27 novembro 2012

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A aluna 2.0



Olá meninas!!!

Com dois irmãos trabalhando na área da educação, e observando o comportamento de 10 sobrinhos na escola, me vejo constantemente questionando as formas de ensino, atuais e antigas, sempre tentando elencar o que o formato atual tem de diferente comparado à forma em que eu fui ensinada. Em algumas áreas os antigos é que eram melhores, em outras observo uma grande evolução, enfim. 

Na minha época na escola, o formato de ensino ainda era extremamente tradicional: os professores e mestres eram os únicos detentores do conhecimento, e entre eles e nossa ignorância havia a biblioteca, pra quem tinha a iniciativa de tentar encurtar a distância intelectual entre alunos e mestres. A forma tradicional de avaliação incentivava a decoreba, e o ranqueamento de notas despertava uma competição absurda entre os alunos.

O fato é que mesmo havendo prós e contras, posso dizer com segurança que entrei no primeiro ano e saí do colegial sem questionar em nenhum momento o formato de ensino. Fui ensinada desde cedo de que o professor é uma entidade sagrada, somente ele é capaz de abrir nossa mente ignorante.


Hoje a moçada enxerga as coisas de um modo muito diferente. A teoria construtivista aplicada (ou que deveria ser aplicada) nas escolas traz o aluno como parte integrante da construção do pensamento, e não como simples receptor de uma mensagem. Dá ao aluno a possibilidade de escolha, inclusive, de não aprender, coloca (ou deveria colocar)  no indivíduo a responsabilidade sobre a absorção do conhecimento, e, principalmente, dá ao aluno o direito ao questionamento. E se o conteúdo em sala de aula é insuficiente para o aluno mais faminto, existe a internet e seus servidores infinitos, com tradutor on-line para conteúdo em língua estrangeira, não há limites para quem não tem preguiça. Isso é fantástico. 

E na dança?

Não sou capaz de emitir nenhum diagnóstico sobre o que se pratica em outras danças, mas em dança do ventre a forma de transmissão de conhecimento é a mais tradicional possível, sem nenhuma previsão de mudança. A professora detém (ou deveria deter) o conhecimento absoluto, e cabe à aluna o papel passivo de receber, apenas, seja lá o que for: estímulo, conhecimento ou cobranças. E a transição de um papel a outro ocorre no mesmo sistema avaliativo de que falamos no começo: existe essa fórmula da rotina clássica instituída, e o ranqueamento começa de forma muito sutil na distribuição de posições na coreografia, mesmo que seja pra dançar no bar do seu Zé. 

Para a minha geração (nasci em 1979), educada no formato "antigo", está OK. A gente se adapta, está acostumado - afinal, foram 14 anos na escola desse jeito. Fica até mais fácil, porque é um ambiente confortável pra nós: a gente chega na escola, espera o alongamento começar, "abre a mente" para o que vier, faz a horinha de aula e sai, completamente isento da responsabilidade da absorção daquilo que foi passado ali. E se você não aprendeu, e a coreografia não saiu a contento "a professora, também, passou a coreo só 15 dias antes da apresentação... quem ia aprender né?". Sempre tem a teacher pra receber a culpa. 

Mas..... e os novos???




Eu estou simplesmente obcecada por esse documentário da Itaú Cultural sobre o Ballet Stagium, e entre os depoimentos, todos disponíveis no Youtube no canal da Itaú Cultural, está uma descrição muito lúcida de Helena Katz sobre a forma de aprender das novas gerações (pelamordeDeus, assista a todos porque é EXTREMAMENTE enriquecedor, e vc terá a oportunidade de desmistificar certas coisas que a gente pensa que acontece só na dança do ventre):

"Eu tenho alunos muito jovens, e eles não tem a mais vaga noção do que aconteceu de 1995 pra trás. O mundo começa com eles, com o que eles sabem." (Helena Katz)

Essa nova geração, essa moçada de hoje que desperta o interesse pela dança do ventre, e que é protagonista em suas relações, vai para a sala de aula de dança, e tem que experimentar engolir o pronto, não questionar nada, e como recompensa por suas boas ações ela vai se apresentar em público, e quem sabe até dançar na fileira da frente. Ela pode querer se profissionalizar (aqui estou falando das mais jovens), até ser proativa, querer mais conhecimento, mas vai ter que esperar um tempo que ela ainda não sabe quanto é, que é determinado por um terceiro, que pode, inclusive, julgar sua qualidade e sua atitude artística. Ainda é cedo, ainda não é hora, ainda não é artista, ainda, ainda, ainda... 

