23 fevereiro 2012

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Estrutura da Música Clássica - é verdade absoluta para todas as músicas?



Olá meninas!!

Dividindo meu caderno de aulas com vocês, vim hoje compartilhar sobre a estrutura da música clássica. Muitas bailarinas, ao iniciar o estudo da música clássica árabe, acabam adotando a cartilha pregada em sala de aula e internet afora como regra imutável. No entanto, nem todas as músicas possuem a mesma estrutura e vão repetir os mesmos momentos para que você linda sempre arrase nas suas apresentações.

A música clássica árabe tem uma "estrutura interna" comum à quase todas as composições, e o planejamento da dança para este estilo musical também é estruturado. Os 4 primeiros estágios dos quais falaremos hoje são:

1.Introdução: o momento inicial da música, a apresentação dos músicos em cena (a bailarina fica quietinha na coxia esperando sua vez) e pode ser uma peça melódica ou mesmo uma peça cadenciada. Uma característica de fácil identificação para este momento da música é justamente a ausência de um ritmo marcado.

Na música que utilizaremos como exemplo, Saher al Shaker Etneen (Al Ahram Orquestra), a introdução vai do segundo inicial até os 55s. Ouça:



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2. Chamada da Bailarina: esta é a primeira peça ritmica da música, e o nome é auto explicativo - é a chamada da bailarina. O ritmo que geralmente é executado na chamada da bailarina é o Malfuf (DUM-TAKA-KATA), de uma forma cadenciada, rápida e normalmente sem floreados. Não existe uma outra forma para descrever este momento: é o início do fluxo de movimento da dança.

 Na música abaixo, Layali Marya, a chamada da bailarina vai dos 33s aos 40s. Ouça:



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(Tenho algumas dúvidas sobre o ritmo apresentado na chamada da bailarina da música Layali Masrya. Pra mim parece mesmo um Malfuf, mas as batidas estão um pouco abafadas, então, se errei nessa parte, por gentileza quem tiver maiores informações me corrija). 




3. Entrada da bailarina: Pronto, pronto... já estava achando que essa hora de entrar no palco não chegava nunca, não é??? Melodia e percussão se unem, e juntas abrem espaço para a bailarina entrar em cena em grande estilo. As frases, normalmente têm grande impacto, e pedem uma execução da dança com deslocamentos, arabesques (para quem gosta) e giros.  O trecho de entrada da bailarina pode ou não manter o ritmo da chamada como base. 99,9%  das bailarinas utilizam o véu na entrada em cena, e as certificações Brasil afora avaliam também se a bailarina consegue identificar o momento exato de largar o véu. O senso comum atesta que o momento de largar o véu é a frase que precede a mudança do ritmo da entrada para o ritmo cadenciado (que geralmente é o ritmo baladi). 

No exemplo ilustrado abaixo, a música Layali Zaman de Setrak Sarkissian, a entrada da bailarina vai de 01:00 até 03:03, e o ritmo da entrada é o mesmo da chamada, no caso, o Malfuf. Essa música é bem interessante de se estudar porque nos 02:28 ela dá uma paradinha na melodia, e parece que o ritmo vai mudar, mas o Malfuf permanece sendo executado até os 03:03. #pegadinha. 


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4. Ritmo cadenciado: é o momento de mostrar sua habilidade técnica e colocar seu corpo a serviço do reconhecimento dos ritmos. Neste momento, a maioria absoluta das músicas apresenta um baladi 2D, mas essa não é uma regra infalível.

Na música apresentada abaixo, Nour el Amar (Al Ahram Orchestra) você verá que a entrada é pouco convencional, com uma estrutura diferente. O ritmo cadenciado começa em 03:18 e vai até 03:29. 



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No entanto, é preciso estar bem atenta às músicas que fogem à regra que, muito embora sejam clássicas das clássicas, sua estrutura nem sempre obedece ao que temos como regra magna. E uma dessas perigosas músicas, principalmente pra quem faz pré seleção e afins é Raks Bedeya de Ali Mohammed.



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Quando você ouvir os acordes iniciais pensará: ah, tô craque, é a música da peça "Egyptian Nights" do show das Bellydance Superstars. E embora eu pense que a versão criada pelas Superstars tenha virado uma febre "boring" dessa música que motivou milhares de bailarinas mundo afora a dançar somente a versão editada,  a verdade é que a versão original traz uma estrutura das mais difíceis de se coreografar ou improvisar, justamente pelo fato de que foge bastante à estrutura da cartilha. 

A introdução vai do segundo inicial até 01:07. Em seguida entram Malfuf e melodia junto. O que fazer? Entra junto? Não sei. Espera a primeira frase? É curta demais. Espera a primeira estrofe? É longa demais.  E por ter ficado com a pulga atrás da orelha, resolvi procurar o que diz o senso comum no youtube. O problema é que só achei duas apresentações na versão original. Vamos a elas:

1. Suheil que entrou "junto" com a execução da melodia e do ritmo:




2. Ceci Guevara - essa atropelou a introdução, vejam:



A conclusão a que cheguei sobre essa música? Nenhuma. Vou arriscar entrando na segunda frase depois da introdução mesmo.

