12 abril 2010

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O Juri


Lembram daquele filme com o Gene Hackmann, que uma viúva processava uma empresa, e a empresa contratava um advogado especialista em constituir um juri que garantisse de antemão a vitória no processo?

Assistindo ontem à competição da categoria profissional no Mercado Persa, fiquei pensando nesse filme.

A banca julgadora da categoria profissional era qualquer coisa "du carái" até mesmo para a mais confiante das bailarinas:

Lulu Sabongi (gira meu bem, senão... caneta)
Aysha Almée (Escola Municipal de Bailados? Não faz um arabesque bom não pra ver...)
Renata Lobo (Postura é TU-DO nesta vida)
Carlla Sillveira (Porque o quadril tem seu valor!!!)
Joelma Brasil (A mais "real" das bailarinas)
Michelli Nahid (Formação clássica também - melhor caprichar ainda mais nos giros e arabesques)
(se havia mais alguém não lembro, mas os nomes acima prometem nitroglicerina para desmontar qualquer ego!!)

Porém, pensando no perfil da banca julgadora, composta com 3 bailarinas com formação clássica mais a Lulu que tem uma QUEDONA para o lado do clássico (aliás, a apresentação do grupo dela foi qualquer coisa Mahmoud Reda MA-RA-VI-LHO-SA de Deus...), não havia chance nenhuma de uma bailarina que não tivesse inclinação para o clássico ganhar o concurso.

Não estou questionando o título da Carol Koga, de forma nenhuma, ela dançou muito bem e teve seus méritos em ganhar (mesmo tendo ignorado completamente o alaúde na fase do Taksim - se eu fosse jurada, canetava seriamente). Mas sinceramente? Na primeira etapa eu já presumia que ela iria ganhar. E isso me aperta o coração pensando nas meninas que ralaram "pá carai", estudaram, se esforçaram, mas não têm o estilo mais comedido, de movimentos menores e mais arabesques e poses. E bem "bonequinha" mesmo.

Eu queria, sinceramente, que a Hayffa ganhasse. Não só pelos predicados dela que todo mundo já conhece: é uma excelente bailarina, professora com grande carisma, batalhadora, tá em tudo quanto é evento - grande ou pequeno - levando suas alunas para dançar, enfim... Estava torcendo pra ela pelo que ela representa: uma bailarina que tá a não sei quantos anos aí no mercado, estuda pra caramba, forma bailarinas também, e depois de muitos anos de estrada decide ir para o Concurso Nacional, ser exposta ao excrutínio dos jurados, com o objetivo de engrandecer uma carreira que já é respeitável. Putz, iria ser o máximo dos máximos.

Aliás, nos últimos anos (desde 2005), tenho visto o concurso profissional do MP se transformar numa vitrine de menininhas bonitinhas - com exceção de 2006 com a Luanna Mello e 2008 com a Jannah el Havanery, todas as vitoriosas tem o perfil de bailarina bonequinha.

Fica a lição: é preciso estudar "estilos" e selecioná-los quando visualizar a banca julgadora. Se o perfil da jurada é de uma dança mais "solta" e menos influenciada pelo ballet clássico, "pule", "grite", enfim, uma dança mais alegre. Se o perfil da jurada é mais para o clássico - capriche nos braços, giros, arabesques, enfim... E tenha também sua chance de levantar "o caneco".

Beijos a todas!!

P.S. - Quem foi que disse que no Taksim a cara de dor é obrigatória gente? Fiz questão de pegar umas egípcias antigas (vários da Najwa Fouad, pra ser mais específica), e nenhuma faz cara de dor no Taksim, pelo contrário, muitos sorrisos. Acho que é coisa de Laurinha mesmo...

7 comentários:

  1. Entendo sua inquietude e me solidarizo, de certa forma.

    Não levo a sério concursos de dança, de nenhuma modalidade, porque vejo dança como expressão humana e Arte. E na minha opinião, tanto um, quanto outro, não se quantifica. Quantificá-los, atribuindo-lhes nota, é perverter a sua função. Mas essa, repito, é a minha opinião e ninguém precisa concordar com ela.


    Infelizmente, os requisitos exigidos nesses concursos são feitos para atender à uma demanda de mercado, que visa eleger como "adequado" apenas um só estilo (ou formato) de dança.

    Há quem ache que este é o caminho para o reconhecimento. Há quem ache que este é o caminho para a alienação. Cada um que saiba o que é melhor para si.

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  2. Nêga, com uma banca dessa, só mesmo uma ballética pra passar. Nada contra as balléticas. Simplesmente amo a Michelli Nahid, mas, na boa, dança do ventre não é só giros e arabesques, hein?
    E essa coisa de ler taksim com cara de dor a gente aprendeu por imitação. Desconstruir isso é que dá pano pra manga!

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  3. mas entao quem ficou com os primeiros, segundos e terceiros lugares profissionais? bjos meninas

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  4. Oi Verinha,

    Por isso digo e repito enfaticamente que, por uma questão ética e de respeito com as participantes, os organizadores de qualquer concurso devem divulgar os nomes dos jurados antes das inscrições.

    Aí cada bailarina decide se submeterá a avaliação daquele jurado, se vale a pena e se o feedback valerá para o seu crescimento.

    Mas eu pergunto: isso é feito? E o feedback, é passado?

    Muitas vezes não, ninguém, reclama e todo ano é a mesma coisa!

    Bjos

    Lalá

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  5. Sinceramente? Fui lá p/ torcer pela minha teacher, que infelizmente não se classificou. Mas assim que botei os olhos na Carol Koga, já formei na minha mente que ela seria uma finalista, talvez a vencedora.
    Será pq o juri é muito ballezístico? Eu não sei.
    Em todo o caso, minha opinião pessoal é de que a Carol, de todas as classificadas, era de longe a mais serena, a mais confiante das bailarinas, e isso se refletiu bastante em seus movimentos. Sua dança não tinha, digamos, aquele desespero de mostrar alguma coisa espetacular; ela simplesmente... fluía! Acontecia! Sem nervosismos, sem caras e bocas e exageros.
    Ela parecia conhecer profundamente a música (ok, fora essa parte do taksim, que francamente eu não vi, por estar ocupada ajustando a câmera), seus movimentos não pareciam nem um pouco improvisados, e sim, calculadíssimos.
    Não sei se ela ganhou por ser "bonequinha"; mas que ela mostrou o tempo todo que SABIA exatamente o que tava fazendo, ah, isso ela mostrou! Parabéns a ela!

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  6. Concordo com a Layla, o ideal é que a banca seja informada pra quem se inscrever no concurso saber exatamente o que te aguarda e decidir se acha que vale a pena ou não passar pela avaliação.

    Já participei e ainda participo de bancas de jurados, mas nunca me submeti a um concurso, nem me submeteria. É tudo muuuuuuuuuito relativo, é a opinião de um punhado de gente, que não necessariamente vai apreciar seu estilo... enfim... mas vai do gosto de cada um, né não?

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  7. Ai flor, não aprovo o resultado de concursos mesmo sem assistir nenhum, acho que opinião é opinião e o resultado sempre será reflexo do que pensa a maioria, o que nem sempre reflete o que eu penso.
    Concordo com a Layla, tem mesmo que divulgar a banca antes.
    Acho que independente das preferências das bailarinas da banca, uma candidata que tivesse um estilo muito diferente mas que fosse marcante e se destacasse em qualidade seria reconhecida. De toda forma, considero todas as profissionais que vc citou como parte desta banca bem abertas ao diferente do seu estilo.

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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