05 agosto 2010

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Precisa-se de bailarina ARTISTA!!


"Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era,
Para cantar nada era longe, e tudo tão bom,
Era estrada de terra, era boléia de caminhão, é assim

Com a roupa encharcada e alma repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se foi assim, assim será
Cantando me desfaço e não me canso de viver, nem de cantar!"
(Milton Nascimento - Nos bailes da vida)

Essa poesia tem TUDO a ver com nosso dia-a-dia de bailarinas, porque somos ARTISTAS, antes e acima de tudo. Nossa missão é ENCANTAR as pessoas, trazer ALEGRIA, dar ao nosso público um momento de fuga de sua realidade tão difícil e transportá-los a um mundo mágico onde tudo é lindo e perfeito.

E isso amigas, não é só técnica.

Estamos passando por um momento em dança do ventre, onde o mais importante é estar correto e assumir um estilo, seja ele egípcio, ou libanês, ou argentino, ou da casa de chá. Existem muitas preocupações em nossa dança: ela tem que ser fluida, tem que ter leitura percussiva impecável, tem que prestar homenagem ao ballet clássico, tem que usar véu, tem que dar tapinha da Saida, tem que ter chute, e é tanta coisa pra se lembrar que com tanto pré requisito, não dá pra lembrar que a dança tem que ter "ALMA" também. É aí habibas que nos furtamos ser ARTISTAS.



Esta dança da Lulu me marcou justamente pelo que citei acima. É uma dança muito bonita. Não dá pra canetar nada: fluidez, correção nos passos, presença cênica, figurino impecável. A impressão que me dá é que ela se perdeu em seu "excesso de correção", e esqueceu do seu toque de fada que é justamente a intensidade, a expressão.



Esta é outra bailarina que estudo única e exclusivamente pela correção dos passos, mas se tem alguém para quem a Malak dança, esse alguém é ela mesma. Observem no vídeo que em DIVERSAS VEZES ela olha para o espelho. Acaba sendo uma dança que você olha, acha lindo, aplaude e quando pisa fora do espaço já não se lembra mais.

Acredito que é por isso que amamos tanto a Fifi Abdo. Fifi é artista, e seu compromisso é com o entretenimento. Como é lindo ver isso. É pura doação ao seu público, uma verdadeira aula de expressão do artista. Há quem diga que é "muito" e é "exagerado", mas isso é uma característica do seu povo! A dança de Fifi nos marca, e a gente sai pensando "puxa vida, como é bacana essa dança".

De verdade? É assim que eu quero ser quando crescer!



Beijos

7 comentários:

  1. Menina, muito providencial esse seu post! Ontem fui visitar a escola de dança da minha amiga, com a qual já fiz aula também, e ela disse que aprendeu com o Jorge Sabongi que o sentimento é mais importante que a coreografia que você vai montar, pois se você joga a sua alma na dança, os passos saem naturalmente. Aí ela fez uma atividade com as alunas, e eu fui de gaiata, porque gosto de desafios: olhos fechados, taqsim, tínhamos que dançar os 5 min da música de olhos fechados. Cara, que loucura! Eu fiquei tão absorta, que eu não conseguia tirar o pé do chão pq não sabia onde era o chão, onde começava ou terminava o espaço que eu estava, da mesma forma as outras meninas embarcaram totalmente na música. Quando terminou, a minha amiga professora estava chorando! Foi algo muito incrível, porque algumas meninas que não conseguiam dançar "de forma séria" se revelaram nessa hora! Acho realmente que construir esse sentimento com a música, essa conexão da alma com os acordes é fundamental para que a nossa dança toque o público profundamente.

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  2. Eu gostei do post e concordo que muitas vezes as bailarinas estão tão preocupadas com outras qualidades na dança que esquecem do sentimento. Eu ainda estou em fase de aprendizado na dança e cada vez mais vejo que não é fácil... São tantos os "ingredientes" (leitura musical, técnica, originalidade, expressão, etc) pra se preocupar, ainda mais na fase de aprendizado onde, além de tudo, tem que se controlar o nervosismo e a ansiedade, que a gente acaba esquecendo de sentir a música, de se jogar. Bem, mas aqui você fala de um nível profissional, não é...
    Só gostaria de comentar que acho que não há como dizer que exista um "estilo casa de chá". Imagino que você tenha se referido a KK, mas acho que todas lá tem seu estilo próprio e dançam bem diferente uma das outras... Munira, Elis, Kahina, Aysha, Suellem, Malak, Ju Marconato, Nur, Nesrine, Aziza, Jade, etc, cada uma tem seu estilo.

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  3. Oi Mel!

    Quando faço alusão ao "Estilo KK" é falando mesmo das meninas que estão se preparando para a pré seleção, e querendo ou não, é necessário assumir um certo estilo para dançar na casa que eu gosto de chamar estilo KK.

    Óbvio que as MAIORES que são as citadas por você conseguiram se sair do estilo KK e desenvolver um estilo próprio, mas você citou 9 bailarinas, todas elas dançam na casa há mais de 5 anos e a maioria delas dança na casa há 10 mais de 10 anos. Quantas bailarinas são selecionadas anualmente? Mais de 20todo ano COM CERTEZA, mas justamente por caírem no "Feitiço" do estilo KK acabam por tornar-se só "mais uma".

    Atenção: Quando digo "Feitiço" estou fazendo alusão ao livro "O Feitiço das Organizações - Sistemas Imaginários", livro fantástico da Maria Aparecida Rhein o qual fiz um estudo de caso na faculdade.

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  4. Hummm... Agora entendi o que quis dizer, Amar!
    Esse livro parece interessante, vou procurá-lo ;)

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  5. ah Verinha, vc recebeu meu e-mail sobre hospedagem?

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  6. Vc sab que já fui m,ais estressada com a técnica? e já faz um tempao que qdo subo aos palcos, eu quero é ME DIVERTIR rs.. nao é a toa que eu curto mto shaabi (veja no youtube!) o negocio é ser feliz !! rs.. bjokass

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  7. Olá Fiz aulas por pouco tempo com a Malak, mas o suficiente para ficar marcado na minha memoria,ela é otima, pena que nem sempre conseguir seguir todos os movimentos....um dia eu chego lá...

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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