26 junho 2012

E a novela hein??? Todo mundo já esqueceu?


Fonte: Portal do Egito

Depois de muito tempo, com os ânimos esfriados e com a cabeça no lugar, aqui estou eu para falar um pouquinho das minhas impressões sobre o episódio da novela "Avenida Brasil", exibido em 02/06/2012, que colocou o mundo bellydance em polvorosa, e, de uma certa forma, nos fez voltar a refletir sobre o incômodo status "sensual demais" que a dança ocupa no imaginário popular. 

Confesso que quando assisti, fiquei tomada de uma revolta maior do que a cena merecia. Era a "minha dança" ali, exibida como um artifício barato de sedução. A dança, que nos custa tanto tempo, dinheiro, dores musculares, hematomas, suor e lágrimas, retratada como um simples fetiche masculino, sem o devido respeito que eu acredito que a dança merece. Os ânimos de todos ficaram exaltados no Facebook por, EXATOS, 3 dias. E, 20 dias depois, ninguém mais fala no assunto.

O fato é que o estereótipo vende. O jogador de futebol ingênuo e burro, a personal trainer que sobe a calcinha até o cérebro antes de dar aulas, a mulher que pratica dança do ventre pra "pegar homem", a enfermeira particular que mata o patrão pra ficar com o dinheiro, o policial corrupto, o professor pegador, enfim... o estoque de atrocidades que a TV pode praticar com as mais diversas profissões é infinito. Um diretor de novela é capaz de enfrentar a Igreja Católica de peito aberto se isso lhe trouxer alguns pontinhos a mais de audiência. Se tudo isso é de conhecimento de todos, pergunto: por que "diabos" uma profissional da dança do ventre escolhe se meter numa roubada dessa?

Nós, mulheres, somos treinadas desde a adolescência a nos tornarmos cada vez mais atrativas para o sexo oposto. Nos sentimos o máximo quando atraímos os olhares masculinos à nossa volta. Fazemos um verdadeiro ritual, desde o banho até a finalização do look com acessórios. Nos movimentamos à frente do espelho, exercitando o olhar, os movimentos, tudo milimetricamente pensado para a sedução. Os homens querem nos ver, e nós queremos ser vistas, admiradas, desejadas. É natural. Porém, ponha-se a pensar em um processo como um todo: não trabalhamos exatamente para que os homens nos desejem como os "tios" da novela? Talvez não de uma forma tão debochada e sem classe, mas a verdade é que acontece. Por que, então, nos indignamos com quem faz um shimmie diante de um velho babão, mas nos parece natural dançar sensualmente a música da Beyoncé na balada diante de um moleque cheio de tequila nas idéias, pra beijar móoooito e poder contar pras amigas depois? Não é subvalorizar o feminino do mesmo jeito?

Talvez eu fizesse a cena diferente. Ao invés de exibir conhecimento, talvez eu escrachasse em fazer tudo errado, da forma mais caricata possível, para entrar no clima da cena, que era o máximo da caricatura do que o imaginário masculino decreta para uma despedida de solteiro. Porém, sendo contratada como uma profissional da dança do ventre, sendo bem paga para tal (ou pelo menos eu espero que o cachê tenha compensado o stress), seria certo fazer isso? Não me furtei em pensar nas estrelas do Egito que são também atrizes e cujo público é sempre lembrado que elas são, também, bailarinas:




O que??? Fifi Abdo, a deusa, rebolando o popozão na frente de uma criatura embasbacada?? Pode produção? Pois é... Fifi Abdo fez, e não só essa cena, tenho um DVD em que ela dança na cama Habibi Ya Eini pra um careca gordo! NA CAMA! Mais sexual que isso só as aparições das bailarinas na TV turca. No entanto, ninguém questiona o talento e o profissionalismo da Fifi. Era um personagem e pronto, e foi desempenhado com o máximo de profissionalismo - a dança é uma delícia. Acabou a novela, acabou o personagem. Mas lembrem-se sempre: ela é FIFI ABDO, um monstro sagrado da dança, cujo legado é muito maior do que uma ou duas danças sensuais na TV.

Não estou defendendo nem a Rede Globo, muito menos as bailarinas. O que quero dizer aqui é que o objetivo da TV é o entretenimento, independente de agradar grupo X ou Y. Sempre vai existir motivação para retratar a mulher como um simples estopim para a sexualidade masculina. Cabe às profissionais que serão envolvidas no processo escolher se trarão a dança do ventre para este ambiente ou não. Fifi Abdo não teve problemas com isso, mas não dá para comparar Fifi com 3 bailarinas desconhecidas.

