21 janeiro 2013

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Esvazie-se: as lições de expressão de Eddie Vedder



Olá meninas!!!

Antes de começar este texto, quero recomendar a leitura de outro post relacionado à expressão, falando de Elis Regina e Lulu Brasil - "Dance conforme a música e seja honesta com seu sentimento": http://www.amarelbinnaz.com.br/2012/06/e-uma-frase-comum-em-meus-workshops-de.html

Que eu sou fã de rock dos anos 70,80 e do início dos anos 90 não é segredo pra ninguém (aliás, atrás da farofa e do movimento grunge só não vai quem já morreu, quem já botou pra rachar, aprendeu que é do outro lado do lado de lado, lado de lado, lado de lá). Nunca pensei que pudesse haver uma interação entre esse meu gosto pessoal e a dança do ventre. Até que resolvi observar melhor a expressão de um dos melhores vocalistas dos anos 90: Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam.

O foco do estudo está na música "Jeremy", do álbum "Ten", de 1991, que conta a história de um garoto que sofria bullying na escola, e acabou por se suicidar com um tiro na cabeça, na frente de sua sala de aula. A letra foi escrita por Vedder, e é uma letra carregada de raiva do mundo, e uma profunda mágoa do relacionamento superficial que seus pais tinham com ele (Jeremy). 

Na minha opinião foi a música certa na época errada, 22 anos atrás ninguém falava muito em bullying, embora fosse um problema presente na vida de muitas crianças e adolescentes. Naquela época, que foi justamente a minha época de ginásio, nossos pais nos ensinavam a nos defender muito melhor, não havia essa comoção e fragilidade que existe hoje. Se essa música, e esse videoclipe fossem lançados hoje, com tantas histórias de homicídios e suicídios em escolas, certamente a repercussão seria bem outra. Para se ter uma idéia, o single nem foi lançado nos EUA, somente o videoclipe produzido por Chris Cuffaro, uma obra prima, que entrou para os 100 melhores video clipes de todos os tempos. Mas o que nos importa, nesse momento, é a expressão de Eddie Vedder



Para falar de um assunto tão forte, tão polêmico, de um desfecho tão trágico, seria absolutamente leviano que o intérprete simplesmente cantasse e nada mais. Neste caso, "dar vida" à composição significa manifestar todos os sentimentos pelos quais passa o protagonista (lembra daquela frase da Cristina Antoniadis: "Você não está representando um sentimento, você está sentindo."). No entanto, "raivoso" não é o perfil de Eddie Vedder - ele está muito mais pra depressivo do que para colérico. Para interpretar essa música, ele se esvazia de si mesmo, e deixa a música, a melodia, a letra, tomarem conta dele, quase como um transe, e ele consegue traduzir em cada gesto, cada movimento de seu corpo, toda a raiva, toda a mágoa, toda a frustração contida na música. 

No vídeo do Acústico MTV de 1992, conseguimos enxergar além da raiva que parece que a qualquer momento vai explodir os ossos da face do intérprete, um certo desequilíbrio, uma expressão de quase loucura, que espelha demais o sentimento do protagonista da música.



E não existe maior exercício de amor à arte do que esvaziar-se de si mesmo e fazer do seu corpo um instrumento da arte.

O que isso em a dizer a nós, bailarinas? Muito, mas muito mesmo, minha cara bellydancer!!!

Normalmente, quando nos preparamos para uma apresentação, o sentimento que nos domina é o prazer egocêntrico das palmas, de subir no palco e cumprir nosso papel de estrela, que é brilhar. E é natural e compreensível, eu também adoro. Porém é como uma droga: absolutamente enebriante no começo, mas depois de um certo tempo, os holofotes cansam nossa vista, o cinturão pesa demais, os alfinetes incomodam, as bolhas doem, as amigas são chatas, a professora é mandona... a dança começa a "ter defeitos" porque o corpo "acostumou com a dose", e, ou você aumenta a dosagem pra ter mais prazer, ou só dá pra fazer a manutenção.

O verdadeiro prazer do artista, o verdadeiro barato, é ser um instrumento da arte. É sentir que seu momento no palco não foi somente mais uma apresentação sem sentido na vida do expectador, mas que você fez a diferença, deixou uma marca em seu coração. E esse momento só acontece quando há o mínimo do seu ego presente, quando você diminui e a dança cresce, quando você se esvazia, e permite que a dança tome conta de você, até o último fio de cabelo, e transborde através dos seus movimentos.

Estude, aperfeiçoe a técnica ao máximo, mas deixe que a música toque sua alma. Se preciso for, conheça a tradução, domine os ritmos, ouça-a incessantemente, até o momento em que as batidas da música se misturem às batidas do seu coração, e que o sentimento provocado por essa mistura seja insuportável ao nível de que você só conseguirá viver se interpretar esse sentimento. Viva essa experiência!!!

E quando acontecer, me chame! Quero me emocionar com você!

Quero deixar aqui uma apresentação que me emocionou desse jeito: Amal Hayati com Mahaila el Helwa.




E você? Quer indicar um vídeo pra nós??? Quero te ouvir!!!

Beijos a todas


11 janeiro 2013

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O tempo não pára - e os presentes da vida!



Antes de começar o ano de 2013 aqui no blog Amar el Binnaz, vamos combinar uma coisa? Se você nasceu depois de 1990, e ainda não sabe quem é Cazuza, sai desse blog agora, coloca esse nome na caixa de pesquisa do Youtube e se permita conhecer um dos grandes gênios da MPB no século XX. 

