04 julho 2011

27

Sobre o movimento contra o "Ballet do Ventre"


A música de Adele que estou ouvindo não poderia combinar melhor com o post: "We could have it all!"

A imagem acima movimentou de verdade o Facebook das apaixonadas por dança do ventre. As reações foram as mais apaixonadas possíveis: as bailarinas que utilizam inserções do ballet condenaram a imagem e o movimento, as que não gostam dos movimentos de ballet responderam à altura, há quem pense que uma boa parte mudou de opinião quando as bailarinas "com o peso da faixa" emitiram sua opinião publicamente, e o resultado de tudo isso é: a séria reflexão que poderia ser feita desse assunto ficou em segundo plano. 

Vou expor a minha opinião aqui e não no Facebook por que?
Esta é minha casa, paz e tranquilidade não tem preço. 

Gostaria de convidar você a assistir o vídeo abaixo:



A música é Daret al Ayam, conhecida clássica de Om Koulthoum. Neste momento, eu  gostaria que você apontasse qual é a diferença entre a bailarina do vídeo, que classifica sua dança como "Fusão de Dança Oriental com Ballet", e a dança de várias bailarinas do cenário atual de São Paulo (nem estou falando do Brasil, tô falando do "meu quintal"). A única diferença que consigo apontar é que a bailarina do vídeo está realizando alguns movimentos na ponta. A leitura da parte melódica da música, em especial postura em arabesques e giros, é tudo exatamente igual. 

É lindo, de verdade. Ninguém questiona a beleza de um arabesque bem feito quando a música cresce, todos ficam de queixo caído quando uma bailarina liga um giro num passé e faz uma pirueta (ou é o contrario? ai meu Deus, se falei errado a Su vai me matar!!!). Mas honestamente, pensemos: quais são os movimentos predominantes na performance? Será que podemos chamar o que temos assistido de dança do ventre?

Como disse sabiamente a Esmeralda na entrevista feita para o blog (na íntegra aqui)  - vou colocar aqui de forma (quase) literal: 
"O Ballet Clássico é muito importante para qualquer estrutura de dança, por ter uma metodologia milenar e por exigir uma força da bailarina que é muito importante, é uma marca que o corpo da bailarina sempre precisa ter - isso falando de postura, de disciplina e etc. Porém, cada dança tem uma conversa, tem um grupo,  tem um estilo,  uma personalidade. Fusioná-las é muito saudável, porém contaminá-las é muito complicado. Eu acho que utilizar um pouco do educacional e da metologia de uma outra dança para melhorar o seu corpo para que a dança que você escolheu para trabalhar fique mais clara, fique melhor, isso sim é o correto. Não fusionar 100% 24 horas, e sim trabalhar o seu corpo para receber a metodologia de uma outra dança em favor da dança que você trabalha."

Confesso que tudo me pareceu discurso, até que a vi dançar ao vivo. Não tem a dança que ela executou naquele dia, que foi Akdeb Aleik (uma música daquelas que chamam bem à interpretação), mas observe essa performance com Mashael:



Vemos exatamente o que ela colocou em sua explicação: estrutura corporal de bailarina clássica: postura e perfeição nos giros, porém o repertório de movimentos é 95% árabe. 

Como se diz no norte "tudo demais é muito". A indignação das pessoas se levanta contra o exagero que vem se levantando no Brasil. Sou contra a opinião de que as inserções do ballet na dança do ventre são uma tendência mundial. Nem na Rússia, o berço mundial do ballet, a dança do ventre é tão contaminada por movimentos do ballet clássico. O maior expoente dessa tendência, a bailarina Saida, admite publicamente que seu estilo é, na realidade, uma fusão das duas danças. O público absorveu, gostou. Mas admitir essa fusão como verdade máxima, e elevar a necessidade de executar alguns movimentos de ballet clássico a requisito básico para se considerar uma performance de dança do ventre como ideal é tão ignorante quanto pensar que o ballet não oferece benefícios a qualquer manifestação corporal. 

