26 julho 2010

15

Do “cabresto” pensar do mundo bellydance


Olá habibas!!!

Foi divertido ver o frisson que causou o vídeo da Amara Saadeh em sua última apresentação no festival do Egito. Ah, você não sabe do que estou falando? Peraí. Se você quiser pular a parte "clássica" do assunto, vá direto aos 2 minutos finais do vídeo:
Então, a guria finalizou com “Rebolation-shon, rebolaaaation”. Teve gente que amou. Teve gente que odiou muito mesmo. Temos o direito a gostar ou não, mas será que temos direito a julgar?


O Vídeo foi retirado a pedido da própria bailarina Amara Saadeh.

Quero reiterar que não concordo com este tipo de posicionamento: postou no youtube e deixou a opção de incorporação, mas não quer que o vídeo "cause polêmica".

Não seria o caso de não ter postado o vídeo in the first place?
Mas o link tá aqui ó:
http://www.youtube.com/watch?v=UOBJV8eznrM

Pensando neste vídeo, lembrei da salada mista que virou a dança do ventre de hoje. Tem bellytango, mazij bellydance, tribal fusion, gothic bellydance, isso só falando em dança, sem contar com as mais diversas modalidades de ensino que vemos por aí. Por que somos tolerantes com Carlos Gardel, Dead can dance, Loreena McKennitt? Somos EXTREMAMENTE TOLERANTES, e até achamos bonito quando sr. Jorge Sabongi promove noites do além "Do brega", "Dos filmes", "Do rock", "Do carnaval", "Da festa junina"... Já que é assim com todo mundo, por que não somos tão tolerantes assim com o Parangolé?

Em sua entrevista ao Fantástico, Soraia Zaied disse ao Zeca Camargo que sua dança fez a diferença no Egito porque ela começou a misturar com samba, axé, funk... Faça um exercício mental: como se treina dança do ventre misturado com samba? Estudando samba, vendo apresentações, e tentando tirar o melhor dos dois ritmos. Assim também com o Axé. Aliás, a Soraia leva seu intuito de misturar dança do ventre com Axé MUITO A SÉRIO no solo de derbak abaixo:




ATIRE A PRIMEIRA PEDRA a professora de dança do ventre que NUNCA teve que fazer uma alusão a um dos passos de axé vistos na televisão para fazer uma aluna se familiarizar com o movimento do camelo, por exemplo!!!!!!!! É coleeegas... acontece. Atire a primeira pedra quem nunca falou “Ondulação lateral? Então, sabe aquele movimento que o pessoal dança naquela música “Onda, onda, olha a onda?, Então, é parecido, só que com as pernas mais fechadas, blá, blá, blá”. Na maior inocência, sem alardear! Já ensinou a aluna a fazer associação com o Axé para entender melhor de dança do ventre.

Felizmente, nossas manifestações culturais são admiradas no mundo inteiro. No post do ventre vida, a Lu Arruda mencionou que durante sua viagem à Índia as pessoas pediam para ela dançar samba. É nossa cultura, e o MUNDO gosta. E o Axé é um filho legítimo do samba. Nós, bellydancers xiitas é que estamos erradas em tratá-lo como um filho bastardo.

A Saida, por exemplo. Vamos imaginar que ela termina sua apresentação clássica, faz aquela cara de raiva, coloca uma rosa no meio dos dentes e começa a desenhar passos de tango. É polêmico também?  Ahhhhh Verinha, mas é tango. E é a Saida....

E a Orit? Já pensou se ela começa a rodopiar igual louca fazendo alusão à dança hebraica? Ahhhh Verinha, mas dança israelense é um charme. E é a Orit...

É A MESMA COISA. Cada uma dançando a manifestação cultural mais famosa de seu país. Tá, mas o Brasil é o país do samba e não do Axé, então, pode sambar no meio do solo de derbak, mas não pode dançar rebolation. Puxa vida, é um pensamento, no mínimo, ignorante (desculpe, não encontrei uma palavra mais amena).

E pra quem acha que "Oh, meu Deus, macularam o palco do Egito", fica a fotim de Soraia que nunca achou feio representar nossa cultura nos palcos egícios:


Beijos e boa semana a todas

15 comentários:

  1. Complicado esse assunto, rs... Acho que em meio a essas polêmicas, a gente não pode é esquecer que a dança do ventre também tem um apelo sensual muito forte. Então um público leigo, mais especificamente um homem leigo em danças, talvez nos olhe com os mesmos olhos com que olharia uma dançarina de axé ou funk... Pra gente são coisas diferentes, danças diferentes, motivações diferentes, mas pra muita gente não é, eles simplesmente vêem uma mulher com roupas sensuais e fazendo movimentos sensuais... Talvez o pessoal se irrite porque gostaria de mudar isso e não aproximar uma coisa da outra, então até entendo a irritação, apesar de não concordar com ela...