E como já falamos um bilhão de vezes, essa busca por suprir as expectativas, acaba por tolher a atitude artística, no sentido de que o questionamento acaba virando inconveniente. Existe uma cobrança muito grande em relação ao desenvolvimento artístico,  mas quando se questiona, inclusive o que é ser artista, qual é a posição do artista nas relações atuais, aí é errado, aí não pode. Mas não é assim que foi ensinado às novas gerações. TUDO é questionável. 

Nunca devemos nos esquecer que esse protagonismo é inerente à nova forma de pensar, não é uma exclusividade da dança do ventre não. E enquanto as professoras alimentam uma maneira de ensino que não satisfaz a aluna, elas buscam produtos consumíveis fora da sala de aula. E a oferta meu amigo, está incontrolável. Por que? Porque tem quem compre. MESMO. Eu acho que tem a questão do capitalismo sim, do consumismo inveterado, mas tem um pouco de comodismo dos docentes em dança do ventre. Tem que haver uma mudança, é urgente a necessidade do artista da dança oriental se enxergar de uma forma menos egocêntrica e começar a pensar na transmissão do conhecimento com planejamento de longo prazo. E pra isso acontecer, vai ter sim que adaptar sua forma de transmitir conhecimento para suprir a expectativa dessa aluna sedenta de conhecimento em quantidade, mas lapidar a qualidade dessa dança 2.0 que tem muito, mas muito mesmo a oferecer. 

Ninguém disse que seria fácil. Mas não é impossível.

Beijos a todas. 


22 novembro 2012

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Miss Bellydance Brazil Plus Size - por Samantha Monteiro


 

Oi gente!!


Quem vos fala é Samantha Monteiro, correspondente carioca do Amar el Binnaz!! :)))))


Fui convocada pela Verinha para passar minha opinião e minhas impressões sobre o evento "Miss Bellydance Brazil" que aconteceu no dia 4 de novembro, e mais especificamente sobre uma das modalidades de concurso deste evento, na qual concorri: o "Miss Bellydance Brazil Plus Size." 

O evento é organizado pela bailarina Claudia Moppe, e este ano está em sua segunda edição. Além de ser o nome do evento, "Miss Bellydance Brazil" é o título dado à vencedora do concurso principal - categoria Solo Profissional. (Se você achou que se tratava de um concurso de beleza, não está sozinho. Eu tive a mesma impressão na divulgação do primeiro ano de festival.) 



Alguns comentários gerais sobre o evento: 

O ingresso para o evento, incluindo o show de gala com o maestro Mario Kirlis, custou R$ 50,00 (R$ 40,00 antecipados - se comprados até uma semana antes do evento). Mesmo levando em conta a presença de uma banda internacional, o que realmente tem um gasto considerável, ainda é um valor fora da média dos eventos da cidade, só existe outro evento anual na mesma faixa de preço (e que também traz convidados internacionais). 

Não sei até que ponto compensa trazer uma estrela internacional para um evento, sem que exista um patrocínio que diminua o peso dessa contratação no valor dos ingressos. Os bailarinos participantes do evento (concursos e show de gala) têm um potencial de público (entre alunos, amigos, parentes, etc) bem maior do que o verificado no evento. Sem dúvida o valor do ingresso pesou na decisão.

Normalmente eu costumo arrastar um fã-clube para me ver dançando nos eventos, mas dessa vez dancei sem torcida. Até pessoas do meio da dança comentaram que não iriam devido ao valor elevado.

Achei o clube onde se realizou o evento de fácil acesso, com instalações em bom estado de conservação (nada de paredes descascando ou chão nojento), com elevador para acesso de cadeirantes e pessoas com necessidades especiais. O salão tinha uma boa acústica e tinha ar-condicionado funcionando perfeitamente, detalhe importante mas nem sempre presente nos locais dos eventos, apesar do clima quente da cidade. 

