23 fevereiro 2011

27

"As verdades desagradáveis" - Gilded Serpent

Olá meninas!!

Mais um artigo do Gilded Serpent que resolvi traduzir para vocês, que, na realidade, me chamou a atenção de maneira mais negativa do que positiva. No post anterior, eu quis expor a realidade de contratantes que se colocam em uma posição acima da bailarina e chegam até a cercear as possibilidades de crescimento da bailarina. Em seguida eu leio esse artigo do Gilded Serpent que é um tiro na auto-estima da bailarinada!!!

Em contrapartida, tudo o que é dito, principalmente em relação à estética da bailarina, foi largamente divulgado aqui no Brasil pelo sr. Sabongi. Uma prova de que ele pode até ter umas idéias meio cruéis sobre a imagem da bailarina, mas não está sozinho em seus pensamentos não!

Quero saber a opinião de vocês, se como eu, acharam o artigo cruel e capitalista demais, ou se as autoras estão certas em suas colocações!!

Beijos a todas

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Vamos lá:

As verdades desagradáveis de ser uma profissional
Tradução: Amar el Binnaz


Através dos anos nós aprendemos através da observação e dos erros/acertos o que é preciso para conseguir bons contratos. O que vem a seguir pode não parecer justo para você, mas o negócio do entretenimento não é justo. É uma profissão árdua que envolve dedicação, muito trabalho e muita sorte! Não estamos dizendo essas coisas com maldade, mas para ajudá-la a navegar pelo  às vezes implacável e sempre competitivo mundo do entretenimento! Você precisará endurecer se seus sentimentos são facilmente feridos porque, acredite em nós, eles serão feridos.
Se você quer realmente ser uma professional, em primeiro e principal lugar, você deve entender que não é somente uma bailarina profissional, e sim uma “profissional do entretenimento”.

As pessoas “normais” que contratam uma dançarina do ventre não estão procurando pela bailarina com os melhores isolamentos, a melhor técnica para tocar snujs, os giros mais fluidos. Eles estão procurando por uma imagem, uma “embalagem”. Pense num tubo de creme dental no supermercado. Qual é o tubo que é mais notado? O tubo orgânico/genérico com as letras planas que está no fundo do corredor, ou o tubo na caixa luminosa com letras metálicas e a promessa do novo e do inovador?

 
O público é inconstante, eles geralmente querem um “visual” ou uma “imagem”, e se você quer ser contratada, é melhor se encaixar na imagem que eles desejam.

Há alguns anos atrás, quando Naajidah ainda tocava harpa profissionalmente, uma conhecida sua que era uma hapista nacionalmente conhecida, confidenciou que os trabalhos que ela sempre conseguiu foram os que o cliente estava buscando “uma loira com uma harpa dourada”.  Esta mulher é uma das melhores harpistas do país? Eles se importavam? Na-na-ni-na-não. Eles perguntavam sobre seu repertório? Não! Eles queriam uma loira com uma grande e brilhosa harpa. Claro que eles queriam que ela fosse boa harpista, mas sua primeira e principal condição para oferecer o trabalho era que ela precisava “da aparência”.
O público quer uma imagem – eles querem uma reluzente dançarina, em um lindo, caríssimo e glamouroso figurino, eles querem que você pareça uma modelo. Ah, sim – eles também querem que você dance.

De outro lado, Ashiya é uma bailarina loira em um mercado que está buscando a imagem ocidental da bailarina de cabelos escuros do harém. (Os contratantes) Disseram a ela que ela não era a imagem que estavam buscando para um show particular porque ela é loira e tem os olhos azuis. Difícil de engolir? Claro, mas se você não se encaixa na imagem desejada pelo cliente, você não consegue o trabalho. Então, trabalhe duro e vire a página – você aprenderá rápido que não pode levar isso no pessoal. Aprenda a aceitar que você não será perfeita, e se encaixará perfeitamente em todos os eventos. Eventualmente, Ashiya foi contratada para aquele show porque a garota que se “encaixava perfeitamente” na imagem desejada pelo cliente não era boa bailarina, e depois de ver Ashiya dançar, ela foi contratada para substituir a bailarina. Como dissemos anteriormente: O público é inconstante.

