01 julho 2010

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Professora, orientadora, coach ou o que?


Olá habibas!!!

Intervalo no nosso acompanhamento da Copa, GRACIA DIO!!!!!!!!!!!!!

Às vezes fico me perguntando qual é o verdadeiro papel de uma professora de dança do ventre na vida da aluna. Obviamente que um grande tempo do professor é tomado pela transmissão do conhecimento, mas o professor de dança (acredito que não só de dança do ventre, mas de qualquer tipo de dança) assume também um papel de orientador e coach, e deve desenvolver essas áreas tanto quanto o desenvolvimento técnico na dança.

Sábado participei de uma festinha, convidada por uma colega de trabalho que iria ser "batizada". Muito embora eu ache esse lance de bastismo bastante questionável, não pude deixar de dar meu incentivo para a colega, afinal, quem entra na aula de dança do ventre para "desestressar" e consegue permanecer por 6 meses ininterruptos tem que ser celebrada, não é mesmo?

Minha coleguinha dançou uma música do Hakim, muito bonitinha. Outra mocinha dançou outra música modernex, de frases bem simples. E eis que entra a terceira. E começa a tocar "Raks Bedeya". Vc não sabe que música é Raks Bedeya? É essa aqui ó:



Essa música é uma música ultra clássica créw velocidade 4,5. Não pude deixar de me perguntar: será que dá pra entregar uma música dessa pra uma aluna iniciante, para apresentar em uma festinha onde vai ter público de fora? Improvisação, tem certeza?
Fiquei olhando a aluna, que "do meio pro fim" só tremia, e tremia e tremia, e giro e fim. A música foi cortada pra uns 4 minutos, mas nem a Soraia Zaied consegue minha atenção com mais de dois minutos de tremido. A atenção do público dispersou muito, e a aluna quase não foi aplaudida.

Tudo bem, podem me cornetar. "Pô Verinha, que preconceito, se a aluna quer dançar uma música clássica, vamos incentival, afinal, é difícil uma iniciante que dê o valor que a música clássica merece". Concordo em gênero, número, grau e circunstância. É aí que entra a parte "orientação" e "coaching". Se a aluna quer dançar uma música clássica, ÓOOOOOOOOTEMO! Eu mesma não me importo se ela dançar pra eu dar meu pitaco em TODAS as aulas, por pelo menos uns 2 meses. Razoável, são apenas 8 ensaios. Colocar uma música de dificuldade alta, pra aluna improvisar na frente de qualquer público, sinto muito, não acho correto.

O desenvolvimento do solo deve ser acompanhado, mesmo que improvisado. Na minha forma de trabalho, eu trato esta questão em etapas:

1. Psicológica: Aluna querida, você quer de verdade dançar este solo? Porque a vontade traz a preparação, mas preparação sem vontade é UÓ da requenguela.

2. Planejamento: Ok, decisão tomada, vamos pensar nas possibilidades. Qual é o "tamanho" do conhecimento da aluna? A partir daí, a professora é quem deve pensar em algumas opções - se shaabi, se baladi, se moderna, se clássica... gravar um CD, entregar para a aluninha.

3. Troca de idéias: Juntas aluna e professora vão colocando suas opiniões. Claro que no começo fica bem monólogo da professora, mas à medida que isso vai se tornando um costume, a aluna vai se soltando e emitindo também seus pareceres. "Ah, essa tem as batidas e trocas mais claras", "ah, essa tocou mais meu coração", "ai, essa levanta a galera", e por aí vai. É uma situação sem surpresas para a professora, que já havia escolhido músicas que julgava serem "possíveis" para a aluna.

4. Orientação: Escolhida a música, é hora de monitorar e orientar a criatividade da aluna. Nas primeiras junções de passos, obviamente que um ou outro passo fique prejudicado na execução, daí então é preciso orientar a perfeita execução sem tolher a criatividade da aluna.

Nas próximas apresentações, a professora ao invés de escolher as músicas, pode determinar estilos, ritmos, e deixar que a pesquisa fique à cargo da aluna. Mas a aluna deverá trazer suas escolhas para a sala de aula, para que o debate de idéias aconteça.

É por isso também que a avaliação em sala de aula é tão importante. Porque é nessa oportunidade que você vai deixar a escolha 100% a cargo da aluna, porém é só uma pessoa que vai assistir, você, e é através do feedback dado que ela vai adquirir mais segurança pra escolher as próximas músicas.

Beijos a todas e sorte para o Brasil e para Kahina amanhã hein!!! Embate duro e de qualidade: Kahina x Michelli Nahid!

5 comentários:

  1. Ler este teu post me deu um arrepiozinho e uma certa nostalgia!!!

    Meu primeiro solo foi exatamente com esta musica, mas posso assinar embaixo o que vc diz pq primeiro, eu apresentei ele depois de quase dois anos de dança (não 6 meses onde o nosso repertorio é quase nulo) e tbém pelo fato de eu ter mostrado ele pra minha prof durante quase 6 meses todo fim de aula, pra ir fazerndo correções!!!

    Acho que o grande problema é que hj em dia todo mundo se diz "professora de dança", mas esquece q a maior rersponsabilidade de ensinar, é fazer o aluno ter a segurança de "fazer sozinho com excelencia". Aliás, pelo contrario o que vejo hj em dia é professoras que não formam alunas capazes de "Criar" sozinhas, mas professoas que criam seres dependentes, que colocam um cabresto e acham que tudo que é diferente do que as "mestras" delas fazem é errado ou feio!!!

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  2. Verinha, to contigo e não abro, rs. Professora é também educadora. Isso inclui segurança, confiança, conhecimento e, só depois, autonomia. É preciso orientar, sempre. Dizer 'você ainda não está pronta' mais do que um ato de profissionalismo da professora, é um ato de respeito ao desenvolvimento da aluna. Eu ja fui pega de surpresa nas Noites Arabes, meu evento mensal em que alunas dançam e foi minha falha. ela levou uma musica enormeee. Depois que acabou, eu me desculpei porque não havia orientado. Hoje, temos até um manual, que indica a duração das musicas, as escolhas pessoais, as nuances de cada ritmo. Nós filmamos as apresentações e depois assistimos juntas para correções. A platéia sabe que é um evento informal para estudos e todas saem ganhando. Tudo tem sua hora. E na dança, se tem uma coisa que a gente não pode ter é pressa. teu post pode ajudar futuros eventos.
    :)

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  3. A minha área de ensino não é dança, mas acho que assim como uma pessoa que produz um texto, precisa se preocupar com seu leitor, a dançarina que dança pra uma platéia, tem que levá-la em consideração também.
    Quando uma pessoa dança em público, ela não está dançando só pra ela, está dançando para os outros também, que estão ali dando apoio, dando atenção.

    Abçs

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  4. Oi Verinha!!! Então, adoro os post da Copa e acompanho, mas estava com saudade dos posts só de dança...
    Enfim, é dificil essa preparação das alunas, para o "não está pronta", muitas também querem ser lindas, "dar uma dançadinha" principalmente nesse começo, acham que tudo dá muito trabalho... mas, enfim, falando de alunas CONSCIENTES... somos técnicas sim das meninas, sempre levantei a bandeira do "faça você mesma" e garanto que, o caminho é mais longo, dá muuuuito mais trabalho, mas o resultado é compensandor!!!
    Beijoooooo e saudade viu?

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  5. Baby, concordo integralmente com vc. Fico triste quando vejo as prós deixando as pupilas pagarem mico...

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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