17 março 2011

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Ballet Oriental - Salomé, por Maíra Magno

Acredito que um dos itens primordiais para que a dança do ventre se torne uma séria opção de entretenimento no Brasil é a produção de grandes espetáculos, produzidos com o máximo de profissionalismo. Infelizmente, a maioria de nossos espetáculos ainda é produzida de forma precária, porque contará como público pagante apenas os familiares e amigos das alunas/bailarinas que atuarão no show.

Apesar desse vício nos acompanhar por anos a fio, já existem algumas iniciativas de espetáculos profissionais que podem mudar essa visão do público. E um desses espetáculos altamente profissionais foi o Ballet Oriental Salomé, produzido por Maíra Magno em parceria com Gaby Shiba, apresentado nos dias 26 e 27 de Setembro de 2009, em Sergipe.



O espetáculo, inpirado pela obra "Salomé" de Oscar Wilde, conta a história da filha de Herodias, mulher de rara beleza e extremo talento para a dança, que, após ser rejeitada pelo primo do Cristo - João Batista, ao dançar para o tetrarca Herodes alcança dele o direito de pedir qualquer coisa que quiser, e pede a cabeça de  João Batista.

Para quem quiser ler mais sobre o Ballet Oriental, clique no link abaixo, onde há uma ótima descrição sobre o espetáculo, bem como seus produtores e coreógrafos:

http://www.cinform.com.br/noticias/25920091535649227/BALE+ORIENTAL+SALOME+DANCA+E+TEATRO+FAZEM+RELEITURA+DA+OBRA+DE+OSCAR+WILDE++.html

Relato bíblico à parte, o espetáculo de Maíra Magno é um marco na dança do ventre do Brasil, pois foi o único projeto profissional apoiado pela Lei Rouanet de incentivo à cultura, além de contar com o apoio da Sociedade Ecoar e da Universidade Federal de Sergipe.

Maira Magno como Salomé - foto: Marco Vieira

O espetáculo contou a história através das danças orientais, e teve de tudo: dança com véus, danças folclóricas, tudo executado com o máximo de profissionalismo e perfeição. Conforme descrição, foram 50 bailarinos e mais um tanto de atores. Teve até o Morgan Freeman! Brincadeira, mas o rei de Chipre na foto é PRATICAMENTE o Morgan Freeman. Um espetáculo que eu daria TUDO para ter visto ao vivo, deve ter sido massa. 

Ballet Oriental Salomé - Quem não gosta de Dabke, bom sujeito não é...

Que venham mais iniciativas como essa! Esperamos por outros espetáculos tão grandiosos e profissionais como esse, e veremos a dança do ventre ser considerada também uma opção de entretenimento de todos!

E, finalmente, vamos assistir a alguns vídeos desse maravilhoso espetáculo (queria muito ver o vídeo do solo da Maira Magno para ver esse vestido MARAVILHOSO em ação, mas não tem... snif...):














Depois da música do beijinho, beijos a todas!!

10 comentários:

  1. isso me emociona e me dá orgulho! o mérito é da Maíra, da Cia de Dança mas tbm do estado e munipio que incentivam! eu faço espetáculos temáticos há 7 anos, e a cada ano é uma luta, por viver num centro onde a arte ainda engatinha. iniciativas assim servem de exemplo. :)

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  2. Pois é... e eu que quero fazer um espetáculo agora em Maio, tudo ensaiadinho e tals e não conseguimos o teatro AINDA?
    Juro que às vezes eu penso em pendurar as sapatilhas... =/

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  3. E aí tchucassss!!!

    Então Tati, eu mesma nunca havia ouvido falar em lei Rouanet até ler sobre a captação de recursos para o espetáculo da Maíra. Na realidade não é que o governo oferece dinheiro, e sim autoriza ao artista captar recursos com empresas oferecendo em troca benefício de isenção fiscal. Convenhamos que conseguir patrocínio com esse argumento é beeeeem mais fácil né?

    A grande questão é: para ser elegível ao benefício da Lei Rouanet, é preciso elaborar um projeto completo, que vai desde o tema do espetáculo, contratações, esquema cênico, até questões mais administrativas como orçamento completo.

    Se vc tiver interesse em elaborar um projeto, você pode obter mais informações no endereço abaixo:

    http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet/

    Beijocssss

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  4. Eu tenho o DVD e realmente é uma produção grande, coisa rara de se ver aqui no Brasil sem ser importado.

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  5. Oi Hanna!

    Pôxa vida, não sabia que existia DVD do espetáculo, vou procurar com a Maíra!

    Beijocss e obrigada pela dica!

