29 outubro 2012

0

Souhair Zaki: O encanto é o principal tempero




Eu adoraria ser o tipo de estudante de dança do ventre que ama a Souhair Zaki todos os dias. Quando alguém canta louvores eternos à essa bailarina em todas as conversas, exalta suas qualidades não importa por quais motivos, isso me suscita uma admiração tamanha! Nossa!! Essa pessoa realmente entende a alma da dança do ventre! 

Como uma criaturinha tosca e limitada que sou, tem dias que eu amo a Souhair de paixão, cama e mesa, mas nos dias do "ovo virado" não há Cristo que me faça assistir mais de 2 minutos de sua dança. Eu JURO que não queria me cansar de ver sequências imensas executadas apenas com o famoso shimmie "Souhair", mas o fato é que às vezes me entedia, eu acho a dança monótona, e troco de vídeo rapidinho. É um pecado, sim, mas confesso. E minha mãe fala que "o pecado confessado merece ser perdoado". 

E daí que minha teacher resolveu fazer um tributo a Souhair Zaki nas Noites do Harém na KK. Conversando sobre o repertório de Souhair, várias músicas maravilhosas surgiram, como "Ya Amarti", (a mega onipresente em suas apresentações) "Leilat Hob", "Lissah Fakir", e até "Shik Shak Shok"

Clique no título das músicas para fazer o download: 

Racionalizando sobre as músicas, Ya Amarti tem muitas quebras, mas tem momentos bem grandiosos que a dança pequena e delicada de Souhair não acompanhavam. Leilat Hob é uma música muito "redonda", que exige muito mais da fluidez do que dos acentos, Lissah Fakir também segue a mesma linha, embora com frases mais longas. Shik Shak Shok, embora diferente da versão a que estamos acostumadas ainda é um batidão e demanda uma dança muito mais energética do que a "aparência pacífica" de Souhair Zaki. Daí você pensa:
- Como é que diabos a Souhair Zaki conseguia dominar todas essas músicas e hipnotizar o público apenas com seu shimmie Souhair?

Meu ser incrédulo ainda tentou fazer um exercício: Leylat Hob no som, e nada de variações ultra powers - somente o famigerado shimmie souhair, variações de redondos médios e oitos pra cima e alguns bracinhos - avaliando que a dança de Souhair Zaki é "só" isso. O resultado: nem eu aguentei minha dança, de tão chata e sem graça. Mas por que a Souhair consegue?

É exatamente aí que entram as palavras "entrega", "emoção", "expressão", "musicalidade", "domínio cênico". Souhair Zaki era absolutamente encantadora em cena, deslizava pela música de uma forma gostosa e sua leitura musical diferenciada é uma escola, seja pela escolha do instrumento solista, seja pelo tamanho dos movimentos executados.

"Só" parece simples e fácil, mas de fácil e simples não tem absolutamente NADA!!!

Graças à minha professora Ana Claudia Borges, mais uma vez me apaixono pela dança de Souhair Zaki.

E como ela se saiu na experiência? Bom, ela já havia representado a Souhair na festa de 27 anos de Lulu Brasil (com um figurino parecido, inclusive, mas não com tanto strass), e Claudia Censi "herself" a abordou no meio do Mercado Persa para dizer que era oficial: ela É a "Souhair Zaki brasileira".

Eu gostei bastante, achei muito fiel à proposta original, e a dança da Ana já é bem tradicional, o que só embelezou o resultado final.

E você o que acha??



E "A Original" dançando também Ya Amarti:



Quero ver os comentários de todo mundo hein!!!

Beijos a todas e uma ótima semana!!!

Clique na imagem para comentar.

18 outubro 2012

1

Ventreoteca Shimmie - Volumes 1,2 e 3 - Kahina


Olá meninas!!!

