20 julho 2009

7

A “Deusificação” das artistas: quem ganha com isso?



Olá meninas...

Eu nem fechei a semaninha de make né? Quando chegar em casa, vou baixar as fotos do evento da Alessandra e posto algumas fotos da minha make, prometo! Não foi uma maaaaaaaaaaaaaaaaaake tão legal assim, mas deu pro gasto. E cílios postiços enooooormes que vcs sabem que neste corpo de mulher mora uma Drag Queen LOCA LOCA LOCA!!

Bom, tem um fato que eu gostaria de comentar com vocês aqui no blog, que já faz um tempão que me deixa bolada: a Deusificação das artistas no meio de dança do ventre. O que é deusificação? É uma palavra que eu quis usar (nem sei se existe) para indicar situações em que a bailarina é considerada deusa, um ser superior, fada, essas coisas. É claro que em sala de aula a gente sempre fala “sejam deusas” e coisa e tal, mas ninguém a não ser nós mesmas, nos tratamos assim.

Mas há artistas no meio de dança que são consideradas “Entes iluminados”. Estão acima da condição de meros mortais, e transmitimos ao artista não só admiração pela técnica, mas uma verdadeira veneração desnecessária. E quando há a descoberta de que o artista não passa de “mais um”ser humano, a decepção atinge níveis arrasadores.

Aconteceu com a minha primeira profe de dança: a professora dela era uma das maiores do Brasil (nem adianta que não vou citar nomes). Ela a considerava uma deusa, alguém além da compreensão de meras estudantes de dança. Uma diva. Daí um belo dia a Diva chega pra ela e diz “Acho que vc tem que participar da aula do tal dia da semana”. Esse dia era dedicado às aulas das bailarinas profissionais. A profe ainda perguntou para a tal Diva “Ce tem certeza?”, a outra respondeu, “Claaaaro”.
Bom, para encurtar a história, passaram-se 3 sextas feiras sem a Diva nem notar a presença da profe, nem corrigir movimentos, nem nada. Daí na quarta semana, a Diva com a maior inocência do mundo perguntou: “Mas você não era do avançado?” Daí a profe respondeu “Sim, eu era, vc me mandou pra cá”. Daí a Diva deu o veredicto: “Não, não, nem pensar, pode voltar pra lá, aqui você não se encaixa não.”

Nem preciso falar que a profe saiu da escola, e quase que saiu da dança também, tamanha foi a decepção que ela teve com a tal “Diva”.

Ano passado me embrenhei em uma discussão no orkut com uma grande aqui de Sampa que também é Deusificada. Recebi dezenas de e-mails carinhosos, dizendo “Você é uma recalcada, uma mal-amada, porque a fulana é um ser iluminado, está acima disso e acima de você”. De quem?

Nossa professora tem de ser vista, antes de tudo, como um ser humano. Que ama, odeia, sofre, ri, faz xixi e cocô, acorda com bafo, descabelada, pode algum dia estar mal arrumada e de lenço com bobs na cabeça. Ou seja: uma mulher normal. Que pode estar de bom ou mal humor, dependendo das condições do dia. A relação entre aluna-professora deve conter admiração, claro, mas, acima de tudo, deve ser uma relação de amizade, de parceria, de generosidade, de compreensão. Por que, 1 aluna satisfeita com suas aulas talvez comente com 4 ou 5 coleguinhas. Uma aluna decepcionada com você levará a informação ruim a, no mínimo, 25 pessoas. Você acha que realmente vale a pena ser deusificada?

Além disso, normalmente, as “Deusas” não fazem aulas com ninguém, são auto-suficientes. Não se atualizam nem se reciclam. Resultado? A dança fica limitada e previsível. E, por conseqüência, deixa de ser interessante. Como diria a (essa sim, de verdade) GRANDE Carlla Sillveira: “Não é privilégio de ninguém que não estude”.

Se você trata sua professora, ou a artista que vc mais gosta como um ser humano normal, esse post não é pra você. Mas se vc pensa que sua professora é “Linda, necessária, vitaminada, Deusa, ente iluminado”, essas coisas, é melhor que você volte sua atenção muito mais para o estudo do que para a pessoa.

Grande beijo.

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Sabe que hoje mesmo eu tava pensando o quanto minha professora é humilde, mesmo sendo bastante conhecida no estado e participando de diversos espetáculos no Brasil e até fora do país...Deve ser relamente super chato ter professoras que se acham as deusas e querem só mostrar que sabem e se promover sem ter interesse verdadeiro em suas alunas, em formar verdadeiras bailarinas.
    Ainda bem que não tenho o que reclamar da Nidal, minha professora, só tenho mesmo a admirar =)

    Beijoo =D

    ResponderExcluir
  3. Nossa, amei o texto!
    Tenho minhas bailarinas favoritas, mas não defino ninguém como "deusa", não acho isso correto, como você disse todos somos seres humanos, ninguém é superior a ninguém e não existem pessoas que saibam de tudo.

    É preferível mil vezes ter uma professora não muito conhecida, mas que te ensine, te transmita o verdadeiro significado e essência da dança do ventre, do que ter uma professora deusa que te trate como "mais uma" de suas alunas..
    Pra mim, a relação entre professora e aluna, como você mesmo disse, deve ser de compreensão, amizade, acima de qualquer coisa.

    Beijinhoos!

    ResponderExcluir
  4. Professoras "Deusas" é o que mais tem nesse mundo, eu mesma já tive professoras que mudaram da água pro vinho só pq começaram a ser mais conhecidas.

    Eu danço a quase 12 anos, e ainda hoje me perguntam "Nooossa, você ainda vai ter aula com fulana??" e eu respondo "Com certeza, a dança é um constante aprendizado, e não tenho vergonha de ser uma eterna aluna"... na verdade o que me entristece é a vaidade que algumas profissionais insistem em alimentar

    ResponderExcluir
  5. Excelente post! Concordo e assino embaixo. 'Deusa' só no céu mesmo, porque aqui na terrinha somos todas simples mortais... beijocas, adoro seus posts!!

    ResponderExcluir
  6. Óóótimoooo post guria!
    falta mesmo entender que td mundo vem e vai pro mesmo lugar um dia! ;)

    ResponderExcluir
  7. Noooossa, necessário esse texto, abalou!

    ResponderExcluir

Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...