    Pessoalmente não gostei dessa mistura específica, talvez exatamente por não aguentar mais axé em toda a parte, rs, mas também não odiei...

    Bjus

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  2. Flor, teoricamente concordo com tudo que vc disse, mas ainda me assusto com certas misturas e não quero elas para a minha prática. Há uma distância entre o meu entendimento do assunto e aminha ação.
    É que sou adepta de um estilo mais tradicionalista, gosto das antigas e coisa e tals... mas a cultura é dinâmica demais: ela não se firma, não se estanca, não pára no tempo.
    Nós brasileiras estamos construindo outra relação com a dança do ventre. Gostemos ou não.
    Eu sou da turma que prefere Farid EL Atrach, saia rodada, roupa tradicional e pouca firula. Mas essa turma, não sei se pro bem ou pro mal, tem ficado cada vez menorzinha. Já chego a me considerar uma espécie em extinção.

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  3. O problema não é a dança do rebolation, mas sim o fato de representar o Brasil lá fora com o pior que o Brasil tem. Pq funk, rebolation, axé e derivados fazem parte da criação popular brasileira, sim, mas a qualidade é lamentável.

    Temos uma diversidade riquíssima de danças populares, como maracatu, côco, baião, caboclinho, tambor de crioula, o próprio samba de raíz, a catira, e tantas outras. Mas alguém se dedica a estuda-las para fazer bonito lá fora? Para mostrar o que o brasileiro cria de bom?

    É mais fácil pegar o óbvio e massificado rebolation, que, mesmo sendo nosso, não acrescenta nada, não mostra nada de nossa riqueza musical e cultural, é apenas uma dancinha pra balançar a bundinha nos bailes por aí, numa musiquinha sem nenhuma qualidade, a repetição óbvia da bunda pra lá e pra cá e fim. Ou o rebolation tem alguma letra? Fala algo além de rebolation? Eu não sei, nunca me dei ao trabalho de ouvir a musica toda pra saber, mas acredito que não.

    Sorry, honey, mas acho que o Brasil tem muito mais a oferecer e mostrar ao mundo do que as cadelas do funk ou as popozudas do rebolation. Essa, sinceramente, não é a imagem que eu gostaria de ver da nossa dança brazuca por aí!

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  4. O fato Shá é que nunca estaremos satisfeitos com nada.

    Me incomoda um pouco todo mundo se sentir no direito de falar que é uma bosta porque é rebolation e talz. Minha primeira reação também foi pensar "Putz, que merda, mais uma pra dançar o rebolation", mas, cada um cada um! Ela dançou o rebolation, a Soraia dança samba, amanhã alguém vai inventar outra coisa.

    Não é o "mais fácil". É a escolha da pessoa. Foi pra gringo ver? ÓOOOtemo, não mudou em uma vírgula a visão que o gringo tem de dança brasileira. Ah, Verinha, mas poderia ter pego algo que tem mais a ver com a riqueza da dança brasileira... não mudaria DO MESMO JEITO!!!!!!

    E é preciso lembrar também que as danças que tanto clamamos como nossas, nem nossas são, são muito mais dos africanos do que nossas. Então, de verdade, a dança que o povo chama de BRASILEIRA mesmo, tem muito mais a ver com as popuzudas e com as cadelas do funk do que sonha nossa vã filosofia...

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  5. Mas o rebolation e as cadelas do funk também não são nossa herança cultural, Verinha, visto que nada mais são do que uma reprodução tupiniquim do funk/black music norte-americano.

    Ou seja, se é pra mostrar algo que fazemos, seja de origem africana, islandesa ou russa, mas que é desenvolvido aqui, que se mostre o que há de bom.

    A visão do Brasil tosco pode não mudar, mas a minha visão como bailarina, sim. E a visão que outras bailarinas possam ter da dança apresentada também. Se eu mostro rebolation ao invés de mostrar maracatu, eu estou validando o rebolation como algo bom e que se deve consumir, não é mesmo? E isso é algo que eu jamais faria, por ser um desserviço cultural.

    Penso como mãe, de filhas reais e postiças (alunas): quero que elas possam conhecer e desfrutar do que há de melhor na cultura, seja brasileira ou gringa, portanto, não vou me render ao rebolation sabendo que é uma merda, só pq é popular, todo mundo conhece ou tá na moda.

    Prefiro que elas descubram o que o mundo tem de melhor, e não o pior dos piores. Por isso, em nenhuma circunstância eu acho válido montar uma coreografia com bonde do tigrão e derivados. Pq é uma desinformação, é assinar um atestado de aceitação dessa tosquice que a mídia tenta nos empurrar guela abaixo como cultura brasileira.