Acredito que se eu fizesse uma pesquisa AGORA para saber o presente de Natal preferido de 10 entre 10 amantes de dança do ventre, o nome mais popular seria "Ventreoteca Shimmie". Em primeiro lugar porque é uma compilação com uma excelente variedade de temas, com ela dá para "cercar" todas as possibilidades de dança, em praticamente todos os níveis. Em segundo lugar porque o time escolhido é simplesmente a créme de la créme de popularidade na dança do ventre hoje, e, tirando a Mahaila el Helwa que já tem 2 DVDs produzidos (um que já foi lançado, se eu não me engano, em 2008, e outro em fase de finalização), as demais bailarinas - Kahina, Ju Marconato, Aziza, Munira Magharib e Kilma Farias são estreantes nas vídeo aulas como professoras. 

No mínimo, só poderia criar bastante curiosidade. 

O primeiro, e maior desafio da Equipe Ventreoteca, na minha opinião, é inserir vídeos didáticos no mercado de dança do ventre pós youtube. Se, em 2002 quando foram lançadas as vídeo aulas de Lulu Brasil havia um público ávido por informação, sedento por uma referência de estudo, hoje, em 2012, o senso comum prega que basta assistir um vídeo de uma apresentação repetidas vezes que a bailarina já será capaz de executar o movimento ou a sequência com perfeição, inclusive sem supervisão. Diante deste cenário, contratar 6 bailarinas de peso, uma equipe de produção extremamente profissional, tradutores e intérpretes, é algo para gente com "coragem de mamar em onça" como diria meu pai. Porém, a Shimmie topou o desafio e fez acontecer. 

Como já é comum para todos os produtos da Revista Shimmie, a Ventreoteca foi um lançamento recheado de ações de marketing, teasers no youtube com pedacinhos de aulas, lindíssimas fotos das bailarinas e da equipe de produção, e uma festa de lançamento na Khan el Khalili com toda a pompa e circunstância - 2 sessões absolutamente lotadas, com praticamente duas semanas antes da festa. 

Fiquei muito feliz com o convite da Revista Shimmie para fazer um release no blog dos vídeos, prezando a sinceridade e a liberdade de expressão acima de tudo. Um trabalho sério e próspero sabe, primeiramente, lidar com as críticas construtivas, e essa primeira impressão pra mim é fundamental. Portanto, hoje vamos falar um pouquinho dos três volumes iniciais da série, com a Bailarina do Ano de 2010 do blog Amar el Binnaz: KAHINA


Volume 1 - Técnicas de Quadril
Volume 2 - Técnicas de Quadril
Volume 3 - Sequências para deslocamentos e giros

Participação: Pedro Françolin - Derback

Onde comprar: www.lojashimmie.com.br

Ao contrário do modelo americano de vídeos didáticos, onde cada edição corresponde a um nível técnico, nos dois primeiros volumes de Kahina temos os 3 níveis técnicos juntos. Na minha opinião, esta estratégia da equipe de produção é boa para quem é avançada, perfeita para quem é intermediária, desde que tenha uma supervisão quando desejar "se desafiar" na parte mais avançada do vídeo, porém, é ruim para quem é iniciante, pois são poucos os movimentos abordados para este nível, e no nível "intermediário" do vídeo os passos abordados só ficarão bonitos com um maior refinamento em sala de aula, muito embora a Kahina explique de forma perfeita toda a técnica envolvida no movimento. Então, meu primeiro ponto de atenção é que o formato multinível pode não ser muito eficaz, por exemplo, para o nível iniciante.

Já o terceiro vídeo (Sequências para deslocamentos e giros) não é multinível, atende a todas as necessidades, níveis e gostos: a forma de Kahina explicar a técnica é de fácil entendimento para qualquer nível.

Outro ponto a ser destacado é a "química" de Kahina com o derbackista Pedro Françolin. É certo que o solo de derback foi planejado, mas o jogo cênico dos dois, a troca de olhares entre bailarina e músico, repleto de admiração e respeito foi algo que ficou lindo no vídeo. Parabéns aos dois.




Kahina não possui apenas uma dança convincente. Ela é uma professora nata, sua qualidade didática chega a impressionar. Sua voz forte e imponente lembra mesmo a professora "brava" de ballet, mas no bom sentido, o que só exige o melhor de sua aluna. Todos os movimentos não são apenas "explicados", mas toda  a preparação física e postural para o movimento é justificada no vídeo, são oferecidos exemplos do que "não" se deve fazer e ao final dos quadros é apresentada uma pequena dança oferecendo soluções para aquela sequência ensinada.