A lição que fica disso tudo para as bailarinas que estão na crista da onda e podem ser contratadas pela televisão é: escolham em que área de sua carreira investir, e como querem ser lembradas. Pensando na novela "O Clone", é importante ressaltar que a novela queria sim colocar a dança em um patamar sensual, porém, havia uma bailarina que trabalhava junto ao diretor construindo as cenas e dirigindo as danças. As performances consideradas "sensuais", na alcova, ficaram a cargo das atrizes Giovanna Antonelli, Letícia Sabatella e cia. As bailarinas profissionais exibiram sua dança em um ambiente festivo, onde ela era o destaque, e vista com muito respeito. Ademais, as bailarinas que dançaram na novela já tinham uma carreira sólida em suas cidades, e dançaram na novela como um complemento à sua "fama" local.

Se você é profissional, porém está firmando os primeiros contratos, conseguindo as primeiras alunas, ainda não teve oportunidade de se estabelecer no mercado de dança, meu conselho para você é muito cuidado com as aparições de TV sem um "dirigente". Pergunte, peça um script, e tenha o poder de escolha. Como você quer ser lembrada? Os 3 minutos que foram exibidos na TV passaram tão rápido que, 20 dias depois, ninguém lembra mais. Mas a má escolha que essas bailarinas fizeram, isso sim, sempre estará presente em suas carreiras, como uma mancha que terá que ser superada com muita, mas muita dança.

Beijos a todas

Leia aqui a resposta da Rede Globo a uma leitora sobre o capítulo da novela:
http://discursofeminino.com.br/?p=2603





20 junho 2012

Ele é um espetáculo: Aleksei Ryaboshapka


Olá meninas!!!

Ainda refletindo sobre o post anterior, principalmente sobre presença de palco. A bailarina nasce com isso? É possível ensinar em sala de aula? Existem técnicas específicas que ajudem a bailarina a "se soltar", a deixar o sentimento fluir? É possível avaliar? Todas essas minhoquinhas transitando soltas em minha cabeça, e, então, assisto um vídeo dele: Aleksei Ryaboshapka.



Você já pensou em ajeitar o cinturão em uma marcação da música? Ou utilizar uma batida da música para coçar o nariz? Soltar aquele "chute" quando algum desavisado cruza sua área de atuação? Ou ainda morder o lábio sensualmente durante uma apresentação? Obviamente não. Se você fizesse isso, certamente ficaria mal vista perante suas colegas de trabalho. Aleksei Ryaboshapka faz TUDO isso. E você vai achar O MÁXIMO!

Ele já apareceu aqui no blog no post sobre a paródia bellydance, lembra? Não? Então clica aqui:
http://www.amarelbinnaz.com.br/2012/01/parodia-bellydance-por-aleksei.html

Coube à esse ucraniano da cidade de Donetsky, a formação da bailarina "do momento" nas mídias sociais: 
Daria Mitskevich. Dono de uma técnica invejável, e de um carisma absurdo, Aleksei materializa o conceito "diversão em cena". Minha impressão ao assistí-lo, é que a técnica perfeita flui tão naturalmente, que ele se concentra, quase que exclusivamente, na comunicação visual com o público. Embora em muitos momentos ele lance olhares quase que lascivos para a platéia, sua dança prevalece. É um dom para poucos. 

Um verdadeiro show-man da Dança do Ventre

Senhoras e senhores: Aleksei Ryaboshapka




E esse figurino? Que coisa sexy, Geeeezzzz...




Você já viu alguém marcar as batidas da música com os olhos? Eu também não...



Tenho certeza de que você já teve vontade de chutar alguém que "atravessou" na sua frente!!! KKKKK...



Sinceramente, fico sem palavras!

Ele faz tudo o que a gente odeia que as bailarinas façam, mas isso só me deixa mais apaixonada por ele!

E vocês, o que acham???

Beijoconas!


14 junho 2012

E-Ventre 2012 - Sucesso Total

Eu e Deborah Macedo - organizadora, hostess, animadora - a alma do evento!!!


Cadê a caravana de Osasco???????? Cadê a caravana de Guarulhos?????? Cadê a caravana de Itapecerica da Serra????? Se sentiu no Programa do Gugu? Pois é, meu bem!! Foi dessa forma alegre e bem humorada que a Déborah conduziu o E-Ventre 2012 para o sucesso. 

