil alguém tirar o título da concorrente Jessyca Lima. Porém, logo após o encerramento das eliminatórias, a concorrente foi chamada à área dos jurados, e não vi se ela foi para a final.

Em relação às apresentações nas eliminatórias, vi muito potencial, e já não é o primeiro ano que as amadoras arrasam. Mas percebo uma necessidade de separar a categoria "semi profissional" da categoria amadora (como já acontece em diversos segmentos de dança), porque o nível de algumas competidoras simplesmente não pode ser chamado de amador. Você classificaria uma apresentação dessa no vídeo como amadora?



O Mercado Persa não costuma alterar muito as músicas clássicas utilizadas nas eliminatórias, mas ainda assim percebi uma certa deficiência de repertório, então fica a dica para as professoras: ao invés de treinar exaustivamente a coreografia da final, estimulem o treino de improviso com as músicas clássicas, porque se a aluna não passar dessa etapa, de nada adianta se matar de treinar a coreografia.

Grupo Clássico

1º) Grupo de Danças Árabes Mahira Hasan
2º) Grupo Andrea Gaya
3º) Belly Shine

Acredito que a decisão nesta categoria tenha ficado mesmo no detalhe, porque os dois primeiros grupos eram muito bons. A coreografia da Mahira tinha uma movimentação de palco muito interessante, mostrou bastante quadril, e fez uma leitura fiel da rotina clássica. Percebi alguns mínimos erros de sincronismo, mas que ficaram pequenos diante da beleza da coreografia e da competência da execução. O cuidado com o figurino também tem que ser destacado, que saia belíssima. Resultado justo, parabéns.




Vi poucos grupos clássicos, mas alguns dos que vi me chamaram a atenção por ter escolhido músicas modernas - e acredito que os jurados tenham julgado isso também: a escolha de repertório. É um ponto no qual temos tocado bastante aqui no blog: expandir repertório, conhecer música árabe, saber diferenciar uma música clássica de uma moderna - não é porque a saia é godê e o figurino de duas peças no grupo clássico que pode descuidar do repertório gente!!! 


Grupo Folclórico

1º) Grupo Munira Magharib
2º) Cia Ayouni
3º) Cia Michele Pletsch de Danças Árabes

E Munira Magharib conseguiu um feito que eu considerava impossível: ser bicampeã consecutiva do Mercado Persa. O grupo estava muito bonito, extremamente bem ensaiado, mas o meu coração bateu muito mais forte na pegada do Dabke da Cia Ayouni. Achei a coreografia mais vibrante, os bailarinos mesmo preocupados com o júri conseguiam estabelecer um contato visual bacana com o público, time bem ensaiado, enfim. Queria muito ter visto a Cia Michele Pletsch, mas quando subi elas já haviam se apresentado. Quem tiver o vídeo de Michele Pletsch, PELAMOR, coloca pra gente, um Mouwashahat super bem recomendado pela querida Lucy Linck. Também nessa categoria acredito que o título tenha sido decidido no detalhe, então, parabéns às meninas de Munira. 



Não posso deixar de citar o grupo que apresentou um Falahi PERFEITO, quando vi as meninas pensei na hora: "já ganhou, já ganhou, já ganhou", até que.... no final da coreografia duas meninas satirizam, e levantam a saia pra mostrar a ceroula de coraçãozinho. Gente... como assim? Folclore não é para ser cômico, é para ser característico, retratar com a maior fidelidade possível a realidade de um povo ou uma região. Outro ponto é, novamente, o repertório: tinha grupo folclórico com música moderna. No comments.

Outros vídeos:
Pandora danças - Karsilamas - http://www.youtube.com/watch?v=uV9cqypI6e8


Categoria Solo Profissional Star

1o. ) Carol Berdacki - PR
2o. ) Isis Mahasin - SP
3o. ) Jannah Huriyat - SC

(Olha o Sul "rapelano")

Percebi uma sensível melhora nas performances eliminatórias no quesito repertório. Não posso deixar de pontuar que a maioria das meninas sabia que música estava dançando, deixando para julgamento mesmo só a qualidade técnica. Assim é gostoso de assistir a um concurso, palavra!