E vocês, o que tem a dizer sobre a estrutura da música árabe e as músicas pegadinha??

Beijos a todas

22 comentários:

  1. Certa vez em um workshop perguntei ao musico, se sempre teria que cumprir a cartilha do momento da entrada na música clássica, e ele me respondeu que: Não tinha problema nenhum a bailarina entrar no inicio, porque muitas vezes e principalmente quando a musica é eletrônica a espera pela bailarina fica demasiadamente prolongada.
    Então o ideal é usar o bom senso, não esperar demais nem de menos.

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    1. Concordo com você, às vezes a música é longa demais, o problema é que nem sempre as frases da introdução tem aquela "pausa", aquele "respiro" que dá aquela abertura pra bailarina entrar em cena. Confesso que não gosto de já começar no palco não. Mas o conselho,não só para a dança, mas também pra vida, vale demais: bom senso acima de tudo. Beijoconas.

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  2. Sabe o que eu penso? Não há uma receitinha de bolo, vou entrar na hora "x" que está certo, porém deve-se usar o bom senso, e sentir a música.. a melodia...sustentar a proposta até o final da clássica. Eu sempre tento esperar pelo momento "costumeiro" da entrada, porém as vezes a melodia me chama eu entro no palco no que digamos "antes" desse momento "correto"... Então não respeito muito a regra (se é que ela existe), é sempre bom quebrar paradigmas...

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    1. Oi Yasmin!!

      A tal da receitinha de bolo deve ser estudada principalmente por quem se apresenta em concursos ou pretende adquirir alguns daqueles conhecidos selos de qualidade, porque o momento da entrada em cena é avaliado. Eu acho importante o estudo da estrutura da música porque, independente da utilização pra dança, te ensina a estudar melodias, preenchimento de frases, ritmos, velocidade dos ritmos, enfim... é uma excelente escola. Mas você está certa: para uma apresentação marcante, quebrar paradigmas é o primeiro passo, mas é uma enorme responsabilidade e deve ser executado com muita confiança!!!

      Beijoconas!!!

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  3. Oi Verinha !
    Caramba eu sempre me confundo com essa " regrinha", e com certeza já errei diversas vezes !!!
    Mas, eu penso q o mais importante é vc sentir a música e entrar qdo a música te chama, até pq têm umas músicas com umas entradas tão longas q até cansa esperar a bailarina né ?
    Amei o post viu !

    Bjo !

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    1. Oi Má!!!

      Flor, relaxa. Só erra quem quer acertar. Quem não quer errar nunca não faz!!!

      Quando penso em uma entrada interminável, sempre lembro daquela musica da Dina no festival Luxor 2005 (não lembro o nome, mas é a música de nr. 1 do CD "Best of Saiidi" de Fatme Serhan), NUOOOOOSSA, a introdução da música tinha uns 3 minutos, um tédio total, mas ela dançou "na cartilha", só entrou depois da chamada mesmo.

      Bjokkks.

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  4. Arrasou no estudo poderosa!!
    E obrigada pela referência ;)
    bjks

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    1. Opa!! Vc é sempre referência obrigatória neste blog flor!!

      Saudadona docê!

      Bjokkks.

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  5. eu penso que a bailarina "sente" exatamente porque ela está familiarizada com os ritmos, aí ela sabe quando andar, marcar, ficar parada, etc. Na raqs bedeya pra mim a entrada é depois daquele hino, porque entra um ritmo de deslocamento, o malfuf.

    Eu acho importante respeitar os momentos da música, pois nos permite explora-la de maneira diversificada e com mais intensidade.

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    1. Celinha meu amô!

      Também acho que o tal "sente o momento" nada mais é do que fruto do estudo refinado ao timing individual.

      Eu também acho que dá pra entrar na Raks Bedeya depois do hino, mas sei lá, me dá um medo de aparecer atravessado. Lá na minha escola a profe bate nas alunas!!! KKKKK, brincadeira...

      Bjoks!

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  6. Bom dia Vera. Sou só uma estudante de dança do ventre que ainda não sabe se vai se profissionalizar, mas tenho uma dificuldade imensa em aceitar algo só porque alguém (bailarina ou selo de certificação, etc) disse. Eu acho que nem eu e nem a grande maioria das bailarinas (ou selos 1000) tem conhecimento suficiente de música (geral ou árabe) para ditar regras. Claro que não precisamos ser "surdas" e colocar shimmie onde não cabe. Mas entre isso e estabelecer regras tem uma distância enorme. Uma coisa sem sentido é a tal da entrada da bailarina. Se uma bailarina se apresentar com um músico ou uma orquestra, é necessário e educado que se tenha um momento de exclusividade para esse músico ou orquestra. Afinal de contas, respeito é bom e todo mundo gosta. Mas se a apresentação for com um cd, essa espera fica bem esquisita, principalmente para uma platéia leiga. Então, no fim das contas, acho que o que devemos fazer como bailarinas é: ter uma noção básica de música árabe, para não pagar mico, e como disse o músico citado no primeiro comentário, manter o bom senso. Beijos.