Aqui está uma regra severa e rápida: Quando você está dançando profissionalmente, não é você que dita as regras. Pode não parecer justo com você, mas o cliente está no comando.

Ah, o maravilhoso e glorioso som da música. Aqui é onde vemos várias dançarinas falharem horrivelmente e não entenderem porque não conseguiram o trabalho, ou porque não foram convidadas a retornar ao cliente. O segredo de fidelizar o cliente é dar a eles o que eles querem (dentro dos limites do decoro, é claro!). Você pode amar muito aquela música de 7 minutos com percussão e mizmar, mas prometemos a você que, ao menos que você esteja dançando para outras bailarinas, ou para a comunidade árabe, após os 32 segundos iniciais da música você já perdeu o público. A vasta maioria de nossos potenciais clientes são ocidentais. Eles não entendem música árabe, ela soa estranha, e há uma grande chance das melhores músicas não serem apreciadas por eles. Mantenha as músicas curtas, e mantenha suas performances abaixo dos 5 minutos, a não ser que seja contratada sozinha para um show completo. É muito melhor deixar nos convidados um gostinho de “quero mais”, do que deixar um sentimento de “vamos, acaba logo!”. Ouça a música com “ouvido crítico”. Sua música deve ser gostosa de ouvir para ouvidos leigos, e não para alguém que é escolado nas particularidades da música não ocidental.

O que pode soar normal e calmo para você, pode muito bem parecer horrível para a maioria das pessoas.

Mas não pense também que simplesmente trocar a música para músicas ocidentais é a coisa certa a se fazer. Você é uma dançarina oriental. Se você está se apresentando como uma bailarina oriental, o público aguarda uma música exótica. É um caminho muito fino a vencer: achar uma música que represente a cultura oriental, e ainda assim agradar ao paladar ocidental. Ouça atentamente, ouça muita, mas muita música (esteja preparada para comprar muita música que você nunca vai usar, porque após ouvi-la criticamente, você perceberá que ela não funciona). A triste verdade é que você amar a música não é o critério para selecionar a música das suas performances, digamos, “comerciais”. A exceção, é claro, são workshops, shows e eventos onde outras bailarinas compreenderão a música. Se você deseja receber dinheiro pelo seu trabalho, mantenha firme em sua mente quem é que está lhe pagando. Não importa o que você gosta ou quer, o que importa é o que o cliente quer.

Conheça seu espaço e faça a lição de casa.

E não acaba aí. Faça sua lição de casa! Quem é seu público? Você foi contratada para dançar em um evento beneficente no estilo “Noite no Nilo”? Então é melhor procurar por música egípcia. Foi contratada para um jantar grego na universidade? Novamente: faça sua lição de casa – não é o momento para utilizar a música da sua cantora libanesa favorita. A música grega é a palavra de ordem. Não gosta do estilo de música necessário para o trabalho? Que chato! Acostume-se a ela, aprenda a amá-la ou desista do trabalho. Você prestará um desfavor a si mesma dançando uma música que odeia. Isso estará estampado na sua face, e refletirá negativamente em sua dança, e as chances de você ser contratada novamente são de “poucas” a “nenhuma”.

Esta é uma história real: uma bailarina local, que era novata em um restaurante foi contratada por um restaurante grego para dois shows. Ela foi orientada a usar especificamente música grega. Para o primeiro show ela cumpriu o determinado e foi bem recebida. Para o segundo, ela não cumpriu o determinado (ela disse que queria usar a música que gostava de dançar), e o dono do local literalmente teve um piti no meio do restaurante. Ele gritou com ela sobre a “horrível música libanesa”, e disse a ela para nunca mais “usar esse lixo novamente”. Não é preciso dizer que a bailarina nunca mais dançou naquele restaurante.