O que me preocupa, na realidade, é a confusão que pode acontecer na cabeça de uma aluna que se mata para fazer os pliés, passés, piruetas, braços esticadíssimos e tudo o mais, e quando ela se apresentar para algum mestre egípcio com aquela música clássica cheia dos arabesques, contratempos e outros artifícios ballezísticos, esperando uma boa avaliação de sua dança escutar em alto e bom som que ela não sabe dançar (como já aconteceu da Raqia Hassan emitir essa opinião a quem quisesse ouvir). E aí? Quem é que se responsabiliza pela decepção da aluna do tempo que ela considerará perdido em aulas e ensaios? Mais ainda, quem terá a moral necessária para tentar extrair algo bom dessa confusão mental?

Existe algo de muito positivo nessa discussão que é a necessidade de reafirmação do conhecimento de dança oriental "pura", e uma séria estruturação desse conhecimento para garantir sua perpetuidade, assim como aconteceu no ballet clássico. Ainda temos muito o que aprender nas duas áreas, mas uma coisa é certa: cada dança é linda em seu formato original, com seu estilo e linguagem próprios. Cabe a nós encontrar o fino equilíbrio para enaltecer ainda mais a dança que escolhemos.

E deixo aqui meu voto de louvor à bailarina que, na minha opinião, encontrou de forma precisa esse equilíbrio: Aysha Almée. 


27 comentários:

  1. Não, a Su não vai te matar! Rs...

    Como coloquei em meu face, acho que o buraco está mais embaixo: o maior de todos os problemas é a falta de aceitação dos diferentes estilos de cada artista.

    Eu, particularmente, sou mega ballezística (palavra nova! rs...), principalmente se na sequência de meu show vou entrar depois com um solo de derbaque, depois folclore. Acho que isso dá variedade e enriquece o show. É o MEU estilo, não tenho como desasossiar minha paixão e profissão (fui bailarina clássica profissional por 20 anos!) de uma vida inteira de meus movimentos.

    Mas... também sinto-me extremamente capaz de fazer uma dança absolutamente tradicional, sem NADA de ballet nela, se assim eu desejar!

    Meu método de ensino, entitulado "método acadêmico", apesar de usar a chamada linguagem universal da dança, só agrega movimentos como o arabesque, por exemplo, no 3º ano!! Os dois primeiros são baseados na dança absolutamente tradicional.

    Mas... também não vou deixar de defender que nos últimos anos, tenho tido o feedback do público, o leigo principalmente, numa proporção 99X0 para a inserção de uma dança mais rica. Qdo mantemos a dança no estilo que aqui em cima vc exemplifica com a Esmeraldah (que eu AMO, não me entendam mal!), costumam achar o show pobre!!

    Cada país tem sua preferência, cada público sua exigência.

    A arte é uma expressão livre.
    CONCORDO que DEVEMOS preservar o tradicional mas também devemos ter a mente aberta para novas tendências...

    Espero não ter escrito demais!
    Mega bjkas e um VIVA! as polêmicas: elas nos fazem pensar!

    Bjks, Suh

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  2. Caraca, isso deu pano p/ manga hein?
    Eu vi o bafafá no Face, e acho que essa imagem teria ficado quietinha lá no álbum da Lulu Sabongi se eu não tivesse colocado aquele comentário que eu já postei antes, não me lembro se aqui ou em outras paragens: se Mahmoud Reda foi pioneiro a fazer essas inserções, por que nós não podemos? Ele é respeitado como o grande mestre que resgatou o que há de mais tradicional da dança oriental, e no entanto, fez essas misturas conscienciosamente. E a dança da Naima Akef, de alguns posts anteriores?
    Sim, eu não manjo tanto assim, mas pelo que consegui sacar, creio que dança oriental "puríssima" hoje em dia só com as ghawazee mesmo. Exceto elas, praticamente everybody já incorporou o estilo cabaré da época cinematográfica da dança oriental, querendo ou não.
    Agora, vou ter que concordar: a dança do ventre sem movimentos de ventre, que em lugar disso só tem arabesques e giros, é algo extremamente boring. Sem graça, enrolação pura, na minha opinião. Se tem muita gente por aí dizendo que uma DV "pura", que não usa desses artifícios é chata, para mim mais chata é aquela bailarina que acha suficiente só uns camelinhos e uns básicos egípcios no meio de um excesso de arabesques e grand battements (os chamados chutes altos com a perna esticada).
    Sou adepta do ballet. Ponto. Mas não sou adepta da encheção de linguiça. Ponto. Usar ballet p/ preencher uma apresentação de DV vazia é desrespeito a ambas as modalidades de dança.
    Quer fazer fusão, admita que é uma fusão, não venda gato por lebre.