Muito diferente do evento de 2011, onde observei que as categorias competitivas e as mostras estavam "concentradas" em umas poucas escolas - e isso reflete diretamente na quantidade de público no evento - em 2012 a coisa foi bem mais pulverizada. Resultado: evento ABSOLUTAMENTE LOTADO o dia todo. Ouso dizer que a Associação Aichi estava pequena para a quantidade de público presente - em vários momentos não consegui lugar pra sentar. Fico feliz pela Déborah, que batalha muito para que tudo saia perfeito, e todas as bailarinas satisfeitas. Só senti falta do cafezinho hein dona Déborah!!! 

Outro diferencial foram os "Solos Mais que Especiais". Ao invés de concentrar as "boa da boca" no final, o chamado "show de gala" a organização preferiu escolher horários durante o decorrer do evento, assim, quem fosse embora mais cedo também teria a oportunidade de assistir uma apresentação de gala.  Um sinal claro de que a preocupação era o aproveitamento das participantes do evento, e não somente a venda de convites - afinal foi um baita de um risco assumido. O horário deve ser elogiado mais uma vez - programação realizada rigorosamente EM CIMA DA HORA. Quer coisa melhor do que você ficar em um evento até o final, e chegar cedo em casa? Não tem preço. 

Não andei muito nos estandes, os únicos que me cativaram foram o da Põe Pimenta (www.poepimenta.com.br) de artigos sensuais - dia dos namorados chegando né gente, eheheh... e o da Luanda Bianco que faz essas bonequinhas lindas de biscuit. Comprei o casalzinho - eu e meu habibi, e fiquei sabendo que ela faz bonequinhas personalizadas... ahhhh, fiquei apaixonada. 


Falando um pouquinho dos concursos...

Acompanhei apenas os concursos solo amador e solo profissional. 

No concurso de solo amador, a vitória da Tayna Carlini foi retumbante e incontestável, ela dançou muito. Porém não consegui deixar de pensar sobre os rótulos quando a vi dançar. Não estou dizendo que ela é profissional, mas o nível que ela apresenta no palco é absurrrrrdamente profissional. Ela já venceu o juvenil no MP, e mais uma porrada de concursos São Paulo afora. Ela estuda, se aperfeiçoa, tem o nível técnico suficiente para ser profissional... sei lá. O que será que falta? Veio uma pergunta na minha cabeça: que professora levaria uma aluna de um nível desse para dançar gratuitamente em qualquer tipo de evento com cachê sob o argumento "ela é amadora"?  Mas enfim, grilos da cabeça da Verinha à parte, arrebentou e mereceu o titulo. 

Vamos ao concurso profissional. 

Filmei, assisti, postei, estudei e agora vim dar meu parecer sobre o assunto. 

Como todas sabem, no E-Ventre, as músicas são divulgadas com antecedência, e sorteadas na hora para cada uma das participantes. A lista tinha músicas conhecidas como Koleda, Fakkarouni, Fi youm we leyla,  Set el Hosen e Soutana, e outras que pra mim eram desconhecidas como Ya Amarti. É justamente por conta desse critério que eu observo uma segurança muito maior nas participantes do E-Ventre em relação, por exemplo, ao Mercado Persa. Por mais que elas fiquem tensas na hora do sorteio, por medo de pegar uma música bucha, houve uma preparação anterior, nem que seja, somente, escutar a música. 

Vamos aos destaques:

Primeiro a Hanna Aisha, que dançou lindamente Fakkarouni e me deixou de presente uma tonelada de soluções para leitura melódica:



Depois a Lory Shadyia. Eu fiquei EN-CAN-TA-DA com essa bailarina, com sua graça e delicadeza. Assistindo ao vídeo repetidas vezes, acredito que o que tirou dela o título foram algumas finalizações indecisas. Ela certamente conhecia a música, mas em algumas finalizações me dava a impressão que ela estava esperando um elemento que não acontecia na frase seguinte, e isso causou alguns erros de leitura. Porém diante de uma dança fluida, sem afetações, sem pernão, de excelente qualidade, os erros ficam pequenos demais. Adorei e irei acompanhar os passos dessa bailarina.