Como aluna, gostei bastante da técnica apresentada, é uma boa ferramenta de acompanhamento de estudos, o terceiro vídeo é o meu preferido (talvez porque aborde minhas maiores dificuldades na dança, será?), mas devo confessar que senti falta da apresentação de alguns exercícios de soltura de quadril. Kahina é uma das ilustres alunas de Soraia Zaied, e aperfeiçoou muito de sua dança com a prática do ballet clássico e outras danças, minha curiosidade antes do lançamento da Ventreoteca era justamente qual seria o resultado dessa combinação no assunto soltura de quadril, e fiquei esperando...

Como professora, recomendo muitíssimo o estudo desses vídeos no sentido do aperfeiçoamento da didática. Kahina detalha a mecânica do movimento como poucas, e isso é um diferencial para o profissional de dança. Não apenas executar muito bem o movimento, mas conseguir detalhá-lo em palavras e acompanhar essa demonstração com o corpo. É realmente para poucas.

E você? Já tem sua Ventreoteca? O que achou dos vídeos de Kahina??? Conta pra gente!!!



09 outubro 2012

1

Gilded Serpent: Estratégias de Competição - Sugestões de uma jurada

Olá meninas!!!

Final de ano chegando e com algumas competições importantes para acontecer, com destaque para o Festival Nacional Shimmie, que acontecerá de 02 a 04/11/2012, fiquei algum tempo procurando por dicas para concursos, e achei este texto super interessante da Jillina para mostrar para vocês. 

Antes do texto, quero convidar todas as habibas de São Paulo e interior a participar do 3o. Yalla Festival, organizado pela Danna Gama, não só porque é uma pessoa que eu amo e admiro muito, mas pela estrutura que está sendo criada para a competição e pelas oportunidades que serão disponibilizadas no evento:

Olha só o corpo de jurados:


Além disso, outra iniciativa super legal é a união de profissionais para disponibilização de serviços. E no Yalla haverá uma oportunidade ÚNICA de contratar os serviços de Sandra Reis e Carol Loução (uma fotógrafa incrível, que admiro muito) em parceria:


Se você ainda não fez sua inscrição para o Yalla, corre!!! É dia 20 de Outubro, e as vagas estão acabando!!!


*******************
E agora, vamos ao texto:

Estratégias de Competição -  Sugestões de uma jurada
Competition Strategies - A Judge’s Suggestions
Autores: Jillina e Laurie
Tradução e Adaptação: Vera Moreira

Existem muitas razões pelas quais nós, dançarinas do ventre,  participamos de competições. Competir é uma ótima maneira de manter-se responsável e fiel a seus objetivos na dança.

Participar de competições é uma grande plataforma para exposição e networking,  os concursos oferecem uma oportunidade única para receber a crítica construtiva de um grupo transversal de bailarinas estabelecidas no mercado, e, além disso, eles podem adicionar um pouco de emoção à sua vida.

Eu (Jillina) por exemplo, estou acostumada a competições de dança do ventre! Apesar de, na maioria das vezes, me ver no corpo de jurados, eu também passei grande parte de minha carreira na frente das juradas como bailarina concorrente, tentando entregar o meu melhor, e embora tenha ganho alguns títulos, é seguro dizer não venci todas as competições das quais participei! No entanto, é importante lembrar que (se você ganhar ou perder) a sua carreira e paixão continua, mesmo não ganhando o cobiçado título de "Belly Dancer da Via Láctea".

Se o seu objetivo é ir em frente e vencer, ou, simplesmente, para dançar e entregar o seu melhor em cena, eu montei uma lista das minhas próprias estratégias de competição, a fim de ajudá-la a se destacar em sua próxima competição. Essas dicas a seguir são o que eu acredito ser o mais importante e que eu procuro em um dançarino competitivo.

Figurino

Suellem Morimoto: incrível habilidade de selecionar figurinos que valorizam sua dança e seu corpo. 