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  3. Gostei muitíssimo do texto, Vera. Equilibrado como as influências na dança poderiam ser. Parabéns!

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  4. Clap Clap Clap!

    Adoro esses assuntos! Mas tb detesto verdades absolutas. E o povo abusa, né?

    Bem... Como postei no profile da Lulu e como vc sabiamente disse, não dá para incorporar o ballet na dventre fazendo da dança oriental uma dança 100% ballezística (adorei o termo) 24h por dia.
    Mas relembrando os ensinamentos Gamal Seif e Lulu, as técnicas apresentadas na dança oriental clássica, ou Mowashahat, são bem mais antigas que o ballet da renascença. No último work do Gamal sobre Mowashahat ele ensinou muitos movimentos que aqui no ocidente são conhecidos como técnica de ballet e entre os participantes do work, somente aqueles que praticam ballet conseguiram realizar os movimentos propostos a contento do professor.

    Ãh... E o que fazemos com tudo o que aprendemos durante a vida?
    Amassamos, esticamos, picamos, batemos no liquidificador, voltamos a amassar e de tudo isso aproveitamos apenas o que nos interessa. Isso sim é uma verdade que ninguém deveria negar, pq ninguém vai "desencorporar" o ballet nesta altura do campeonato. Mesmo pq o que dá ibope é o que o pessoal encarna.

    Mas todos deveriam ter em mente que nosso aprendizado deve ser sempre mais específico para que possamos alcançar a excelência. Esse motivo, por si só já separa o ballet da dança do vetre. Eu explico: claro que haverá sempre influências do ballet na minha dança, mas não vou fazer um "pliê" antes de subir na meia ponta para fazer um soldadinho. A influência se restringe na meia ponta alta, nos braços alongados, na postura, no encaixe do quadril, na leveza dos movimentos superiores, no ouvido musical, nos giros. Sendo especializada no ballet, posso "melhorar" a técnica de outras danças.

    Mas veja bem... quem é minha aluna sempre me ouve falar que mesmo quem não estude ballet tem obrigação de atender a estes quesitos. O ballet ajuda? Sim, ajuda. Mas não dá para adotar a FUSÃO como meio de "encher linguiça" como bem lembrou a Carol Murad.

    Complicado...

    Bjoks!!!
    Ps.: Mandei e-mail para vc em: neguinhamoreira@gmx.net

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  5. Legal, maravilhoso post.

    Também concordo que quem estude dança do ventre TEM A OBRIGAÇÃO de estudar a dança do ventre...

    Concordo que pra dançar dança do ventre você tenha que entrar numa sala de aula com uma professora de dança do ventre.

    Terrível é uma bailarina de ballet clássico que se traja de bailarina de dança do ventre e sua apresentação só traz o ballet como foco.

    Mas também concordo que se você ama a dança do ventre você TEM que estudar o ballet para enriquecer sua dança, para melhorar sua postura e seus encaixes, seus arabesques e afins.

    Adorei... e acredito que BAILARINA COMPLETA É BAILARINA que estuda TUDO O QUE É NECESSÁRIO visando sua perfeição... seja ballet, capoeira, dança de salão, pra mim não importa.

    Beijos

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  6. A minha opinião é bem simples.

    Podemos fazer qualquer fusão na dança, porém que fique claro qual técnica temos por base em nossos estudos.

    Se vc é aluna/professora ou o q for de DV, então conheça bem este estilo e na hr q precisar executar uma dança tradicional, sem elementos externos, o faça bem. E qdo quiser misturar, misture!

