03 outubro 2012

O solo de percussão e os pesadelos da bailarina...


Olá meninas!!!

Me lembro como se fosse agora o dia em que uma das minhas primeiras professoras estava filmando sua participação na Pré-Seleção Khan el Khalili, e me chamou para sua casa, para ajudá-la no backstage, com roupas, maquiagem e com o vídeo. Fizemos todas as gravações, até que chegou o momento fatídico: o temido "solo de percussão", item ressaltado por Jorge Sabongi no site da Casa de Chá como o mais importante de todos. 

Porém, como iniciante na dança, eu não entendia o porquê de tamanha importância dada ao solo de percussão, ainda não conhecia o trabalho de Soraia Zaied e Carlla Sillveira, e achava uma supervalorização desmedida de "apenas um elemento" da dança.

Enfim, minha professora direcionou seu foco nessa apresentação final de um dos vídeos da Lulu. Ela o assistia por HORAS A FIO, assistia, anotava, dançava, rebobinava, várias e várias vezes.



Depois de conhecer o trabalho de Soraia Zaied foi que eu comecei a entender o papel que o solo de percussão assume na vida da bailarina profissional: ele é o elemento UAU de uma apresentação, está ali para deixar o expectador intrigado com tamanha habilidade da bailarina. Porém, como é possível manter o expectador atento a uma apresentação que tem como característica básica os pés fincados no chão, de poucos deslocamentos, onde o objetivo da dança está sempre direcionado à música e não ao público? 

É justamente a tentativa de resposta a esta pergunta que motiva as milhares de inovações que surgem no solo de percussão ano após ano. Algumas inovações acrescentam pimenta às apresentações, as tornam mais interessantes. Outras nem tanto. Porém em todas elas o elemento comum é a leitura musical infalível e a busca incansável por todas as batidas do derback.

Soraia Zaied - 2002 - Festa de 20 anos da Khan el Khalili


Este é um vídeo de solo de percussão que considero clássico porque era Soraia na sua essência: somente habilidade no quadril, sem todos os elementos "brasileirísticos" que ela acrescentou em sua dança para fazer sucesso no Egito. Mesmo que a qualidade da imagem seja ruim, é possível perceber sua habilidade absurda com o quadril, poucos elementos aéreos, quase nenhum deslocamento, muitos trancos e a utilização de diversos tipos de shimmie. 

Embora muita gente considere que em solo de percussão ao vivo tudo é permitido, esse é um tipo de apresentação que, na minha opinião, se encaixaria perfeitamente em uma apresentação somente com CD no palco de um teatro, seria impressionante da mesma forma.

Carlla Sillveira - Aracaju - 2007



Esse já é um solo de percussão bem mais elaborado, que foi criado para ser a peça final de um dos DVDs didáticos da Carlla. Funcionou muito bem no DVD com uma câmera aproximada, mas, no palco, me deu uma impressão "light" demais, somente no rash dos 6 minutos é que conseguimos ter uma bela visão do quadril impressionante que sempre foi o diferencial de Carlla Sillveira. Esse vídeo já traz também uma "modernidade" do solo de percussão: os vários deslocamentos. O objetivo já não é só impressionar o público, mas preencher o palco também. 

Marina Oganyan - Rússia  - 2010



Esse vídeo tem um elemento meio "ame-o ou deixe-o" - não sei por que essa bailarina me incomoda um pouco (acho que é a inveja master dessa barriga tanquinho). Mas ela não enrola não, a leitura é boa, ela desenvolve muito bem o rash, e mesmo nos elementos "teatrais" da apresentação ela coloca o quadril pra trabalhar muito. Embora seja uma versão bem americanizada dos solos de percussão, que por ser coreografado parece meio mecânico, é um bom solo, e dele dá para se extrair várias soluções para o seu repertório. 

Mercedes Nieto - Budapeste - 2010



Pois é... esse solo da Mercedes Nieto é o que considero uma modernização para pior do solo de percussão.  Mil desculpas para quem admira o trabalho desta bailarina, mas meu referencial é Soraia Zaied mermão... Ela enrola LITERALMENTE. O derback comendo solto, e ela deslocando, batendo cabeça, fazendo chassé, movimentos de chão, movimentos com o braço, tudo o que não interessa. Praticamente ignorou o rash!!! 

Quando penso na influência negativa que as danças ocidentais podem exercer na dança oriental, é justamente a contaminação do solo de percussão pelos elementos aéreos, e é justamente o que acontece neste vídeo.


Asmahan - Marrocos - 2011




Podem me chamar de brega, mas eu AMO essa apresentação da Asmahan, principalmente a parte da sainha com essa dança latina no começo. O "jeitão" de Asmahan é todo excêntrico, e tirando a parte do "bate-cabeça", eu acho um solo bastante interessante. É um jeito diferente de leitura, tratando todas as marcações da música como acentos pequenos, e na hora do rash ela quer ter seu momento chewbaca, mas o foco ainda está na performance do quadril. 

Jillina - Bellydance Superstars Live at Folie Bergére - 2004



Este post estaria incompleto sem o vídeo de solo de percussão mais estudado da década passada: a apresentação de Jillina na França com as Bellydance Superstars. É um solo longo, para teatro, para um público que pagou 100 Euros pelo ingresso. São totalmente compreensíveis todos os elementos que Jillina adicionou à coreografia para fazê-la mais interessante. Mas a impressão que tenho ao ver Jillina tremendo é que o tremido é executado com as pernas praticamente na extensão, e isso deixa o quadril muito feio, mas é só minha opinião. 

(Fiquei impressionada ao ler nos comentários do vídeo que ela é cinquentona!!! Misericórdia, olha como a dança do ventre faz bem pra gente!!!!!!!!!!!)

*
Eu sinceramente não sei se existe certo e errado, feio ou bonito, método, formato, enfim, qualquer tipo de normatização no solo de percussão, mas de uma coisa eu tenho certeza: a estrela TEM que ser o quadril e a habilidade da bailarina em movimentação rápida. Chega de elementos aéreos no solo de percussão, mais pé no chão e quadris à prova. 

Por esse motivo, eu achei super acertada a escolha do Mercado Persa em ter uma das fases da categoria Profissional Master com o solo de percussão ao vivo, no improviso. Que outros concursos também sigam esse exemplo porque já "deu no aro" tanta rotina clássica, vamos colocar o povo pra tremer também. 

E vocês???????????? Quero saber a opinião de todas, e seus solos preferidos!

Beijos a todas. 



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