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  6. Amar minha filha vc existe? que moça mais boazinha! olhe nenem na minha vida qd mais glamour mais trauma, se tem algo que chegou perto do hezzy foi salome!
    bem a historia é longa, eu gosto de jogar limpo, pq detesto essa glamurização que acontece na dv que faz tudo parecer lindo e maravilhoso, é nada! é um inferno!
    Tentar explicar como cheguei a esse ponto tem que voltar a minha historia profissional.
    Qd eu comecei aqui em aju não havia dv, então eu comecei junto ao povo de dança academica, nunca recebi distinção entre o meu trabalho e o do pessoal de comtemporaneo. ballet tal, agora ta rolando mas é por questões politicas que nao convém.
    E tb aprendi a fazer minhas coisas com esse povo, espetaculo com tema enredo e historia, como qualquer cia de dança faz, novidade alguma.
    tanto que qd comecei a frequentar o ambiente de dv em sao paulo da dec de 1990 fiquei chocada!
    fui no mercado persa e na kk e aquilo pra mim não era ambiente de dança! peguei um trauma tão grande que nunca mais voltei pra nehum dos 2.
    hoje eu entendo que são 2 ambientes totalmente distintos, mas eu sempre pensei como uma bailarina academica pq essa foi a minha formação e foi esse ambiente que eu dialoguei a minha vida toda, estava e estou isolada em sergipe sem nada referente a dv
    então pensar em coisas como, fugurino, iluminação , erredo, produção, texto são coisas corriqueiras pra mim pq todo coreografo de linguagem cenica pensa, nao ha nada de especial nisso

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  7. de 2000 a 2006 eu promovi junto a universidade federal de sergipe os encontros de cultura arabe de sergipe, que eram encontros academicos de altissimo nivel, com palestrantes que vinham de todo o brasil, sempre com conferencias que elucidavam a presença da cultura arabe na cultura nordestina, foram dezenas de temas debatidos e as pessoasq ue assistiam as palestras e partissipavam dos curso ganhavam certificados aprovados pelo mec. O evento tb tinha wokshop de dança as 2 primeiras versoes mostras em teatro como todo mundo faz, a partir da 3ª parti para espetaculo. Mas fiz como toda cia de dança faz pq era assim o unico geito que eu sabia trabalhar: contratei um diretor de teatro, iluminador, figurinista, cenografo, ofereci oficinas para meu elenco de 5 meses de atuação e no fim foi um sucesso.
    eu depois eu e minha equipe reetimos a formula e a aprimoramos por mais 4 anos, os espetaculos que eu produzi, escrevi e dirigi de 2003 a 2006 não deixam nada a desejar á salome

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  8. em 2003 começei a viajar ao exterior e em 2006 conheci o gaby ficamos amigos e calhou de eu escrever o projeto pra lei rouanet. Foi um parto escrever o projeto, tenho uam irma que na epoca era acessora parlamentar que entende de lei pacas e ele me ajudou demais ate o projeto ser aprovado ele teve unas 20 versoes e demorou 2 anos 9 por isso eu falei ñada é tão facil como se deiz por ai)A captação de recursos foi um inferno! Mas como o meu nome sempre foi associado a CULTURA e nao a dança do ventre, por eu ter me feito pelos encontros de cultura arabe que eram eventoa academico e nunca ter produzido absolutamente nada nos moldes de dv ( festa arabe, jantar com meninas dançando no chão, noite da deusa sacerdotiza o diabo a 4) que estão no lugar comum e já não recebem o status de cultura erudita, eu consigo captar recursos ( nao estou dizendo que concordo com esse desmerecimento da dv em seus ambiente de valoração próprios) estou dizendo que eu nunca participei deles, então nunca recebi, ao menos aqui em aju esse estigna de Dv como arte menor ( tb pq minha mentalidade como artista foi feita em ambientes de " arte maior" por isso meu estranhamento com o mercado tipico de dv no inicio de minha carreira)

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  9. bom, como eu sabia que salome seria uma mega produção e que o povo da dv nao faz nada alem de dv ( em especial aqui em aju) o casting do elenco foi feito entre bailarinos academicos, tinha de ter formação comprovada em ballet e/ou moderno e/ou contemporaneo para se unir ao elenco, se alem disso tb soubesse dv ooootemo, mas é muito mais facil ensinar dv em pouco tempo pra um bailarino classico que ballet pra uma dançarina de dv, e alem do povo que entrou pela audição tiveram tb minhas alunas mais avançadas pq estavam acostumadas com o esquema, fazem aula na barra, fazem aula de mahta graham, então nao são um povo de dv tão cru como normalmente o povo de dv é

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  10. todo o elenco recebeu um treinamento de 3 meses em ballet classico, dv e folclore arabe e teatro pra depois começarmos as montagens. De fato eu so produzi tudo ( um inferno) fiz o cenario, preparei o elenco e atuei, toda a parte artística ( coreografia, adaptação de textos, figurino, direção) é do gaby.
    Sinceramente não foi nem de longe a melhor coisa que eu ja fiz na minha vida, ate pq artísticamente eu e o gaby nao poderiamos ser mais diferentees, mas com certeza foi o mais completo trabalho de produção que eu ja fiz, e confeço que jamais na minha vida eu faço outro desses! foram mais de 50 pessoas no palco + um diretor extrangeiro, pense na treta de coordenar isso tudo!
    Eu realmente achoq ue o espetaculo que eu fiz no outro ano com minhas alunas avançadas ( o raks el shaabi) é melhor que salomé, menos ponposo, mas muito mais coerente e bem acabado.
    bem ai foi a parte publicavel da epopeia, muito grata mesmo pelo espaço que vc vem me dando no seu blog, minha mae fica possessa comigo pq ela diz que eu nao sei me vender, mas ainda bem que vc sabe! (risos)
    beijos e estou a disposição para tirar qualquer duvida

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