14 janeiro 2012

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Resoluções de Ano Novo na dança - contra o feitiço da zona de conforto



Você poderá estar pensando "a Verinha está escrevendo este post com, no mínimo, uns 15 dias de atraso". Na realidade não. No nosso caso, o ano termina lá para o dia 10 de dezembro, daí entra aquele "limbo engorda porco" das festas de final de ano (ops, brincadeirinha), e mais 10 dias de férias. As aulas de dança começam somente na segunda semana de janeiro. E é nesse período que eu paro para fazer um balanço do ano anterior e, em cima dos resultados, tento traçar um planejamento, uma meta para o ano seguinte na dança.

Contabilizo a rotina de estudos e as realizações no palco. No meu caso, dancei bastante em grupo e realizei 2 solos. Isso mesmo: o ano tem 365 dias e eu realizei dois MÍSEROS solos. Analisando individualmente cada solo: um deles foi uma coreografia requentada de Enta Omri remix, que foi dançado precariamente porque eu estava pisando na barra da saia e morrendo de medo de ficar pelada, e o outro foi Tahtil Shibbak que coloquei aqui no blog pra vocês avaliarem. Meus estudos foram focados em música clássica e snujs. As realizações foram música moderna e folclore. Embora tenha estudado muito sobre leitura musical na música clássica e treinado muito as finalizações (que considero o item mais difícil no estudo da música clássica árabe - as finalizações de frase), não consegui sair de minha zona de conforto e realizar um solo de música clássica. 

A chamada "Zona de Conforto" é um agente limitador no estudo da dança. O medo de se expor, o medo da crítica negativa atua em nossa mente como o criador de uma fronteira entre a dança que praticamos com a dança que consideramos ideal. Do outro lado só tem felicidade, aplausos, lindos figurinos e maquiagens, troféus de concursos, noite da conquista, essas coisas.... O resultado disso, e me incluo nessa lista, é que estamos no caminho certo, com o pé pertinho da linha, e cada vez avançando mais, porém falta coragem para passar para o outro lado. 

É muito importante traçar metas para aprender coisas novas, passos novos, músicas novas, um novo ano de estudo é uma promessa de novas possibilidades. Mas quero convidá-la a pensar em um caminho um pouco diferente em 2012: praticar tudo o que você estudou, mas por medo da crítica, não pode realizar no ano de 2011. Devemos nos lembrar sempre de que nossos críticos mais ácidos somos nós mesmos. NINGUÉM, absolutamente ninguém é capaz de uma crítica que já não tenha sido feita em nosso íntimo. Lembre-se que a dança é também um agente de diversão, de satisfação pessoal. Permita-se agradar com seu progresso, ao invés de ficar tão obcecada com os aplausos. Para sair da zona de conforto e pisar na fronteira, é importante ter a consciência de que nem tudo estará perfeito, e haverá correções a serem feitas, mas certamente houveram acertos, houve algum sucesso no aprendizado, não importa o tamanho. O mais importante é manter essa motivação em sair da zona de conforto, e desfrutar do aprendizado que este processo proporciona. 

Que este seja um novo ano, que nossas realizações contem a história de quem teve coragem de ousar sem o medo de ser feliz!!

Beijos a todas!!!

6 comentários:

  1. É engraçado como a dança espelha nossa vida pessoal, se temos medo de sair de nossa linha de conforto para fazer um solo, por exemplo, com certeza em outros segmentos de nossa vida o limite da zona de conforto incomoda tb.. É ótimo avaliar a dança junto com a vida pessoal, pq com ela conseguimos explorar muitas coisas q não enxergávamos antes, não é?

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  2. Medo da crítica negativa. Só esta frase me dá tantos arrepios que se eu não fosse tão cara de pau já teria abandonado a dança há tempos.
    Eu gosto tanto de estar no palco que eu esqueço um pouco a vergonha.
    Mas o que vc diz sobre a zona de conforto é uma coisa a se pensar MUUUUUITO. Por conta dessa zona de conforto aliada ao medo da crítica, a vergonha e tudo o que está relacionado negativamente com a dança, eu não consegui entregar o vídeo do selo da Lulu. Sério... eu fui uma pessoa surtada em 2011 e espero melhorar em 2012. =/

    Bjoks!!!!

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  3. Olha, Vera, de certa forma eu entendo a zona de conforto. Geralmente, a gente dança mais o que temos facilidade e/ou o que agrada mais ao público ao te assistir. E acho que as diferentes bailarinas têm diferentes talentos dentro da DV.

    Eu nunca estive dentro de uma zona de conforto, a cada ano, eu pesquiso e estudo coisas além do meu gosto por conta das minhas alunas ou até mesmo de uma doideira da minha cabeça.

    Mas também entendo sua crítica porque isso realmente acontece.

    Beijos

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  4. Verinha, já se foram quinze dias do primeiro mês do ano e eu ainda estou escrevendo meus desafios na dança pra este ano, sabia? rs. Quanto à zona de conforto, tô que nem dia cinza com chuvinha às 6h da manhã, embaixo das cobertas: pensando se vou sair. Mas a coisa da reflexão e validíssima. Até agora me propus, pelo menos, a fazer uma dança mais verdadeira, ainda que, quando se vive de dançar e dar aula, o bicho complica. Nem todo mundo quer comprar uma dança tão verdadeira sim. Mas vou tentar levar esse desafio (em busca do equilibrio, pelo menos) e vamos ver no que dá. Um beijo grandão e bom ano pra você!!

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  5. Olá Vera, adorei o assunto desse post e gostaria de deixar meu comentário.

    Não acho que devemos dançar tudo e sim o que realmente gostamos e dominamos. Apresentar algo diferente é super bacaba eu particularmente adoro, já fiz varias performances como tango árabe e salsa árabe, e fiz sem medo do que iam pensar.
    Acho que temos que dançar com a nossa alma, independente do que formos dançar temos que passar uma energia para as pessoas, acho que é isso que diferencia a bailarina.
    Não tenha medo de dançar, dance para si mesma e faça as coisas que realmente sinta prazer =)

    Beijoos!

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  6. Verinha, que delícia encontrar um site tão maracvilhoso sobre minha amada dança. Estou nesse mundo desde o início dos anos 90, mas de vez em quando dou umas paradas estratégicas. A ultima foi de pouco mais de 1 ano. Voltei às aulas ontem e seu site estava anotado em nosso quadro como referência para estudo. Uma grata surpresa! Esse texto me encorajou a meter mais as caras esse ano!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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