    Esse bafafá aconteceu há anos qdo surgiu tribal, agora com o ballet clássico e daqui a pouco será com outra modalidade.

    Ngm tem obrigação de agradar o público em geral, certo?

    O que é obrigação é saber bem os fundamentos do SEU estilo, repertório, leitura corporal, musical etc e tal.

    Bjs

    Van.

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  7. Acho que o quadril é ignorado por ser mais difícil. Tem pouca gente trabalhando dança do ventre oriental. A moda pelo jeito é a Saida. Sem dúvida a mais imitada das bellydancers. Eu estudo a Saida, mas é só mais uma dentre outras. Ela e boa. Mas imitar é demais né.
    Dança do ventre é dança do quadril,o resto é complemento.

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  8. AFF escrevi um testamento aqui..e não foi ¬¬
    ENFIM em resumo eu defendi somente que os passos de balé 9Se é que são do balé, ou são do Mowashahat, ou de todas as danças como já vi falarem, mas eu não sei de nada) não são negativos ao meu ver, mas é o que vc disse precisamos do tal equilibrio pq qnd vc vai ver dança do ventre, td bem q tenha uns passos de balé, mas 80% só disso na dança, frustra um público que qria ver dança do ventre!! É a minha opinião!

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  9. Oi Vera!

    Quando vc diz O público absorveu, gostou. será mesmo? Vou aqui falar como pláteia, ok?
    Acho apresentações de ballet e jazz um saco, só assisto as da escola da minha filha porque sou obrigada, até gosto de uma ou outra, de preferêcia as coreos que ela participa, nas demais, confesso!!
    Adoraria ser abduzida!
    Ah e antes que alguém apareça e diga, vc não gosta porque não entende, quero dizer que já fiz ballet, já fiz jazz, mas estas danças não prendem minha atenção, pronto falei!
    Tempos atrás li uma frase muito divertida no grupo Raks Sharki do multiply e ela resume bem o que penso sobre estas fusões: "se vou a um restaurante francês, com certeza não será para comer feijoada".

    Um abraço!!

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    Respostas
    1. simplesmente amei sua definição...é exatamente como penso!
      "se vou a um restaurante francês, com certeza não será para comer feijoada".
      Perfeita definição!

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  10. Amar, sempre acompanho seu blog, mas nunca comentei, realmente esse assunto dá pano pra manga, e acho que o buraco é beeem mais embaixo.
    As professoras com quem mais tive contato na DV( que é a Hadara Nur e a Luana Mello), sempre tiveram na sua dança uma raiz muito forte ballezistica hahaha, eu na minha dança também uso muito de arabesques, giros e mais giros, pernas altas, porque também estudo ballet.
    As pessoas cada dia mais querem uma dança tradicional, no MP desse ano o tema amador era "O Resgate do Tradicional", a maioria das meninas não dançaram dentro do tema(mas isso é assunto que dá muito mais pano ainda)a dificuldade da maioria (pelo menos a minha) era me conter nas pernas e conseguir realizar uma coreografia que não tivesse "modices"que era como estava pedindo. Cada dia mais na DV não se vê mais DV tradicional, umas das poucas bailarinas que exploram bastante essa linha é a Michelli Nahid...Eu acho que tudo é uma questão de fase.
    Realmente é muito triste a dança perder sua raiz, maaas, fazer o que, cada dia mais nós alunas, somos bombardeadas com as tendências, o que está in no momento e tentamos "copiar" o que está acontecendo. Agora é só "rezar" e estudar muito para chegar ao equilibrio!
    Beijos, Yamara Fabri.

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  11. Alguem tem ai um video de uma bailarina dançando uma música classica, sem nenhuma influencia do ballé????
    Procurei muito e não encontrei....
    Ahhh mas no Mercado Persa era essa a solicitação no Solo Amador!!!! e ai cade a dança sem influencia de balle????
    Podem atirar pedra que for, mas todo mundo usa um pouco de ballé na dança do ventre.
    Gente temos que aprender o seguinte: eu gosto de bailarina classica, mas fulana de tal não; blz eu vou assistir e estudar quem eu gosto e ela assiste o que ela gosta e deu!

