05 julho 2012

Workshops de Dança e Propriedade Intelectual


Olá meninas!!!

São exatamente 10 dias em escrever aqui, e isto não acontece desde 2009! Shame on me!!! A verdade é que semana passada e esta semana estou cuidando da saúde, me recuperando de uma cirurgia (quer saber mais? Vai lá em www.emagrecerfeliz.com que eu explico tudo), com mamãe em casa cuidando de mim, então o tempo para escrever fica bem reduzido e a inspiração vai pra longe. Mas, estou de volta com força total! 

Na semana onde todas as atenções do mundinho bellydance se voltam para as aulas do Mosaico Brasil-Egito, comandado por Lulu Brasil, dr. Gamal Seif e Khaled Seif na Shangrilá House em SP, o assunto que mais me instiga é: até onde vai a propriedade intelectual em dança do ventre, e quanto a bailarina pode utilizar do que se aprende em workshops em seu próprio repertório



Em primeiro lugar vamos definir "Propriedade Intelectual". A definição de Propriedade Intelectual, segundo ABPI - Associação Brasileira de Propriedade Intelectual - abrange: "os direitos relativos às invenções em todos os campos da atividade humana, às descobertas científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, de comércio e de serviço, aos nomes e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal, às obras literárias, artísticas e científicas, às interpretações dos artistas intérpretes, às execuções dos artistas executantes, aos fonogramas e às emissões de radiodifusão, bem como os demais direitos relativos à atividade intelectual no campo industrial, científico, literário e artístico". Portanto, passos, sequências, coreografias também contemplam as normativas de propriedade intelectual, e, quando devidamente registradas,  podem ser enquadradas na lei 9610/98, a famosa "Lei dos Direitos Autorais". 

Não é comum às profissionais de Dança do Ventre registrarem suas coreografias. Essa prática esbarra em diversas dificuldades, tais como: sistematizar a escrita da coreografia, a burocracia na qual um registro está envolvido, altos custos de registro, enfim. Para proteger seu patrimônio intelectual em dança você precisará de muito tempo e algum dinheiro. E a maioria das profissionais responderá da mesma forma à esta questão: "não compensa". Porém existe um "registro ético" que se estabelece de forma muito natural em dança, principalmente após o advento do youtube. Basta que você dance e ponha o vídeo na rede, pronto. As pessoas sabem quem você é, que a coreografia é sua, e até quem não te conhece consegue te defender em casos de plágio



E vamos combinar, o plágio é considerado o pecado maior que pode cometer um artista, sem direito a fiança ou a reemissão. Se você for identificado como um plagiador, será julgado e condenado a ter todas as suas obras eternamente revisadas à luz de outros artistas, até que se prove que não se trata de uma cópia. Assustador não?

Do outro lado da estrada, vemos a quantidade assustadora de workshops acontecendo no mercado. Bailarina que ganha concurso em evento é convidada no ano seguinte para dar um workshop de qualquer assunto no mesmo evento do ano seguinte. Bailarina que se destaca na execução de qualquer passo, imediatamente já elabora um workshop e coloca no mercado. Isso quando não acontece de uma escola, ou um grupo de alunas assistir a um vídeo e logo pensar "nossa, essa bailarina faz essa cabecinha tão bonitinha, vamos convidá-la para um workshop de técnicas de cabeça". É a nossa realidade, não vamos fugir dela.
E, via de regra, a matéria desse bando de workshops é uma coreografia. 


Segundo a maioria das bailarinas com que converso, a coreografia é a forma mais rápida de transmitir o máximo de conteúdo. Quando todas as bailarinas da sala dominam as técnicas básicas de execução, 
concordo plenamente com este conceito. Porém, presenciando alguns workshops, o que vejo é que a sequência é passada, e se você entender todos os passos que a compõem muito que bem, se não, paciência. 

Porém existem aquelas bailarinas com memória de elefante que são verdadeiras esponjas e absorvem tudo o que é transmitido. O workshop é no sábado, e no domingo elas já estão em suas escolas praticando
as sequências desenvolvidas nos workshops. Repassam às alunas durante a aula. Incorporam essas sequências em seus próprios repertórios, afinal, é conteúdo aprendido. 

Eis que, então... um vídeo vai parar na internet e o "registro ético" é trazido à tona, condenando a bailarina pelo crime de plágio. 

Pois é. 

Quando eu participo de algum workshop na minha área de atuação, os ministrantes já possuem em sua programação, um período em que se espera que os alunos "soltem" os trabalhos no mercado, para, inclusive
ter uma avaliação de reação do que é ensinado. É natural, o participante pagou pela educação oferecida. Porém, na dança do ventre, isso não é permitido. Às alunas cabe absorver o conteúdo oferecido de forma "empacotada", e "remodelar" para o seu estilo pessoal e descaracterizar a autoria. Pensando que o conteúdo nem sempre está concentrado na técnica, e sim na sequência, e que são poucos os profissionais
que se dedicam à trabalhar mais a técnica do movimento em sala - a maioria prefere "passar a coreografia" inteira, me pergunto: será que este julgamento ministrado à quem faz uso de um conteúdo 
que se pagou pra se ter acesso é justo, é correto?

Eu não costumo participar de workshops, então, sinceramente não sei. Porém, pensando na relação comercial que se estabelece entre professor e aluno no momento da contratação do workshop, quem pagou
para ter acesso a um conteúdo, tem que ter o direito de uso. E quem disponibiliza o conteúdo tem que estar ciente de que ele pode ser utilizado sem se sentir ultrajado por isso. 

Quero muito saber a opinião de vocês!

Beijos a todas!!!



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