11 julho 2012

Bailarinas do Brasil - Monah Souad (GO)





Olá meninas!!!

Assistindo às apresentações do Show de Confraternização do Mosaico Brasil-Egito, que aconteceu no último sábado na Shangrilá House, não pude deixar de me apaixonar novamente pela dança de Monah Souad, de Goiânia-GO. A música escolhida foi Oyoun - uma escolha extremamente corajosa, eu pessoalmente acho Oyoun uma música dificílima de se dançar, o corte foi audacioso - premiou partes da música pouco usadas pela maioria das bailarinas, e a dança foi simplesmente linda. Delicada, fluida, sem passinhos da moda, mas carregada de sensibilidade e personalidade. 




Toda bailarina tem (ou deveria ter) uma forma de dançar que é sua marca registrada, e a da Monah é exatamente a essência dessa dança - movimentos pequenos, delicados e fluidos.

Comecei a estudar a dança da Monah através das vídeo aulas da Lulu, onde ela era figurinha carimbada nos títulos de maior repercussão, como essa apresentação abaixo do vídeo "Técnicas do Solo de Percussão":



É muito graciosa essa leitura do solo de percussão com os "micro-acentos" da Monah. Outro diferencial é o bom uso dos sinuosos na leitura percussiva. Eu adoro um "batidão frenético" na percussão, mas aplaudo quem consegue encaixar os sinuosos fora daqueles momentos-padrão (tipo redondinho na hora que o derback desacelera, sabe?), e, principalmente, admiro a bailarina que mantém sua personalidade mesmo no solo de percussão. Ultimamente, no Brasil, estamos incorporando demais a forma americana de leitura percussiva, onde o "excesso" de leitura, o fato de não perder nenhuma batidinha mínima que seja, demanda da bailarina uma personagem efusivamente alegre, ou então totalmente ausente de expressão, tamanha a preocupação com a leitura musical. Monah está acima disso, e nos brinda com uma dança leve, mesmo no "batidão". 

Outro vídeo que quase danifiquei meu video-cassete de tanto estudar é esse abaixo, cujo tema é a dança de Taheya Karioka:



Lulu descreve o estilo de Taheya Karioka como "Khawanin", cuja tradução literal seria "senhorita" no português, e eu vejo a personificação da khawanin nesse vídeo da Monah. Todos os acentos, shimmies, oitos, redondos, tudo extremamente PEQUENO. Dá para destacar vários temas de estudo: o arabesque "pra trás" (se é que posso chamar assim), essa pisadinha que reverbera um sinuoso até a cabeça, uma micro ondulação Farida para deslocamentos curtos, um meio oito pra fora que termina em uma ondulação, enfim, tudo o que se procurar, acha.



Monah Souad é também uma professora premiada, sendo elogiada pelo próprio sr. Jorge Sabongi pelo aproveitamento de suas bailarinas na pré seleção da Casa de Chá Khan el Khalili. Este ano ela tem 5 alunas participando da pré, quantidade comum apenas às professoras de São Paulo. Prova de que seu talento não é só dançar, mas também transmitir conhecimento e formar profissionais. 

Assistindo a dança de sábado à noite, e assistindo esses dois vídeos que foram gravados a praticamente 10 anos atrás, o que admiro na dança de Monah Souad é, justamente, a manutenção de seu estilo. É certo que a dança evoluiu, que a presença de mestres internacionais e o advento do youtube alteraram de forma indelével a dança do ventre. No entanto, Monah incorpora, adapta as inovações ao seu estilo, e não muda sua dança a cada estalo nos dedos. Isso é ser uma verdadeira artista. 

Palmas para sempre: Monah Souad.










E vocês, o que acham????




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