    Bjss Otimo post!

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  12. Muito bom o post!
    Você está virando uma erudita da Dança do Ventre.

    Seus textos e comentários estão me ajudando muito na minha volta aos shimmies. Estou envolvida com a Danaça há mais de 10 anos, pena que não são 10 anos de estudos. Dentro desse perído a descoberta, há medo, há consciência, há ilusão, há esperança. Acho que agora eu vou começar a estudar.

    Obrigada por suas contribuições.

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  13. Desculpe os erros de português.
    Trabalhar e pensar na dança às vezes dá nó.

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  14. Olá meninas!!!!

    NADA me deixa mais feliz do que ver o post assim, cheio de comentários!!! Não vou responder um a um porque tô em cima da hora hoje!!!

    Acredito que manifestações artísticas individuais são lindas e devem ser respeitadas sim. Quem ousaria dizer que não é linda a dança de Suheil, Zahira, Suellem (que, coitadinha, tenta me ensinar o tal do passé com pirueta mas sou muito desajeitada), Kahina, Saida e tudo o mais?

    O que não concordo, não aceito é a tentativa de normatização desses excessos que vêm acontecendo. A bailarina da moda faz "Grand Battement" (valeu Carol!!!)? Todo mundo tem que fazer Grand Battement e que bailarina é você que não faz Grand Battement? Não sabe dançar!!!
    É essa a razão da minha "adesão" ao movimento. Hoje, em São Paulo, bailarina que não cresce com Arabesque, não faz 3 giros Michael Jackson e não "ponteia" muito bem o pé não sabe dançar "Dança do Ventre". Quem disse?

    Recomendo também a leitura do post da Zahira sobre este assunto que está bem legal.

    http://zahira-nader.blogspot.com/2011/07/afinal-de-contas-o-que-e-danca-do.html

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  15. Só mais um parêntese: adorei que todos os comentários tem o intuito de somar e nos fazer pensar. A classe que não houve na discussão do Facebook está toda aqui.

    PARABÉNS A TODAS!!

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  16. tb sou contra esse movimento o qual vc acaba de falar no cometántio... a bailarina só deve agregar um passo, se apropriar dele quando esse faz sentido pra ela... fazer sentido é amar, emocionar, ter a ver com sua estética e etc...

    eu uso Battement e passés kkk mas não em qualquer música Hello! kkk se for uma moderninha que permite um jazz: legal!

    Mas pegamos a última q dancei, Enta Omri: nunca!

    Temos q ter bom senso em td na vida! =)

    bjo

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  17. O primeiro vídeo me chamou particular atenção pelo fato de a bailarina não dominar integralmente nem uma, nem outra arte. Posso até associar ao ditado sempre mencionado pelo meu pai, "ou você assobia, ou chupa cana".

    Não sou a favor de nenhuma "mistureba" por um simples motivo: a DESCARACTERIZAÇÃO da dança, da arte que ela é. Se deve haver encaixes de passos e movimentos diferentes (por exemplo, há influências do ballet que tornam a dança do ventre clássica maravilhosa), eles devem ser feitos devidamente e de acordo ao bom senso, não somente para chamar a atenção ao público leigo ou simplesmente para ser diferente.

    Beijinho :*

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  18. Nossa eu estou completamente alienada, e não li nada disso no face, deixei passar !
    Mas, eu concordo com vc Vera, e com a frase da nossa amiga Malikat "se vou a um restaurante francês, com certeza não será para comer feijoada" e acho q se é dança do ventre q eu quero e gosto de fazer, não têm pq encher a dança de giros, saltinhos, milhões de arabesques e tal !
    Dança do ventre prá mim é pé no chão, quadril...
    Uma hora ou outra realmente a gente têm q colocar algo diferente em nossa dança, mas, não nela toda não é ?

    Ah, esses dias vi o vídeo de sua apresentação no E-ventre e eu adorei viu, dá gosto de ver vc dançando com aquele sorrisão, parabéns !!!

    Beijocas !

