20 fevereiro 2009

2

Sobre rótulos e afins...

"Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos uma mundo doente."
(Renato Russo - Índios)

Bom gente, essa discussão sobre o que faz de uma bailarina uma profissional, os requisitos para ser profissional, quantidade de treino de uma profissional, corpo de uma profissional, alunas de uma profissional, cursos profissionalizantes de uma profissional, figurino de uma profissional, método de ensino de uma profissional... tá bombando por aí, tem post no blog da Lu, artigo da Aisha Jalilah, um monte de coisa sobre isso, a minha única posição é a história que vou contar abaixo (fatos reais, porém com os nomes trocados):

“Havia um pastor. Reverendo Matias. Pernambucano, boa praça, gente boa toda vida. Tinha vindo do Recife com sua esposa, e durante a semana dava aulas numa escola pública. Não raro as atividades da igreja durante a semana batiam de frente com os compromissos do pastor com o seu trabalho chamado “secular”. Reverendo Matias nunca negociou com a escola, sempre com a igreja. Esta era sua postura. Havia também um seminarista na igreja, Serafim, que criticava com afinco o posicionamento do pastor. À boca pequena falava que “Reverendo Matias pra mim não é pastor, ele é professor, e pastor amador”. Eu sempre achei o Reverendo Matias um ótimo pastor, bom conselheiro, bom líder... seu único “senão” era não estar na igreja às vezes durante a semana, mas isso não desmerecia suas qualidades de pregador. Perguntei a ele uma vez sobre seu posicionamento ele me disse que suas obrigações de ministro estavam em dia, porém que um trabalho secular tem exigências que devem ser respeitadas, e ele precisava do trabalho secular para providenciar um melhor nível de vida para sua família. E finalizou dizendo que ele poderia ser pastor de uma igreja, mas em primeiro lugar ele era pastor de sua família, e que um pastor dá abrigo, alimento, carinho e proteção às suas ovelhas. Se eu achava que ele fazia errado de ter um emprego, saí da sala de cara no chão concordando com tudo o que ele disse.

Mas, pra quem não sabe, o seminarista um dia vira pastor. E com o seminarista Serafim não foi diferente. Ele foi ordenado pastor, e foi obrigado a adaptar sua vida de ex-executivo de sucesso com o dia-a-dia da vida sacerdotal. Pastor ganha salário, mas esse salário depende da fidelidade dos fiéis com o dízimo e as ofertas. Como a igreja na qual ele era pastor não fazia parte do circuito “compre sua vida abençoada”, as ofertas eram escassas, e o dízimo não tinha uma regularidade. Então o salário dele às vezes atrasava, nem sempre era pago de forma integral, e às vezes não era nem pago. Essa foi a primeira igreja.

Sua segunda igreja, a qual ele achava que iria ser diferente, foi a mesma coisa.
A terceira igreja foi a mesma coisa. Mas a terceira igreja coincidiu com o terceiro filho. Com as despesas aumentando, ele foi obrigado a olhar para seu título de Mestre em Administração de empresas e Logística da Fundação Vanzolini (USP), que até então era um pálido diploma no fundo da gaveta – pra quem é pastor com mestrado em teologia, sua formação anterior é meio que “deixada de lado”, e pensar num plano “B”. Bom, voltar ao mercado como executivo, depois de 6 anos é quase impossível, ainda mais depois dos 40 anos. Bem, o agora Reverendo Serafim é quase um gênio em matemática, dono de um respeitável QI de 132 pontos, parece uma esponja absorvendo todo o conhecimento a que tem acesso. “Bom, eu poderia dar aulas de matemática...” ponderou.

Começou com as aulas 2 vezes por semana, à noite, nos dias em que não havia culto. As coisas melhoraram com o dinheiro extra. Depois 3 vezes por semana, à noite. Depois 3 vezes por semana à tarde e à noite. As coisas melhorando, melhorando.... Depois todos os dias, de tarde e de noite.
Agora o concurso para professor efetivo do Estado foi impugnado, e os professores contratados da rede pública perderam suas cadeiras. Reverendo Serafim está, como se diz lá no norte, “com as mãos na cabeça”. Como ficaria o Reverendo Matias, ao saber da situação do Reverendo Serafim? Será que iria rotulá-lo “ele não é Pastor, é professor”, como havia sido com ele?

Jesus, que é minha maior inspiração dentro da minha profissão (administração de empresas) , e dentro da minha admiração por dança do ventre, por suas palavras de amor e sensatez já havia nos ensinado, 2000 longos anos atrás “não julgueis, para que não sejais julgados, não condeneis para que não sejais condenados”.

Bom carnaval.

2 comentários:

  1. Oi gata,

    Passei aqui para responder o recadinho que vc deixou no meu blog. Eu JAMAIS vou mudar meu carinho por vc apenas por que temos opiniões discordantes, pelo contrário, meu respeito e admiração por vc só aumenta!

    Admiração e respeito recíprocos não se alteram por posicionamentos, muito menos por discussões de alto nível como as nossas.

    Sua participação lá é sempre mais que bem vinda, independente das nossas opiniões.

    Um beijão!

    ResponderExcluir
  2. Olá... Td boom?

    Fazem alguns meses que eu acompanho o seu blog, e gosto muito do que sempre encotro por aqui. Você, sempre tão bem descontraida, com uns assuntos bem interresantes... Sempre que entro na internet, seja pra estudar Dança, ou para os estudos da escola, ou no serviço, ou no lazer, dou uma passadinha para 'verificar' as novidades... e sempre ADORO o que eu encontro...
    Adorei o post, me fez pensar bastante em qual faculdade seguir, mas não me fez mudar de idéia... mas é sempre bom rever os conceitos não é?

    Visite meu Blog também, estou começando agora, e seria legal algumas dicas, de assuntos, ou coisas do tipo, espero que goste, pois eu AMO o seu!

    Bjão
    Amanda!

    ResponderExcluir

Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...