24 novembro 2011

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Tempo bem investido: Aplausos para quem merece


Todo mundo diz que o "universo bellydance" é extremamente rude, competitivo e desunido. Concordo em grande parte com isso - somos vítimas de egos inflados, rivalidade desnecessária, tudo causado pelo excesso de estrogênio por metro quadrado. Como disse a Giulia Gam no filme Assalto ao Banco Central: "Mulher é uma merda". Às vezes é mesmo. 

Porém, o que deve realmente ser objeto de reflexão para melhorar esse cenário, para mudar essa realidade é: quanto incentivamos nossas alunas a interagirem entre si? E, principalmente, quanto incentivamos nossas alunas a interagir com alunas de outras professoras ou outras escolas? 

O primeiro termômetro dessa interação é avaliar quanto tempo você reserva para que suas alunas aplaudam outras bailarinas. Quanto tempo você investe em aplaudir?

Não entendeu? Eu explico:

- Você chega a um evento para se apresentar. No geral, seu grupo chega sempre com 40, 50 minutos de antecedência, e esse é o tempo que levará toda a produção: maquiagem, ajustar figurino, ajudar as colegas do grupo. Chega a hora da apresentação. O grupo sobe ao palco, faz o show. Volta ao camarim, tira a roupa, e se não há necessidade de aguardar avaliação (como no caso dos concursos), a aluna olha em volta, assiste a uma ou duas apresentações, dá uma volta na feirinha e VAI EMBORA. E investiu, no máximo, 10 minutos para assistir e admirar (ou não) o trabalho de outras profissionais e aplaudir as outras alunas. 

Esse é uma cena absolutamente comum na dança do ventre. A maioria dos eventos prefere revelar os resultados depois do show de gala, porque se divulgar antes, simplesmente não haverá público para o show. Se um evento entre escolas não tiver uma estrela MASTER se apresentando ao final do show, coitadinho do grupo que ficou por último - só dançará para os parentes das bailarinas, e olhe lá. 

O conceito mais antigo (e no qual prefiro acreditar até hoje) do aplauso vem da Grécia. Ao assistir uma apresentação, os gregos patiam as palmas da mão para que os deuses prestassem atenção aos artistas, atores, músicos, e através desse gesto pediam que os deuses abençoassem quem fazia bem à arte. O blog "Sua mente" - www.suamente.com.br - traduz o aplauso como "um agente endorfinante capaz de transportar qualquer ser humano à situações de excelência, revigoram as energias e atraem o positivismo."

Talvez pelo fato do aplauso ser essa coisa tão boa, que nos dá tanto prazer, desenvolvemos por ele um apreço egoísta, e queremos ser aplaudidas demais, mas aplaudimos de MENOS. Muito MENOS.

Creio piamente que para elevar o padrão das energias no meio de dança do ventre, é imprescindível que as bailarinas / alunas / amantes da arte invistam mais tempo em aplaudir suas companheiras, suas colegas, as alunas de outras escolas, enfim, OUTRAS PESSOAS. Parafraseando a Suheil (que além de bailarina phodástica é um baú de conhecimento) - "A primeira lição que a aluna deve aprender de um espetáculo não é ser aplaudida, e sim aplaudir - para receber reconhecimento do público, a primeira lição é, justamente, aprender a reconhecer o esforço alheio."

Concordo plenamente com ela. Se eu fui falha, quero mudar hoje, agora! Vamos?

Beijos a todas!!

14 comentários:

  1. Lindo, Vera!! é isso aí: se queremos mudar o mundo, devemos começar por nós mesmos, já diz o ditado...bjs

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  2. Olha muito bom esse post!
    Confesso que eu sou do tipo emotiva com a DV então eu gosto de assistir e aplaudir as outras dançarinas, tlvz até pelo fato de ser iniciante e admirar o esforço a coragem de estar ali dançando.

    Sobre as alunas não interagirem entre si é verdade...mas é uma coisa que nunca me liguei no possível que isso dá ao conjunto da nossa "comunidade", acho que influencia msm tbm esse fator. Uma pena né...

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  3. Que texto realista e necessário, parabéns!

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  4. Que triste esse costume...
    Aqui em Fortaleza, talvez por ser bem menor o número de bailarinas e escolas, a rivalidade é praticamente nula. Claro, sempre tem aquelas que só aplaudem/assistem as colegas (já vi fazerem um escândalo, parece até torcida de futebol), mas a grande maioria respeita e prestigia todo mundo, isso que é legal! Ficar até o fim dos eventos de fato são poucas, mas isso ocorre na maioria das vezes porque são extremamente longos e acabam ficando cansativos
    Sempre gostei de ficar até o final e aplaudir até a última bailarina. Sem falar que assistir apresentações enriquece e muito o nosso repertório! Dança não se aprende só em sala de aula não!