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  19. Parafraseando Luisa Marilac ... "E teve boatos que o ballet nasceu no oriente!!" kkkkkk

    Afinal, para quem não sabe, Arabesc, é uma denominação de muito comum na arquitetura. Prova-se mais uma vez que a arte é um todo, influenciando uma a outra - artes plasticas, dança, musica etc!!!
    Não seria diferente com a dança do ventre!!
    Mas aprecie e misture com parcimônia!!
    bjos

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  20. Verinha, e quando o ballet é usado apenas pra "aprimorar tecnicamente" uma coreografia copiada de outra pessoa??? Comofaz???

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  21. Meu comentário tá bem atrasado porque não tive mais como acessar o blog no último mês. Mas você realizou meu desejo e fico feliz em lê-lo aqui. Concordo com muito, discordo de pouco.

    Acho muito gostoso fusionar passos de estilos diferentes, mas eu acho que é importante lembrar que ao fazer isso deve estar claro que é uma fusão. Incorporar alguns poucos movimentos de outros estilos de dança, também acho válido. Afinal, a dança do ventre hoje é já uma fusão de estilos de muitas danças (ou não encontramos seus movimentos em outros estilo?).

    Mas também acho que nos últimos anos há ballet em excesso, e estamos caminhando pra criação de um Ballet Árabe.

    E outra coisa. Tá na hora das pessoas pararem de pensar que o ballet se faz necessário ao aprendizado de outras danças. Fiz clássico sim, não danço mais, mas AMO DE PAIXÃO.
    E ainda assim, discorod. O que se faz necessário ao aprendizado de danças é boa postura, encaixe do quadril, percepção corporal. E mil desculpas, mas isso não nasceu com o ballet e pdoe ser trabalhado por qualquer profissional da dança.

    Porque na academia militar não há exigência de se aprender ballet e todo mundo aprende boa postura.

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  22. Oi Vera!
    Voltei!(antes tarde, do que nunca rsrsrs)
    Me senti desafiada( e adoro isto!) qdo uma das meninas do fórum pediu se alguém tinha bons videos de bailarinas que pouco ou nada usam de ballet em suas performances. Sim, eu tenho!
    Eis aqui alguns bons exemplos de ótimas bailarinas que dão um verdadeiro espetáculo em termos de DV, apesar de declinarem do uso de passos de ballet e outras danças em suas performances. Espero que vc e as meninas que acompanham seu blog gostem.
    Um abraço.

    http://rakssharki.multiply.com/video/item/6706/Yafit_Cohen_-_Israeli_Belly_Dancer
    .
    http://rakssharki.multiply.com/video/item/2332/_Irida_French_Belly_Dancer
    (http://rakssharki.multiply.com/tag/irida)
    .
    Tamar Bar-Gil
    http://rakssharki.multiply.com/video/item/4325/Tamar_Bar-GilIsraeli_Belly_DancerBaed_Annak.
    (http://rakssharki.multiply.com/tag/tamar%20bar-gil)

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  23. O texto deste Link http://zahira-nader.blogspot.com/2011/07/afinal-de-contas-o-que-e-danca-do.html que já foi citado Acim resume muito bem a minha opinião, concordo plenamente, acho que tudo que é extremo é ruim, assim como uma apresentação que possua somente passos de ballet é chata, uma em que uma bailarina passa 5 minutos fazendo só shimmie também, a arte ... o corpo, o estudo da dança e de movimentos artísticos é a busca pelo ponto de equilíbrio imperfeito, por a perfeição exagerada em qualquer estilo é chata e não é enriquecida.
    A cultura muda com o passar do tempo, ela se mescla se enriquece... MENTIRA É aquela que se diz dançante de pura dança do ventre, digo mentira pois mal sabe-se ao certo de fato qual é a origem do que, tanto o ballet, quanto a dança do ventre ... como tantas outras expressões do corpo foram passadas de corpo a corpo em muitas gerações, o que marca mesmo é pouco registrado em papel e mais na própria dança.
    Sendo assim digo que acho MUITO BELO quando vejo uma bailarina de Dança do ventre que tem uma boa postura, que executa giros, mesmo que mais lentos, porém com certa bellezística e que inclui arasbesques e grant battmants em sua dança executados de forma limpa porém moderada e que PRINCIPALMENTE alia a tudo isso um quadril em que se quase ESCUTA o som do derback e do alaúde, em que o quadril é seu ponto forte e que SORRI como se tudo fosse fácil, como se ela tivesse nascido sabendo.