A minha primeira crítica ao local tem a ver com a disposição dos lugares. Para um festival, creio ser mais adequado dispor o público em platéia em vez de mesas com cadeiras, como foi colocado. As mesas ainda abrem precedente para que as pessoas fiquem "guardando lugar" por um dia inteiro, mais do que aconteceria se houvessem somente cadeiras. Às 14 horas, existiam diversas pessoas sem lugar, e muitas mesas com lugares vazios, mas "com dono". Posso dizer que meu marido, por exemplo, reclamou bastante de ter pago R$ 50,00 e ter que ficar em pé. Algumas horas mais tarde, a organização do evento providenciou mais algumas cadeiras. 

A segunda crítica refere-se a um fato que infelizmente é realidade em TODOS os eventos da cidade: a péssima infraestrutura disponibilizada a bailarinas que participam das mostras e dos concursos (porque normalmente os participantes do show de gala tem acomodações mais adequadas e confortáveis, o que também ocorreu neste evento). 

Banheiros sem ventilação adequada é o que podemos esperar sempre em matéria de "camarim". Bailarina carioca esperta encara a missão de atravessar a cidade, de ônibus, táxi ou metrô semi-montada, e já chega o mais pronta possível, inclusive maquiada, para evitar o estresse. Mas e na hora daquele retoque esperto no visual? 

Levei uma chapinha para dar um trato no franjão um pouco antes do concurso... e.... no banheiro não tinha TOMADA!! Improviso master, achei uma tomada na parede entre um stand e outro, e dei aquela passada precária, sem pente nem espelho.

Não tive a oportunidade de acompanhar o concurso da categoria Solo Profissional, mas a "Miss Belydance Brazil 2012" foi a bailarina Laineh Alves, que tem mais um troféu na sua estante, pois tem brilhantemente vencido os concursos dos últimos grandes eventos da cidade!

Laineh Alves e Cláudia Moppe

Sobre o concurso "Miss Bellydance Brazil Plus Size": 

Acho que a primeira edição do concurso já começou com o pé direito tendo como madrinha a linda Joelma Brasil.  Bailarina que dispensa apresentações, é um exemplo de profissional fora dos padrões "cinturinha fina, quadril largo e peito grande" que construiu uma carreira de sucesso no Brasil e no Exterior, graças a seu talento, uma dança empolgante, um quadril incrivelmente poderoso, e seu astral positivo que cativou a todos.

O júri foi formado por Joelma Brasil, Márcia Gaia, Gáby Shiba, Darah Hamad e Khalida Zareen.
Na minha opinião, um dos melhores júris que já vi nos últimos tempos, todos profissionais com muita experiência e notoriedade no mercado. Os critérios de julgamento citados no edital foram: Técnica e Harmonia; Postura e Expressão; Ritmo e Musicalidade e Figurino. 



Ainda não recebi as fichas de avaliação (estou ansiosa pelas anotações dos jurados!), mas considerando que o concurso era aberto a amadoras e profissionais, o fato da bailarina vencedora, Fernanda Dias, ser uma profissional (que inclusive tem uma companhia de dança com o seu nome) mostra a coerência do resultado.

Joelma aliás, deu um SHOW de simpatia fazendo questão de entregar todas as premiações e não apenas da primeira colocada. Também ARRASOU no discurso, onde disse, brilhantamente, que não está se fazendo apologia a obesidade nem ao sedentarismo, mas sim um estímulo para que as mulheres tenham sua autoestima em dia, independente do tipo físico. Também foi muito atenciosa com os milhares de pedidos de fotos! Nessa foto, eu - 3a colocada no concurso, Joelma "DIVA" Brasil e Juliana Tempone - 2a colocada.



O evento também contou com a parceria do portal "Musa GG", que simultaneamente à apresentação de dança, avaliou todas as participantes para o concurso "Musa GG Bellydance - Concurso de Beleza". O prêmio para as vencedoras foi um ensaio fotográfico, mais entrevista a ser publicada no site , mais inscrição para o concurso de 2013 por conta do portal!! 

Minha avaliação da experiência foi positiva. 

Algumas pessoas próximas a mim tiveram opiniões contrárias à minha participação nesse concurso, com os argumentos de que "estimularia a segregação", entre outras opiniões. Mas a repercussão após o concurso, inclusive junto a amigas plus size, foi a melhor possível. Existe um nicho sim, e se existe, porque não prestigiá-lo??

Já reservei minha vaga para 2013. 

