01 novembro 2009

12

Situações de professora...



Olá habibas...

Hoje vou escrever pra vocês um desabafo de algo que acabou de acontecer comigo.

O grupo Amar el Binnaz é formado por alunas da academia da Galpão 21 Fitness, localizada no bairro da Cohab de Carapicuíba. Como é de conhecimento de todo mundo, a Cohab é um bairro modesto, de pessoas de baixo poder aquisitivo. Lecionar dança do ventre em um local assim e ainda levar as alunas nos festivais é um desafio, pois, nem todas tem condições financeiras de arcar com os custos de um figurino de ateliê. Mas, pessoalmente, não estou nem aí. Quero que minhas alunas dancem com figurinos de ateliê, da 25 de março, whatever, desde que elas DANCEM.

E minhas meninas são dedicadas. Pô, minhas aulas são de sexta feira à noite, então meu concorrente é quase imbatível: a balada. Mas elas são interessadíssimas e não faltam a uma única aula.

Hoje foi a Mostra e Competição Oriental na ACM de Osasco. Decidimos participar por insistência de uma das organizadoras. Lá vamos nós. Ensaiamos muito. Ensaiamos duro.

Hora da apresentação.

Meu candelabro não acendia. Merde!!!!!!!!! Na hora pensei que iria ferrar com a apresentação das meninas que ensaiaram tanto. Decidi tirar o candelabro de última hora e dançar sem nada mesmo.

Jurados com cara muito séria (Me lembro da Dani Fairusa e da Vivian que foi capa do último CD do Tony, e a outra era do corpo docente da ACM), fizemos nosso trabalho e saímos. Missão cumprida.

Hora da premiação. Já havia falado pras meninas que não se espera nada desse tipo de evento, que o importante é participar, blá, blá, blá, que se divertir era o nome do dia. Que iríamos receber as notas e discutí-las em aula, para avaliar os pontos nos quais deveríamos melhorar.  Não ganhamos nada. Não houve primeiro lugar. Não entendi.

Depois que saímos do palco, peguei as avaliações para olhar, as meninas todas em cima para ver os comentários dos jurados. E eis que surge o comentário fatídico:

Figurino - 5 - "Fantasia não é o figurino adequado".

Fiquei sem chão. Eu NUNCA tinha visto um comentário desse nível. O pior, que a jurada em questão (que não se identificou na ficha) nos deu notas altas em Técnica, Harmonia e Musicalidade. Minhas alunas, que fizeram sacrifício até para comprar a roupa na 25 de março, olharam para mim e perguntaram se era isso que seria avaliado. Eu sei que figurino é sempre um dos quesitos de concurso, e sou consciente de que poderíamos perder pontos porque as meninas estavam com roupas da 25 de março, principalmente num concurso onde 80% das competidoras estavam de Tony & Robby. Mas sei também que bom senso cabe em qualquer lugar, e muito embora não houvesse glamour no figurino, havia muita, muita dança.

Fomos ao vestiário. Minha aluna aos prantos me dizia: "Verinha, se for para dançar com figurinos caros, eu terei de parar de dançar, pois não tenho condições". Aquilo para mim era como se fosse uma punhalada. Não da minha aluna, claro, mas dessa "visão" torta que existe no meio de dança do ventre.

Ainda não sei qual foi a lição dessa história. Talvez vocês possam me ajudar.

Bom feriado a todas.

12 comentários:

  1. Vera, sou a Carlinha das Fanáticas e CCS, que mora na Cohab também.
    Um, adoraria ser sua aluna, pelas suas participações nas comunidades, pelo blog, sempre vejo que você poderia ser a professora ideal para mim, técnica de dança e conhecimento dos ritmos... Então tenho que concordar, suas alunas são vitoriosas, sexta á noite é um horário que ainda me faz pensar muuuuuuuito em frequentar umas aulas. Parabéns mesmo pela dedicação.

    Dois, o motivo de vir aqui foi que seu post me comoveu. É fogo ser julgada desta forma, infelizmente figurino é motivo de preconceito.

    Uma vez acompanhei uma amiga em um evento em SP, no fim do ano passado. Ela foi com sua professora - mãe de família, alguns filhos... Pois bem, a moça logo na chegada ao mostrar a roupa para a dona do evento (ela tinha pedido para ver) teve que ouvir que ninguém ía dançar de fantasia da 25!

    Outra bailarina, conhecida também através do Orkut da aluna, nunca tinha visto a professora acabou emprestando um dos figurinos que tinha levado.

    A professora, foi chamada para dançar no palco, uma clássica, que não conhecia, ou não tinha ensaido sei lá, mas no fim, arrasou. Mostrou que sabia e ponto. Mas desde este dia fiquei com um pé atrás com as ricas. Nunca gostei de quem dá muito valor às aparências.

    Oras, sou da Cohab de Carapicuíba, e nunca fui menos gente por isto.

    Mas, gostaria de compartilhar dois vídeos feitos para a CCS, pela Karina Beraldo e sua irmã, Melina Beraldo, dando dicas de roupas baratas.

