18 dezembro 2011

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Uma questão de escolha



Olá meninas!!!

Os últimos posts que tenho lido nos blogs de Dança do Ventre dizem respeito ao resgate do gosto pessoal, de uma dança menos comercial e mais livre e, portanto, mais "artística" no sentido literal da palavra. Há algumas semanas eu venho ensaiando em escrever sobre "o que vc quer para sua dança", tentando comparar um vídeo da Serena Hamzy com qualquer outra ballética que estivesse dançando Ana fi Intizarak, e vou tentar juntar os dois assuntos. 

Em primeiro lugar, obrigada à Hanna que escreveu "Eu também vou reclamar", também letra de uma música do Raul Seixas, e me fez ficar hoooras procurando vídeos do Raul no youtube, cantando e relembrando as músicas (se você nasceu nos anos 90 e não sabe quem é Raul Seixas, vai agora no Google e pesquise sobre um dos maiores artistas da MPB de todos os tempos). 

Já comentei aqui que a primeira bailarina de quem ouvi falar foi a Kahina, na minha primeira aula de dança do ventre, em 2004. Depois dela Lulu, Nur, Carlla Sillveira, Shahar, e outras tantas que eram da Casa de Chá, já que minhas duas professoras faziam aula lá. Minhas primeiras referências em dança eram estas, e eu aprendi que esta dança era o belo praticado na dança do ventre, era o que eu queria atingir como aluna e como bailarina. 



Quando comprei meu primeiro VHS de uma egípcia (aliás comprei 3: uma "The great unknown" do Omar Naboulsi, uma coletânea que tinha a Nelly, a Souhair Zaki e a Najwa Fouad, e uma que tinha a Fifi Abdo e a Dina), o choque foi ENORME, não pude não pensar "what the f*** is going on?" Será que as brasileiras dançam tudo errado? Acho que não porque algumas danças parecem com a Najwa Fouad não? Do que eu gosto mais? De Kahina e Nur ou disso aqui:



Foi de fato difícil pra mim assimilar o que era "genuíno", e o que era considerado bonito e certo para as brasileiras. E o processo seguinte foi escolher: o que eu realmente quero dançar, seja amadora ou profissionalmente, o que mais me encanta, o que "dá certo"? Na minha opinião é aí que a porca torce o rabo grandão, porque acredito piamente que, ao contrário do que se prega por aí, quando técnica e emoção sobram, é possível sim fazer verão dançando um estilo diferente do que é praticado.

O caminho é mais longo e mais difícil? Ôooo se é. Talvez você tenha que abdicar de participar de concursos, talvez você tenha que deixar de lado os selos, e, com certeza você terá que dar muitas, mas muitas aulas no mês para apurar um salário digno. 

Bancar sua escolha na dança é um processo muito mais penoso e mais difícil do que obter retorno dela. Conheço algumas profissionais que desenvolvem suas carreiras à margem do chamado "mercado" e conseguem se manter muito bem, com muitas alunas, mas não têm os nomes nos banners de eventos, nem "agenda da semana" e nem viajam o Brasil dando 6223652 workshops de como colocar um grand battement na dança. Mas dançam sua verdade, encantam por sua técnica, e obtêm o tipo de reconhecimento que para elas basta: apenas os aplausos do público. 

O "meio", o "mercado" de dança do ventre não é diferente de nenhum outro: não é possível, absolutamente, agradar a todos. E se a sua escolha está diferente do que é do gosto do povão, não dá para sofrer com a falta de reconhecimento ou se ressentir porque o resto do mundo tem olhos para o que você não gosta. Valorize quem te assiste, quem te aplaude. E, principalmente, aplauda a si mesma (que é o mais difícil). Aplauda a si mesma por ter escolhido sua verdade, e dançado o que lhe vem no coração. Essa coragem, é para poucas!

Beijos a todas.  

A seguir, a dança que escolhi para mim: feminilidade, cadência, intensidade. Serena Ramzy


7 comentários:

  1. Sou apaixonada pela dança, mas há algum tempo parei de ir em eventos (locais) por causa dessa ideia de que em tal escola é tal estilo, em outra escola é outro e pronto.
    Quer dizer, na prática você vai pra assistir um evento de uma hora e sai entediada, porque se assistir uma bailarina daquela escola já assistiu a todas. Se dez grupos e quatro solistas forem dançar, todos dançam exatamente do mesmo modo. (e também escuto muito esse tipo de opinião dos leigos, daqueles que estão lá pra prestigiar alguma amiga ou parente)
    Se a escola for adepta da fusão, todas vão fazer fusão, se for adepta do "estilo ballético" todas vão fazer arabesques altíssimos, se for adepta de um estilo mais tradicional, uma depois da outra vai dançar exatamente os mesmos passos, com a mesma expressão. Pelo menos aqui em BH é assim.
    Por que não posso ir em um evento onde a primeira dança mais ao estilo casa de chá, outra dança de um modo mais tradicional, outra lembra a Saida e a última faz uma fusão?
    Acho que a overdose e a mesmice é que acaba cansando, seja no estilo ballético ou no mais baladi mesmo...

    Abçs!

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  2. Eu confesso que tenho uma certa preguiça dessa discussão. Assim como você, acho até meio óbvio, que é uma questão de escolha pessoal. De fato algumas pessoas são mais limitadas e acreditam em fórmulas prontas e "grandes verdades que definem o certo e o errado na dv" (o que chega a ser uma piada principalmente nesta dança que não foi organizada por ninguém e se constituiu como um emaranhado de elementos ocidentais e orientais), mas até aí desconhecimento não é uma exclusividade do nosso meio.

