02 novembro 2010

15

Respeitando a vontade da aluna



Vamos começar o post pensando nas pessoas que iniciam sua carreira profissional trabalhando em lojas. Ela começa como vendedora, e tem contato diário com seus clientes. Todos os dias ela ouve suas opiniões sobre produtos, sobre a loja, elogios, reclamações, e trabalha para que o cliente esteja sempre satisfeito, afinal, é disso que depende seu salário.


Daí ela é promovida a gerente. O seu convívio com os clientes já não é tão intenso, se resume à situações exporádicas que servem para classificar o atendimento. Sua função é coordenar a equipe, definir estratégias de venda, gerenciar conflitos.


Ela fica 10 anos nessa função. Daí um belo dia, um gerente regional diz a ela que, para seguir em frente, ela tem que definir com precisão "o que o cliente realmente quer".  Depois de 10 anos sem contato com o cliente, sem "pensar" como cliente, será que ela consegue?
***********
Quando houve aqui no blog o post "Conciliando Interesses" houve um movimento bem claro das leitoras do blog: quem é, como também eu sou "aluna", defendia que se conciliasse interesses. E a Paty Noce resumiu tudo isso:


Nossa, agora que li todos os comentários é que percebi que no geral as alunas concordam com a visão exposta no post.... e as professoras no geral discordam..... interessante não ?..... ;) porque será que isso acontece? será que as professoras sabem mesmo o que nós alunas queremos e precisamos ? ;)


************
Essa pergunta merece um caminhão de posts de discussão. E assumo que a resposta está bem mais para o ramo "individual" do que "coletivo". Vou colocar aqui a minha visão.


É difícil definir quanto temos permanecemos como "alunas" em dança do ventre. No meu caso, estou nisso há quase 7 anos, e em todo esse período eu fui aluna. Por 3 anos fui somente aluna, e por 4 anos sou professora E aluna. Assim sendo, 1 vez por semana, eu estou lá na pele da aluna, por vezes feliz, por vezes cansada, por vezes admirada, por vezes insatisfeita. E isso me mantém próxima dos sentimentos das minhas alunas.


Me permite entender, por exemplo, que duas alunas são indivíduos e podem merecer tratamento diferenciado. E quando eu digo tratamento "diferenciado" não é o tratamento "melhor" para uma e "pior" para outra, é seguir um padrão de ensino que consiga deixar as duas satisfeitas, felizes, e sentindo que fizeram valer seu rico dinheirinho quando do pagamento da mensalidade.


Pense em uma turma única. Uma aula, sei lá, de giros e arabesques (minha maior dificuldade). A professora tem o objetivo de limpar o movimento, melhorar a altura dos arabesques e a direção dos giros. É enérgica e não dá moleza para nosso pobre corpinho. No final da aula, tem gente que consegue, tem gente que não consegue. Independente do resultado da aluna, certamente haverá quem pense "Putz, que da hora, tô morta, cheia de bolha no pé mas valeu a pena!!", e também haverá quem pense "Meu, eu vim para esta aula para desestressar, mas parece que eu me estresso ainda mais com tanta cobrança!". 


Se a professora assume uma postura enérgica "sem moleza" vai parecer chata para algumas, se assumir uma postura permissiva em sala de aula, e prosseguir com os movimentos independente do resultado no corpo da aluna, vai parecer "chata" para outras. No final a professora é "chata" de todo jeito? Peraí, não é MUITO mais fácil dividir as turmas?


Foi por isso que coloquei o exemplo da vendedora no início do post. Tem MUITA professora de dança do ventre por aí que, ao assumir o título "sou professora, me respeite", nunca mais pisa em uma sala de aula como aluna, a não ser em um workshop internacional, quando certamente vai dividir a sala de aula com outras muitas professoras. E, sem "achismos", matemática pura: a cada ano que passa ela vai ficando mais distante da visão da aluna. 


