31 maio 2010

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De quanto vale a experiência...


Já ouvi do Luiz Marins em uma palestra que um profissional completo é o resultado de uma soma que engloba:

33,333333333% Conhecimento técnico
33,333333333% Talento
33,333333333% Experiência

Porque conhecimento técnico isolado é apenas um apanhado de informações, talento isolado é apenas "vontade de querer ser", e experiência isolada é apenas "os minutos que formaram o dia de ontem". É a mistura dos três fatores que compõe a mágica, a complexidade e a eficácia do profissional.

Sábado, conversando com a Ísis Mahasin (que prazer conhecer essa menina linda, bailarina phodástica e um ser humano fora de série), debatendo sobre o legado da Lulu Sabongi, chegamos à conclusão de que Lulu é o que é porque sua dança reflete, espelha cada detalhe do "momento" que ela está vivendo, e isso é lindo para quem assiste. Não pude deixar de lembrar daquela apresentação histórica de Alf leyla we leyla que ela dança em um de seus DVDs, e seus olhos se enchem de lágrimas ao olhar para alguém que está por trás da câmera... (08:42)



A primeira vez que eu assisti a essa apresentação, mesmo tendo todas as barreiras do meu coração levantadas contra a Lulu (sou meio avessa a unanimidades), me derreti com a beleza, a intensidade, a técnica, a calma, a leveza, tudo... Essa apresentação é realmente épica.

Fico me perguntando se a densidade, a intensidade dessa apresentação seria a mesma se Lulu não tivesse sua história de vida: casamento, filhos, escola, alunas, público, vitórias, derrotas, amores intensos e desilusões, e tudo o mais de que a vida é composta.

Acredito que é disso que o Marins estava falando quando dizia que 1/3 do profissional de sucesso é resultado de sua experiência.  Não só a experiência profissional não... A experiência de vida, tudo o que acumulamos em nossa essência desde o momento do nascimento até o respiro final. E com a bailarina não é diferente, principalmente pelo fato de que a beleza da arte é mostrar com o corpo o que quer dizer o coração...

Porque não é possível expressar um amor infinito sem ter sido marcado por ele, tenha sido correspondido ou não. Como é possivel expressar a dor de ser separado de alguém por quem você daria a própria vida, se nunca amou na vida? Outro dia eu estava tentando fazer uma nova coreografia com Ya Msafer Wahdak, e fiquei andando em círculos com a coreografia pensando "ai caramba, como é que vou desenvolver a expressão para uma música que expressa uma saudade do amor tão intensa"?



Tive o prazer no sábado de conhecer essa pessoa fantástica que é a Sahira Fatin, e me divertir com suas histórias! Uma mulher que conheceu a dança do ventre tardiamente, e nem por isso deixou o receio de que seus "anos de experiência" atrapalhassem sua trajetoria na dança do ventre. E como dança lindo, que intensidade, que feminilidade! Como disse a Luana, uma vez sobre a Sálua Cardi (outra phodástica que amo muito): algo que não se compra na loja nem se implanta na clínica de cirurgia plástica: estrada meu bem! Vivência, experiência!

Não estou desmerecendo as bailarinas mais jovens, pelamor, muita calma nessa hora. Tem muita bailarina phodástica de 18 anos por aí! Mas me dou o direito de me deleitar com uma dança que carrega em cada nota da música cada um dos anos de experiência de vida da bailarina.

E viva a experiência.

6 comentários:

  1. Amor tenho várias alunas jovens que “destroem” no quadril e em técnica mas, qdo peço para fazer uma “batida pélvica” ou na hora de improvisar - coloco uma musica no final para elas dançarem livre- as menininhas se perdem todas e as mais velhas “arrebentam” E qdo falo – olha o charme! As mais experiente já sabem o que são e os pontos fortes!
    E o que me encanta na dança ´- em especial a DV é isso, tem que colocar sentimento, sua alma! E xperiencia meu bem.. realmente não se ensina em sala de aula!! Só quem foi “marcado” sabe o que é dor/amor/felicidade. E vale a mesma coisa pra mim sabe? Sou emocional de carteirinha e de signo de câncer – não demostro muito os sentimentos (pq são intensos) uso a dança para liberta-los seja sorrindo seja chorando! Bjs amei o post

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  2. Amei o post! De uma sensibilidade impressionante...e concordo totalmente com essa proporção talento/experiência/técnica. Beijos, linda!!! Lucy

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  3. É, as mulheres são mesmo como vinhos, baby! E viva a experiência de vida!

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  4. Experiência e maturidade faz diferença. Sim!

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  5. Olá Vera!! Tudo bem?? desde o primeira vez que li esse seu post, adorei!
    Me fez lembrar de uma coisa que me disseram uma vez, há bailarinas que "encantam", e há bailarinas que "emocionam"!
    Vc falou isso, da emoção, das bailarinas que emocionam, levam o público junto com elas. é muito lindo ver isso numa bailarina!
    Parabéns pelo post!

    Bjs!
    sashaholtz.blogspot.com

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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