Yamara Fabri já está virando bicho papão nos concursos São paulo afora, mas o fato é que ela pegou uma música meio bucha (Ya Amarti - eu não conhecia), e embora a leitura tenha sido quase perfeita, tive a impressão de que a música a intimidou, isso deve ter tirado dela preciosos pontinhos de expressão. Achei que a entrada ficaria riquíssima se executada com véu, a música pedia loucamente uma grandiosidade que só é possível com o véu. Acho também que a Yayá poderia ter investido mais nos movimentos sinuosos - a leitura ficou muito concentrada nos acentos. Eu sou fã da Yamara, sei que ela estuda MUITO e sei também que tem um grande futuro... só vou ficar de camarote observando seu sucesso. 



Vamos às vencedoras:

Assim: ninguém teria dúvidas que essas duas bailarinas seriam as vencedoras do concurso. A questão seria: quem fica com o primeiro lugar? Quem fica com o segundo lugar? Não havia espaço para outras nessas posições. Ao final do concurso eu tinha CERTEZA ABSOLUTA de que a Aisha Samyia iria vencer. Ela dançou Fi youm we leyla de uma forma sublime, no perfeito "mood" da música, fluida, desenvolveu um taksim denso, carregado de sentimento, acelerou nas partes em que a música pedia na medida certa, tudo isso sem perder em qualidade de execução. Foi perfeita.

Mas ela ficou em segundo lugar........



A vencedora, Camila Ramos, é da minha cidade. A música que ela pegou era uma "classicona", cheia de variações ritmicas e melódicas, e ela soube aproveitar muito bem tudo isso. Seu nível técnico é altíssimo, isso é indiscutível. Mas algumas coisas me incomodaram bastante:
- O arabesque executado praticamente na lateral terminado cruzando a perna na frente me deu uma impressão ruim. Tudo o que eu via era pernão fazendo arco no ar. Não sei se a execução está certa ou errada, mas na minha opinião a impressão que fica não era a melhor.
- A leitura foi perfeita, ok, mas foi óbvia também, e apresentava um preciosismo desnecessário com as marcações percussivas.
- O taksim foi praticamente executado de costas.

Enfim, por todos esses motivos eu julgava que ela levaria o segundo lugar no concurso. Mas ela ficou em primeiro lugar.



Não vou mentir em dizer que não fiquei absurdamente incomodada com o resultado desse concurso. Não pelas concorrentes, acho que o título está em excelentes mãos. Mas por constatar que elementos essenciais para emocionar o público, como sentimento e maturidade na execução da dança, passam desapercebidos, enquanto que outros muito menos importantes como "figurino", por exemplo, ganham destaque. Se coração de gente e cabeça de jurado é terra que ninguém anda, e se estas bailarinas que compõem as bancas examinadoras Brasil afora já são consideradas "masters", ao premiar "o pernão" ao invés da delicadeza, que tipo de mensagem elas querem passar para as bailarinas que pretendem fazer dos concursos uma etapa para o aprendizado e para a profissionalização? Que o mais importante é não perder as batidas, encher a execução de arabesque, passear bastante pelo palco. Entender a música, compreender a melodia, permitir-se sentir, entender e transmitir a mensagem que a melodia quer reverberar no seu corpo são itens menos importantes. Sinceramente, depois dessa só posso dizer: que Deus nos ajude!!!

Quero agradecer imensamente à Deborah pelo carinho de sempre, pelo meu crachá ENOOOORRRRRME de "imprensa", por fazer de um ideal maravilhoso um evento que só engrandece a Dança do Ventre em São Paulo. 

Beijos a todas. 




11 junho 2012

Até que enfim!!! O Resultado do sorteio!!!

Olá meninas!!!

Quero agradecer a todas pela participação no sorteio! Foram 348 entradas pelo Contest Machine, e 46 compartilhamentos no Facebook, numerados conforme segue:

349 Debora Pomelli Paulin
350 Morgan Mahira Kdabra
351 Bianca Rossi Pedro
352 Naty Baroly
353 Grazi Venerável
354 Ju Sobral
355 Natália Warda
356 Juliana Batista
357 Nanda Salima
358 Prô Mônica
359 Bailarina Suheil
360 Débora Oliveira
361 Maria Zanni
362 Isadora Pires
363 Lorena Labanca
364 Marcia Valéria
365 Ana Carolina Moreira
366 Ana Paula da Silva
367 Gisele Surian
368 Ísis Rabie
369 Izza Oliveira
370 Chrystiane Castelo
371 Amanda Freitas
372 Lisleine Diniz
373 Aline Dosea
374 Karina Beraldo
375 Mell Bahira
376 Josiane Fialho Gonçalves Gomes
377 Amlid Lopes
378 Marisa Piva Moreira
379 Veronica Nahid
380 Stefania Soares de Souza
381 Sarah Ferrer
382 Natalie Pires
383 Li Matos
384 Marcia Oliveira
385 Andrea Cabral Santos
386 Valeria Forrer
387 Sahira Ma Ajniha
388 Zahra el Nur
389 Jakeline Alves
390 Priscilla Ajiki
391 Tatiana Lamas
392 Mayara Silveira
393 Mel Breviliere
394 Aisha Samiya

Utilizei o Random.org para o sorteio do vencedor, e vamos lá!!!