    Cada dançarino sabe qual linguagem vai auxiliá-lo a chegar onde deseja. Acho um pouco triste, na verdade, não perceber que o ballet, o tribal, o contemporâneo e TODAS as outras formas artísticas podem contribuir para uma dança cada vez mais artística, mais expressiva e menos focada na lantejoula...

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  3. Independente de estilo, hoje eu vejo na Dança do Ventre um universo muito limitado, muitas "receitas" prontas pra seguir, o que é extremente entendiante. Falta inspiração, revolução, sair do lugar comum. Essa é minha opinião.

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  4. Cada uma está no seu direito: as tradicionalistas de manterem firme a tradição, e as modernas de acrescentarem suas inovações. O que eu não ando gostando muito de ver por aí, dentro e fora da net, é um grupo criticando o outro. Acho que não vale mesmo a pena criticar, discutir ou querer ter razão nisso, porque os extremos nunca foram bons.

    Eu sou da turma que procura dar umas pinceladas de outros estilos de dança em minha performance. Mas nem por isso deixarei de assistir e estudar avidamente as bailarinas egípcias da época dourada. Eu gosto de ver, só para dar um exemplo simples, onde aquele lindo passo da Fifi Abdo pode ganhar um movimentinho de braços à la contempoorâneo. Por que fazer isso? Eu tenho 3 bons motivos: 1- dá um toque de modernidade ao que é tradicionalmente belo; 2- eu não fico parecendo uma mera cópia da Fifi, e acabo criando o meu estilo próprio; 3- estudo profundamente cada dança, e junto dois estilos, tomando o cuidado de não descaracterizar nem uma, nem outra.
    Estou mais certa do que as que pensam ao contrário de mim? Nem a pau. Afinal, o que é certo? Por que é certo? E por que de outro jeito é errado? Aquela bailarina que gosta de dançar inspirada na Samia Gamal tem tanto direito de ter a arte dela apreciada quanto eu.

    E viva as diferenças!

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  5. Oi, Verinha
    Primeiro, obrigada pela lembrança do meu post! Pareci muito revoltada? Porque não estou não, só enchi um pouco o saco e resolvi postar.

    E concordo com a Carol: o que não gosto nessa discussão toda é só valorizarem os modismos (que a gente sempre qual é que está rolando porque todas fazem igual), seja movimento ou bailarina ou estilo. E se você não faz é porque talvez não dance tão bem... isso é chato.

    Beijos

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  6. Oi Verinha!

    Sabe o q eu penso sobre td isso, que não existe certo ou errado, mas sim diferenças.

    E infelizmente grande parte da humanidade não sabe aceitar aquilo que é diferente da sua verdade pessoal.

    Mas isso vale pra td, não só para dança.

    E sendo mais específica, o q realmente me preocupa na DV não é a escolha ou estilo praticado por uma dançarina, mas sim o despreparo do meio profissional e a incapacidade de algumas bailarinas entenderem que não é pelo fato dela ser uma profissional do show business que ela está capacitada para ser também uma professora.

    Nem todo artista plástico é professor de educação artística, certo?

    Então, ao meu ver, a falha está em disseminar, através de profissionais que procuram a estabilidade financeira e/ou o alimento do ego através das aulas, um único estilo de dança próprio que faz desta bailarina reconhecida no meio.

    E infelizmente isso tira de quem está interessado em aprender a dançar a oportunidade de aprender com quem se dedica a isso, a ensinar com qualidade e sem barreiras de rótulos, pq assim como existem grandes dançarinas existem grandes professoras, mas que estão fora do show business pq sua arte é ensinar.

    Existe um grande abismo entre ser artista e ser professor.

    E a super valorização de alguns estilos de DV e consequente marginalização de outros está vinculada a isso, na minha opinião.

    Bjs

    Van.

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  7. Boa noite, sou uma nova seguidora do seu blog, e confesso que acompanho como ferramenta de estudo mesmo...Lendo esse post e os comentários não resisti rsrrs...Sou profissional na área da dança profissionalmente há 17 anos, na dança do ventre sou uma amadora (por amor msm)e procuro estudar bastante...Sou meio polêmica sobre o q vc disse (Verinha), concordo com vc em todos os generos.
    PROFESSORA DE DANÇA/ BAILARINA/COREÓGRAFA/PRODUTORA...São profissões diferentes.É muito comum (infelizmente), a "pessoa" dançar bem, ser esforçada, e daí se achar pronta para dar aulas.Acredito que para qualquer tipo de dança vc tenha que ter cuidado em dar aulas , porque requer responsabilidade com o corpo de outra pessoa, alongamento, exercícios que causam lesão na coluna por falta de preparo mesmo do professor,conceitos tirados de não sei onde , etc...É complicado!!!
    Quanto a questão dos rótulos...sinceramente falta originalidade, vc pode estudar , se inspirar, seguir, mas vc tem que usar isso a seu favor, para melhorar, enriquecer sua dança, infelizmente conheço muitas colegas e até mesmo professoras que seguem estilos como se fosse uma bíblia.Isso empobrece a dança!!!
    Bom, obrigada pelo espaço.
    Bjus

    Robertha Carneiro

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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