Resultado justíssimo. O tema era véu, e Carol Berdacki trouxe uma perfomance de véu digna de Petite Jamila, se Miles Copeland estivesse na platéia, ela já estaria contratada para fazer parte das Superstars. Embora estivesse torcendo pela linda Charleny Bueno (que talento essa menina), e prefira mais quadril na execução, a técnica de véus de Carol foi soberana, e ela soube desenvolver muito bem o tema. 



A Ísis foi maravilhosa, conheço a dança dessa menina, e ela é uma inspiração. Dança desde muito pequena, tem uma precisão incrível nos movimentos, foi a única competidora que realmente fez leitura musical com o véu, mas em alguns momentos a coreografia parecia apressada demais, foi esse detalhe que fez a diferença. Se ela tivesse sido um pouco mais calma em alguns momentos da coreografia, e não valorizasse tanto a leitura com encaixe/desencaixe, os jurados iriam ficar em maus lençóis na decisão. Agora olha que GRAÇA a leitura musical de "Shirin" que ela fez na eliminatória:




Outros vídeos:
Bruna Nassif - http://www.youtube.com/watch?v=CIufWks2-88

Categoria Solo Profissional Master


1o.) Linda Hathor - PR
2o.) Cristal Kasbah - SP
3o.) Vanessa Castro - PR

Antes do concurso eu tinha a impressão que a Chrystal era a mais preparada para ser a vencedora. 
Nas eliminatórias eu pensei que algum detalhe poderia tirar dela o título, mas na final do concurso eu tinha certeza absoluta de que ela seria a vencedora. Porque a dança da Chrystal, embora incorpore alguns movimentos escalafobéticos de impacto, é muito chão, tem muito quadril, é dança do ventre. O júri não concordou comigo, infelizmente.

A Linda é linda mesmo, mas a dança dela é aérea demais, no taksim da música coreografada o derback e o violino estavam gritando - e ela estava fazendo arabesques, girando, crescendo, quando a música gritava pelo movimento mais contido, ou pela marcação. Por isso acabei achando que a Chrystal levaria, mas tudo bem né...

Agora o que ficou feio demais foi aquela música clássica picotada que a Nesrine foi obrigada a dançar na final (veja o vídeo abaixo), aquilo foi inaceitável porque a música era escolhida pela organização do concurso. Então quer dizer que a equipe responsável pelas músicas não testou os CDs antes de colocar para as bailarinas dançarem? Outro ponto, é que coloca em cheque, inclusive, a lisura do concurso, porque não é segredo para ninguém que a Nesrine é capa da Revista Shimmie, concorrente da Oriente.



Outra coincidência que deve ser melhor observada pela organização é: o concurso master tem 6 concorrentes - dá para planejar com antecedência, escolher bem as músicas, procurar não repetir as músicas de um ano pro outro pra não ficar manjado. Mas, não houve este cuidado, e Linda Hathor acabou dançando a mesma música "Fi youm we lela" ano passado e este ano. Ou seja, se ela assistiu várias vezes a apresentação do ano passado para tentar identificar o que tirou dela o título, já tinha várias sequências prontas na mente - já não poderia ser mais considerado improviso. Tanto que vejo muita semelhança nas duas danças.