A VENCEDORA É.............


Parabéns Mel!!!! Você deverá entrar em contato com o e-mail amarelbinnaz@zipmail.com.br para combinarmos a entrega em até 48 horas!

E mais uma vez obrigada a todas as habibas que participaram, nos vemos no próximo sorteio! Já ganhei algumas coisinhas "MARA" para sortear para vocês, fiquem na torcida que o próximo vai ser DA HORA!!!

Amanhã tem tudo sobre o E-Ventre, e se o post demorar é tudo culpa da Jamila Silva da Põe Pimenta (www.poepimenta.com.br), e seus brinquedinhos DA HORA que estavam sendo vendidos lá!!! KKKKKKKK....

Beijos a todas. 




07 junho 2012

Esquenta para o E-Ventre 2012



Olá meninas!!!

Final de semana ultra bellydance chegando... é hora do E-Ventre 2012!

Com uma organização primorosa de Deborah Macedo, e um reconhecido clima de harmonia e amizade, o E-Ventre é o evento de dança do ventre que mais cresce em São Paulo, e está na sua 6o. Edição. Foi o primeiro evento da cidade que tomou a sustentabilidade e a inclusão social como objetivos máximos do projeto. As inscrições são um exemplo de transparência - é realizada somente via internet com reserva de horários, ou seja, quem se inscreve primeiro tem os melhores horários, simples assim. Além de disponibilizar horários de apresentações gratuitas para ONGs ou projetos sociais devidamente credenciados. Um exemplo a ser seguido por todos os eventos do Brasil. 

Neste ano a bailarina homenageada do evento é ninguém menos do que minha querida prô Ana Claudia Borges, o que o torna mais especial ainda, pelo menos pra mim, ehehe!!!


E a programação deste ano promete!!! Estarão presentes os grupos de Lulu Brasil, Munira Magharib, Tarik, Mahaila el Helwa, Hadara Nur, Aisha Samiyah, Sasha Holtz, Joelma Brasil, Malak... só fera! Além do concurso profissional, que já virou referência por divulgar as músicas com antecedência e por sortear as músicas entre as participantes. Acreditem, isso faz MUITA diferença no nível das apresentações. 



(Bia Fernandes - campeã do solo profissional 2011. Eu estava torcendo pela Haifa e pela Zahira Nader, mas percebo que houve um empenho no estudo dessa música por parte da Bia, a leitura está irrepreensível. É por isso que admiro cada vez mais o sistema de avaliação do E-Ventre.)

Se você é de São Paulo, ou estará passando por Sampa no próximo domingo dia 10, venha prestigiar o E-Ventre, conhecer novas pessoas, assistir a apresentações de qualidade, conhecer de perto as bailarinas que só vemos no vídeo. Eu estarei lá bem cedinho, e se você é leitora do blog quero te conhecer hein!!!

Nos vemos lá!!!





03 junho 2012

Dance conforme a música - e seja honesta com seu sentimento...


É uma frase comum em meus workshops de maquiagem para dança: é preciso pensar no efeito da maquiagem quando vista de longe. Tem que estar bem feita, mas de uma forma em que as pessoas consigam enxergar seu rosto à distância. 

Às vezes penso que a dança do ventre em São Paulo também tem se tornado em algo que é muito lindo de longe, mas que de perto não me transmite nada além da beleza dos movimentos do corpo. Em uma época de padrões, pré requisitos, em que strass e battements adicionam mais à dança do que o íntimo da bailarina, sua força feminina e sua experiência de vida, o verdadeiro diferencial na dança, a cereja do bolo delicioso da performance, é a expressão. 