Seu trabalho é entreter o público.

Para a maioria dos contratantes, bailarina é cenário. Eles realmente não se importam o quão habilidoso é seu quadril, se os seus movimentos remetem à dança libanesa ou turca. Para a maioria dos donos de restaurantes ou particulares você está, em importância, algo entre a qualidade da comida e a decoração das paredes. Você é uma pequena parte de um grande evento. Nunca se esqueça disso. Seu trabalho é fazer com que os convidados se sintam importantes, que o anfitrião se sinta especial e os clientes se sintam felizes em estarem ali. As pessoas vão lembrar do evento “ah, sim, a comida era ótima, e a sobremesa estava de comer rezando.... ah sim, tinha uma bailarina com uma linda roupa vermelha, com uma espada na cabeça. Nós mencionamos o quanto a sobremesa estava boa?”

Você precisa fazer o seu melhor, você precisa faze-los felizes em contrata-la, mas precisa compreender que eles não estão assistindo aos seus movimentos e algumas vezes estão até ignorando você. Mas não é nada pessoal!

Há vários anos atrás, uma de nossas alunas dançou conosco em um restaurante onde éramos fixas. Ela tinha um belíssimo figurino dourado, e trabalhou em seu solo por meses, esperando estar pronta para sua grande chance. Quando terminou de dançar, estava visivelmente chateada. Durante seu solo, um dos clientes estava celebrando seu aniversário. A mesa do bolo estava bem na frente do palco. Mas, ela esqueceu algo vitalmente importante. O cliente ou convidado, ou qualquer pessoa pagando a conta era a pessoa mais importante ali, não ela. Ela poderia ter transformado a situação: dançaria para o convidado de honra, faria uma graça – “Oh, é seu aniversário, levante-se e dance comigo”, poderia ter enrolado o véu em seu pescoço e ter feito com que ele se sentisse especial. O dono do restaurante iria notar e gostar, acredite. Ele iria notar com certeza. As pessoas iriam lembrar do ótimo trabalho que você fez, fazendo-os se sentirem especiais. É assim que se consegue trabalhos, e não fazendo um shimmy de 120km por hora, nem com perfeitos acentos verticais. Uma dançarina atraente que é boa (não excelente) irá se sobressair a uma bailarina lindíssima, que dança maravilhosamente, se souber fazer os clientes felizes de estarem ali, e fazer do anfitrião feliz em contratá-la. Se você fizer de seus clientes sua primeira prioridade, você não pode estar errada!

Siga mudando! Se você tem um trabalho de mais horas, não use um único tipo de música.

A maioria das pessoas se entedia facilmente. Ao invés de usar uma música longa, não importa o qual maravilhosa ela seja, você estará melhor com duas ou três músicas curtas. Uma música alegre e vibrante para começar o show, uma “semi-clássica” lenta (talvez com o véu), e terminar com algo rápido.

Nós fomos a um restaurante há alguns anos. A dançarina era muito boa, e até levou seu próprio derbackista com ela. Por todo o show, de meia hora, ela dançou com nada mais além da percussão. O derbackista era excelente, e tocou vários ritmos diferentes: Baladi, Cheftitelli, Ayoub, etc. Mas um ocidental comum em um restaurante não sabe a diferença entre um Ayoub e um “Spanikopita”. Eles se entediam facilmente. Claro, use um derbackista porque música ao vivo é sempre um grande diferencial, mas alterne com músicas gravadas se irá fazer um show longo. Então, você pode dançar lindamente o Chiftitelli, pode dançar um solo de percussão tsunami por vários minutos, mas o público não se importa. Eles irão olhar para você, e voltar para seu jantar. Mantenha o show leve, mantenha o show vibrante, alterne, e mantenha a música lenta no mínimo. Pense MTV: luminoso, rápido, em constante mutação. Nosso mundo ocidental está acostumado a pegar e levar de forma muito rápida. Não é um público paciente.

