23 outubro 2011

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O uso dos rótulos: responsabilidade é a chave do sucesso


No dia do meu casamento, o juiz de paz antes de ler o contrato de casamento e nos passar a certidão para a assinatura, nos perguntou se aquilo era, de fato, a expressão da nossa vontade. E explicou:

"Estar solteiro é uma condição que pode durar uma vida toda. A partir do momento que vocês assinarem este documento, vocês abrem mão desta condição - nunca mais serão solteiros. Diante da lei serão casados, ou porventura divorciados, ou até viúvos, mas solteiros nunca mais vocês voltarão a ser."

Pensei na hora: "que juíz FDP!!!! Isso é coisa que se fale pra um homem na frente da certidão de casamento??" Mas tudo bem, se meu marido assinou depois de ouvir isto sem se abalar é porque ele tava mesmo a fim do assunto, KKK...

Refletindo sobre o resultado do concurso amador do Festival Nacional Shimmie, voltei a pensar sobre estas palavras, trazendo a questão para o uso dos rótulos.  

Na dança em geral no Brasil ainda não temos um método, uma prova, uma certificação reconhecida que diferencie as bailarinas amadoras de profissionais. Além do Ballet que tem uma metodologia fechada, onde uma bailarina só é considerada profissional depois de 8 anos estruturados de estudo e mais um período de estágio, nas demais danças, incluindo a nossa, a alteração do rótulo é baseada na avaliação do professor e na concepção da própria aluna. O DRT seria uma boa ferramenta para a dança do ventre neste caso, se não recaísse sobre ele um enorme descrédito pela ausência de profissionais competentes de dança oriental na banca examinadora. E essa ausência de estrutura acaba permitindo que as bailarinas assumam o rótulo de profissional sem o devido preparo para isso. 

Porém, para o mercado de dança, estruturado ou não, assumir o rótulo de profissional é assinar uma certidão de casamento. Uma vez profissional, você jamais voltará a ser amadora novamente. Por isso é importante um cuidado enorme ao assumir esse rótulo. As bailarinas profissionais podem ser as "estrelas do momento", ou podem ser "profissionais fora do mercado", ou "profissionais desatualizadas", ou "profissionais inativas", mas ao assumir as atividades que são inerentes a uma bailarina profissional, tais como cobrar cachês ou dar aulas, bailarina se submeterá a um desses rótulos, e não poderá assumir mais o rótulo de amadora. 

E assim como em outros mercados, o profissional tem que buscar sua empregabilidade, ou no caso da bailarina, sua "contratabilidade" (acabei de inventar essa palavra). Se o nível das bailarinas mais contratadas é diferente do seu, corra atrás, estude mais. Não tenha vergonha de ter aulas regulares. Infelizmente aqui no Brasil existe um mito de que bailarina quando se considera profissional não precisa mais de aulas. Porém, se ainda existe a necessidade de aperfeiçoamento, vá em frente, escolha uma mentora, tenha aulas, ensaie, trabalhe. Se você consegue ser auto didata, invista tempo em sua própria formação, assista a vídeos, elabore sequências de um nível de dificuldade maior do que você é capaz e trabalhe isso. 

Você pode escolher o rótulo de profissional em um momento errado da sua carreira, este risco é inerente a todas as bailarinas. Mas uma vez assumido o rótulo, estude e trabalhe para acompanhar as profissionais no topo da cadeia. Se todas as "profissionais" se restringirem ao seu mundinho, o resultado vai ser um mercado de profissionais de nível duvidoso, onde as reconhecidamente melhores são contratadas e bem pagas e o restante vai recebendo aquele cachê de 50 reais que não paga nem a condução para o evento. Isso te lembra alguma coisa?

Beijos a todas!! E uma excelente semana!!

8 comentários:

  1. Adorei o post, eu como profissional iniciante q sou adoro fazer aula acredito que seja necessário, faço 2 vezes na semana não faço mais q não dá kkk

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  2. É isso aí mesmo.

    Não tenho pena nenhuma quando a pessoa que passa a se considerar profissional passa por problemas como esse do Festival (nada pessoal, nem sei quem é).

    Apenas um comentário: aqui no RJ, a prova para o SPDRJ (Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do RJ) é super organizado e tem uma prova téorica (que não é difícil caso você tenha estudado alguma vez na vida) e uma prática, que consiste em uma improvisação de uma rotina oriental clássica com véu a partir de um sorteio de músicas que agora são pré-selecionadas e informadas à candidata (na minha época, há 4 anos atrás, era sorteio cego meeeesmo).