Escrever uma postagem aos 11 dias do ano, e ainda desejar "feliz ano novo" parece um sacrilégio nos dias atuais não? Como assim, com facebook, twitter, instagram, todo tipo de mídia social, a facilidade de se transmitir a informação, ainda existe algum tipo de justificativa para atraso? Então vou trocar: esse post não é o cumprimento de um "praxe" de início de ano, é um momento de transmitir um desejo real do meu coração pra você. Eu quero muito, eu desejo do fundo do meu coração, que você, leitora do Amar el Binnaz, tenha um FELIZ ANO NOVO, e que 2013 seja um ano do qual você se lembre para sempre, com o mais largo sorriso nos lábios, como um ano de realizações e muita prosperidade.



Neste mês de janeiro completo 9 anos de estudos em dança do ventre, ano que vem poderia fazer minha festa de "10 anos de dança do ventre". Me lembro dos primeiros dias, quando lia os fóruns da vida, ou as comunidades do orkut, e alguém dizia: "vou completar 10 anos de dança do ventre" eu pensava UAU! Que maravilha! É muito tempo, é muita perseverança. Será que com 10 anos de dança já vou poder ser a nova Lulu (na época Sabongi, agora Brasil)? Será que com 10 anos de dança do ventre, eu poderei largar meu emprego e viver exclusivamente de dança? Será que com 10 anos de dança do ventre eu terei aprendido tudo o que essa arte tem a oferecer? 

Muitas perguntas. 

O que aprendi nesses 9 anos, e especificamente neste último ano, é que talento é muito bom, o dom ajuda, mas a perseverança é a palavra de ordem. A atitude positiva é o motor. A determinação é o diferencial. E o amor genuíno é quem traz a longevidade. Que a dança não lhe oferece flores, nem tem que lhe agradecer por vestir o cinturão. Não espere obter através dela tudo o que a vida lhe nega. Mas esteja com a mente aberta e o coração atento para experimentar sensações que vão mudar para sempre a sua vida. Esteja preparada para o despertar de sua maior força interior, e esteja preparada para ver "do que fala" esta força.

Muitas pessoas dizem que  meio da dança do ventre é podre, que é cheio de inveja e mesquinharia, que blá, blá, bla... Eu digo que a dança do ventre é poderosa por "acordar" os titãs interiores de cada um, aqueles que ficam escondidos nas relações pessoas e familiares, no trabalho, enfim. E nem sempre esses titãs são do bem, tem os do mal também. O problema não é a "dança que desperta", são as pessoas que alimentam essa energia. Assim como existem pessoas que só conseguem enxergar essa energia negativa.

Já parou pra pensar nisso?

Este ano de 2012 foi um ano especial demais pra dança aqui no Brasil, especialmente em São Paulo. Tivemos espetáculos maravilhosos, assistimos o crescimento profissional de diversas bailarinas incríveis, tivemos uma corrente do bem bellydance, o aparecimento de iniciativas que estimulam a capacidade intelectual da bailarina, um estímulo fortíssimo para o crescimento da dança de alto nível, eventos bellydance objetivando a inclusão social e artística, tivemos vários eventos de confraternização de tribos, vários eventos beneficentes, tanta energia boa, tanta coisa positiva. Mas então você olha a timeline do facebook e não tem 1 ÚNICO COMENTÁRIO enfatizando tudo o que 2012 teve de bom. No entanto... CHOVEM comentários do tipo:

"O meio de dança do ventre é podre"
"Bailarina é tudo alienada, não pensa"
"Ninguém racionaliza dança do ventre"
"O meio é cheio de fofoca, diz que me disse"

Mas tem jeito meninas. Decida em 2013 fazer DIFERENTE!

Experimente tratar tudo, absolutamente tudo, como um presente. É, vc leu isso mesmo, pense em tudo o que vier da dança como um presente destinado a você. Não é piegas, coisa de poliana não! Confia que dá certo.



E assim como na vida, existem presentes que você gosta, que você agradece, que faz festa quando chegam. Trate assim a técnica aprendida, as amizades que surgem, os reconhecimentos que aparecem. Faça festa, se deleite. Mostre a todo mundo, alegre seu coração genuinamente. 

E outros presentes, você simplesmente não aceita. Se possível, diga até em voz alta: "que pena, não posso aceitar, obrigada."

Críticas vazias? "Que pena, não posso aceitar, obrigada!"
Negatividade?  "Que pena, não posso aceitar, obrigada!"
Competitivade desmedida?  "Que pena, não posso aceitar, obrigada!"

Este blog é uma porcaria, não tem conteúdo, não pensa dança, só vive de sorteios, blá, blá, blá...
"Que pena, não posso aceitar, obrigada!"

E segue amada! "Deixe o presente nesse centro" (como diria Lulu Brasil em sua última apresentação nas Noites do Harém) e segue sua trajetória, sem carregar o peso de NADA que você não queira. Desfrute só o que a dança tem de bom, e o que tem de ruim: "Que pena, não posso aceitar, obrigada!"

Resolvi em meu coração praticar muito mais isso em 2013. Espero que no primeiro post que escreverei em 2014 eu possa contar as milhares caixas de presente que a vida e a dança me deram em 2013, e valorizar cada delas. E os presentes que foram "deixados no centro"?

Deixe que a vida se encarregue deles, não aceitei mesmo!!!

Beijos a todas, e um 2013 abençoado!!!!!!!!!!!!!!!!

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