Acredite ou não, ainda assim você precisa ser uma boa dançarina.

Sim, estamos falando diversas outras coisas, mas a mais importante é: se você não pode dançar, você não irá durar muito tempo no negócio. Prática, aperfeiçoamento, workshops, seguir aprendendo, e seguir crescendo. Estamos fazendo isso por anos a fio, e ainda temos aulas e ensaios.

E, finalmente: quanto cobrar pelo serviço?

O preço irá variar de acordo com o local. Nós só podemos dizer do que é padrão onde vivemos aqui no meio-oeste. O que é importante lembrar é: não se desvalorize, mas não faça seu preço fora do mercado também. Isso é vago o suficiente para você? Nosso conselho é: converse com outras dançarinas, verifique quanto elas cobram e defina seu preço apropriadamente. Quando está negociando com um cliente potencial, você precisa ser confiante em seu trabalho para cobrar por ele de forma adequada.

Uma palavra de aviso: NÃO TESOURE OUTRAS DANÇARINAS! Se você é boa o suficiente para se intitular uma bailarina profissional, então você merece o mesmo pagamento de outras dançarinas de sua área.




27 comentários:

  1. Vc ficou surpresa???
    Post perfeito e absolutamente real.

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  2. É que, depois de um tempo no ramo, a gente vira "véia de guerra" e muda os conceitos. Não fiquei surpresa, não.
    Continuo tendo em mente que dança do ventre é para todas: magérrimas somalis, gordinhas, melhor idade, adolescentes (pq não acho que esta seja uma dança para crianças em fase de baby class), enfim... Mas, pensa... O que o público quer ver? Qual o padrão estético atual? Só nos países médio-orientais o padrão é mais cheinho (a mulher tem que encher a cama, como dizia o Tio Ali! hauahuahauhauahau), mas aqui no ocidente, nega, tem que comer muito alface!
    Adorei a parte dos sentimentos frágeis. Não é só modelo magra-somali que leva não na cara!!!!

    Bjs, Verinha!!!

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  3. Então Amar, não achei que as autoras foram cruéis, achei que foram honestas.
    Mas a gente não precisa achar que isso acontece só na dança do ventre, é assim em qualquer dança. Hoje eu estava assistindo aquela competição de dança no sbt e assisti um menino dançando ballet. Pra mim foi lindo, achei que ele passaria, mas aí os jurados falaram que ele tinha errado várias vezes, que o público não perceberia, mas eles por serem jurados percebiam sim.

    Acho que é o que acontece com a dança do ventre. Nunca fui em restaurantes, shows, mas quando assisto uma apresentação de dança do ventre de escolas, amo músicas clássicas longas, passos bem executados, presto mais atenção na bailarina que está dançando melhor do que naquela que está mais bonita ou mais arrumada. Já o público que está ao meu lado acha bonito, se encanta com o visual, mas se entedia e começa a conversar se a música for longa, não vê muita diferença na apresentação da turma do básico pro intermediário, enfim, acho que só distinguem mesmo a professora das alunas. A gente é apaixonada por esse mundo, mas eles não são, pra eles é só um entretenimento.

    Em relação a aparência também acho que é por aí. Mas como a autora frisou, se a moça estiver dentro de um padrão de beleza esperado, mas não dançar bem, vai perder espaço pra outra que esteja em um outro padrão, mas que dance melhor e tenha uma oportunidade por menor que seja de mostrar seu talento.

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  4. Concordo com a Hanna. Se quer ser profissional, adeque-se a necessidade do cliente. Obrigada por compartilhar o artigo.

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  5. Essa infelizmente é a realidade para todos os meios!!! Não só para a dança, Verinha!!!