    A banca é selecionada pela coordenadora da modalidade no SPDRJ, uma referência em DV aqui na cidade, a Samra Sanches, que tem quase 20 anos de carreira em DV e ela só coloca bailarinas sindicalizadas e que ela procura acompanhar ao longo do ano para ver se está dançando bem e/ou presente em workshops.

    Eu mesma já fui parte dessa banca e digo que é um processo honesto, super sério e que possui a intenção de orientar mais que apenas fornecer um DRT. Não sei qual é a porcentagem média de reprovação, mas quando participo, é em torno de 50%.

    Beijos

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  3. Nossa Verinha minha flor vc sempre arrasando com seus posts, rs, adooooooro !
    Eu acho q profissional sempre têm q estar se atualizando, não importa se ela têm 3 ou 30 anos de dança !
    Eu não sei direito o q aconteceu no festival, mas, achei uma tremenda falta de educação e profissionalismo uma pessoa q se diz "profissional" se inscrever no concurso amador !
    Ainda bem q foi descoberto e a justiça foi feita !

    Bjo !

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  4. Esse tema aí é tenso msmo! Lembro de uma outra vez, num outro concurso, apresentado por aqui mesmo, com este mesmo problema: pessoas profissionais que estavam na categoria amadora e tal..mas lembro-me que foi resolvido.
    A hanna Aisha tbm já escreveu sobre o que é ser profissional eu acho. É realmente um pouco subjetivo quando não se tem parâmetros definidos. Mas o ideal é seria que no "edital", regulamento, de um concurso tivesse lá a descrição do que é o que.

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  5. muito bem escrito, em primeiro lugar. percebe-se que vc refletiu muito antes... e eu concordo contigo flor, em tudo. e aplausos pro pessoal da shimmie que solucionou tudo a contento. bj

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  6. Infelizmente ainda não existe parametros para a profissionalização na dança do ventre...e diga-se de passagem que nas danças academicas a discussão continua porque o técnico bate de frente com a licencitura e discute com D.R.T e por aí vai...Acho que a palavra de ordem é "desconfiometro" kkkkk. A verdade é que nós nunca podemos parar de estudar, porque se em algum momento vc diz e acredita que está pronta, é exatamente neste momento que vc retrocede...e se quem é profissional jamais será amadora, vc passa a ser o q mesmo???rsrsrsr
    A humildade é a chave de tudo.
    Bjos

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  7. Anônimo:

    Concordo com você que a humildade é a chave de tudo. O problema não é o considerar-se "pronta", é aplicar o conceito de "para dar aulas sou profissional, mas se vc pegar a dança assim de Lulu e Kahina como referência profissional, minha dança ainda é amadora, então vou me classificar como tal".

    Obviamente que tomando esses dois nomes como parâmetro, provavelmente um monte de gente vai parecer amadora, mas quem te contrata, quem paga, espera pelo melhor, espera pela dança de um nível da Lulu e da Kahina.

    Vai receber?

    Nem sempre. Mas quem "vende" o serviço (sejam aulas ou apresentações) tem que se preparar para oferecer o máximo possível. E, nessa condição, dificilmente alguém irá se considerar pronta, porque a maior bailarina do Brasil tem 28 anos de carreira e ainda continua se aperfeiçoando...

    Obrigada pela participação.

    Mas da proxima vez assina tá?

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  8. Bom vamos por partes:
    - acho q vc não leu direito rsrrsrssr...acontece!!! O que postei foi que a partir do momento que a bailarina se considera pronta automaticamente ela retrocede, ou seja, não devemos "nunca" parar de nos aperfeiçoar e melhorar e é preciso humildade para isso.
    - Quanto ao seu comentário concordo em parte rsrsrs...pq infelizmente cresce a cada dia o número de bailarinas que "se acham" e por isso já se acham o máximo.
    - Ah e sobre a Lulu e a Kahina há quem não goste, e isso é normal tem gente que prefere estilo de A ou B.
    - Sobre o contratante esperar o melhor isso é óbvio que se vc vai se apresentar dará o melhor de si (assim se espera)...agora esperar q vc dance como a Lulu ou a kahina...já é outra história porque na dança do ventre ninguém é igual a ninguém pode existir semelhanças por esturdarmos uma ou outra bailarina com a qual nos identificamos. Somos únicas ao dançar, e cada uma trilha sua caminhada na dança de acordo com a sua realidade, filosofia de vida, objetivos, etc.

    Bom obrigada por ser possível poder participar...

    Samira Cury

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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