08 dezembro 2009

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Marketing X Mercado de Dança do Ventre


Eu sempre ODIEI loucamente a aula de marketing na faculdade (é gurias, meu lance é MATEMÁTICA FINANCEIRA, HP, ECONOMIA e estudo de casos das estrelas da bolsa de valores, adouro!),  principalmente porque na faculdade de Administração, a aula de marketing só fala de “auto-ajuda empresarial” e eu não gosto de auto-ajuda of any kind.  Mas uma ou outra aulinha eu guardei na memória. E vim falar hoje do marketing (ou a falta de) aplicado à dança do ventre.


A grosso modo, o marketing mais bem sucedido dentro do “meio” de dança do ventre é o da Casa de Chá. Todo mundo quer dançar lá, todo mundo quer tomar o chá de lá e ver as gurias dançarem, e todo mundo quer usufruir do nome da Casa de Chá, nem que seja “fiz aulas com a fulana que dança na casa de chá”. O slogan escolhido pelo administrador é clichê, mas tem dado certo “Um lugar de sonhos”.  Podemos enumerar uma série de defeitos lá (eu mesma posso dizer pelo menos uns 10), mas com um slogan como o descrito acima e a figura forte de uma bailarina bem sucedida – Lulu Sabongi (que não dança mais lá, mas vai demorar anos até que sua imagem seja desvinculada da Casa), a Casa de Chá vem através dos anos mostrando que não precisa de mídia externa para alavancar seus negócios – tudo é feito de forma “caseira”.
E ainda existe o marketing viral das bailarinas que viram “Padrão Khan el Khalili” em favor da Casa de Chá – essas divulgam às largas os banners da empresa no Orkut, sites pessoais, My Space, Twitter...
E, falando em Marketing Viral, existem ainda muitas bailarinas que enchem nossa caixa de e-mails diariamente com notícias sobre cursos, espetáculos da escola, sugestões de serviços...


Não vou citar nomes, mas mandei um e-mail para uma escola de São Paulo do meu e-mail profissional que é o que mais utilizo, e após esse evento, recebo DIARIAMENTE e-mails com tudo o que a escola acha conveniente: propaganda de ateliers, divulgação de cursos, divulgação do espetáculo da escola, tudo. Não falha: todos os dias,  exatamente às 14 horas, chega um e-mail desse estabelecimento. Se fico com vontade de “comprar o produto”? NÃAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. Pelo contrário. Fico pê da vida com um tipo de abordagem tão insistente e não recomendo pra ninguém.  Acredito que a rede é uma ferramenta poderosa de marketing, mas o fio que separa a divulgação da encheção de saco é, por deveras, tênue.


Mas o que não vemos são as empresas que vendem produtos de dança do ventre utilizarem  ferramentas de marketing, seja ela nas mídias tradicionais, seja em marketing viral.   Enquanto nós demandamos das empresas de telefonia celular, telefonia fixa, TV por assinatura, que nos dêem bônus, períodos grátis e um monte de coisas, nós aceitamos numa boa quando compramos um véu de seda sem desconto, uma roupa de dança por um preço exorbitante.


Na nossa vida “secular” todos os produtos que consumimos têm seu período de preços baixos e liquidações. Em dança do ventre, isso não existe AT ALL, e, nas poucas situações que acontece, representa peças pequenas demais, com defeitos, manchas, lantejoulas faltando, entre outras coisas.
Brindes? Neeeeem pensar. Aliás, deixa eu ser justa: eu já fui fotografada pela Adelita Chohfi “di grátis”, ganhei um sorteio na Mostra Cultural e ela me fotografou e editou as fotos da forma mais profissional possível, e eu não paguei NADA, e no evento Ventremania, da Aninha, alguns dos prêmios das categorias disputadas foram oferecidos pela Therê, dos véus “Silk by Therê”. Fiquei super feliz de ver! Existe esperança!


É claro que em nosso meio, o boca a boca é o marketing mais eficaz, mas nunca é demais ver que as marcas se importam com a gente. Sejam elas restaurantes, escolas, fotógrafos, lojas, etc. 

2 comentários:

  1. Morro de vergonha alheia de gente que faz do spam um twitter indesejado. Fico sem graça. Penso se a bailarina às vezes não sabe que pode estar sendo inconveniente enviando a agenda de shows, entrevistas, aulas e tuuuudo o mais pra todo e qualquer e-mail que passou perto.

    E sobre promoções, brindes e outros atrativos marketeiros... Sinto falta e incentivo a academia que trabalho a fazer, mas não sei exatamente quais são os empecilhos, mas não me atrevo a condenar nada nem niguém pois definitivamente não entendo de marketing - às vezes o argumento está fora da minha compreensão.
    Mas, opinando pessoalmente, talvez uma reivindicação em massa valesse a pena... União faz a força, não?

    Beijoca.

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  2. Parabéns pela Personalidade!!!
    Poucas pessoas teriam a coragem de fazer uma análise dessa sobre o Império que é a Casa de Chá dentro do Mercado de D.V., eu já fui expositor pelos eventos que acontece em S.P. e é assim mesmo, ao ponto de se vc não fizer parte do Clã , seu trabalho será menosprezado.

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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