20 abril 2010

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Encantamento


Em uma das minhas últimas andanças pela 25 de março, em meio às minhas procuras de não sei mais o que, que com certeza vai complementar meu já enorme arsenal de acessórios, pude observar algumas meninas escolhendo um traje em uma das lojas de fantasias.

E pensando um pouco mais naquela cena, entendi o porquê de existir tanta energia de fontes nem tão boas assim em nosso meio.

Aquelas meninas, que a mais velha não deveria ter mais de 18 anos, estavam completamente extasiadas na escolha. Uma pegava a roupa preta, colocava por cima da roupa, e exclamava "ah, vai ficar linda com aquele brinco...", a outra olhava o bustiê de borboleta e dizia, "ah, mas essa aqui é bem mais composta, vou ficar com menos vergonha", e a terceira não hesitou em dizer "que ficar com vergonha o que!! Estamos dançando!"

Podem dizer o que quiser, que roupa da 25 de março é isso, ou é aquilo, mas aquele era um momento genuíno habibas. Aquele sentimento que aquelas meninas compartilhavam na compra de seu primeiro figurino de dança do ventre, aquela chama pura da paixão que sentimos ao ter nosso primeiro contato com a dança.

É claro que, se as meninas que estavam alí forem participar de algum evento da ACM Osasco, sua primeira experiência em dança pode acabar com uma avaliação "Fantasias da 25 de março não são figurinos apropriados", porque à medida que cresce nosso conhecimento de dança e figurinos, nos sentimos no direito de menosprezar o figurino alheio, sem nem saber que condições teve aquela pessoa de adquirí-lo.

 Pode ser que aquelas meninas fossem dançar em algum evento. Pode ser que estavam ali simplesmente realizando seu desejo de se vestir de odalisca. Pode ser que depois da primeira apresentação elas nunca mais pisem num palco, pode ser, pode ser, pode ser... Mas a alegria daquele momento habibas, é o sentimento que deveria guiar nossos passos na dança. É aquela alegria que nos faz feliz em nos tornarmos amantes e multiplicadoras da arte.

E é a alegria genuína que devemos distribuir às nossas queridas colegas e parceiras na dança!

Beijos a todas

6 comentários:

  1. É bacana de ver isso né? Lembra o tempo daquela inocência gostosa! Ô saudade!

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  2. Juro que já cheguei a pensar que quanto mais sei, menos me alegro com as coisas. Mas foi só um pensamento leviano, rs, veio e foi embora.

    Sabe o que falta no nosso meio?
    Bom humor!

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  3. atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou por um figurino desses... nos primordios, roupa de 25 era um luxo. Eu tive varias.

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  4. minha aluna comprou uma, mostrou pra mim como se fosse a melhor coisa do mundo e... era!
    Amei ver o sorriso dela e o prazer e o encantamento dela dançando pela primeira vez, com a sua primeira roupa.
    bjo

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  5. Minha prmeira roupa de DV foi igualzinha a essa da foto, em 2002. Eu nem fazia dança,comprei justamente pra me motivar a começar. Nossa, que alegria que foi esse dia!

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  6. Nossa Verinha, que emocionante!
    Minha primeira roupa foi da 25. Lá da lojinha do cantor arábe, mas foi da 25.
    Foi do modelo tradicional da Rua, toda de lantejoulas pratas e foi escolha própria, pessoal, desejo realizado, sabe?
    Por mais que me dissessem que veludo e o escambaou fossem mais nobres, nada me fez desistir de vestir aquela roupa, que por anos e anos eu achei linda.
    A minha estava ontem no varal, minha mãe passou uma água, porque meus gatos fizeram o favor de fazer xixi em todas as minhas roupas, e sabe de uma coisa?
    Eu ainda a acho linda.
    Linda porque foi e sempre será a "minha primeira roupa"!
    E, ao vê-la ali, paradinha, toda brilhante, eu me lembrei da emoção do dia da compra, do dia do desejo "habiba" consumado!
    Beijos!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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