08 abril 2012

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Prazer além da estética - trabalho acima da reclamação: a questão do padrão estético na Dança do Ventre.



O assunto estética X dança do ventre virou modinha nas rodas virtuais novamente, e, cá estou eu para falar de meu tópico favorito.  

Já discuti sobre esse assunto de forma muito apaixonada no passado, questionando a ética e as normas de um mercado que menospreza o conteúdo artístico de uma apresentação para apreciar apenas a beleza da bailarina, já me indispus com os "cachorros grandes" da DV brasileira por conta desse assunto (ê Orkut, que saudade que dá), e também já tive a oportunidade de ouvir piadinhas sem graça de "ratos de balada" pelo fato de ser gordinha. 

O fato é que a discussão é velha, mas a indignação parece não ter idade. 

Estou bem longe de ter adotado uma posição conformista sobre esse assunto, mas o fato é que, depois de alguns anos observando o mercado de dança, entendi que manter o tal "corpo em equilíbrio" é mais ou menos como falar francês para o historiador, dominar todas as fórmulas da HP para um administrador, ou ainda maquiar bem para um cabeleireiro.  DIFERENCIAL, DESEJÁVEL, EXTREMAMENTE IMPORTANTE, porém é possível viver sem. 

No entanto, quem escolhe "viver sem" atender um requisito do mercado de trabalho de dança, também assume para si mesmo a escolha de estar muito acima da média tecnicamente para ser considerado "apto".  Como mulheres, que enfrentamos por anos a dominação masculina nas empresas e conseguimos virar a mesa sendo muito superiores tecnicamente, sabemos (ou deveríamos saber) o caminho das pedras neste caso. Não é errado "desejar", mas é preciso assumir a escolha, e se isso demanda saber muito mais do que a maioria, por que não?

Mandanah, fenômeno do "fat bellydance pride" - Quase 4 milhões de visualizações no youtube.

Posso dizer por experiência própria que é muito importante ter papéis bem definidos na dança, e escolher o seu. O que você é na dança? É aluna, admiradora de dança, sem pretensões profissionais. Então que maravilha! Se você é gordinha e dança por puro prazer, não se deixe atingir pelas "normas estéticas " que existem por aí. Simplesmente porque você não precisa delas. Continue estudando tanto quanto puder, continue dançando cada vez mais e imprima em sua dança o genuíno prazer que você sente ao dançar. Esse será o seu diferencial. E os elogios virão - não existe coisa melhor do que sair do palco e ter um feedback imediato de que sua dança emocionou.

Quando o desejo é profissionalizar-se, a coisa fica um pouquinho diferente.

No âmbito profissional, não é fácil fugir dos adjetivos: "magra", "gorda", "velha", "feia". Porém, esses adjetivos só nos atingem quando nós mesmas nos acusamos das mesmas coisas. E não há pior acusador do que sua própria consciência. Há quem discurse inflamadamente sobre as limitações estabelecidas pelo mercado de DV comendo cenoura crua e tomando litros de chá verde por dia. Quanta incoerência! A menos que isso seja uma recomendação médica para assegurar sua saúde em relação àquelas doencinhas chatas relacionadas à obesidade (colesterol alto, diabetes e outros), não seja você a "paladina gordinha da justiça" em eterno processo de emagrecimento. Isso é patético.

Com o tempo, a gente descobre que viver reclamando só cansa, e não resolve. Se você é profissional da dança, está acima do peso, e sente orgulho de ser assim, verá que o tempo que se leva reclamando da vida poderia ser melhor utilizado dando aulas, ou estudando. Pare de reclamar e mãos à obra: escolha muito bem seu público e direcione com precisão sua carreira em dança. Existem SIM chances de sucesso, mas, tenha certeza, ele não está na ladainha repetida "cansada desse mundinho bellydance". Não mesmo.

E para quem está mais preocupado com a arte do que com a plástica:



Quero desejar a todas vocês uma feliz páscoa e uma semana de sucesso. MP vem aí  e a gente precisa de gás extra essa semana. Beijo no coração.




Um comentário:

Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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