Não existe fórmula mágica nesse caso. Temos uma tradição educacional que coloca o professor em uma condição de quase sacerdote - quem nunca ouviu a expressão "Ser professor é um sacerdócio"? O professor, ou professora, sabe tudo, entende tudo, do corpo, da vida, da alma, e não precisa voltar para a sala de aula para, em primeiro lugar, entender do que precisa a aluna, e em segundo lugar, para se reciclar.


Mas existe insatisfação de MUITA gente sim, e seria ignorante fechar nossos olhos para tal.


Se você é professora, já parou para pensar nisso? Será que seu método de ensino está realmente atendendo aos desejos de sua aluna?


Beijos a todas e bom feriado.

15 comentários:

  1. Oi Verinha, de uma forma bem simplista poderíamos dizer que a professora que tem alunas matriculadas em sua aula encontra quem aprove seu trabalho e a forma como o conduz, exatamente como a vendedora que mantem seus clientes fidelizados.
    A "seleção natural" diz tudo sobre quem pensa ou não em suas alunas.
    Mas o fato é, não dá para agradar a todo mundo e se você conduzir seu trabalho pensando no outro ou ficará louca ou abandonará a profissão. Assertividade é fundamental em qualquer área!
    Nos anos que dediquei ao estido e ensino da dança do ventre, encontrei muitas alunas e amigas insatisfeitas, mas pouquíssimas fizeram algo além disso: reclamar. Esse vício danado está incrustado na vida das pessoas, reclamam, resmungam, mas não tomam nenhuma atitude, não assumem as rédeas de nada.

    ResponderExcluir
  2. tenso!
    quem gosta fica, quem não gosta sai. é só isso que consigo pensar. que maravilhoso seria se pudéssemos atender a todas as demandas, é meu sonho.mas ainda não consegui. achei teu post phoda, muito bom de pensar e repensar. beijo grande!

    ResponderExcluir
  3. Que legal você ter voltado a falar desse assunto. Na época do post, lembro que fiz um comentário dando a minha opinião como aluna e quando voltei pra conferir a discussão, já tinha rolado o desentendimento e o post já tinha sido apagado. Fiquei até curiosa pra saber porque um post como aquele havia mexido tanto com as pessoas e pra saber a opinião das professoras do meio, que pelo jeito discordaram de você e entender o porquê disso, se tivesse como você me passar, eu agradeceria, porque como aluna que já saiu de algumas aulas exatamente por não me sentir satisfeita, é um assunto que me interessa...

    Abçs Verinha e adoro seu blog! Principalmente pela coragem de expor o que pensa, sem se colocar como dona absoluta da verdade e como alguém arrogante, como vi uma professora de certo blog fazendo. Até parei de seguir o blog, de tão desanimada que fiquei.
    Engraçado que ela se colocando como dona absoluta da verdade, falando que tem não sei quantas décadas de experiência em danças... Ué, mas se ela tem tanto tempo e não tem destaque, não seria o caso de tal moça ser mais humilde e parar pra pensar que talvez o que ela acha que seja o mais certo, não seja?
    Experiência é mesmo importante, mas talvez não valha nada se a pessoa comete os mesmos erros há séculos sem aprender com eles. Se experiência fosse tudo, todas as pessoas mais velhas seriam sábias e especialistas em alguma coisa e infelizmente não é o caso. Acho que sabe mais e aprende mais quem se questiona sempre, não tenta empurrar goela abaixo dos outros que só ela é que sabe e pronto.

    ResponderExcluir
  4. Oi meninas!!!

    Elaine:
    Entendo que é difícil chegar na professora e criticar seu método de ensino. Muita aluna não faz nada justamente por vergonha. Qual é a única "arma" para lugar contra a insatisfação? É sair da escola e procurar outra. Quando se é, por exemplo, uma Lulu Sabongi da vida, uma a mais, uma a menos, não faz falta. Mas se você tem uma escola pequena, com poucas alunas, uma que sai faz falta no orçamento.


    Lu lindona!!
    Cê falou tudo: quem gosta fica, quem não gosta sai. Mas, cutucando mais um pouco: precisa realmente ser assim? Sei lá, mil coisas...
    Vc colocou um post sobre o livro do Jorge no seu blog, o meu eu vou pegar amanhã, mas quem já leu jura que minha idéia é 100% "jorgesabongística" sem a ironia da palavra...