    Não que eu ache que suas alunas têm que mudar qualquer coisa para agradar quem quer que seja. Pelo contrário.

    Talvez para melhorar os ânimos, quem sabe, uma hora você mostre a elas, que dá para fazer roupas, gastando muito pouco.

    Seguem os links:

    http://www.youtube.com/watch?v=HJUm_GQUkUw

    http://www.youtube.com/watch?v=z4aHbAIyx6o

    Um beijo grande!

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  2. Aí, nêga... acho isso um troço complicado, sabe? Colocar as meninas expostas a esse tipo de coisa. Entendo sua boa intenção, a dedicação, etc, etc... mas vc tem sua auto-estima bem resolvida, é uma mulher madura e pode lidar bem com isso, mas as suas alunas nem sempre vão ter seu nível de maturidade pra lidar com as críticas, sabe?
    É mesmo um troço complicado. Os avaliadores as vezes são bem cruéis e não sei se todo mundo tem condições de se expor a esse tipo de coisa.
    Tô te falando isso de boa, espero que vc não fique chateada.
    Já contei isso no blog da Ró, e vou te contar aqui tb: uma amiga minha parou total de dançar depois que uma avaliadora disse a ela que o figurino não estava adequado pois "se ela não tivesse seios, como ela, que os comprasse". Isso é lá coisa que se diga? E quando a pessoa não tem uma auto-estima legal, como foi o caso dessa minha amiga, pode rolar uma deprê grave, sabe?
    Eu participei de uma única avaliação feita por alguém que não era minha professora, mas nem quis pegar o formulário final pq não estava em condições emocionais de lidar com críticas ácidas que sabia serem padrão daquela mulher.
    O problema é que a gente se coloca na mão de pessoas que não estão avaliando apenas a técnica + emoção + leitura. Estão avaliando se seu corpo é adequado, se sua roupa tá na moda, se vc é fashion...
    Realmente, não me sujeito mais a esse tipo de coisa. E acho que se vc e suas meninas querem continuar nesse caminho, vc vai precisar fazer um trabalho bala de auto-estima e preparo para elas lidarem com comentários maldosos e desnecessários pq, infelizmente, pelo que tenho visto por aí, isso é mais comum do que eu imaginava.
    Beijo, gata!

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  3. Eu acredito que seu objetivo não casa com esse tipo de evento, não adianta ficar dando murro em ponta de faca, você sempre irá ouvir esse tipo de coisa em concursos e eventos desse estilo.
    O negócio é você buscar soluções para que suas alunas se apresentem sem este tipo de cobrança, chás e saraus, por exemplo, costumam focar outros aspectos, acho que seria por aí.

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  4. Minha linda, isso é só um pedaço da vida real que existe lá fora quando a gente descobre outros caminhos da dança além daquele mágico que um dia nos laçou. Já ví muuuuuito disso, quando estava na sua posição e agora estando do outro lado. Segue meu conselho: ouça teus inimigos, eles te fazem crescer. Carlinha te deu um conselho precioso. Considere-o.
    E pra saber (e rir!) que isso não acontece só com suas meninas lindas de Carapicuíba, vou te contar uma passagem minha: Estava em Los Angeles e iria passar por uma audição particular no Biblos, o restaurante "the best", onde dançava Jillina e todas as famosas. Levei 3 de meus melhores figurinos, entre eles um vestido Tony&Roby rosa, M A R A V I L H O O O S O pelo qual na época (2004) eu tinha pago R$800 !! No final, fui contratada com a condição de usar outra roupa que não aquele vestido que era "too much baladi" - ou no popular... muito BREGA!!!! AAAAAA! Que ódio! O que fiz? Vendí o vestido por lá e fui trabalhar com outra roupitcha!
    É a vida...
    Bjkas

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  5. Verinha, não teve premiação de primeiro lugar pq em alguns concursos a premiação é feita da seguinte forma: primeiro lugar para quem atingiu media 10 ou 9 / segundo lugar para quem tem media 8 ou 7 / terceiro lugar para quem tem media 6. Ou seja, se ninguem atinge media final 10 ou 9, o concurso não dá premiação de primeiro lugar.

    Já sobre o resto, é por essas e por outras que peguei nojo da dança do ventre. Não da dança, mas do meio. Já acho errado avaliar figurino, na boa. E se meu figurino for conceitual, e não um traje caracteristico? Perco pontos por isso, obviamente... pela incapacidade do jurado entender que o figurino alternativo tem um motivo pra a coreógrafa. Enfim... nesse mundinho, se salvam poucas pessoas. O resto é cabecinha de côco mesmo.

    Já sobre roupas de 25 de março - não seria até mais bacana e economico se suas alunas passassem a confeccionar os proprios figurinos ao inves de usar essas roupas prontas? Puxa...dá pra gastar até menos do que se gasta com um traje desses e ter um efeito muito melhor no palco!
    Pensa nisso, conversa com elas. Eu NUNCA gastei mais que 100 reais pra fazer uma roupa de dv (o que é ainda menos do que cobram por essas roupas da 25, hj em dia).