    Ahn, mas é um ótimo conselho principalmente pra qm é iniciante e ainda esta "deslumbrada"!!!

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  6. né?! eu ja foi muito avacalhada por defender as opiniões do Jorge Sabongi, e só o fiz -e faço - porque concordo com ele quando o assunto é profissional do entretenimento, como ele gosta de dizer. Esse artigo demonstra a tendência do mercado, independente de cruel ou não, é a realidade. Assim como em outros segmentos e empresas, há um perfil desejado. Cabe a nós entendermos isso e escolher qual nicho iremos trabalhar: se pela arte liberta, pelo mercado da dança ou pelo simples prazer de dançar.

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  7. gente, um vídeo que ilustra o tema: do Programa SBT, o barraco do júri com a Bailarina devido ao peso. http://www.youtube.com/watch?v=EwjoFzRFIMI

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  8. Bom, eu como simples aluna e amante da DV sem nenhuma pretensão de me tornar profissional entendo que o texto foi verdadeiro por tratar do público leigo. Principalmente o público masculino pq os homens geralmente vão com aquela idéia da "odalisca", então, quanto mais bonita e enfeitada for a bailarina, melhor pra eles. Já quem tem minimamente uma noção vai saber diferenciar a bailarina BOA da boa bailarina, se é que me fiz entender rsrs...
    beijos

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  9. Cruel é a realidade e não o texto. Do meu ponto de vista, se houver surpresa por parte de alguém que ler esse texto, isso mostra que essa pessoa não está pronta para ser profissional e que a professora dela tem culpa nesse cartório.

    Abraços,

    Lívia

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  10. A realidade tá na cara de todo mundo , bailarinas do meu Brasil , querem dançar só o que tiver vontade .... se inscreve no MP e faz uma mostra , o resto é isso aí mesmo !

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  11. Oi, Vera!
    Primeiramente gostaria de agradecer pela tradução do artigo. Olha, achei o artigo bem realista. Pra profissional que pretende se sustentar através de sua dança, a realidade é essa. Infelizmente, o público geral não tem entendimento da arte e não sabe valorizá-la. Então, acho que a bailarina que quiser ter a satisfação de ter sua arte reconhecida deve se encaminhar pra carreira de professora e focar-se nas apresentações pro público que aprecie a arte e entenda de dança do ventre.

    P.S.: Amei o novo layout, ficou lindo! Parabéns!

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  12. Será? Será que o meio de dança do ventre (leia-se bailarinas e donos de estabelecimentos) não acostumou mal o público por anos e, portanto, hj tem que conviver com essas convenções?
    Eu faço burlesque e, para quem não conhece, envolve tirar a roupa (sim, strip tease). Eu peso 80 quilos. Eu danço atualmente em 4 casas noturnas de São Paulo. Eu tenho shows agendados até maio,todos os fins de semana, em eventos particulares onde o público entende lhufas de burlesque.
    A maior diva do burlesque atualmente não é Dita Von Teese, como muitas podem pensar, mas Dirty Martini, com seus 90 quilos que recheiam um manequim 46/48. Essa moça está no filme vencedor de Cannes em 2010 (fazendo burlesque e atuando), foi capa da Vogue Itália e recentemente ganhou um documentário sobre sua vida.
    Como pode? Pode pq o meio do burlesque nos EUA educou seu público para uma realidade mais verdadeira, onde mulheres tem corpos diferentes e cada uma tem seu atrativo. E todas trabalham muito, posso assegurar isso pra vc.
    Vide meu exemplo... nunca dancei tanto na vida,nunca tive tanto show, nunca recebi cachês tão bons, e nunca me apresentei para públicos tão diversos como atualmente!