Caso as dietas não funcionem, estarei de volta para brigar pela coroa de Miss Bellydance Brazil Plus Size!!! :D

Samantha Monteiro e Juliana Tempone - 3o. e 2o. lugar no Miss Bellydance Plus Size


***************

Quero agradecer à Samantha pelo carinho de sempre com o blog, minha compaheirassa de risadas no Mercado Persa!!! Te adoro beeee!!!

E você??? Participou do evento? O que acha da iniciativa de Cláudia Moppe? Conta pra gente!!!



15 novembro 2012

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A questão da concorrência

Olá meninas!!!

Delícia de feriadão...

A "casa mal assombrada" da maioria dos profissionais é, sem dúvida, a concorrência. Falar, olhar, pensar no trabalho do outro e na influência que ele pode exercer na minha área de atuação é como estar em uma casa cheia de fantasmas, onde portas se abrem e fecham sozinhas, onde espelhos refletem imagens espectrais, onde não há controle do que acontece. E, quando estamos falando de dança então, vixe... os fantasmas parecem muito maiores do que já são. 



Quando penso em concorrência, me vêm à mente minha primeira reunião com profissionais de outras instituições financeiras. Na maleta, uma dezena de currículos prontos para serem entregues a quem eu pensava ser cacique no mercado, na mente um medo aterrorizador de que ao encontro de minha gerente caminhasse um profissional melhor e mais qualificado do que eu. Eu olhava tudo atentamente, mentalizava aqueles rostos que eu achava importantes, mas quando alguém ia cumprimentar inocentemente minha chefe, eu aparecia ao lado dela "como quem rouba" de tão silenciosa. E foi uma aventura, porque ela trabalha na área há uns 35 anos, já trabalhou em grandes instituições, ou seja: ELA CONHECIA TODO MUNDO. Jesuis, que desespero!!! Na minha ânsia de me fazer presente, para que ela nem pensasse na remota possibilidade da minha substituição, não fiz NENHUM CONTATO. Não conversei com ninguém, não conheci nenhuma pessoa nova, nada. Meus currículos voltaram na pasta sem nem terem sido tocados. E em mim uma frustração enorme, aquela era uma oportunidade ímpar de fazer contatos, mas eu estava tão focada em parecer insubstituível, tão preocupada com a concorrência, que deixei a oportunidade passar. 



E na dança do ventre, o "efeito psicológico" da concorrência parece agir como um cabresto em algumas bailarinas e em algumas escolas, condenando alunas a permanecerem aprisionadas em um mundinho restrito,  bem longe dos acontecimentos na dança, sem aprender a aplaudir o trabalho de outras profissionais, sem encontrar pessoas com as mesmas dificuldades e sem poder compartilhar conhecimento. 

A verdadeira bailarina "artista" não deve se preocupar com a concorrência, porque a arte não gera no expectador a necessidade de escolha. Dá para gostar do trabalho do "A" e do trabalho do "Z" e ter motivação para pagar ingresso para assistir a ambos. Há quem frequente shows de rock, e se sinta à vontade no show do Fernando & Sorocaba, da mesma forma que existe expectador que sente prazer na performance show de uma bailarina do Bellydance Superstars, e se emociona também com uma apresentação de Mowashahat. Porém, se para o público, se para o expectador, várias maneiras de expressar arte podem coexistir, porque existe este sentimento ameaçador tão latente para algumas bailarinas?

Não vejo a quantidade de profissionais no mercado como sendo a "resposta" para o terror à concorrência, simplesmente porque no circuito glam de dança do ventre, nas festas da comunidade árabe, nas emissoras de TV, nos clubes de alto padrão, principalmente em São Paulo, as portas estão abertas para poucas bailarinas - as de sempre, que não há necessidade de citar nomes, mas todos sabem quem são. E o mais engraçado é que essas bailarinas não parecem realmente preocupadas com a concorrência - são extremamente dedicadas à profissão, que é o que se espera de um profissional de alto nível, mas são seguras da posição que ocupam no cenário em que atuam e, mais importante, se respeitam enquanto profissionais e artistas. 

O problema, na minha opinião, é justamente a insegurança de algumas profissionais quanto a qualidade técnica delas mesmas. E a reflexão relativa à esta questão pode parar justamente nos famigerados selos de qualidade, concursos e etc. A aluna avançada é convidada pela professora (ou se aventura e mete as caras) a participar de uma avaliação para selo, padrão de qualidade, e etc. Tem um ano intenso de estudo direcionado, aprofunda sua técnica, amplia seu repertório, desenvolve habilidade de improviso, aprende a se comportar e a se produzir como uma profissional da dança, enfim. Tem 10 minutos para mostrar para 20 bailarinas suas habilidades, e a opinião dessas bailarinas têm o poder de te colocar em um patamar, ou de te manter esperando por mais estudo. A aprovação parece um presente, mas para a maioria das bailarinas é uma maldição: dá para contar nos dedos quantas retornam para a sala de aula, para o grupo de estudos, para o corpo de baile. 