As duas coisas mais importantes para se lembrar sobre o seu figurino para as competições são:
Seu traje precisa ser único, e ele deve “se encaixar” para sua  coreografia e seu tipo de corpo.

Certamente, todos nós já percebemos a quantidade de trajes “padrão pronta entrega” produzidos pelos ateliers, que estão agora disponíveis para compra em festivais e através da Internet.  Embora esses trajes sejam bonitos, tenha em mente que seu figurino favorito, que você comprou do “bazar”, e que estava à pronta entrega, também pode ser o favorito de três outras bailarinas da mesma competição. Se você não pode pagar um figurino personalizado, você pode fazer algumas alterações simples para fazer o seu “traje de prateleira” um figurino único.

Aqui estão algumas das minhas sugestões para mudanças:
  1. Adicionar flores, penas, ou outros acentos de um sutiã "simples", cinto, ou saia.
  2. Aplicar pedras extras, strass e cristais em  seu bustiê e cinto.
  3. Adicionar um corte de tecido de cor contrastante com a saia, e aplicar um detalhe com mesma cor sobre o bustiê (como “colares” atrelados às alças, por exemplo).
  4. Faça braceletes ou mangas que embelezem ainda mais  o seu traje e seu estilo de dança.

Em resumo, inclua apliques (ou alterações) que façam  o seu traje se destacar como uma peça única quando você competir.

Escolher um traje que se encaixa com a coreografia que será executada é igualmente importante. Se você quer destacar seu incrível trabalho de quadril, certifique-se de escolher um figurino com muitas franjas e gotas nos quadris de forma que os jurados não consigam deixar de prestar atenção no trabalho do quadril.
Se a sua coreografia apresenta inúmeros giros e piruetas, uma saia godê com muitas camadas de tecido e com as barras bem trabalhadas pode parecer mais apropriado do que uma saia reta. Se você tem maravilhosas linhas de pernas você gostaria de enfatizar em sua coreografia, tenha certeza de que não está vestindo uma saia até o chão que está completamente fechada ou o seu trabalho será perdido. Talvez uma saia reta, com uma fenda profunda,  seja a melhor escolha para você. 

Finalmente, considere que cor vai servir como pano de fundo no palco. Se o seu traje for da mesma cor que o tecido de fundo, você pode acabar parecendo uma "cabeça flutuante" de longe. Para evitar o efeito de camuflagem, descubra,  a partir de informações com o organizador do evento, que será a  cor utilizada para o tecido de fundo.

Maquiagem

Ana Claudia Borges - Super Noites do Harém 5: Makeup by Vera Moreira

A maquiagem apropriada para o palco deve, mais do que embelezar a bailarina, ser capaz de projetar suas emoções para o público

Antes de sua competição, tente obter informações sobre o palco e especificações de iluminação, e da localização do corpo de jurados. Eles estarão perto do palco, ou na fila 15? A competição será realizada em um palco com iluminação profissional, ou em um salão de convenções de um hotel sem iluminação? Todos esses fatores precisam ser levados em conta ao criar o seu look para a competição.

Algumas regras gerais de maquiagem de palco para manter em mente:
  1. Quanto mais fortes as luzes, mais ousada sua maquiagem deve ser. Uma forte iluminação de palco vai "lavar" todas as cores. Opte pelo bom e velho um batom vermelho-bombeiro (ao invés de um marrom avermelhado), marque as sobrancelhas e faça o contorno do rosto, nas cavidades de suas bochechas e sob a linha da mandíbula. Não dispense um blush e iluminador.
  2. Luzes fluorescentes refletem as cores verde e amarelo, assim, aproveite para fazer uma maquiagem  usando tons quentes, como marrons e bronzes.
  3. Cílios postiços deveriam  ser padrão para qualquer tipo de performance, porque emolduram os olhos e dramatizam a expressão.

Se precisar de ajuda para melhorar suas técnicas de maquiagem, certifique-se de checar o YouTube para tutoriais de maquiagem específicos para dança (Ou contrate a Verinha para um Workshop na sua escola!!!!) . Como alternativa, consulte sua amiga drag queen para dicas, truques e inspiração sobre o reforço ou camuflar com o make-up.