    Agora, para quem gosta é um prato cheio. Sim, tem quem goste, quem vá sair por aí reproduzindo isso. Eu só lamento. Mas essa é só a minha opinião, e não uma verdade absoluta. Eu continuo achando um desserviço á cultura brasileira. Mas cada um consome a porcaria que quiser, né, não? Como diria minha vó, o que é de gosto é o regalo da vida!

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  6. É... Direito de julgar, não temos. Mas temos o direito de gostar ou não e eu não gostei. Uma das qualidades que mais aprecio na dança é a elegância e, ao meu ver, Rebolation e elegância não combinam. Concordo com a Shaide, também não é a imagem que eu gostaria que estivesse sendo passada da nossa dança... Mesmo a Soraia que é a Soraia, com sua qualidade técnica inquestionável, preferiria que ela não misturasse tanto samba e axé na dança dela... Mas é o estilo dela, ok, respeito, é o jeito que ela vê de se destacar lá fora, mas prefiro algo mais clássico. Não sou tão tradicional quanto a Lory, gosto de algumas firulas que vem do ballet e do jazz, mas ainda assim no meu entendimento, se é dança do ventre, tem que predominar passos da dança do ventre. Até porque a partir do momento em que a dança do ventre ganhou os palcos, ficaria muito monótono continuar dançando como as antigas executando meia dúzia de passos, por mais bem executados que sejam, a dança no palco precisa ser dinâmica e também atrair e prender o público, mas certas inovações me parecem um tanto apelativas... Outra coisa que não gosto é fan veil e véu wing, sorry, mas acho brega. Enfim, o que espero ver na nossa dança do ventre é qualidade técnica aliada a elegância e coerência. Senão daqui a pouco vai ter bailarina dançando equilibrando uma melancia na cabeça... Se é que alguém já não fez isso em algum lugar... Hehehe.

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  7. seEsse assunto rende tanto que deveria ir pra uma roda de conversa real, com direito a cervejinha e um acarajé...
    Veroca, te mandei um e-mail. Dá uma olhada lá, tá?
    Beijos.

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  8. To contigo Verinha, e gostando cada vez mais da sua sinceridade. Isso é o legal ao escrever com responsabilidade: conteúdo, e discutir temas, não pessoas. Parabéns. beijo grande!
    :)

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  9. Opa! Gostei da ideia, Lory! Com certeza esse assunto em uma roda ao vivo renderia um bocado... Ainda mais tomando uma cervejinha... Hehehe.

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  10. Olá Vera. O seu raciocínio é muito coerente (credo, agora pareci o Dunga), mas não dá para chamar rebolation e toda essa mazela de axé, funk e companhia de cultura. Quer misturar, sem problemas, mas ligue o criticômetro na potência máxima. Misturar axé, funk e aberrações semelhantes é um retrocesso para a dança do ventre e isso não muda de acordo com que faz, seja ela a aluna que começou a fazer aula ontem ou a Soraia Zaied. E sorte da bailarina em questão que pouquíssimas pessoas que estavam na platéia entenderam a letra daquele monte de ruídos conhecido como rebolation. Se entendessem esse seria o maior tiro no pé da história.

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  11. olá, vi agora e achei interessante. Eu acho só que fusão é um negócio delicado, não pode tirar da dança do ventre a cara de dança do ventre! Senão vira qualquer outra coisa!
    Mas, Verinha, perdoe-nos por torcer o nariz.. acho que qualquer um que dissesse: vou dançar rebolation com dança do ventre, ia receber de volta muitas risadas, e possivelmente um: tá zoando, né?

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  12. Comentário sem muita relação: revendo o vídeo da Soraia, pensei: "como esses músicos são sérios...". Ledo engano! Veja a cara do homem que toca os snujs! Nos movimentos mais "tcham" da Soraia (especialmente nas fusões com samba e axé), o cara é só sorrisos! hauhaua

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  13. A dança é uma arte, e a arte tem mil e um jeitos de ser explorada. Achei que ficou bacana até, e sinto dizer que a maioria não tem é orgulho da cultura brasileira. Aí vcs falam, "ah, mas vc tá dizendo que Rebolation é cultura?" Queira ou não é, e foi uma novidade. Todas as bailarinas do mundo que vão no Egito levam as novidades do seu pais pra la...e pq não levar o Rebolation? É uma coisa que contagia, que fica divertida, então não devemos ser preconceituosos a esse ponto de negar nossas proprias raizes. Não teria cabimento a Amara incorporar um tango la né? E mais, quase TODO MUNDO esquece que o maior barato de dançar é se divertir.

    Beijos

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  14. E outra, gosto é gosto, ou vai dizer que tudo que tem de cultura nos EUA é do gosto de todo mundo?

    Ficadica :)

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  15. Samara, concordo em gênero, número e grau com você. No dia em que a dança deixar de ser um prazer e uma diversão, é hora de parar.

    Beijos e obrigada pelo carinho!!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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