14 junho 2012

E-Ventre 2012 - Sucesso Total

Eu e Deborah Macedo - organizadora, hostess, animadora - a alma do evento!!!


Cadê a caravana de Osasco???????? Cadê a caravana de Guarulhos?????? Cadê a caravana de Itapecerica da Serra????? Se sentiu no Programa do Gugu? Pois é, meu bem!! Foi dessa forma alegre e bem humorada que a Déborah conduziu o E-Ventre 2012 para o sucesso. 

Muito diferente do evento de 2011, onde observei que as categorias competitivas e as mostras estavam "concentradas" em umas poucas escolas - e isso reflete diretamente na quantidade de público no evento - em 2012 a coisa foi bem mais pulverizada. Resultado: evento ABSOLUTAMENTE LOTADO o dia todo. Ouso dizer que a Associação Aichi estava pequena para a quantidade de público presente - em vários momentos não consegui lugar pra sentar. Fico feliz pela Déborah, que batalha muito para que tudo saia perfeito, e todas as bailarinas satisfeitas. Só senti falta do cafezinho hein dona Déborah!!! 

Outro diferencial foram os "Solos Mais que Especiais". Ao invés de concentrar as "boa da boca" no final, o chamado "show de gala" a organização preferiu escolher horários durante o decorrer do evento, assim, quem fosse embora mais cedo também teria a oportunidade de assistir uma apresentação de gala.  Um sinal claro de que a preocupação era o aproveitamento das participantes do evento, e não somente a venda de convites - afinal foi um baita de um risco assumido. O horário deve ser elogiado mais uma vez - programação realizada rigorosamente EM CIMA DA HORA. Quer coisa melhor do que você ficar em um evento até o final, e chegar cedo em casa? Não tem preço. 

Não andei muito nos estandes, os únicos que me cativaram foram o da Põe Pimenta (www.poepimenta.com.br) de artigos sensuais - dia dos namorados chegando né gente, eheheh... e o da Luanda Bianco que faz essas bonequinhas lindas de biscuit. Comprei o casalzinho - eu e meu habibi, e fiquei sabendo que ela faz bonequinhas personalizadas... ahhhh, fiquei apaixonada. 


Falando um pouquinho dos concursos...

Acompanhei apenas os concursos solo amador e solo profissional. 

No concurso de solo amador, a vitória da Tayna Carlini foi retumbante e incontestável, ela dançou muito. Porém não consegui deixar de pensar sobre os rótulos quando a vi dançar. Não estou dizendo que ela é profissional, mas o nível que ela apresenta no palco é absurrrrrdamente profissional. Ela já venceu o juvenil no MP, e mais uma porrada de concursos São Paulo afora. Ela estuda, se aperfeiçoa, tem o nível técnico suficiente para ser profissional... sei lá. O que será que falta? Veio uma pergunta na minha cabeça: que professora levaria uma aluna de um nível desse para dançar gratuitamente em qualquer tipo de evento com cachê sob o argumento "ela é amadora"?  Mas enfim, grilos da cabeça da Verinha à parte, arrebentou e mereceu o titulo. 

Vamos ao concurso profissional. 

Filmei, assisti, postei, estudei e agora vim dar meu parecer sobre o assunto. 

Como todas sabem, no E-Ventre, as músicas são divulgadas com antecedência, e sorteadas na hora para cada uma das participantes. A lista tinha músicas conhecidas como Koleda, Fakkarouni, Fi youm we leyla,  Set el Hosen e Soutana, e outras que pra mim eram desconhecidas como Ya Amarti. É justamente por conta desse critério que eu observo uma segurança muito maior nas participantes do E-Ventre em relação, por exemplo, ao Mercado Persa. Por mais que elas fiquem tensas na hora do sorteio, por medo de pegar uma música bucha, houve uma preparação anterior, nem que seja, somente, escutar a música. 