Certifique-se de praticar a sua aplicação de maquiagem bem antes da competição, para que você saiba o que está fazendo  na hora da tensão maior que são as horas que antecedem a competição.  Além disso, peça a um amigo honesto de olhar para você, tanto de perto e de longe, para ajudar a orientar tanto o conceito como a qualidade da aplicação.

A Escolha da Música

Esmeralda: mais do que boa dança, essa bailarina é um show de repertório. 

Aqui estão algumas dicas para manter em mente sobre a escolha da música:

Sua música precisa ser editada profissionalmente. As transições tem de ser suaves, não “picando” o ritmo, o emendando em batidas inoportunas. Se você não pode fazer isso, pergunte a um amigo (ou contrate um editor) para fazer isso por você.

(Nota da Verinha: essa frase da Jillina deveria ser um mantra para todas as participantes de competição. Músicas mal cortadas são UÓ).

Sua introdução não deve ter mais do que 5 segundos. Se for maior, você estará  perdendo um tempo valioso de apresentação no palco para o corpo de jurados. Sua escolha de música precisa ser única. Parece que a maioria das concorrentes preferem optar por versões instrumentais de músicas, mas não tenha medo de usar as músicas cantadas! Mesmo uma grande performance pode ser esquecida facilmente se os juízes ouvirem a mesma música repetidamente.

Aqui está um modelo do meu conjunto competição ideal:

  1. Noventa segundos de entrada da bailarina (não é introdução, atenção!!) : A escolha deve ser recair sobre a parte instrumental e dinâmica. Para a entrada, em minhas coreografias, utilizo muitos deslocamentos, giros e piruetas.
  2. Noventa segundos de Um Kulthum ou um  rico Taksim.  Este é o seu momento para mostrar uma gama de diferentes emoções, tanto com seu rosto e com os seus movimentos.
  3. Sessenta segundos de folclore ou música popular, que deve ser brincalhão e divertido, porém comprometido com o folclore apresentado.
  4. Sessenta segundos de solo de derback. Este é o clímax de sua apresentação de dança - não enrole! Este é o momento de mostrar a sua habilidade rítmica e de alta energia.
  5. Dez segundos de ”Finale” para a sua saída. Com sorte, você vai estar fora do palco antes de os aplausos acabarem. (Não gaste tempo dançando após o seu solo de percussão. Ele deve ser o seu clímax, a parte mais poderosa do seu conjunto. Deixe os jurados com seu solo de percussão na cabeça.)


Coreografia

Aysha Almée: uma das coreógrafas mais competentes de São Paulo e do país. 

Agora que você tem o visual, e a música, o que você vai fazer?

A elaboração da coreografia deve levar tempo, e não ser deixada para a última hora. 

Se você é  inexperiente na criação de coreografias e da estruturação da dança, não tenha medo de pedir aulas particulares com sua professora  favorita. Com toda certeza, ela estará feliz em  ajudar a criar uma coreografia ou composição para a sua apresentação.

Além disso, não tenha medo de contratar um bom coreógrafo! No início de minha carreira, eu contratei coreógrafos muitas vezes para me ajudar com as minhas performances e senti que era um bom investimento. Em outras formas de dança, é uma prática muito comum, contratar coreógrafos e treinadores.

Algumas coisas para manter em mente ao construir sua coreografia para uma competição:

  1. Comece fora do palco! Isso te salvará daquele momento estranho de  ficar em posição e segurando uma pose, fingindo é invisível, enquanto o cara do som se atrapalha para encontrar o seu CD. Lembre-se que, o julgamento começa tão logo os jurados colocam os olhos em você, portanto, tenha certeza de que sua entrada é grandiosa e impressionante.
  2. Acrescente em suas coreografias algumas “paradinhas-show”. Sua notação coreográfica é, provavelmente, de boa leitura musical e de bom gosto, mas se for muito segura e conservadora, pode ser esquecida facilmente. O que é algo impressionante e que você pode fazer bem? Profundas ondulações, acentos, piruetas, giros? Aplique um punhado desses movimentos onde  eles são musicalmente apropriados. (Por favor, sem chutes altos durante uma música Um Kulthum!) Movimentos especiais podem despertar tanto o público quanto os jurados de um estado sonolento, ajudando você a ser lembrada enquanto suas pontuações estão sendo computadas.