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    1. Oi Lívia!

      Eu acredito que as informações sobre a interpretação da música clássica árabe, o estilo que internacionalmente é conhecido por Modern Sharqi, essas informações foram trazidas ao nosso país pelos profissionais mais renomados, que por sua vez pesquisaram no Egito através de aulas com as grandes bailarinas internacionais.

      Independente das regras, eu pessoalmente gosto que haja um momento de expectativa por parte do público, para que ele também sinta e se familiarize com a música. É tão legal ouvir os acordes iniciais e pensar "nossa, que música gostosa, o que será que a bailarina vai trazer pra nós?"

      Como escrevi anteriormente, o estudo da estrutura da música é muito importante pra quem tem objetivos diferentes dos seus na dança, mas agrega muito conhecimento, se pensarmos a longo prazo, até de teoria musical. Vale a pena.

      Obrigada pela participação, grande beijo!!!

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    2. Vou me intrometer! rs
      Quando eu era "leiga" a coisa que mais gostava era a tal expectativa! Lembro que na época meu coração batia forte, ansioso pela entrada da bailarina. Infelizmente perdi isso rs até por já conhecer as músicas. Mas como o assunto são os leigos, então discordo! È um momento emocionante..principalmente as músicas de impacto que a Intro é de PAN panranra PANNN..essas coisas mexem com quem está assistindo e o fato da bailarina não estar lá dá aquela água na boca de vê-la entrar. Quando ela finalmente entra tem aquele gostinho bom de "vai começar", vontade de ver o q ela preparou pra nós.
      Algumas intros são bem bonitas e entendo quem quer dançar...e às vezes fica muito bom, mas só meti meu bedelho pra dizer que os leigos podem não entender, por desconhecimento, mas sentimento é algo que se provoca e não se entende.

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  7. Adorei o post. Super didático. E, na minha opinião, acho que está bem claro porque todas preferem dançar Raks Bedeya na versão Bellydance Superstars. hehehe Essa introdução é super pegadinha. Acho que se eu fosse dançar ela inteira ia deixar tocando atéééééé chegar na parte cadenciada pra entrar. :) No caso de ser ao vivo, porque o povo pode "desfrutar" da banda. Em caso de CD, ainda acho mais seguro optar pela "short version".
    Beijão

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  8. Oi Anisah!!

    A versão curta de Raks Bedeya é realmente uma aposta quase sem erro.

    Mas hoje pesquisando na NET achei uma versão da música executada "as it should be": Suellem (de outro planeta) Morimoto

    http://www.youtube.com/v/PVsaFD5CjPg

    Beijocas flor!!!

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  9. Cheguei no final kkk
    Concordo com vc Verinha, vale regra e vale bom senso também, afinal, cada música pede algo diferente..
    Pra "atropelar" a introdução, acho que tem que ter muuito cuidado pra não ficar como esse último vídeo do post, super feio.
    Mas é claro que em certas músicas dá pra fazer isso, já vi vídeos de bailarinas que começam no palco meeeeesmo,e fizeram bonito! mas repito, acho que depende muito de cada música, e tem que ter domínio de interpretação, confiança total no que está fazendo!
    E esse vídeo de Suellem hein? aaff Deus benza!!

    Amei o post! Beijos beijos beijos!

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  10. gostei do teu grifo logo no inicio '' a bailarina fica quietinha esperando.'' foi assim que eu aprendi com Lulu, mas tempos depois ela mesma mudou essa 'regra'. hoje vejo que cada uma faz o que o coração manda... e também oro, porque valei-me! já nem sei o que pode e o que não pode....

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  11. Um outra música que eu acho tem o mesmo problema é a Tales of Sahara. Tem toda a introdução instrumental, depois vem o Malfuf, na “entrada da bailarina”. Beleza, 99% das bailarinas usam véu nessa parte.
    Daí entra um Said ainda dentro dessa chamada! E pra piorar, depois volta o Malfuf. #Comofaz?? Larga o véu e marca o Said? Continua com o véu, ignora o said e espera a volta do Malfuf?

    Eu achei por bem continuar com o véu e seguir na minha chamada, mas já vi vídeos com os dois tipos de respostas. Estando certo ou errado, eu fiz o que senti que deveria fazer.

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  12. Muito boa a matéria! Então... Temos a consciência de que a introdução é o momento dos músicos e que só podemos entrar na "deixa" para a bailarina. Nessa musica o ritmo pra desloc. entra junto com a melodia. Aí é entrar e mandar ver lendo os dois, no caso de não se dançar a Introdução. Mas eu ainda acho que, se não tem banda e não tem músicos para ter o momento, por que então não posso dançar a Introdução? Desde que essa introdução seja interpretada como tal. Ou seja, Introdução e entrada tenham interpretação e técnicas distintas. Eu fiz isso aqui nessa coreografia e usei a música citada acima! Espero que gostem! Bjs https://www.youtube.com/watch?v=av0sGXWYH0A

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  13. O melhor site que li a respeito de música clássica até agora, parabéns e obrigada !

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  15. O melhor site que li a respeito de música clássica até agora, parabéns e obrigada !

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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