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  13. Muito interessante o texto, Vera.
    Eu concordo com muita coisa dita e já vivenciei algumas na pele. Por isto mesmo, hoje eu não trabalho profissionalmente com a dança do ventre pois o aspecto que me atrai é o artístico e não o da bailarina com mercadoria ou entretenimento.
    O que ainda me indigna são profissionais consagrados no meio que unem o slogan "arte da dança do ventre" ao açoite comercial da estética e giros baléticos.
    De toda forma, é sempre questão de escolha. A bailarina pode decidir-se por ser "bem sucedida" ganhando para seu sustento ou "idealista" e, talvez, faltar uma grana aqui ou acolá, vez ou outra.
    A meu ver, o primeiro caso implica em se vender aos padrões, se adequar e sobreviver. No segundo caso, no entanto, você vive o que acredita e faz o que gosta, mesmo que isso implique em não ter o suficiente para se manter.
    Não condeno ninguém, mas quando vejo artistas bem sucedidos como Oswaldo Montenegro e Ney Matogrosso que fazem o que acreditam e que não são o "comum" eu questiono muito este conformismo e adequação.

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  14. Super real...
    É isto mesmo.., nosso cotidiano é assim
    Ex. fui contratada para um casamento e os contratantes me disseram para dançar o mínimo do que eu soubesse, pois ele queria eu estivesse dançando como as convidadas.., para que elas se sentissem a vontade...
    E ditou o que eu poderia fazer...

    É isto mesmo !!!
    Pura realidade..

    Poderia ser diferente.., mas não é...

    beijos

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  15. Oi maga dos pincéis
    O texto postado é real e honesto, além da conta até. Mas mesmo em nosso país podemos ver claramente o que ocorre com a dança. Os bares por exemplo em sp que contratam, seus grupos profissionais.
    A bailarina responde a uma demanda específica para o local, e se não pertencer a este tipo procurado, não terá chance na escala.
    É realidade que a comercialização da dança, traz com ela aspectos com os quais, nós, enquanto sonhadoras não gostamos muito de lidar.
    Por outro lado eu concordo que assim como o ballet tem especificações rígidas que determinam o que denomina uma bailarina clássica de qualidade e em condições de estar em cena em grandes papéis, na dança oriental, também existem alguns limites para determinar o quão longe vai uma bailarina.
    Se optarmos por estar absolutamente fora do mercado comercial, não vamos sofrer absolutamente nada com os padrões estabelecidos pelos donos de estabelecimento, sejam eles quais forem, mas ao entrar no mercado comercial, estamos aceitando o posicionamento enquanto produto ( por mais que isso soe horrível) e enquanto produto, temos regras a seguir se quisermos ter espaço.
    Como pessoalmente eu estou numa situação totalmente diferente, posso dizer que me sinto muito confortável. Não danço em festinha de aniversário, não danço em bares, nem em restaurantes de forma regular.
    Quando me apresento hoje em dia, ou é dentro de minha escola, ou dentro da escola de outras pessoas, além do palco. O público sempre tem pessoas que amam a dança, e portanto, carregam uma qualidade preciosa, que é o que me alimenta.
    Então meninas, para mim a solução é, estudar muito, dançar bem, gostar de gente e compartilhar, e vc estará livre da pior parte, e abracará sómente o melhor que a dança dá!!

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  16. Pois é.
    Conheci essa realidade quando saí de SP, da casa de chá e vim para Piracicaba. Aqui o conceito de dança boa é muuuuito diferente. Temos boas bailarinas aqui, adaptadas tanto ao estilo que faz sucesso entre leigos como aos conhecedores de dança.

    Me adaptei à realidade de Piracicaba e o custo pessoal foi grante:descobri que não gostava de "Dança do Ventre", pelo menos não dessa que paga nossas contas.
    Eu preferi fechar minha escola - depois de 3 anos de relativo sucesso.
    Vejo as tendências citadas no texto atingindo cada vez mais o "mercado acadêmico" da dança do ventre. Foi ruim para mim, mas não considero ruim para a dança. Acredito que estamos evoluindo e nos adaptando às novas realidades. Que venha o futuro.
    Quanto mais espaço a DV conquistar, mais chances teremos de apresentar nosso "special mix" e cativar um público que sente nosssa falta. Algo como " empreendedoras de muito fôlego"!Não podemos deixar de acreditar no nosso trabalho.
    Um dia a hora chega, uma oportunidade. Quem estiver preparada pega seu pedaço. Se vai estar feliz? Aí é uma outra história . . .

