01 abril 2012

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Darya Mitskevich - A nova D.I.V.A. da Dança do Ventre



Passada a polêmica sobre a inserção de elementos ocidentais na dança do ventre - ballet e dança contemporânea - o perfil da bailarina também parece estar passando por uma transformação. Aqui no Brasil eu acredito que ainda não chegamos ao nível da "Dançarina século XXI" pois a preocupação excessiva com a técnica e com as linhas perfeitas compromete seriamente o elemento dramático na dança - razão pela qual muitos se queixam de estarem assistindo "robôs" em cena. O que tenho percebido, assistindo as grandes bailarinas que dominam as técnicas de danças ocidentais e as adicionam como diferencial na sua dança, tais como Saida, Kahina e Suellem, é que, uma vez "vencida a etapa" da técnica, o corpo quebra a barreira da expressão e a dança flui livremente. 

Mas no caso das bailarinas do leste europeu, que eu tenho certeza absoluta que já saíram da barriga de suas mães de tchu-tchu e sapatilha de ponta, parece que a dança do ventre atinge um nível diferente, já que os movimentos da dança ocidental já fluem naturalmente devido à preparação precoce. E o leste europeu, mais uma vez presenteia a dança do ventre, desta vez com uma bailarina da Ucrânia que virou fenômeno no cenário mundial: Darya Mitskevich.


Essa mocinha tem apenas 20 anos! V-I-N-T-E A-N-O-S!!! (Tipo, me senti muito velha agora) E, assim como a experiência traz um enorme diferencial à dança de uma bailarina mais madura, Darya transformou a ousadia típica da juventude em um elemento poderoso em sua própria dança. Ela é abusada! Mistura aqueles chicotes de cabeça com os giros rápidos e contínuos no melhor estilo patinação artística, que aos olhos do mais xiita admirador de raks sharki pareceriam escandalosos, porém, ela os executa de forma tão natural que se torna um prazer de assistir. Sério. Você começa a assitir aos vídeos dela e fica esperando a hora dos giros... crazy stuff. 

Outro diferencial desta bailarina é a preferência por composições modernas românticas, de artistas tipo Fadel Shaker, Wael Kfouri e Ehab Tawfic. Inclusive, foi com a música "Kermal Oyounak" de Wael Kfouri que ela venceu o Ahlan wa Salam 2009 (com apenas 17 anos! aff..) Músicas cadenciadas, que tem aquele balancinho delícia, que traz toda uma mágica à apresentação. Porém, aqui no Brasil essas músicas são consideradas até bregas e evitadas por 9 entre 10 bailarinas quando fazem apresentações de grande porte - para impressionar, o bom mesmo é aquela clássica enooorme, de 10 minutos, onde dá para fazer sequências de 150 passos em cada frase. O povo gosta disso! Será? Darya Mitskevich está aí para mostrar que qualquer música pode impressionar quando a dança está acima da média. 

Ela é tão apaixonada pelas músicas cadenciadas que até as clássicas que ela executa têm essa característica: em seu show na Argentina, a clássica escolhida foi Amal Hayati de Om Koulthoum. Mas será que essa preferência tão grande pela cadência quer dizer que ela evita os movimentos percussivos? Mas não mesmo! E é isso que faz sua dança tão especial: ela consegue privilegiar os movimentos sinuosos e os acentos perfeitos com uma harmonia incrível. E sua leitura percussiva inclui, pasme, cambrês laterais e um "cambrezão" de dar medo. 

Dona de um quadril poderoso, de uma expressão maravilhosa e de uma leitura impecável, essa discípula de Aleksei Riaboshapka tem tudo para se tornar um dos maiores nomes da dança do ventre mundial em todos os tempos. E quem ganha com isso somos nós que poderemos suspirar apaixonados a cada vez que Darya Mitskevich subir ao palco e arrasar na dança do ventre. 

Com vocês: Darya Mitskevich














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