Certifique-se de praticar a sua coreografia, muitas e muitas e muitas vezes antes das competições, faça apresentações especiais dela para amigos e familiares. Isto não vai fazer você mais confiante no dia da competição, mas pode garantir um retorno inestimável.

O Dia da competição

Mahaila el Helwa - única brasileira vencedora do Ahlam wa Salam - Campeonato Mundial de Dança do Ventre

Meses de planejamento, praticando e finalmente chega o dia de competição.

Obtenha o máximo de seu tempo e investimento, mantendo estas coisas em mente antes de entrar no palco:

  1. Dieta: não esqueça  de comer apenas alimentos saudáveis ​​no dia da competição. Você vai querer ter energia para um dia inteiro. Além disso, certifique-se de trazer lanches com você para o local do evento. Os alimentos podem às vezes ser escassos e caros nesses grandes eventos, e você não vai querer que sua taxa glicêmica caia de repente e prejudique sua participação.
  2. Água:  Um corpo hidratado é capaz de realizar o seu melhor.
  3. Aquecimento:  Você sempre começa suas aulas com um aquecimento, não se esqueça de tratar o sua performance com a mesma disciplina. Inclua em seu aquecimento alguns exercícios de respiração de ioga para ajudar a acalmar seus nervos e relaxar o corpo.
  4. Aqueça seu rosto: Você não quer ser pega  no palco com um sorriso “parafusado”  ou com a expressão indiferente. Certifique-se de esticar os músculos do rosto, de modo que você esteja pronta para se emocionar e expressar a música.
  5. Traga uma cópia extra de CD da sua música, e tenha certeza de ambas as cópias têm apenas uma faixa gravada.
  6. Não se deixe intimidar pelo corpo de juradas. Elas estão lá para trabalhar (nota da Verinha: nos Estados Unidos os jurados cachê recebem para participar dos eventos), e podem parecer carrancudas quando estão realizando uma avaliação. Não tome suas expressões para o lado pessoal; juízes diferentes podem ter opiniões diferentes, e os concursos normalmente dão aos juízes parâmetros ponderados para julgamento, tornando o processo de avaliação difícil para eles. Se você precisar de inspiração, encontre o sua amiga, ou a mãe ou o marido na platéia. Tenho certeza que o olhar deles para você será bem mais feliz!

Este é o meu conselho pessoal, baseados somente no que eu procuro ao julgar um concurso. Espero que seja útil. Não importa em que local você deverá executar sua coreografia, mantenha o seu amor para a dança vivo e forte. Desejo-lhe a melhor sorte e coragem, tendo em sua próxima competição "Melhor Belly Dancer da Via Láctea"!

************************

Espero que tenham gostado meninas, e se vocês tem mais dicas legais, dividam conosco nos comentários!

Beijos a todas. 


Clique no gif para comentar.



05 outubro 2012

Entrevista com a Nur e o quadril dela...


Olá meninas!!

No domingo passado (30/09/2012) eu tive a oportunidade de fazer o workshop de técnicas de quadril com a Nur na 2o. Maratona de Incentivo ao Estudo do Estúdio de Danças Ana Claudia Borges. Foi um dia especial pra mim porque, primeiramente, a Nur é uma bailarina que admiro muitissimo, e também porque é uma oportunidade de "beber" da fonte de Soraia Zaied, já que Nur é uma de suas discípulas, não somente no quadril poderoso, mas na dispensação de suas técnicas de soltura. Partilhar do camarim com a Nur e poder conversar um pouquinho com ela no final da festa foi um bônus de um dia do qual vou me lembrar para sempre. 

