21 fevereiro 2011

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Exclusividade Velada - De quem é a vantagem?


No mundo corporativo, no meio artístico, qualquer empresa que deseja solicitar ao artista a chamada "exclusividade" deve estabelecer tal condição em contrato, e, principalmente pagar por ela. Não custa barato, tenha certeza. Pergunte aos agentes da TV Globo.

Na dança do ventre, infelizmente, pouquíssimas relações comerciais são estabelecidas com contrato. No máximo alguns workshops ou apresentações fora do perímetro de moradia da bailarina. Em geral aulas, apresentações em bares, restaurantes são combinadas no boca a boca e tudo avalizado com "palavra de homem". Funciona?
Olha, tem quem reclame, tem quem viva muito bem.

E quando a escola, o bar, o restaurante exige exclusividade? E pior: sem dar a devida recompensa financeira em troca de tal sacrifício para a profissional.

Ah, mas isso não existe na dança do ventre em São Paulo Verinha, nenhum contratante faz isso! Imagina, você está fazendo mau juízo dos contratantes. Estou mesmo? Então experimenta dar aulas na Luxor e na Khan el Khalili ao mesmo tempo pra ver se permanece muito tempo no quadro de professoras. Não dou 15 dias pra qualquer um dos estabelecimentos dispensar os serviços. Isso não acontece só em escola grande, acontece também em bares e restaurantes também (existem boatos sobre o Alibabar, mas ninguém que dança lá abre o verbo).

Nestes casos, a bailaina fica dependente financeiramente de um único estabelecimento (seja ele escola, ou bares, restaurantes e afins), sem condições de aumentar sua carteira de clientes e, consequentemente, valorizar seu trabalho e aumentar sua renda.

De quem é a culpa? Não sei. Pode botar na conta das bailarinas? Não sei também.
O fato é que oferecer exclusividade ao contratante sem cobrar o devido valor por ela é prejuízo para a bailarina na certa. O local que solicita a exclusividade pode até dar boa visibilidade, e trazer um certo retorno em número de alunas, porém, é preciso entender que o contratante não está valorizando seu trabalho enquanto profissional - está valorizando apenas o estabelecimento dele. E, principalmente: qualquer lugar em que você dance e dê aulas poderá trazer retorno em relação ao número de alunas, porque isso depende do seu trabalho de divulgação e do seu desempenho em sala de aula.

Muito se comenta sobre o "valor oferecido pelos serviços", de bailarinas que se sujeitam a dançar por uns trocados, e muito disso é verdade, mas o problema se agrava quando o contratante oferece alguns trocados, e ainda a impede de dançar em outros lugares. E também a escola: quer exclusividade? Transforma a bailarina em trabalhadora CLT (carteira assinada), ou estabeleça em contrato com uma cláusula que garanta à profissional o devido retorno financeiro pelo serviço oferecido.

Não deixe ninguém escolher por você a forma como irá oferecer seus serviços. Você é bailarina, mas acima de tudo, é uma trabalhadora, e deve ter seus direitos respeitados.

Beijos a todas!!!

4 comentários:

  1. Já tentei dançar no Alibabar qdo fui pra SP e a resposta que recebi era de que só dançavam bailarinas contratadas. Ajuda?

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  2. Pois é... Se me der milzão, a "escrusividade" é tua, mermão! hauahuahauhauahuahuahau

    O problema da sociedade capitalista podrona que estamos inseridas, é que as pessoas só pensam no próprio umbigo. "Por que eu tenho que pagar TUDO ISSO pra ela ficar rebolando?". Acredite: o contratante (seja de academia, seja para show) pode até não dizer isso para alguém, mas que é o que o sub consciente dele diz, pode apostar que é sim!!!!
    Também (AINDA) tem o lance da marginalização da dança. A gente acha que depois de tantos anos de marketing aplicado à desmistificação da dança do ventre e tentando levá-la ao posto de "arte" aqui no Ocidente, o povo ainda acha que estamos brincando e que não temos coisa melhor para fazer. Horas e muitos $$ investidos em estudos mandados para o espaço, né?

    Não me senti valorizada em momento algum em todos esses anos:
    - Como professora, a cada aula sempre tem alguém que acha que vai sair dançando na primeira aula e já vai dançar para o marido, como se dança do ventre fosse a coisa mais fútil do universo e significasse sedução instantânea. Nem vou comentar o que pensam os donos de academias/escolas de dança/espaços terapêuticos... A ignorância é uma merda.
    - Como bailarina, os contratantes de shows acham que nós estamos desesperadas ao lado do telefone esperando a fatídica ligação e que dançaríamos até de graça se nos convidassem (pra divulgar!!!). Oi? Acorda, pessoal!!! Minha produção custa caro, logo, minhas performances também!!!
    - Como coreógrafa e líder de grupo, então... É o mais triste... Em muitos festivais, durante a fase de inscrição já se escolhe quem leva o prêmio, ou eu estou falando da realidade de outro planeta? E ai daquela que reclamar de alguma coisa durante o evento... Leva castiguinho! Isso já aconteceu tantas vezes comigo e com meu grupo que, às vezes (muitas vezes, na verdade) tenho vontade de pendurar as sapatilhas... sério. Sorte que temos bons festivais atualmente e não fico mais calada, não... Quando o festival é #fail boto a boca no trombone.

    Se ficarmos caladas, a dança vai ser sempre essa porcaria que sempre foi aqui no Brasil: briguinhas entre escolas e estilos, contratantes que acham que somos mendigas, escolas que te sugam e pagam mal, talentos que se sujeitam a qualquer coisa, pq a vida é assim mesmo...

    Desculpe o comentário imenso, mas ando meio revoltada com a "dança do vento".

    Bjoks

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  3. Cara Vera,

    Infelizmente a nossa realiade aqui no Rio é a mesma. Pior é quando você é contratada num determinado restaurante e alguém se oferece para dançar por menos. Colhemos aquilo que plantamos, nós somos responsáveis quando agimos desta forma. Enquanto não houver um pensamento de unidade enquanto categoria profissional, não haverá respeito. Parabéns pelo post.

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  4. Olá meninas!!

    Hanna, bacana vc postar sua experiência aqui. Conheço várias pessoas que dançam no Alibabar, mas ninguém abre o bico sobre o procedimento.

    Tati: ABALOU NEGA!!! Falou tudo e mais um pouco de forma séria e objetiva. E eu nem tinha mencionado os eventos de dança, vc falou de forma muito correta: tá virando uma panelada, dançou no evento de uma, não pode concorrer no da outra porque vc não vai ganhar. PUTARIA. Ninguém participa de evento como convidada, pagamos inscrição e queremos seriedade.

    Andréa: o pensamento de unidade é tudo, é por isso que aplaudo iniciativas como a Associação Nacional de Danças Árabes - ANDAR, que visa justamente unir forças contra o amadorismo.

    Valeu pela participação gurias!!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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