    Laurinha.
    Menina, adorei seu blog. Me perdoe a cara de pau de vc comentar há tanto tempo no meu blog e eu só visitar o seu hoje. Mas ADOREI! De verdade.

    Então, eu tenho o texto e os comentários guardados comigo, me manda um e-mail que te mando tudo.

    ResponderExcluir
  5. Oiiiiiiiiiiii Adorei seu novo post para um velho assunto.
    Eu tenho a convicção de que muitas, mas não todas, professoras de fato não sabem identificar o que as alunas querem ou precisam dentro da aula de DV.

    Acho que vale a pena tentar conhecer ao máximo suas alunas para entendê-las. Mas muitas professoras se colocam em um pedestal de 'MESTRAS' e o povo que se vire, se gostar gostou...

    Na verdade acaba entrando em foco qual o objetivo da sua escola.

    Tem escola para formar clones, tem escola para arrancar dinheiro, tem escola para vencer concursos e prêmios, enfim...

    Cabe a aluna também desenvolver essa sensibilidade de sacar qual é o perfil da escola e como será o seu relacionamento com sua professora. Além disso, o diálogo é o melhor negócio!

    ResponderExcluir
  6. Mais uma vez amei o post e concordo em genero, numero e grau

    Muitos beijos

    ResponderExcluir
  7. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  8. Nossa num sabia q aquele post tinha dado tanto bafafa, q pena q vc retirou, pois eu adoraria ver todas as opniões !
    Uma coisa é certa, é impossível agradar a todas, mas, acredito q toda professora têm q se esforçar ao máximo prá isso, e sinceramente hj em dia sou bem a favor das divisões na turma, pq é um saco vc estar lá se esforçando e ver sua professora mais preocupada batendo papo com algumas alunas q só estão lá para curtir !
    Infelizmente aqui na minha cidade só têm uma escola de DV, pq se fosse o contrário, eu já teria feito como nossa colega Lory e procurado outra escola.
    Mais, uma vez parabéns pelo post !
    Bjks !

    ResponderExcluir
  9. Interessante o post. Vou expôr um pouco o meu modo de aprender a dança.

    Faz 03 anos e meio que aprendo dança com a mesma professora e não penso em mudar. Posso dizer que, além de uma pessoa magnífica, ela cultiva profundo respeito pelo tempo e limite das alunas, sabe valorizar quando existe evolução e põe-se ao lado daquelas que têm maior dificuldade.

    Não existe divisão entre "iniciante", "intermediário" e "avançado", inclusive ela já trabalhou dessa maneira e disse que não é algo que lhe agrada. Assim, apesar de eu já ter bastante tempo em dança, sempre que preciso dividir tempo e espaço com alguém novo eu relembro e refaço os passos básicos, sempre limpando e melhorando, porque sempre tem algo a mais pra aprender, ainda que seja algo que já foi visto.

    As turmas não são grandes e a rotatividade de alunas é constante. Mas também não existe pressão, a frequência de apresentações é baixa (pra mim é ótimo, pois não gosto de apresentações, rsrs) e o aprendizado é bem mais livre.

    Sei que muita gente da área desaprova esse modo de ensinar e aprender a dança, principalmente porque me considero "atrasada" perante muitas outras que estão no ramo até há menos tempo que eu. Mas eu não me importo, tenho ciência e convicção de meus objetivos e não abro mão. Justamente porque me faz bem.

    Beijinhos!

    ResponderExcluir
  10. Hi girls...

    Oi Má.

    Os comentários no post não foram NADA perto do sensacionalismo que se gerou em alguns blogs. Retirei porque tem gente que quer, em dois dias, neutralizar todo o trabalho desenvolvido em dois anos de blog. Aí não né?

    Concordo com vc que a professora deve se esforçar ao máximo para agradar a aluna. Até porque, no sistema de pagamento das escolas de hoje, a maioria fazendo "pacotes" e retendo cheques, muitas vezes a gente fica "presa".