O lugar-comum no início do aprendizado é o sorriso. Para encantar os expectadores, nada melhor que um sorriso certo? Ok, Ok, já cantei dessa cantiga. Mas e naqueles momentos em que o sorriso parece não se encaixar? São esses insights que nos instigam a ir além no estudo da técnica corporal e começar a investigar o sentimento, e fazer transparecer na música que é o nosso coração que manda nas demais partes do corpo. A bailarina que consegue ir além da preocupação com a técnica e se comunica com o público através da melodia , que consegue por poucos minutos transportar o expectador para o seu próprio mundo de arte e beleza, é   a bailarina inspiradora.  Não existe fórmula mágica, infelizmente. Cada bailarina entenderá a música, a melodia de uma forma muito particular. Mesmo que não seja possível entender a letra, a melodia "fala" com o coração da bailarina. Você está pronta para entender essa mensagem?

Um exercício muito bacana é assistir a duas apresentações: 

Elis Regina - Como Nossos Pais - Fantástico (1976)




Eu já assisti a muitas apresentações da Elis 543563565323556532321365343544535343565 vezes, mas essa em especial é uma aula completa e complexa de expressão para qualquer tipo de artista. "Como nossos pais" de Belchior é um verdadeiro hino, um alerta à juventude que se considera tão vanguardista, tão revolucionária, mas ao final do dia é vendida ao conformismo e ao conforto do "vil metal". E a Pimentinha foi a cantora perfeita para levar essa poesia para o grande público. Nesta apresentação, ela canta como se estivesse conversando olho no olho com o expectador, mesclando de forma perfeita a flutuação da melodia, com a agressividade da mensagem.

Elis permite que a música habite nela, e que seu corpo e sua voz explodam a inspiração do compositor. Simplesmente épico este vídeo da Pimentinha.

Mas você aí pode argumentar comigo que Elis está entendendo a mensagem, que lê a poesia e consegue captar o que o autor quer dizer com ela. E nós, bailarinas orientais, que não entendemos uma palavra de árabe? Pois é. Realmente nosso trabalho é bem mais difícil.

Uma das minhas primeiras professoras me passou essa mensagem, de um workshop que ela tinha feito e ela havia achado super estranho, porque boa parte do workshop de musicalidade não é a reprodução da coreografia, mas uma aula sobre como interpretar a mensagem da melodia. E ela me disse que o primeiro insight com a música deve ser você, sentada, com um fone de ouvido, e de olhos fechados, "ouvindo o que a melodia diz ao seu coração". Bem diferente do "achei lindo aquela música da fulana", mas que é lindo na interpretação da fulana, e não na sua. O que essa música tem a ver com você? Que sentimentos você vai conseguir despertar no expectador ao interpretar essa música?

Pegando o vídeo de Elis como referência, sua forma impetuosa e franca de passar a mensagem, só consegui pensar em um vídeo: Lulu Brasil, dançando Mashoura de Emad Sayyah.




É muito interessante como Lulu "vive" os momentos da música com sua expressão. Em primeiro lugar, o figurino, o cabelo, parecem ter sido milimetricamente pensados para essa música que é imponente, mas tem uma cadência que permite várias brincadeirinhas, em outras permite uma pegada mais intensa no olhar, mais personalidade, mais sensualidade. E Lulu esgota CADA UMA DAS POSSIBILIDADES de expressão para esta música. A impressão que eu tenho ao vê-la se apresentar é justamente uma explicação do que cada momento da música fala ao coração dela: primeiro o mistério, depois a sensualidade, depois a imponência, depois a técnica, depois a raiva e por último a explosão. Nos minutos finais a expressão facial de Lulu muda, vejo nos olhos uma agressividade que ela quer colocar na dança, nos movimentos, que é tão diferente da graciosidade natural de Lulu. E é maravilhoso de se ver. 

No filme "Ghost - do outro lado da vida" (RIP Patrick Swayze), uma cena em que o Patrick "fantasma" tenta mover um objeto e o outro fantasma diz a ele que para mover um objeto sendo um fantasma ele tem que reunir todos os sentimentos: alegria, tristeza, medo, prazer, ódio, amor, e que a reunião de todos esses elementos dará a ele o poder de controlar a matéria, mesmo não fazendo parte dela. Minha opinião sobre a bailarina é exatamente a mesma: ao dançar ela deve reunir todos os sentimentos e saber colocá-los na música, para que sua performance não seja apenas uma exibição, mas que transforme a vida do expectador. Nem que for só por 5 minutos. 

Tivemos Elis, temos Lulu... e queremos mais. Quer embarcar nessa jornada???

Boa semana a todas!!! 




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