Pra que? Agora eu sou uma "super selecionada togethers and evers forevers", tenho mais é que abrir meu espaço de dança, batalhar shows, exibir minhas conquistas e minhas alunas. Poucas bailarinas se dão conta que isso significa partir para um mercado onde já atuam bailarinas com anos e anos de experiência, internacionais, estabelecidas. E aí, depois de construir sua carreira como se fosse uma "casa sobre a areia", o que resta? 

1. Expor planejamentos de aulas e cursos "roubados" dos conteúdos programáticos de universidades de dança, ou de outras profissionais do mercado, sem, ao menos, ter conhecimento nem técnica suficiente para habilitar uma aluna a fazer um solo (já vi coisas de dar medo); 

2. Esconder as alunas do mundo;

3. Depreciar as outras profissionais para alunas e contratantes;

4. Fazer mimimi no Facebook, e, finalmente,

5. Utilizar todas as mídias possíveis chamando para si uma atenção que, no íntimo, nem ela mesma julga ser merecedora. 

Em relação às escolas de dança, o caso é um pouco diferente - neste assunto, estamos falando de algo que se escolhe, seja pela professora, seja pela estrutura da escola. É preciso entender que a aluna iniciante nem sempre conhece a fundo o trabalho artístico da bailarina e sua qualidade didática, e uma boa estrutura impressiona mesmo. Você condenaria alguém que desiste de uma escola que só abre às segundas, quartas e sextas, por outra tem a porta aberta todos os dias, e lhe dá a oportunidade de treinar em horários extra-aula? Tenho certeza que não. Porém, mesmo com esses diferenciais - boa estrutura e profissionais de qualidade, algumas bailarinas insistem em não prestigiar os eventos que não sejam os de sua escola, mesmo se esses forem na mesma cidade, no mesmo bairro. "Se a aluna tiver que pagar 10000 inscrições de 10000 eventos, ela não vai ter grana pra me pagar a mensalidade." Tá, mas e onde é que a aluna vai exibir o progresso conquistado em suas preciosas aulas? No espetáculo de final de ano? Para algumas pode parecer suficiente, para outras é um sofrimento, uma espera interminável. 



Para se libertar desse ciclo vicioso é preciso assumir uma postura profissional acima de tudo: ter a consciência de que, mesmo trabalhando com algo subjetivo que é a arte, existe a necessidade de aperfeiçoamento e reciclagem, e visão de mercado quanto à administração do negócio - tratar seu cliente (sua aluna) como ela deseja realmente ser tratada, e prover à ela toda a estrutura necessária para o desenvolvimento. Enquanto artista, é preciso ter humildade, focar em si e na sua necessidade de transbordar, e não ficar na mediocridade

Enquanto seu foco estiver no outro, sobrará muito pouco tempo e esforço para cuidar de si mesmo!

Beijos a todas e bom final de semana!!! 



08 novembro 2012

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Festival Nacional Shimmie 2012 - Minhas impressões


Olá meninas!!!

O bafão do feriadão (02, 03 e 04/11) foi, sem dúvida, o Festival Nacional Shimmie, realizado no Teatro Cleide Yáconis, em São Paulo. Esta foi a segunda edição do evento, e acabou por consolidar a posição que a produção da Revista Shimmie e dos produtos relacionados à marca Shimmie vêm trabalhando duro para alcançar: em primeiro lugar a aceitação de produtos pagos, porém de qualidade, por um público (mal) acostumado à pagar somente por aquilo que lhe traz status. E ocupar o lugar que lhe cabe: este é, sem dúvida, um dos maiores eventos do Brasil, cujos troféus são cobiçados por bailarinas de norte a sul do país.