Veja outros vídeos:

Nesrine - 1o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=s5m6wPgX-bM
Nesrine - 2o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=GjZZl_d-z9A
Chrystal - 1o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=cTE5_Sul8Xs
Sasha Holtz - 1o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=pu3V_n1lZtA
Sasha Holtz - 2o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=-dWILPZoaCg
Vanessa Castro - 1o. Fase - http://www.youtube.com/watch?v=17uP7DeZpNM (escolha corajosa, acho essa música mega difícil)


Grupo Moderno

1º) Núcleo de Danças Ju Marconato (nota máxima: 250 pontos)
2º) Núcleo de Danças Cínthia Santos
3º) Cia de Dança Studio K

Bom gente, essa categoria foi a que me entristeceu, de verdade. Vamos lá: o título ficaria entre essas duas escolas, era nítido. As meninas de Ju Marconato estavam lindas, figurino lindíssimo, boa sincronia, enfim. Mas o Núcleo de Danças Cinthia Santos trouxe uma performance com fan veil que eu nunca tinha visto nada igual, coisa de Cirque du Soleil, comissão de frente nota 10 de escola de samba, coisa de louco. As meninas vinham com os véus fechados, evoluíram bastante, e quando abriram todos os véus, o conjunto formava um dragão. Daí elas passaram a se locomover e era como se o dragão se movesse, foi simplesmente surreal. Claro que, sendo o foco da coreografia no véu, faltou quadril. Mas era algo tão lindo, tão impactante, todo mundo ficou tão de boca aberta, que fiquei seriamente decepcionada em não vê-las com o título. É aí que considero que o "peso da faixa" contou mais do que a criatividade e execução. Pena.



Solo Tribal:

1º) Mariana Garavello
2º) Jéssica Tamara Júlia Nunes
3º) Gabriela Silva Garcia

Não posso opinar sobre essa categoria porque a Mari é minha amiga, e testemunhei seu esforço para obter este título, vi as bolhas de seus pés na sexta feira de tanto ensaiar. A maquiagem era "grife" Vera Moreira, kkkk... Mas eu só quero fazer um comentariozinho rápido: a dança é sempre mais importante que poses e caras e bocas. Vi algumas coisas boas, e vi umas coisas medo também. A Mari rapelô, foi extremamente aplaudida pelo público, não apenas ao final de sua apresentação, mas também na premiação, o que comprova sua superioridade na competição. Parabéns neguinha!!!



Vamos às categorias que não assisti, mas que estavam sendo ultra comentadas:

Solo Profissional Sênior

A final do Sênior foi na sexta à noite e eu não pude assistir. A vencedora foi a Níjme, foi minha professora, então não vou tecer comentários. Mas havia uma comoção muito forte pela bailarina Cristina Antoniadis, o povo tava nervoso MESMO porque ela não levou o título. Então, parabéns à Cristina que tocou o coração do público, e virou, de fato, campeã moral da categoria. Ontem assisti o vídeo dela várias vezes, hoje procurei pra caramba e não achei, se alguém achar, por favor, coloquem na caixa de comentários. 


Não assisti a nenhuma, nenhuma mesmo, performance de fusão nos campeonatos do Mercado Persa, mas ouvi comentários de várias pessoas, principalmente sobre o "tema" da fusão. Gostaria muito de saber dos jurados o que é avaliado neste quesito, visto que na maioria das vezes os resultados são muito questionados. 

Bom galera, estas são minhas impressões dos concursos que assisti, gostaria muito de saber a de vocês, se assistiram a outros concursos, quem são seus preferidos. Quem tiver endereços de vídeos, coloquem na caixa de comentários, assim, quem não pôde ir ao MP pode saber sobre tudo o que aconteceu nos concursos por lá. PARTICIPEM!!!



15 abril 2013

28

Mercado Persa 2013 - Primeiras Impressões


Olá gente!!!

O Mercado Persa é igual àquele parente distante, que você vê uma vez por ano, comenta que sente saudade o ano inteiro, mas quando ele chega na sua casa, você lembra que ele tem chulé e mau hálito, e gosta de tirar os sapatos e falar em cima de você. Hum.....