Vamos aos destaques:

Primeiro a Hanna Aisha, que dançou lindamente Fakkarouni e me deixou de presente uma tonelada de soluções para leitura melódica:



Depois a Lory Shadyia. Eu fiquei EN-CAN-TA-DA com essa bailarina, com sua graça e delicadeza. Assistindo ao vídeo repetidas vezes, acredito que o que tirou dela o título foram algumas finalizações indecisas. Ela certamente conhecia a música, mas em algumas finalizações me dava a impressão que ela estava esperando um elemento que não acontecia na frase seguinte, e isso causou alguns erros de leitura. Porém diante de uma dança fluida, sem afetações, sem pernão, de excelente qualidade, os erros ficam pequenos demais. Adorei e irei acompanhar os passos dessa bailarina.



Yamara Fabri já está virando bicho papão nos concursos São paulo afora, mas o fato é que ela pegou uma música meio bucha (Ya Amarti - eu não conhecia), e embora a leitura tenha sido quase perfeita, tive a impressão de que a música a intimidou, isso deve ter tirado dela preciosos pontinhos de expressão. Achei que a entrada ficaria riquíssima se executada com véu, a música pedia loucamente uma grandiosidade que só é possível com o véu. Acho também que a Yayá poderia ter investido mais nos movimentos sinuosos - a leitura ficou muito concentrada nos acentos. Eu sou fã da Yamara, sei que ela estuda MUITO e sei também que tem um grande futuro... só vou ficar de camarote observando seu sucesso. 



Vamos às vencedoras:

Assim: ninguém teria dúvidas que essas duas bailarinas seriam as vencedoras do concurso. A questão seria: quem fica com o primeiro lugar? Quem fica com o segundo lugar? Não havia espaço para outras nessas posições. Ao final do concurso eu tinha CERTEZA ABSOLUTA de que a Aisha Samyia iria vencer. Ela dançou Fi youm we leyla de uma forma sublime, no perfeito "mood" da música, fluida, desenvolveu um taksim denso, carregado de sentimento, acelerou nas partes em que a música pedia na medida certa, tudo isso sem perder em qualidade de execução. Foi perfeita.

Mas ela ficou em segundo lugar........



A vencedora, Camila Ramos, é da minha cidade. A música que ela pegou era uma "classicona", cheia de variações ritmicas e melódicas, e ela soube aproveitar muito bem tudo isso. Seu nível técnico é altíssimo, isso é indiscutível. Mas algumas coisas me incomodaram bastante:
- O arabesque executado praticamente na lateral terminado cruzando a perna na frente me deu uma impressão ruim. Tudo o que eu via era pernão fazendo arco no ar. Não sei se a execução está certa ou errada, mas na minha opinião a impressão que fica não era a melhor.
- A leitura foi perfeita, ok, mas foi óbvia também, e apresentava um preciosismo desnecessário com as marcações percussivas.
- O taksim foi praticamente executado de costas.

Enfim, por todos esses motivos eu julgava que ela levaria o segundo lugar no concurso. Mas ela ficou em primeiro lugar.



Não vou mentir em dizer que não fiquei absurdamente incomodada com o resultado desse concurso. Não pelas concorrentes, acho que o título está em excelentes mãos. Mas por constatar que elementos essenciais para emocionar o público, como sentimento e maturidade na execução da dança, passam desapercebidos, enquanto que outros muito menos importantes como "figurino", por exemplo, ganham destaque. Se coração de gente e cabeça de jurado é terra que ninguém anda, e se estas bailarinas que compõem as bancas examinadoras Brasil afora já são consideradas "masters", ao premiar "o pernão" ao invés da delicadeza, que tipo de mensagem elas querem passar para as bailarinas que pretendem fazer dos concursos uma etapa para o aprendizado e para a profissionalização? Que o mais importante é não perder as batidas, encher a execução de arabesque, passear bastante pelo palco. Entender a música, compreender a melodia, permitir-se sentir, entender e transmitir a mensagem que a melodia quer reverberar no seu corpo são itens menos importantes. Sinceramente, depois dessa só posso dizer: que Deus nos ajude!!!

Quero agradecer imensamente à Deborah pelo carinho de sempre, pelo meu crachá ENOOOORRRRRME de "imprensa", por fazer de um ideal maravilhoso um evento que só engrandece a Dança do Ventre em São Paulo. 

Beijos a todas. 




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