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  17. Lady Burly, não concordo com vc. E ficamos muito felizes com sua agenda lotada! Mas compara: qtas profissionais de DV e de burlesque existem atualmente?

    O buslesque está na moda e a galera quer vc coisas diferentes... O clone voltou mas não causou nenhum novo impacto.

    Dançamos semi-nuas, como alguns dizem, mas o fato de vcs tirarem a roupa já é um atrativo a mais.

    Logo, não acho que acostumamos o público com o ruim; a popularização está apenas exigindo mais do que dançarmos semi-nua.

    Ou a Carla Perez é realmente bonita? Ela teve que desviar os olhares...

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  18. O referido artigo é extremamente reducionista e induz quem o lê à conformidade.
    Shaide traz um questionamento: "Será que o meio de dança do ventre (leia-se bailarinas e donos de estabelecimentos) não acostumou mal o público por anos e, portanto, hj tem que conviver com essas convenções?". Super pertinente e penso que um debate sobre isso é mais do que necessário.
    No mais, endosso o que Elaine e Lulu dizem.

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  19. Olá meninas!!!

    Adorei! O post bombou! Que bacana...

    Minha primeira impressão com o artigo foi "minha nossa, ainda bem que meu lance é outro", mas se pensarmos de forma honesta em nossos trabalhos "fora dança", somos também um produto, e quem paga mais e melhor leva.

    Acredito que minha visão sobre dança é apaixonada demais para aceitar o que foi dito no artigo, e nisso, concordo com a Lulu (aliás, Lulu, o André mandou dizer de novo que vc é um fenômeno): estude muito acima da média para poder você fazer seu mercado "particular".

    Não tenho essa visão de que as bailarinas acostumaram mal o público ao venderem a imagem de "deusas gostosas". Quem vende essa imagem são os jornais, as revistas, a TV, a internet, e as bailarinas estão é dançando conforme a música. Concordo com a Hanna quando diz que o número de artistas burlescas no mercado é ainda pequeno demais para qualquer seleção natural: assim que esse mercado se encher de profissionais, bau-bau para quem está fora dos padrões.

    Beijos, muitos beijos a todas, tô adorando.

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  20. parabens pelo post verdae nua e crua, so nao entende quem nunca dançou no mundo arabe, acho que eu saberia ser tão clara! é exatamente isso, e se não guenta vai fazer outra coisa da vida!

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  21. Hanna,

    não disse que vcs acostumaram o publico com o ruim, e sim que o público ficou mal acostumado às regras de mercado. Pq bailarinas de dv tem que ser magrinhas se no Oriente não é igual? Pq esse foi um padrão imposto em terras ocidentais. Se desde sempre fosse vendido ao público que a dança oriental serve à todos os biotipos, eles etariam aceitando isso de bom grado e o mercado seria aberto à todas.

    Se vc ler meu post com atenção vai ver que não falei em mercado brasileiro,que não existe realmente para o burlesque, e sim em mercado nos EUA, onde tem uma burlesca a cada esquina. E lá, independente do biotipo,elas dançam profissionalmente e sao bem pagas por isso. PQ? Pq acostumaram o público com a diversidade! Simples!

