14 fevereiro 2011

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Sobre a pressão que o palco exerce



"O Teatro é um templo,
onde o altar é o palco, a bailarina é a Sacerdotisa,
e a Dança é reverenciada através do aplauso dos fiéis expectadores."
(Adaptado de Dilson Oliveira Nunes - Teatro)

Dos diversos desafios que aguardam uma aprendiz de dança, acredito que a "apresentação", o "subir ao palco" é um dos maiores. Em primeiro lugar porque como observou muito bem a Lulu em um de seus vídeos, o olhar crítico cresce numa velocidade muito maior do que nossa evolução técnica. E, ao observar o espelho durante as aulas, os ensaios, a aluna pode não estar gostando muito do que vê: acha que precisa ensaiar mais, precisa aprender melhor, vários fatores.

O segundo motivo é a competitividade natural do ser humano, aquela que é alimentada desde a primeira infância, que faz com que a aluna referencie seu progresso, sua dança, na dança da colega. É muito comum escutar "olhando as outras meninas dançando, eu pareço tão desengonçada..."

E, finalmente, existe o medo da exposição, da "avaliação" do outro, a chamada "Fobia Social".

A primeira apresentação não é brinquedo não. Para quem já dança, ensina, está acostumada com as apresentações, esse sentimento parece distante, e para algumas pode até ser considerado "frescura", mas é um momento que pode, inclusive, marcar negativamente e para sempre uma aluna, e ela nunca mais voltar à sala de aula.

Em compensação, subir ao palco é sublime, é mágico, é uma grande recompensa do esforço em sala de aula. Como diz Paulo Sacaldassy "porque o prazer de fazer é o que basta". Enquanto professoras, queremos muito que nossas alunas experimentem esse prazer, que despertem a bailarina que há dentro de si, que sejam muito aplaudidas. Mas isso pode se tornar muito perigoso quando não existe um diálogo esclarecedor entre as partes, e, principalmente o respeito ao sentimento da aluna.

Existem muitas mulheres que iniciam as aulas de dança do ventre com o discurso "não quero me apresentar, estou aqui para curtir, ter uma atividade física, melhorar a auto estima, whatevers..." É um sentimento imutável? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas, muitas vezes, ao chegar em uma escola de dança nos meses que antecedem um evento, a aluna se vê pressionada a participar da apresentação, e acaba por ter como única matéria em sala de aula o ensaio da coreografia. Eu já passei por isso em uma escola grande de SP, e é muito chato!!! Em primeiro lugar porque não dava tempo para "entrar" no grupo e se apresentar, e em segundo lugar porque eu sempre elejo a professora pelo que ela pode fazer pela minha dança, mas não tinha aula! Não tinha nada, só alongamento e coreografia, por 2 loooongos meses. Sinceramente? Não existe nada mais desestimulante.

Meu desejo para você professora, é que você consiga estimular sua aluna a encontrar lá no cantinho de sua alma a estrela que a fará brilhar no palco, de forma tranquila, serena, como uma etapa que foi vencida. E meu desejo para você aluna é que vença seus medos e receios, porque nenhum desses sentimentos é maior do que o prazer de brilhar!

Beijos a todas.

4 comentários:

  1. Oi
    então eu acho que sou meio xiita; só dança se eu achar que está legal. E, claro, de forma nenhuma dança quem não quer.

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  2. Hum , legal esse post Verinha !
    Nossa eu faço aulas de DV há 1 ano e meio e ainda não me apresentei nenhuma vez, rs !
    Acho q ainda não estou preparada !
    Bjks !

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  3. Oi Vera

    Senti exatamente a mesma coisa quando pararam as aulas e ficou só o ensaio de coreografia. Isso é muito frustrante, principalmente para que está no estágio zero da dança.

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  4. Lindo texto Vera!
    Posso levar para minhas alunas?
    Não obrigo niguém a dançar e tão pouco deixo que minhas alunas se exponham as críticas maldosas. Procuro o caminho do bom senso. Acho que se apresentar tem que prazeroso senão perde o sentido.
    Bjs.

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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