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  6. Verinha, aqui no interiorrr passamos pelas mesmas dificuldades em relação a recursos, meu grupo não participa de concursos, apenas mostras, já pra evitar essas coisas, que infelizmente, rolam... minha dica é a mesma das meninas, fazer os próprios trajes, costuma sair bem em conta e fica bonito! E, olha... eu vivo de ajuda,viu?! peço patrocínio pra lojas, empresários, vendemos pizzas e vamo que vamo! manda beijo pra todas elas por mim? e, o mais importante: NÃO DESISTA!

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  7. Oi Verinha, tudo bem? Eu continuo dos dois lados. No passado participei de muitos concursos, um vez, com um figurino de R$600,oo lindo, de duas peças (busti~e e saia bordada) perdi vários pontos, ficando em segundo, pois um cigano que estava no juri não gostou de minha roupa. Acho que ele esperava que eu estivesse coberta de moedas... enfim,... hoje, levo minhas meninas para concursos e participo de juris também. Concordo com as colegas com a idéia de confeccionar a própria roupa, podendo investir não tanto em pedras caras, mas sim em tecidos com efeitos bonitos no palco.
    Infelizmente, para o jurado esse item sempre nos persegue. Eu, quando estou nesta posição, tiro nota só quando aparece uma calcinha desavisada (ou não), uma transparência que grita, saias "pula brejo", ou seja, acima do calcanhar, ou quando o bustiê parece que está dois números abaixo do suficiente. Não tenho problemas com as roupas da 25, mas sei que, infelizmente, nem todas pensam assim, mesmo que TODAS que hoje julgam, começaram com uma dessas. Beijo!

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  8. Oi Verinha, minha linda!
    Bom, no meu Blog eu deixo bem clara a minha opinião sobre concursos: eu os abomino!!!
    Então, ler que vc passou por este triste episódio só vem a ratificar as minhas impressões.

    Quer uma sugestão? Risque este evento do seu caderninho e fuja deste grupo de jurados que não tem empatia e nem sensibilidade.

    Foi uma lição pra vc e suas alunas. Acho que vcs não merecem este tipo de julgamento. Mas agora cabe a vcs a decisão de passar por isso de novo ou não...

    Bjos

    Lalá

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  9. Olá Vera, como diria um amigo meu: me colore que estou bege!!! O problema não está em você ou em suas alunas. Um bailarino, independente da modalidade, deve saber dançar e interpretar o que é pedido pelo coreografo. Se esses jurados estão concentrados no figurino deveriam estar no programa "esquadrão da moda" ou em qualquer outro daqueles "bem úteis" que são transmitidos em horários que quase ninguém assiste e não dando palpite errado em concurso de dança. O que importa num figurino é se ele é adequado ou não e se está atrapalhando ou sujando a coreografia. Que diferença faz o preço, exceto para quem paga?
    Concordo com todas as pessoas que são contra concurso. Por mim boicotaríamos todos eles. Quem sabe assim esses seres se tocam e aprendem que em concurso de dança se julga dança (técnica, desenvoltura, musicalidade, postura, carisma, interpretação, etc.). Frente a tudo isso, figurino é um detalhe cuja etiqueta de preço nem aparece. Desculpe o desbafo, mas acho o fim do mundo reduzir o esforço e a dedicação de um bailarino ao preço do figurino. Levante a auto-estima de suas alunas, pois dança do ventre não é desfile de moda.
    Abraços.

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  10. Ó, vou ser sucinta, que já disseram tudo.
    Concordo com a sugestão das roupas autoconfeccionadas.
    E acho que concurso não é lugar de arte.
    E acho que quem faz esse tipo de comentário muito cheio de autoimportância.
    Era isso. Bjkas.

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  11. Nossa que coisa triste. Nenhum pouco profissional este tipo de comentário. Eu também ficaria chateada de ouvir isso dos jurados...

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  12. Verinha, não tinha lido este post, vim parar aqui por indicação de uma aluna minha que garimpou muito bem e me trouxe aqui, rs. Eu já perdi concurso por causa de figurino. Porque nem minhas alunas nem eu podemos bancar um Tony & Roby. E concurso é essa merda mesmo, visões parciais, avaliações duvidosas, grupo da moda ganhando todas só porque levou uma torcida de 50 pessoas pagantes. Eu parei com os concursos por enquanto. E sou mega adepta dos figurinos faça-você-mesma. No entanto, a professora sempre se ferra, corre atrás disso, corre atrás daquilo, compra pedra, compra tecido, aguenta chilique... É foda. Mas ó, apesar de tudo o que eu falei ser redundante com tudo o que já falaram por aqui, eu tenho que falar. Tô contigo e não abro. E com a Shaide: o meio é uma merda. Eu gosto de você, gosto do teu blog, gosto da tua postura e gosto principalmente da tua consciência, de ter essa visão que colocou no post nesse mundo de plumas e cristais swarozky (sei la como escreve). Eu tb acho que o que importa é fazer a aluna dançar, não os mil reais que fulana tem pra dar no figurino, mesmo a gente ralando pra caraca. Beijo.

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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