10 fevereiro 2009

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Aprendizado em vídeos... eterno dilema...

Hi Gals...

Em primeiro lugar vou contar uma história pra vcs...

Eu estava na sala de aula, me alongando. Esperando a professora terminar os preparativos da aula. Daí chegou a aluna nova. Cumprimentou a prô, arrumou suas coisas e foi para onde eu estava a fim de “socializar”. Com uma altivez incomum já começou me perguntando: “Você faz aulas há quanto tempo? Já está dando aulas?” Como assim? A conversa não começa sempre com “Oi, meu nome é Vera, qual é o seu?” Sei lá... vai ver eu é que não entendo das coisas.
Respondi. “Comecei minha primeira turma há pouco tempo”. A realidade é que não gostei muito da pergunta mesmo. E minha primeira impressão não foi realmente das melhores. Mas a conversa continuou.
“Quais foram suas professoras?” – que diferença isso faz no relacionamento aluna-aluna? Menina curiosa!!! “Rahiza e Aleeha na academia perto de casa, Shahar Badri na casa de chá e Shaide Halim”. “E as suas?”
Ah, as minhas foram: Lulu Sabongi, Soraya Zaied, Fátima Fontes, Claudia Censi, Hayat el Helwa e Fádua Chuffi.
NA HORA pensei: vixe, a mina deve ser foda mesmo!!! Só estudou com feras. E deve dançar há um monte de tempo porque quando a Soraya foi embora mesmo? 2002?
Bom, foi mais forte do que eu, mas não consegui segurar a curiosidade e perguntei: “Nossa, você teve aulas com a Soraya onde? Na casa de chá?” Daí veio a resposta pra tanta professora fera: “Não, não, são minhas professoras por vídeo” (Culpa da Lulu, que no vídeo “Reconhecendo os estilos das grandes estrelas” diz alto e claro – se você estudou essas bailarinas por vídeo, elas foram suas professoras).
Pensei animada: “Ótimo, meu currículo vai ficar lindo se eu citar minhas “professoras” do vídeo também: Raqia Hassan, Nadia Gamal, Asa Sharif, Nelly, Fifi Abdo, Sohair Zaki, Najwa Fouad, Randa Kamel, Dandash, Jillina, Ansuya, Dolphina, Tamallyn Dallal, Suhaila Salimpour, Orit Maftsir, Amal Gamal, Rachel Brice, Amani, Sharon Kihara, Khajira Djoumahna e mais todas essas nacionais que ela citou.” Esqueci alguém?
“Sou autodidata! Meu aprendizado é com os vídeos!”
Para encurtar a história: ela me informou que ministrava aulas havia 3 anos e queria iniciar um projeto de dança, por isso procurou uma escola “convencional”.
Sabe no que fico pensando habibas? Nas ALUNAS de uma pessoa que nunca pisou numa sala de aula. Não desconfio do talento, de forma nenhuma. A Nájua ta aí pra provar que o talento supera a falta de ensino. Mas não era absolutamente o caso. Vários movimentos estavam cheios de vícios, fora a dificuldade de realizar movimentos mais elaborados, e a dissociação era algo quase INEXISTENTE.

O aprendizado em vídeos é válido e necessário. Acho pobre o aprendizado somente em sala de aula, é preciso assistir vídeo aulas, apresentações para somar sua dança, questionar, enriquecer seu repertório musical... Mas transformá-lo em sua única fonte de estudo pode ser perigoso! Quem vai te cobrar:
“Olha a postura”
“Alonga esse braço menina”
“Pára de roubar!!! Shime triangular é triângulo, não é duas pontas não”
“Pés para frente, olhe a posição dos pés!!”
“Redondinho não é oito pra baixo, pára de enrolar e faz direito”.
“Ouça a música, faça na batida da música”.
Em aula parece um saco esses avisos, mas são imprescindíveis para o crescimento do nosso nível técnico.
Como é possível que eu cobre isso da minha aluna, se eu não pude aprender isso?


Seguindo essa linha de pensamento, comecei a pensar no Tribal.

Conheço várias profissionais que nunca tiveram uma única aula de tribal “ao vivo”, mas imitam lindamente a Rachel Brice. Ralam pra caramba, estudam o vídeo à exaustão, e reproduzem os movimentos “tal e qual” vêem no vídeo. E uma boa parte dessas bailarinas tem uma base sólida de dança do ventre, já dão aulas há um bom tempo.

Existem também as referências nacionais, que manjam mooooooito de tribal e desenvolveram um estilo único que virou ícone: Shaide Halim e Karina Iman. A Karina Iman já conhecia de um vídeo da Fátima Fontes, dança muita DV e seu grupo de tribal RULEZ!! A Shaide dispensa babação de ovo, todo mundo sabe que ela é uma bailarina completa: ballet clássico, flamenco, contemporâneo, DV, indiano...

Mas o que tenho visto muito ultimamente são bailarinas que acordam num belo dia de sol e “decidem” montar uma coreo de tribal. Saem à cata de DVDs mil, assistem aquela tradicional apresentação das superstars no Folie Bergére e montam a tal coreo: não pode deixar de faltar os cambrês com paradinha da Rachel Brice e os braços de gatinho, e o figurino de tribal. Daí vai, apresenta, com bastante ensaio dá tudo certo!

E a professora dá o veredicto: Oh, agora estou habilitada a DAR AULAS de tribal, afinal, ta todo mundo apaixonado por tribal e eu quero engrossar meu dimdim né?

Infelizmente, é o que tenho mais visto por aí. E dá-lhe cópia mal feita da Rachel Brice.
Um beijo!

3 comentários:

  1. Ket,
    concordo demais com a ênfase que você deu na relação ensino-aprendizado. Geralmente criticamos o estudo exclusivo de vídeos por seus efeitos na dança, mas nos esquecemos do desajuste que isso pode causar na transmissão da dança. Didática não se aprende em vídeo. Nota 10 para seu post!
    P.S.: quem chega tirando onda geralmente não dança tudo o que fala.

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  2. Gata,
    foi mal ter te chamado de Ket. Viajeeeei!

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  3. Caaara, se alguém fala isso pra mim...

    Tá bem, essa afirmação da Lulu, dói nos meus ouvidos sempre que eu me lembro. Cara, eu respeito muito a Lulu, sempre deixo isso claro, mas mano, se eu fosse ela me retratava urgentemente! Ô comentáriozinho infeliz...

    Tenho dois pensamentos a respeito disso. A DV tem uma cultura forte de estudos por vídeo que nasceu quando não tínhamos professoras e não sumiu até hoje, por que é difícil mudar um hábito.

    Muitas das bailarinas antigas, como a Samira Samia, afirmam ter tido todo seu conhecimento adquirido através de vídeos. Essas afirmações, normalmente feitas sem ressalvas, incentivam meninas a fazerem o mesmo e acharem que são profissionais.

    Mas hoje a realidade da dança em geral é outra. Ng mais aceita isso e a técnica evoluiu muito!

    A outra coisa é que nós que temos essa consciência temos que nos posicionar contra esse comportamento! Bradar as 4 ventos que as coisas mudaram e fazer a nossa parte no quesito 'abrir os olhos' das pessoas ao nosso redor. Eu acredito muito que várias andorinhas sozinhas fazem verão sim!

    Beijos linda, amei o texto...

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Mentes que pensam e fazem os outros pensar!!! Muito obrigada pelos seus comentários.

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