    Tive aulas com 3 professoras diferentes até então, Hadara Nur, que pra mim é um exemplo gigantesco de bailarina que usa e abusa de passos de ballet, mas tem um quadril soltissimo de todo modo. O usso do ballet não é encheção de linguiça, é ENRIQUECIMENTO.

    Samia, que também usa muito de Ballet, só que com Arabesques mais baixos, porém sua leitura da Música Árabe é muito bem executada de forma que não há como negar, que mesmo com uso de Ballet é uma Bailarina de Base Árabe.

    E Siham El Hob, que pra mim deveria ser mais estuda e conhecida, não a publico que não se levante, que não chore ou sorria ao vela dançar, qualquer 2 minutos com ela se apresentando é uma explosão de emoções, sua alma está em seu quadril, ponto forte, poderoso e emocionante. Seu quadril é super Árabe, mas vemos sim ela com toda sua emoção as vezes ousar de passos e posturas de ballet para complementar suas apresentações.

    Espero ter sido sábia em meu comentário, e que estas polêmicas não sirvam para criar mais brigas no meio da dança, e assim para unir cada vez mais as bailarinas e suas diferentes formas de uma expressão artística de mesma base. O VENTRE !

    Fiz aulas com Hadara

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    Respostas
    1. Fui aluna da Siham e concordo com vc!! A dança dela é riquíssima, ela não repete sequências, as coreos dela são um show e a gente percebe como ela insere o ballet como enriquecimento, pois o quadril, tremidos e ondulações são demais!! Minha ídola pra sempre!

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  24. Ainda que discuta-se infinitamente as origens de dança do ventre e ballet clássico para concluir que não há verdade absoluta, só pontos de vista, as duas são diferentes. Se eu quero ver ballet compro o ingresso do Teatro Municipal. Usar ballet em fusão ou dv moderna, sim! Em dv clássica e folclore, não! Porém, como expectadora que sou o que mais vejo é a "venda de gato por lebre", ou seja, a Dança do Ventre Sem Ventre. É o mundo evolui! A dança evolui! Que tal evoluir em qualidade técnica, em emoção, em interpretação etc., sem desrespeitar, sem descaracterizar, sem contaminar, chamar de fusão o que de fato for etc., etc., etc.??????

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  25. Acho que cada um dança como quer, e o público, mais leigo ou mais entendido, vai saber enxergar a bailarina de dança do ventre que realmente conhece a dança e aquela que enrola a dança.
    Pra mim, de nada adianta encher de floreios do ballet e não ter quadril, mas tb não adianta só girar, se deslocar, colocar um bracinho aqui e ali e uma batidinha xoxa sendo que a música pede um tremendo tremidão. Com ballet ou sem ballet, pro meu gosto tem bailarina que mais enrola que outra coisa. Eu gosto de bailarina de dança do ventre que, na hora que a música pede, coloca aquele tremido show ou aquela ondulação linda independente se nos momentos de deslocamento e tals, ela coloca uma perna mais alongada ou um batement (escrevi certo?) ou o que quer que seja. Mas essa é só minha opinião hein gente! Cada um com seu gosto.

    Eu gosto muito da Kahina, pra mim não tem pra ninguém, ela arrasa e equilibra o ballet na dança (foi a primeira bailarina q eu notei muito as influências do ballet) e, pra mim, ela é imbatível. Postura linda, barriga linda, sorriso lindo, carisma e quando tem que tremer, meu, que quadril seco, limpo, movimento claro, qq um entende o q ela tá fazendo, sem poluição visual, sem confusão (tem bailarina que tem movimento poluído confuso, sei lá). Ela é show.

    Bjoooos!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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