Aliás, fazendo uma pequena observação aqui: conhecendo a história da Kahina, e passando a conhecer um pouquinho da história da Nur fiquei mais fã ainda de Soraia Zaied, que preparava BAILARINAS quando enxergava um talento nato, e não eternas alunas que ficarão debaixo das asas da professora para sempre. Enfim... vamos falar da Nur.


Só digo isso: EU TENHO MEDOOOOOOOOOOOOOOOO!!! 

Quem acompanha o blog já ouviu falar muito dessa bailarina, e de sua importância no cenário nacional. Nur é um talento nato, reconhecido pelo próprio Jorge Sabongi como sendo uma espécie de Ronaldo Fenômeno da dança do ventre. Com apenas 18 anos já era uma das bailarinas das Noites do Harém, estava em vários vídeos didáticos de Lulu Brasil, participou em um número especial com Kahina na festa de comemoração dos 20 anos da Casa de Chá Khan el Khalili, carreira de gente grande. 

Depois de 12 anos de carreira, uma carreira sólida e uma legião de fãs enlouquecidas pelo seu quadril mega "chacoalhento", dentre muitos sabores e dissabores, Nur redescobriu seu primeiro amor pela dança. E nos conta tudo nessa entrevista exclusiva:




Eu adorei fazer esta entrevista, Nur é uma querida, e pode ter pouca idade, mas tem MUITO a ensinar. Se você tiver a oportunidade de levá-la para sua cidade, não deixe pra depois. O workshop vale muito a pena. Você pode até ficar alguns dias sem sentir as pernas, mas tudo bem... faz parte (rs....).

E vocês, o que acharam???

Beijos a todas e um ótimo final de semana. 


Clique no gif para comentar. 

03 outubro 2012

O solo de percussão e os pesadelos da bailarina...


Olá meninas!!!

Me lembro como se fosse agora o dia em que uma das minhas primeiras professoras estava filmando sua participação na Pré-Seleção Khan el Khalili, e me chamou para sua casa, para ajudá-la no backstage, com roupas, maquiagem e com o vídeo. Fizemos todas as gravações, até que chegou o momento fatídico: o temido "solo de percussão", item ressaltado por Jorge Sabongi no site da Casa de Chá como o mais importante de todos. 

Porém, como iniciante na dança, eu não entendia o porquê de tamanha importância dada ao solo de percussão, ainda não conhecia o trabalho de Soraia Zaied e Carlla Sillveira, e achava uma supervalorização desmedida de "apenas um elemento" da dança.

Enfim, minha professora direcionou seu foco nessa apresentação final de um dos vídeos da Lulu. Ela o assistia por HORAS A FIO, assistia, anotava, dançava, rebobinava, várias e várias vezes.



Depois de conhecer o trabalho de Soraia Zaied foi que eu comecei a entender o papel que o solo de percussão assume na vida da bailarina profissional: ele é o elemento UAU de uma apresentação, está ali para deixar o expectador intrigado com tamanha habilidade da bailarina. Porém, como é possível manter o expectador atento a uma apresentação que tem como característica básica os pés fincados no chão, de poucos deslocamentos, onde o objetivo da dança está sempre direcionado à música e não ao público? 

É justamente a tentativa de resposta a esta pergunta que motiva as milhares de inovações que surgem no solo de percussão ano após ano. Algumas inovações acrescentam pimenta às apresentações, as tornam mais interessantes. Outras nem tanto. Porém em todas elas o elemento comum é a leitura musical infalível e a busca incansável por todas as batidas do derback.

Soraia Zaied - 2002 - Festa de 20 anos da Khan el Khalili


Este é um vídeo de solo de percussão que considero clássico porque era Soraia na sua essência: somente habilidade no quadril, sem todos os elementos "brasileirísticos" que ela acrescentou em sua dança para fazer sucesso no Egito. Mesmo que a qualidade da imagem seja ruim, é possível perceber sua habilidade absurda com o quadril, poucos elementos aéreos, quase nenhum deslocamento, muitos trancos e a utilização de diversos tipos de shimmie. 

Embora muita gente considere que em solo de percussão ao vivo tudo é permitido, esse é um tipo de apresentação que, na minha opinião, se encaixaria perfeitamente em uma apresentação somente com CD no palco de um teatro, seria impressionante da mesma forma.