    Giovana,

    Então, eu conheço várias profissionais que trabalham nesse esquema que você mencionou, uma das que mais admiro, a Michelli Nahid, trabalha assim. Eu fiz aulas assim por 1 ano e meio, e, sinceramente, não gostei. Não posso deixar de admitir que revisitar várias coisas me permitiu "limpá-las" um pouco mais, porém eu gosto de estilo Hitler dentro de sala de aula, e este tipo de aulas acaba sendo bem mais light.

    ResponderExcluir
  11. Sobre seu comentário no meu blog: Vc Merece sim,todos os elogios kkkkk! Acho que todo mundo passa por uma dessas uma vez na vida né? Mas no fim das contas, só no faz crescer esse tipo de experiência! Veja vc, utilizou esse tipo de lição da vida pra criar esse canal maravilhoso de comunicação... onde conheci e conheço a cada dia pessoas maravilhosas... e esse seu trabalho de formiguinha dá muito certo, pode crer!

    ResponderExcluir
  12. Oi Lory, concorco quando diz que "quem quer agradar todo mundo, acaba não agradando ninguém".
    E meu ponto de vista independe da escola ser grande ou não. Financeiramente, uma aluna sair da escola da Lulu pode não ter grande impacto, mas professoras como ela sentem a ausência de cada aluna porque vislumbram além do dinheiro e isso faz a diferença para uma aluna, ser mais do que um cifrão...
    De toda forma, resumindo, acho que o raciocínio que você aplicou no texto que escreveu na Shimmie (falando sobre blog) é exatamente o que eu adaptaria para o raciocínio das aulas de dança do ventre: "Se alguém não gosta do que você escreveu, é ele quem não deve voltar para ler seu blog, e não você a mudar o estilo de escrever e expressar suas ideias".
    No mais, que bom que cada uma de nós pode ter sua opinião e expressá-la sem a pretensão de formar a opinião de ninguém, não é mesmo?
    bjocas para todas

    PS. Sobre a discussão do outro post que você exclui, se me permite um pitaco, ou enterra aquele assunto ou ressucita ele logo de uma vez. Fica muito chato essa questão de compartilhar com algumas leitoras ou publicar partes do que foi dito.
    Eu li tudo e não vi razão nenhuma para sair do ar, eram opiniões diversas e houve apelação de ambos os lados, pegando o lado mais sensível de cada um e, talvez, isso sim poderia ser retirado pois nada acrescenta.

    ResponderExcluir
  13. Oi Elaine...

    Se achar necessário desenterrar o assunto de vez, eu desenterro. Não hoje, não quero gastar meu Renew com isso.

    O que eu disse na Revista Shimmie, repito e reafirmo: quem não gosta que não volte. Mas tem muita gente que vem aqui como se fosse a sala de sua casa, vomitar suas verdades e experiências, e achando isso o máximo. Quando deveria ler, torcer o nariz, colocar as suas ironias em seu próprio blog e não voltar mais.

    Vomito não é bonito em nenhum lugar, de qualquer jeito!!

    Whatevers...

    ResponderExcluir
  14. OLha... como uma nova estudante de psicopedagogia, conciliar as necessidades dos alunos com a necessidades do aprendizado e conteúdo é um caminho árduo.
    É o correto e o que deve ser buscado. Tem muitos professores por ai, não só na dança, que não proporciona o real aprendizado e fica repetindo a mesma tecla e só enxerga o próprio umbigo.
    Imagina isso na dança do ventre onde os EGOS falam muito alto?!
    Professora que se preze é a aquela que se coloca no lugar das alunas, que cria uma metodologia e programas que ensinem de verdade, e durante as aulas procurar conciliar todos os gostos.

    Ser professor não é fácil!! Não apenas o de dança viu?!

    E como cada pessoa é única, é impossível agradar a tds sempre, o ideal é ver de modo geral e se estão aprendendo com essa professora e nessa escola...

    em fim, trabalhar com seres humanos é uma dura tarefa!

    ResponderExcluir

Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...