Fiquei feliz de perceber que, no geral, alguns apelos feitos aqui na internet foram percebidos e melhorados pela organização do evento: no palco B a iluminação estava imensuravelmente melhor do que no ano passado, praticamente aboliram as luzes coloridas, mantendo somente a luz branca. Por um outro lado, a decoração excessivamente dourada prejudicou quem trouxe figurinos nesta cor, porque ficou praticamente apagado com o dourado do fundo, mas daí já é outra história né? Não dá pra agradar todo mundo em todos os aspectos, mas quem foi tirar fotos do pessoal no palco B, pelo menos, pôde tirar fotos melhores do que no ano passado:

Mari Garavello, campeã do solo tribal no palco B


Hoje, o Mercado Persa é prestigiado, quase que exclusivamente, pelas bailarinas e professoras de fora de São Paulo, e grande São Paulo. As grandes escolas daqui não estão levando mais seus grupos para o Mercado Persa (nem praticamente para evento nenhum, na verdade). É lindo ver as caravanas de outros estados, todos com camiseta, diferentes sotaques, professoras orgulhosas mostrando cada detalhe do evento para suas alunas, mas por outro lado, eu que sou paulista fico triste de ver que as grandes bailarinas da minha cidade já desistiram do MP, a maioria decepcionada com os resultados inexplicáveis dos concursos. 

Enquanto público, esta "invasão" dos outros estados no MP fica ruim porque traz uma "avidez" com a qual não estamos acostumados: todo mundo quer estar em tudo, mas nem sempre tem tempo, todo mundo sempre está com muita pressa, é um atropelo geral, a guarda de cadeiras chega ao nível do caso de polícia. Domingo de manhã tinha um grupo guardando duas filas inteiras com 3 pessoas e 9133435443464646543213 bolsas.

Eu sei que todo ano eu falo desse lance das cadeiras, é chato, mas é necessário repensar essa atitude URGENTEMENTE!

Outra coisa chata que aconteceu comigo, este ano, levei meu marido que está fazendo curso de fotografia e tem um equipamento bom, para tirar boas fotos pro blog e pra mim, e a segurança do evento PEDIU GENTILMENTE QUE ELE GUARDASSE A MÁQUINA FOTOGRÁFICA PORQUE NÃO ERA FOTÓGRAFO CREDENCIADO. Inclusive a minha máquina, uma Sony H50, com a qual já filmei, fotografei, fiz tudo nos 3 anos anteriores, aos olhos de todos. Como assim? Não estávamos tirando fotos do palco, estávamos tirando fotos da feira, das pessoas nos corredores, nosso intuito é registrar a movimentação no evento. Ademais, o mesmo tratamento NÃO FOI dado a todas as pessoas que portavam máquinas semi ou profissionais no evento: CANSEI de ver máquina profissional que não era a dos fotógrafos credenciados, inclusive com tripé, com flash acoplado, com tudo o que manda o figurino. 

Canon T4i - Câmera semi profissional, semelhante ao que meu marido estava usando... Foto tirada no domingo à noite.


A assessoria de imprensa do evento me procurou durante o evento pra dizer que convidou alguns blogs pra participar do evento, que estes sim tem credencial de imprensa. O que me chateou ainda mais. Não por me achar foda, mas porque nesses quatro anos eu tentei entrar como imprensa TODAS AS VEZES, e a resposta que me davam era que o MP não fornece credencial de imprensa. 

Enfim.

Apresentações: tinha de tudo, de todos os níveis, pra todos os gostos, com uma predominância de performance moderna com elementos. Já fui muito contra professora levar grupos iniciantes ou básicos para este tipo de evento, hoje não sou mais. Acredito que o "gosto pela coisa" se adquire em cima do palco, e que cabe à professora explicar a seu grupo o ambiente para o qual ela está levando suas alunas. De resto é curtir.  O que fez muita falta, na minha opinião, foram alguns solos das grandes bailarinas durante a programação do evento - divertido, prazeiroso e útil: serve até como ponto de encontro pras turmas (Exemplo: "A gente se encontra no palco A na hora da apresentação da Lulu"). Este ano não tivemos praticamente nada em relação a solos durante a programação - quem quis ver as "boas da boca" tiveram que pagar 30 pilas "adicionais" pela entrada nos shows de gala.