Sexta, 02/11/2012 - 20ver Dançar


O evento começou na sexta feira, com o "20ver dançar", realizado no Shangrilá House, evento que reuniu uma banca de peso composta por: Lulu Brasil, Carlla Sillveira, Esmeralda e Ju Marconato, cujo objetivo é a avaliação da bailarina, a portas fechadas, com feedback ao vivo. São apenas 15 vagas, que deveriam mesmo ser disputadas à tapa, porque a banca estava muito boa, e, sinceramente, eu prefiro um quadrilhão de vezes participar do "20ver dançar" do que de um concurso nas categorias amadora ou profissional, porque, embora os comentários  das profissionais somem para o aprendizado, o rótulo da nota acaba por cometer injustiças que nem sempre engolimos. 

Minha dica: já reserva a vaga para o "20ver dançar" de 2013 A.G.O.R.A.!!!!!!


Sábado, 03/11/2012 - Concursos, Mostras e Show de Gala

A locação

Um dos mantras inabaláveis dos organizadores de eventos em qualquer área é "idealize o evento sob a ótica do convidado (imagine-se chegando e observando cada detalhe)".  O Teatro Cleide Yáconis, que fica dentro do Centro Empresarial do Aço em São Paulo foi um achado. Em primeiro lugar por conta da localização, embora meio "longe de tudo", a saída do prédio dá para a porta do Metrô Conceição. E, principalmente, por conta do luxo das instalações. O hall de entrada, onde foi instalada a feira árabe era um luxo, o teatro, embora fosse pequeno é muito bonito e chique. 



Os camarins eram um luxo só. Dá uma olhada no meu momento DIVAH no camarim mega luxo:


Sem dúvida isso foi um carinho para as participantes, já cansadas de banheiros mal cheirosos e camarins improvisados lotados, sem ventilação, sem espaço e sem luz apropriada. 

Os concursos

Eu só consegui acompanhar 2 concursos: o do Grupo Clássico, e (como sempre) o Solo Profissional. Meu primeiro comentário é: o nível, tanto do concurso de Grupos, quanto do Solo Profissional estava INCRÍVEL. Deu gosto de ver e constatar que os concorrentes foram pro palco do Festival Shimmie com garra, com uma vontade enorme de levar o troféu pra casa. 

O Grupo Clássico campeão foi o do "Estudio K", de Karina Galasso, que está se tornando o grande bicho papão dos concursos São Paulo afora. Vitória merecidíssima. 

(Se a coreografia não foi a mesma do Yalla não tem problema, só observe o trabalho coreográfico primoroso de Karina Galasso e a qualidade técnica dessas meninas).



Agora o concurso Solo Profissional.

Eu achei o nível das candidatas de fato muito bom. Acredito que o sorteio de músicas na hora do concurso deve se tornar um padrão para os concursos, porque possibilita ao júri avaliar não somente a técnica da bailarina, mas seu conhecimento em relação à repertório e principalmente sua capacidade de improviso

Primeiramente eu gostaria de falar da edição das músicas. Infelizmente não poderei elogiar a edição, porque os cortes foram ruins, e em alguns momentos a edição das músicas prejudicou a performance de algumas bailarinas. O que me marcou foi uma concorrente, se não me engano a Andréa Gaia, que a música "insinuou"  o começo de um soudi, a bailarina se empolgou no khalige, porém o soudi durou uns 4 segundos, e o corte já passou para uma parte que pedia deslocamento. Na platéia não teve um que não comentou tipo festa junina:  "Opa, olha o khalige... Ah, é mentira!!!" 

Alguém pode dizer: "tá, mas tudo bem, vamos avaliar como a bailarina sai dessa". Mas, pensando do lado da concorrente é ruim, vc pensa que está dominando a música, e uma virada dessa tira toda a sua autoconfiança.

No concurso profissional, o top 3  "Oficial" foi:

1o. Lugar: Allana Alflen - BA
2o. Lugar: Andréa Gaia - MG
3o. Lugar: Elaine Jalilah - SP

Não, eu não concordei com o resultado final (tirando a vencedora, que foi muito bem), mas não consigo avaliar a decisão dos jurados, porque a soma de pontos da prova teórica tirou um pouco da visibilidade da decisão final do juri.