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  5. Nossa esse texto foi maravilhoso Verinha !
    Acho q isso aconteçe muito mesmo no mundo bellydance, bailarinas com seu ego inflado, rivalidade desnecessária...
    Qdo o q eu acho de importante na dança do ventre é a troca, em toda apresentação vc tira algo de bom, algo a te acrescentar, e por isso acho importante q a professora incentive suas alunas a se "confraternizarem" com outras escolas, a prestarem atenção em outras bailarinas !
    Como disse nossa colega aí de cima, dança não se aprende só em sala de aula né ?

    Bjo !

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  6. Ótimo post Verinha!!! Realmente, lendo-o descobri que também sou falha neste quesito. Obrigada por sempre nos fazer refletir!!!

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  7. Lindo e verdadeiro, Verinha! Graças a Deus fui educada desde o inicio pela minha professora como é importante ser um bom público de dança, ver o máximo, aprender e conhecer os diferentes estilos, e aplaudir no final... Mas sei que não é essa a realidade da maioria....

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  8. kkkkk adorei Verinha!
    Comecei a ler e fui lembrando da nossa conversa no carro, das lavagens cerebrais que faço sobre este tema (Jesuis, nem vc escapou de mim dessa vez? rs...) daí fui me identificando... daí me achei no final! rs...
    Obrigada pelo Phodástica, só você mesmo! Rs...
    Mas é isso aí: antes de ser aplaudida, aprenda a aplaudir!
    E professoras: não tenham medo de serem duras com suas alunas e se necessário for, amarrá-las nas poltronas (eu cheguei bem perto disso, confesso, mas eduquei a minha tribo!).
    BJks a todas

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  9. oxe, cade a opção de twittar essa matéria? sumiu verinha! no meu blog tb não aparece, mas se passar o cursos em cima "do branco" vc acha, aqui nem assim ;(

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  10. Nunca participei de apresentações ou concursos similares aos citados no post, por isso não sei como funciona e não posso fazer nenhuma crítica a respeito. Entretanto, ao ler o texto, senti um estranhamento que me levaram a algumas reflexões.

    'Como assim as bailarinas vão embora??'

    Então, existe toda uma preparação, esforço, meses de ensaio, toda uma gama de investimentos para as meninas subirem lá, fazerem o que têm de fazer e logo em seguida irem embora?

    Qual a graça? Não seria o melhor da festa as trocas, a partilha, o conhecimento de trabalhos e estilos diferentes? Ainda que seja para ver somente as roupas!

    Não sei... Mas se eu participasse de um evento do tipo, certamente gostaria de prestigiar outras bailarinas a fim de perceber o que elas teriam a me acrescentar.

    Isso é tudo muito estranho!

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  11. Olá meninas!!!

    Estou adorando a participação de todas nesse assunto!!!

    Suheil, eu preciso mesmo de colocar um app no blog para tuitar as matérias, mas eu não SEEEEEI... preciso estudar pra ver!!

    Giovana:

    Concordo com você, tanto esforço para subir no palco e sair à francesa?

    Mas, infelizmente, a realidade dura é essa. O que ficou marcado pra mim, por exemplo, foi o Festival Shimmie. O show de encerramento tinha Esmeralda, Suheil, Lulu, Flora Pitta, só bailarina de primeira. As organizadoras divulgaram os resultados antes do final e disseram que haveria uma surpresa antes do show de encerramento. A surpresa era: debaixo de TODAS as cadeiras havia prêmios para quem estivesse presente. Porém, sabe quantas pessoas havia na sala? Umas 20, se muito.

    Quer dizer, peguei o resultado (que é o que me interessa) e ÁREA, FUI!!!

    Outro exemplo é o espetáculo da minha escola mesmo. Um elenco de mais de 60 bailarinas, VÁRIAS foram embora antes do final. Tinha um shopping na frente do teatro. Tenho certeza que se eu desse uma voltinha na praça de alimentação iria ver vários rostinhos felizes e maquiados.

    Como a Suheil disse, é questão de educação mesmo, dia-a-dia na sala de aula, acostumando as alunas a darem um tempinho para assistir à outras apresentações do evento.

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  12. Amei o texto. Me fez refletir muito!!!
    Tem toda razão. E confesso que algumas vezes fui falha também, principalmente por deixar o cansaço falar mais alto.
    Mas faço minhas, suas palavras... "Quero mudar hoje, agora."

    Continue sempre assim: Maravilhosa.
    Bjooosss

    Diana Mendes

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  13. Felizmente, ou sou muito ingênua, ou a realidade em Floripa é outra. Aqui a barulhada encomoda do povo saindo de trás do palco e ocupando os cantos e as paredes para assistir quem ainda vem...

    assistir é mais do que compartilhar com o outro. para as egoístas, assistir é ter a oportunidade de aprender.

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  14. Acho que concordo com a Rayara, os eventos costumam ser muito longos e dificilmente prendem a atenção.

    Não acho que eu faça isso não, mas sei que isso acontece.

    Bom post!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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