Falaremos dos concursos ainda esta semana, mas posso adiantar que nunca vi tanta calcinha em concurso na minha vida (fora o fato de uma "ausência de calcinha", abafa). Em relação aos resultados, não foi como no ano passado: muita, mas muita gente mesmo discordou de praticamente todos os resultados.

Infelizmente, com a chuva e o frio, o bistrô da Zeinab não estava tão animado como no ano passado, mas vou te falar uma coisa: se vc acha que o Falafel do MP é um bom motivo pra enfrentar a muvuca, é porque você ainda não comeu a Shwarma do bistrô da Zeinab! Essa é a hora em que bate um arrependimento de ter feito a cirurgia só pra poder comer uns 4. Senhor, que troço gostoso!!! Mas quem é de São Paulo pode depois ir ao bistrô e provar "ao vivo e a cores". 100% garantia de sucesso.

Aliás, outra peripécia do Mercado Persa 2013 foi justamente a venda de fichas X a quantidade de produtos nas lanchonetes. Vi gente brigando com os caixas porque compraram as fichas, o produto tinha acabado, e quando o cliente voltava no guichê pra pegar o dinheiro de volta a resposta era: "mas eu te vendi uma ficha, eu não te vendi comida." Simplesmente: no comments.

Uma colega de trabalho este ano foi ao MP pela primeira vez (aluna da Nesrine, fruto da minha participação no vídeo de final de ano da empresa, gravado no Festival Shimmie), e colhi algumas impressões dela sobre o evento - na empresa ela também é responsável por vários dos eventos promovidos pelo departamento. Obviamente o item mais comentado foi o espaço, coisa que sabemos faz tempo: o Sírio não comporta mais a quantidade de público presente no Mercado Persa, passou da hora de ir pro Expo Center Norte (o Anhembi ainda é muito grande, mas não custa sonhar).

Outro ponto foi o valor do convite x estrutura oferecida pelo local, visto que ela pagou 160 pilas (ela e a filha) pelo convite para passar praticamente o dia inteiro em pé ou andando pela feira. Altamente desmotivador para quem, ano que vem, talvez suba no palco e queira trazer a família.

Uma terceira observação que ela fez, e eu achei muito válida, foi a "impressão" de desorganização: em alguns concursos, falava-se no microfone: "Está com a ficha aí? Tá o nome na ficha? Pode soltar a música? Jurados estão prontos?" Pra isso existe rádio HT, nextel podreira, qualquer coisa que não esteja ao alcance dos ouvidos do público. Ela também ressaltou que o mestre de cerimônias poderia dar toques durante o dia sobre a reserva de cadeiras, orientando à segurança que solicitasse aos desavisados para desocupar os lugares.

Perguntei a ela se voltaria ao MP no próximo ano. Ela respondeu que se for dançar, irá sim. Mas sozinha, pra entrar, dançar e sair. Um convite a menos vendido.

E você, voltará para o Mercado Persa 2014??? Conta pra gente.





09 abril 2013

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Amar el Binnaz no podcast Sala de Dança



Olá meninas!!!

Queria colocar tamanho na alegria que estou sentindo hoje, vendo o resultado da minha participação no Sala de Dança, falando de blogs e podcasts, desses veículos como uma ferramenta de divulgação da Dança do Ventre. Não consigo! Obrigada O Diretor e Carol Louro, Bruna Milani, Valéria Alves pelo convite, pelo carinho com que me trataram, e pela alegria de poder falar das minhas impressões sobre o blog e sobre o mercado de dança.