O meu top 3 seria o seguinte:

1o. Lugar: Bruna Borges




Sim, Bruninha é da minha escola. Sim, eu torço muito por ela, e a admiro como bailarina e como pessoa. Não, essa não é uma opinião parcial. Bruna conseguiu adequar muito bem suas sequências aos diversos momentos da música, cresceu quando tinha que crescer, desacelerou quando havia necessidade, "entrou" muito bem no clima do taksim, foi energética, meiga, sensual, muitas mulheres em uma só, em uma única música.
Sua leitura musical foi um primor, apresentou todos os "fundamentos" da dança do ventre,  e ela foi a ÚNICA bailarina que arrancou palmas espontâneas da platéia. Não entendi, sinceramente, porque ela não está no top 3, a tarde foi da Bruna.

2o. Lugar: Allana Alflen



Allana é linda, possui uma aura calma ao dançar, é muito fluida, mas eu fiquei esperando o acarajé apimentado, e ele não rolou, achei que a dança poderia ser bem mais energética. A música também não "ajudou" muito, no sentido de que era aérea demais, exigia muito deslocamento (e na interpretação ela foi perfeita, fez tudo o que a música mandava, vamos dizer assim), e eu queria ver um pouquinho mais dos fundamentos da dança.

3o. Lugar - Lisleine Diniz



Como não se apaixonar pelas linhas perfeitas e pela expressão dessa bailarina??? Eu ADOREI a dança da Lisleine, movimentos muito limpos, sequências bem criativas e uma diversidade muito boa de movimentos. O detalhe que tirou o título dela foram algumas finalizações indecisas, mas "a olho nu" é imperceptível. Muito simpática em cena, também levantou a galera. Belíssima apresentação.

****

Nos demais concursos, o comentário geral foi que todas as decisões foram tomadas com muita justiça, ponto pra Shimmie, que convocou profissionais sérias para participar das bancas e, em contrapartida, essas profissionais cuidaram para que o resultado não colocasse em cheque nem o seu profissionalismo, a lisura do concurso e a competência da equipe que organizou o evento. Parabéns.

O Show de Gala - Sentimentos

Para falar do show de gala, vou usar as palavras da equipe do Marketing da empresa em que trabalho, que esteve presente para filmar a apresentação do meu grupo: "Foi um show inesquecível, me fez rir, chorar, gritar, suar, instigou minha curiosidade, abalou minhas estruturas internas. A Dança do Ventre entrou na minha vida através dessas bailarinas, e a porta de saída estará fechada por muito tempo. Esse show deveria ser destaque no Caderno 2 da Folha de São Paulo, temos que lutar para que o ano que vem até as escadarias estejam lotadas." (Marta Benígna - minha colega de trabalho que agora me manda vários e-mails por dia sobre todas as escolas de dança do ventre que ela encontra na internet!!!).

Foi realmente um show memorável, e olha que eu só assisti até a metade - o segundo ato vi apenas pelo youtube. Todas as bailarinas participantes foram incríveis, mas quem tocou meu coração de uma forma muito profunda com suas apresentações foram Maíse Ribeiro, Fernanda Guerreiro, minha prô Ana Claudia Borges, e, acima de todas, Chrystal Kasbah! Que número intenso, que interpretação. Um primor.

Vendo o enorme encantamento dos meus colegas de trabalho, consigo enxergar um futuro promissor para os espetáculos especializados de dança do ventre em São Paulo. Existe preconceito quanto à dança? Sim, existe, mas ainda assim convide seu vizinho, seu colega, dê a ele a oportunidade de se encantar também, de apreciar a Dança do Ventre enquanto arte. Um show com profissionais desse nível, idealizado para despertar tantas reações no expectador pode convencer até o mais cético dos homens. É possível sim. YES WE CAN.

Todas as apresentações tem um trechinho na Central da Dança do Ventre, depois dá uma passadinha lá: www.centraldancadoventre.com.br

Outros vídeos:

Mahaila e Tárik:  http://www.youtube.com/watch?v=SqxZHYFsy9c
Rhazi Manat: http://www.youtube.com/watch?v=9mU9OO8Wc7I&feature=relmfu
DUST IN THE WIND. AAAAAAAAAAAAA!!!

Chrystal Kasbah: http://www.youtube.com/watch?v=yzNEslD18oo
Esmeralda: http://www.youtube.com/watch?v=NRgqMa7Dgws
Carla Silveira: http://www.youtube.com/watch?v=4jKDhTIaGFc

Minhas filmagens:

Najwa Zaidan



Sahu e Rhazi Manat

 

Suheil

 

Ana Claudia Borges

 

Fernanda Guerreiro

 

E vocês, o que acharam do Festival Shimmie??? Vamos?




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