29 março 2010

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Histórias de Bailarina...

Nunca entendi direito o que me impulsionou a fazer aulas de dança do ventre.

Quando eu tinha 15 anos, eu trabalhava com uma moça que fazia aulas em Osasco, e também se apresentava ao lado da professora. Embora eu achasse lindo o figurino e toda a "produção" da bailarina, nunca me vi fissurada de vontade de fazer uma aula para experimentar.

A novela "O clone" aconteceu em meu período de faculdade (lerê-lerê), e meu único tempinho de assistir era o capítulo de sábado - ou dar uma espiadinha no primeiro ou segundo bloco da novela, enquanto estava no boteco em frente a faculdade. Eu achava a história da novela um despropósito, não só em relação à clonagem, mas também do que era passado sobre a mulher muçulmana - sempre resignada e submissa, masss.... Na alcova uma tigresa de quadris enlouquecidos. E quando não estava seduzindo o marido, era obrigada pelo mesmo a representar o papel de "Odalisca fatal" para as visitas. Fala sério. Um HORROR!!!

Então, olhando para trás, realmente não sei explicar o que me motivou a procurar a academia naquela noite de Janeiro de 2004 e me matricular no curso de dança do ventre.

O fato é que me apaixonei perdidamente pela dança, e também pelo universo árabe. Paixão essa que se transformou num amor eterno e duradouro, e, acima de tudo, inabalável.

Até que em Junho daquele mesmo ano, eu pude visitar pela primeira vez a casa de chá Khan el Khalili. Naquela noite, pude assistir a quatro bailarinas. Dessas, 3 me encantaram com sua técnica perfeita, sua leitura musical irrepreensível, e tudo o mais que em sala de aula, eu considerava inatingíveis para mim. Foi aí que ela chegou!

Como uma fada em seu belíssimo figurino azul (que depois descobri ter sido confeccionado por ela mesma), aquela bailarina especial me mostrou não só técnica, não só conhecimento em dança. Ela flutuava, e era tão feliz, que parecia que aquele momento era o melhor de sua vida. Seus braços se moviam de uma forma delicada, na cadência das batidas do coração, tocando o mais profundo da alma. E os movimentos de seu quadril se uniam à melodia tal e qual dois amantes frenéticos e famintos. Aquele era um momento de puro prazer e deleite. E eu tive o privilégio de ser testemunha daquela festa celebrada pela bailarina com sua dança.

De repente eu entendi qual era minha parte naquele todo. E não havia escolhido a dança - a dança é quem me enfeitiçou, e eu estava completamente enebriada... Era tudo brilho, cores, sorrisos, batidas. Tudo tão lindo...

Prometi a mim mesma naquela noite que a minha busca pela dança seria alcançar aquele momento único com meu próprio corpo. E o que sempre me motivaria, em minha mente, em meus olhos e em meus sonhos, seria aquela bailarina que, com sua doçura, seu encanto e seus movimentos perfeitos, me fez entender que eu não poderia viver mais nem um minuto sequer sem reverenciar a arte.

Por algum tempo, que para mim pareceu uma eternidade, ficamos sem vê-la, sem notícias, sem sua dança, sem sua mágica. Mas ela voltou, mais linda, mais viva, colocando sua experiência de vida a serviço da arte. E, habibas, o resultado tem sido ESPETACULAR!

Seu nome? SAMYA JU!



Apaixone-se você também!





3 comentários:

  1. Ai que linda...
    A Samyta é meu ideal de ego de bailarina!
    Adoro! De paixão!

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  2. A Ju tem esse dom de encantar!
    Amo, pela pessoa e pela bailarina que ela é.
    Só para constar, ela é campineirinha gente e eu tenho CERTEZA que esse temperinho é que faz a diferença, hehehe.

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  3. Ai, Vera. Putz Que texto mais lindo do mundo inteiro!
    P!!!!

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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