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  22. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  23. Apenas para adicionar uma impressão ao comentário da Elaine, tanto Oswaldo Montenegro quanto Ney Matogrosso tem alta qualidade, então , uma vez mais digo, que o que lhe dá o direito de decidir seu caminho, é também em grande parte, o comprometimento que se tem com a qualidade , em todos os sentidos, do que se faz!
    Beijos a todas e bom final de semana!
    Lulu

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  24. Lady quem disse que nao tem que ser magra pra dançar no oriente?
    a seleção é feita por foto e só
    só conta se vc é gostosa ou nao, se sabe dançar descobrem la
    vc deve estar falando das baladys dos casamentos do cairo que dançam por 1 dolar a noite, esse realmente nao e um mercado das extrangeiras, mas nao creio que seja algo que nenhuma profissional almeje tb, nem elas proóprias.
    O lance se chama show bisness não show art
    é a embalagem que vende, o produto dentro é de grandeza secundária.
    agora talvez o ponto seja: vai pro show biss quem quer, se não guenta, não entra.
    o show bizz nao é a única opção

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  25. Concordo com a Shaide: acostumamos nosso público a isso. Tenho uma escola que oferece a contratação de bailarinas. Evidentemente escolhem as bailarinas de estética mais comercial. O que mais me impressiona é que as exigências são altíssimas, mas o contratante acha caro o preço dessas meninas. Uai, mas não queria uma gatona que sabe dançar muito? Então paga o preço pela manutenção da beleza e da qualidade artística. Tô pra escrever sobre isso há tempos.
    Mas há também uma questão que estão esquecendo aqui nas discussões: quem disse que o meio profissional da dança do ventre depende de contratantes? Eu não danço em restaurantes e festas, mas sou profissional sim. Estou acima do peso e dou aulas, me apresento em chás e sobre o palco nos espetáculos de dança, onde se espera ver, evidentemente, arte.
    Não vamos reduzir nossa dança ao restaurante, minha gente. A dança do ventre é bem maior do que a perspectiva limitante do contratante.
    Beijo,
    Ro Salgueiro

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  26. ROBERTA MAS esse texto esta falando justamente do "show biSs", da dv em restaurantes, cabares, boates, casas noturnas e lugares " glamurizados" e até esteriotipados, estes não são as unicas opções, entra nesse tipo de mercado quem quer, e ele tem suas exigencias, a aparencia é a principal delas, a aparencia custa caro, por isso o preço, por isso no oriente querem extrangeiras, pq pra nos o mercado de beleza custa muito mais barato que pras locais, onde tratamento estético é um luxo exorbitante, por isso o preço cobrado pelas meninas da kk, não só pela qualidade artística mas por todo o investimento financeiro na questão estética, não entendi em nenhuma parte do texto que ele tenha dito que fora do show biss nao se é profissional, se é sim, mas com outros tipos de exigencias, exisgencias essas que o texto nao trata

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  27. Eu consigo compreender o ponto de vista do texto, mas não acho que essa visão é 100% (aliás, nada é 100%) e, mais cedo ou mais tarde, o talento se sobressai a isso tudo.
    Inclusive, acho que esse tipo de visão não se aplica só a DV. Eu amo DV e danço porque gosto, mas profissionalmente sou advogada e senti na pele algo muito parecido com isso. Me formei aos 24 anos e, na época, aparentava ter menos idade do que realmente tinha e isso me causou severos transtornos (cheguei a ficar mais de ano desempregada). Quando vc pensa num advogado qual a imagem que tem vem na cabeça? Primeiramente sempre vem de um homem, se vem de uma mulher essa imagem é e uma pessoa mais velha (advocacia lembra experiência). Resumindo: sofri muito de início mas nunca me esqueço das pessoas que confiaram em mim além da aparência (e olha que tenho certeza que ficaram satisfeitas com o trabalho). Hoje, conto com mais de 12 anos de experiência e estou trablhando num lugar e fazendo o que adoro. Infelizmente o mundo é injusto mesmo, mas nem por isso devemos desistir, pois talento e persistência podem destruir qualquer barreira!
    Bailarinas talentosas uni-vos.
    Bjs

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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