Carlla Sillveira - Aracaju - 2007



Esse já é um solo de percussão bem mais elaborado, que foi criado para ser a peça final de um dos DVDs didáticos da Carlla. Funcionou muito bem no DVD com uma câmera aproximada, mas, no palco, me deu uma impressão "light" demais, somente no rash dos 6 minutos é que conseguimos ter uma bela visão do quadril impressionante que sempre foi o diferencial de Carlla Sillveira. Esse vídeo já traz também uma "modernidade" do solo de percussão: os vários deslocamentos. O objetivo já não é só impressionar o público, mas preencher o palco também. 

Marina Oganyan - Rússia  - 2010



Esse vídeo tem um elemento meio "ame-o ou deixe-o" - não sei por que essa bailarina me incomoda um pouco (acho que é a inveja master dessa barriga tanquinho). Mas ela não enrola não, a leitura é boa, ela desenvolve muito bem o rash, e mesmo nos elementos "teatrais" da apresentação ela coloca o quadril pra trabalhar muito. Embora seja uma versão bem americanizada dos solos de percussão, que por ser coreografado parece meio mecânico, é um bom solo, e dele dá para se extrair várias soluções para o seu repertório. 

Mercedes Nieto - Budapeste - 2010



Pois é... esse solo da Mercedes Nieto é o que considero uma modernização para pior do solo de percussão.  Mil desculpas para quem admira o trabalho desta bailarina, mas meu referencial é Soraia Zaied mermão... Ela enrola LITERALMENTE. O derback comendo solto, e ela deslocando, batendo cabeça, fazendo chassé, movimentos de chão, movimentos com o braço, tudo o que não interessa. Praticamente ignorou o rash!!! 

Quando penso na influência negativa que as danças ocidentais podem exercer na dança oriental, é justamente a contaminação do solo de percussão pelos elementos aéreos, e é justamente o que acontece neste vídeo.


Asmahan - Marrocos - 2011




Podem me chamar de brega, mas eu AMO essa apresentação da Asmahan, principalmente a parte da sainha com essa dança latina no começo. O "jeitão" de Asmahan é todo excêntrico, e tirando a parte do "bate-cabeça", eu acho um solo bastante interessante. É um jeito diferente de leitura, tratando todas as marcações da música como acentos pequenos, e na hora do rash ela quer ter seu momento chewbaca, mas o foco ainda está na performance do quadril. 

Jillina - Bellydance Superstars Live at Folie Bergére - 2004



Este post estaria incompleto sem o vídeo de solo de percussão mais estudado da década passada: a apresentação de Jillina na França com as Bellydance Superstars. É um solo longo, para teatro, para um público que pagou 100 Euros pelo ingresso. São totalmente compreensíveis todos os elementos que Jillina adicionou à coreografia para fazê-la mais interessante. Mas a impressão que tenho ao ver Jillina tremendo é que o tremido é executado com as pernas praticamente na extensão, e isso deixa o quadril muito feio, mas é só minha opinião. 

(Fiquei impressionada ao ler nos comentários do vídeo que ela é cinquentona!!! Misericórdia, olha como a dança do ventre faz bem pra gente!!!!!!!!!!!)

*
Eu sinceramente não sei se existe certo e errado, feio ou bonito, método, formato, enfim, qualquer tipo de normatização no solo de percussão, mas de uma coisa eu tenho certeza: a estrela TEM que ser o quadril e a habilidade da bailarina em movimentação rápida. Chega de elementos aéreos no solo de percussão, mais pé no chão e quadris à prova. 

Por esse motivo, eu achei super acertada a escolha do Mercado Persa em ter uma das fases da categoria Profissional Master com o solo de percussão ao vivo, no improviso. Que outros concursos também sigam esse exemplo porque já "deu no aro" tanta rotina clássica, vamos colocar o povo pra tremer também. 

E vocês???????????? Quero saber a opinião de todas, e seus solos preferidos!

Beijos a todas. 



Clique no gif para comentar!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...