Quero convidá-las a ouvirem o podcast na página do Sala de Dança, e a comentar, dizer o que vocês acharam do assunto lá na página. Clique no link abaixo para ser direcionada:


E muito obrigada a todas vocês, leitoras do Amar el Binnaz, que são a razão disso acontecer. É o resultado da participação de vocês, e por isso digo MUITO OBRIGADA!

Beijo grande a todas!!!

02 abril 2013

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Qual o espaço da música na sua dança?

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Olá meninas!!!


Em tempo: Meninas que vão ao MP, deixem um recadinho na caixa de comentários!!! Vamos nos encontrar por lá!!!!

Desde o podcast "Sentimento, sensibilidade e emoção" com a equipe Sala de Dança e a convidada Nar el Hob,  venho tentando perceber nos vídeos em que assisto qual é o relacionamento da bailarina com a música, e tenho pensado e repensado o meu próprio relacionamento com a música árabe, e qual é o espaço dela na minha dança.

Parece meio óbvio não? Ora, a escolha da música é o primeiro degrau, é claro que, ao preparar uma apresentação escolhemos a música que de alguma forma nos toca.

Porém, uma vez escolhida a música, você pode estabelecer dois relacionamentos com ela: o antagonismo ou a parceria. Chamo de antagônica uma dança onde a bailarina enfrenta todas as batidas, flutuações, floreados, toda e qualquer variação rítmica ou melódica tem que ser transformada em movimento, reproduzida com o corpo. É a nossa realidade atual na dança, a demonstração de habilidade na leitura musical foi muito incorporada à essa cultura moderna de dança do ventre. A bailarina é o centro das atenções.

Eu gosto de uma leitura musical bem cheia, me encanta quando uma bailarina trabalha a música de tal forma que nenhuma batida ou flutuação passa desapercebida. Porém existe sim uma outra possibilidade de relacionamento com a música, que é a parceria, o "convidar" a música para se apresentar com você.

Às vezes dá vontade de assistir a uma apresentação onde a música e a dança foram reunidas para formar um cenário de encantamento. E, falando a verdade, 90% das apresentações acontecem com músicas que favoreçam o repertório de passos e habilidades da bailarina - o que é extremamente válido no sentido de melhorar a qualidade técnica da apresentação. Porém, pelo menos pra mim, é tão lindo, tão transformador quando a bailarina tem um momento de reverência à música, e consegue deixar a composição se destacar na apresentação. Demonstra, em primeiro lugar, o respeito e a reverência da bailarina pelo estilo, pelo compositor e pela canção.

Aliás, lembrando de mais um podcast das meninas do Sala de Dança, sobre a Dina, quando ela diz que ninguém consegue dançar Om Koulthoum como as egípcias, fico me perguntando se ela pensa isso porque as bailarinas estrangeiras não conseguem entender a profundidade da composição, ou se falta na dança das estrangeiras um respeito maior pela obra do compositor, permitindo que a música tenha o seu espaço de destaque na dança.


Dina e "Hayart Albi Maak" de Om Koulthoum - pura delicadeza na parceria. 


Não é tarefa fácil, requer conhecimento, repertório e uma boa dose de coragem. Digo "coragem", porque nem sempre aquela música que enche seu coração de amor lhe favorece, tecnicamente falando. Mas e aí? Vai deixar o bonde passar? Optar por aquela outra musiquinha, a que você tem certeza dos aplausos no final? NÃO, querida bailarina. Desafie-se, mas experimente um novo (e não pior) lugar - o segundo. Se a música fala tanto com você, faça com que seu corpo, seus movimentos façam um tributo a ela, ao invés de "enfrentá-la".

O resultado será de arrepiar.








As coreografias contemporâneas são minhas preferidas para observar a parceria bailarina - música.
Melanie Moore ARREBENTA as estruturas nessa coreografia.



E você, qual tem sido o seu relacionamento com a música???? Conta pra gente!!!



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